segunda-feira, 16 de novembro de 2015

31º Capitulo - Isso nunca acaba bem

(Magda)

            O Nico levou-me até casa da Carol, subi, ela estava a ouvir música nas alturas enquanto cantarolava Se tu me queres diz-me que também queres, se tu não queres também diz que não queres, sinto que queres mas não compliques…. Estava toda sorridente, alegre, não parava um minuto, estava um pouco estranha, antes de lhe perguntar o quer que fosse fui tomar banho e trocar de roupa para irmos às compras. Fomos até ao Colombo, entramos em algumas lojas, experimentamos umas peças mas não gostamos de nada, decidimos ir almoçar. Escolhemos ir ao Vitaminas, eu comi uma salada de frango e ela de atum.
- Nem te perguntei, o Lisandro sempre foi jantar contigo?
- Sim, sim foi – respondeu toda atrapalhada
- Que se passa contigo? Estás estranha
- Nada, estou normal
- Não me mintas, Carolina Maria! Já te conheço
- Oh bolas…
- Conta lá, não há segredos entre nós
- Eu conto mas por favor não comentes com ninguém, nem com o Osvaldo!
- Já sabes que podes confiar, estou a ficar curiosa
- Eu e o Licha envolvemo-nos – disse ela super baixo mas ainda consegui perceber
- Tu o quê????
- Ohhh tu ouviste
- Mas foram só uns beijinhos ou?
- Ou… – olhou para mim a rir enquanto olhava para ela chocada
- Mas vocês andam?
- Nada disso
- Então? Explica-te, estou a ficar confusa
- Just friends
- Como o filme?
- Yes – fez-se silêncio durante alguns minutos, não queria acreditar na loucura que a minha amiga cometera – diz alguma coisa por favor
- Isso nunca acaba bem – ela ficou a olhar para o prato, começando a brincar com o resto da comida que lá tinha com a ajuda do garfo – mas vocês já falaram sobre isso?
- Não – voltou a evitar o contacto visual comigo – nós jantamos, depois sentamo-nos para ver um filme, encostei-me a ele, começou-me a fazer festinhas, a ser um querido, o clima começou a ficar quente até que nos beijamos, eu não resisti àquele rapaz e pronto
- E quando terminou não falaram?
- Eu pedi para falarmos depois, queria que pensássemos primeiro com calma no que tínhamos feito
- Fizeste bem, assim têm tempo de racionalizar as coisas e não estragam a vossa amizade
- Pois foi nisso que pensei
- Ele dormiu lá em casa? – acenou que sim – e se eu voltasse para casa como combinado?
- Ele tinha ido embora antes que chegasses mas o Nico ligou a avisar que não vinhas então ele ficou
- Ao menos trocaste os lençóis? É que senão durmo no sofá – rimo-nos
- Sim, troquei não te preocupes
- Acho bem! Mas falando a sério, já decidiste o que lhe vais dizer?
- Sim mas primeiro quero ouvir o que ele tem para dizer
- Está bem, então depois quero saber tudo – o meu telemóvel começou a tocar e atendi – hola
- Hola chinita, tenho um convite para ti – disse o Gaitán
- Diz-me
- A partir das 16h estás livre?
- Acho que sim porquê?
- Porque o Maxi pediu-me para ficar com as crianças para poder ir jantar com a Anna e precisava de ajuda…
- Quem é? – perguntou baixinho a Carol
- Nico
- Fogo, não se largam agora? – tirou-me o tele da mão – estás a interromper o meu tempo com a minha amiga!
- Olá para ti também Carolina
- Olá Niquito – devolveu-me o telefone
- Desculpa por esta doida e sim aceito o teu convite
- Então ás 16h/16h30 passo por aí
- Está bem, até logo
- Até logo – desliguei.
- Tu és maluca, Carol
- Também gosto muito de ti – disse a minha amiga levantando-se – vamos continuar a nossa busca? – acenei que sim e fomos.
Peguei no telemóvel para espreitar as redes sociais, no instagram vi as fotos que o Nico tinha sido identificado e encontrei lá o miúdo que me tinha pedido a foto ontem, ele postara a nossa foto juntamente com a dele e o Gaitán onde tinha como descrição “Eu, o Nico e a sua namorada J”. A foto estava cheia de comentários a perguntar quem eu era, como me chamava, se ele tinha a certeza que a rapariga era namorada do Nico, como ele tinha conseguido aquilo. Só me ria ao ler aquilo e mostrei à Carol
- Deixa-me comentar, dizer que a conheço, por favor
- Nem penses, és minha amiga e tens fotos comigo. Ia começar a perseguição e eu não quero isso – disse eu mais exaltada – estou muito bem no meu anonimato!
- Tem calma, tem calma! Estava só a brincar contigo
- Acho bem – continuamos o passeio pelo centro comercial

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(Carolina)

            Depois de finalmente arranjarmos algo para levar ao jantar, voltamos para casa e às quatro e tal o Gaitán foi buscar a minha amiga e com ele veio o Lisandro que iria ficar comigo para falarmos e esclarecermos tudo. Eu estava confusa com tudo o que se tinha passado, estava nervosa porque o teria que encarar, falar do que queria ou não, do que sentia. Um misto de sentimentos estava a surgir! Estivemos algum tempo a conversar, ou melhor evitar falar do óbvio, até que o tema de conversa terminou e o silêncio fez-se sentir.
- Bem temos que falar não é? – perguntei eu
- Dizem que sim, posso começar?
- Deves – ri-me para tentar desanuviar um pouco o ambiente
- Não sei quanto a ti mas gostei bastante da noite passada – olhou para mim a sorrir – sei que para ti sou só um bom amigo, que não nutres qualquer outro sentimento por mim e eu sinto o mesmo por ti mas eu tenho que confessar que tu mexes com o meu sistema, mexes com as minhas hormonas. Acho-te muito gira, sensual, és muito sexy – ao ouvir aquilo corei logo, fiquei envergonhadíssima – escusas de corar, só estou a dizer a verdade – sorri para disfarçar a minha timidez – sinto-me bastante atraído por ti e quando estou contigo só me dá vontade de te agarrar, beijar, tirar-te a roupa e deixar as coisas acontecerem – soltei uma gargalhada só de imaginar as mil e uma coisas possíveis de se fazer – estás-te a rir?
- Sim, desculpa
- E tu o que sentes? O que achas disto tudo?
- É como tu dizes, o único sentimento que nutro por ti é mesmo amizade! – olhei à minha volta para arranjar coragem para dizer o que realmente pensava – mas vou ser sincera esses abdominais não me deixam indiferente – corei só de imaginar quando ele ficou sem camisola à minha frente – és muito sexy e muitas vezes fico a imaginar-me a percorrer cada centímetro do teu corpo, então esses abdominais, ai jesus – soltei uma gargalhada e ele também – mas não sei o que fazer
- Eu tenho uma sugestão mas não sei se concordas
- Chuta
- Já que nos sentimos atraídos um pelo outro, não temos qualquer compromisso com terceiros – olhou para mim - porque não matamos este desejo carnal que existe entre nós?

- Friends with Benefits?

- Tipo isso

- Mas tenho algumas observações, sugiro que enquanto andarmos nisto não nos podemos envolver sexualmente com mais ninguém

- Concordo, e quando acharmos que estamos a começar a ficar interessados em alguém pomos um fim nisto?

- Sim também concordo

- Então ficamos “amigos”? – perguntou ele fazendo o gesto das aspas

- Parece-me que sim

- Então já posso fazer isto – com uma mão agarrou-me pela cintura, puxando-me para junto dele fazendo-me deitar no sofá e deitou-se por cima de mim pregando-me alto beijo. Um beijo cheio de desejo, paixão, caloroso, deixando-me sem fôlego. Eu retribuí, o que gerou beijos cada vez mais intensos, gerou mais desejo entre ambos. Ele começava a tentar tirar-me a camisola, mas coloquei a minha mão sobre a dele, empurrei-o fazendo com que saísse de cima de mim e se sentasse. Decidi inverter o jogo, levantei-me colocando-me na frente dele, sorri-lhe, tirei a camisola bem devagar sem tirar os olhos dele que sorria cada vez mais, tentou agarrar-me pela cintura mas dei-lhe uma chapada na mão. Desapertei o botão das calças e lentamente fiz com que elas deslizassem pelas pernas abaixo continuando a olhar para ele. Via no olhar dele que estava desejoso de me ter nos braços dele e isso estava me a dar um gostinho especial, saber que ele estava à espera que lhe desse permissão para avançar. Sentei-me no colo dele de frente, colocando as pernas à volta da cintura dele e rapidamente nossos lábios voltaram-se a unir – tu és doida – sussurrou ele ao meu ouvido.

Começou a beijar-me a orelha, o pescoço, desceu até ao peito, olhou para mim como espécie de “posso avançar?”, eu retribui o sorriso maroto e segundos depois estava-me a encher de beijos, beijos quentes, longos, cheios de desejos. Coloquei os braços à volta do pescoço dele, levantou-se eu prendi as minhas pernas à sua cintura para não cair, continuamos a beijar-nos até que ele me pousou na cama, tirou a roupa, tirou-me a lingerie e em momentos entregamo-nos um outro. Foram momentos de prazer, de loucura, de satisfação. Quando o cansaço já dominava os nossos corpos, cada um caiu para seu lado da cama, cobrimo-nos com o lençol, agarrou-se a mim, ficamos em conchinha, deu-me um beijo na bochecha e adormecemos.

 

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(Magda)

            Eu e o Gaitán fomos diretos para casa do Maxi, assim ele e a Anna podiam ir passear antes e ir jantar para aproveitar o tempo só para eles. Quando lá chegamos, eles apresentaram-me a casa, os miúdos que se agarraram logo ao Nico, despediram-se dos pais e fomos para o jardim jogar à bola. Passado um pouco a Belém sentou-se aborrecida junto à portada que dá acesso a casa.
- Então não queres jogar mais? – perguntei-lhe sentando-me ao pé dela
- Não, estou farta de jogar à bola. É sempre como eles querem
- O que queres fazer? Eu brinco contigo – ela sorriu
- Quero jogar um jogo na Wii
- Então vamos – levantei-me, dei-lhe a mão e fomos para dentro enquanto os rapazes ficaram no jardim.
            Ela levou-me até à zona onde tinha as consolas, montamos tudo, começamos por jogar bowling, ela ganhou o primeiro jogo e eu o segundo. Depois escolheu outro jogo que não conhecia e como é óbvio ela ganhou, ela dominava aquilo.
- És mesmo boa nisto
- O meu pai ensinou-me os truques todos
- Deste me uma coça – fiz-lhe cócegas e ela riu-se
- Posso por música?
- Claro que sim, a casa é tua
- E danças comigo?
- Tens é que me ensinar os passos
- Eu ensino, vou buscar o ipod – ela deu uma corrida até ao quarto e num instante voltou, escolheu uma música e esteve-me a ensinar. Ela mexe-se mesmo bem, tem jeito para a coisa. Dançamos mais duas músicas enquanto os rapazes continuavam lá fora, não sei como não se cansam de jogar à bola.
- Belém, danças mesmo bem
- Obrigada Magda – abraçou-me
- Tive uma ideia: e se ensaiássemos uma música e depois do jantar apresentássemos aos teus irmãos e ao Nico?
- Simmmm – gritou ela enquanto pulava no sofá.
Escolhemos uma música e estive a ajudá-la a inventar uns passos até que finalmente o Tiago, Tomás e Gaitán voltaram para dentro já todos cansados.
- Estava difícil - comentei eu
- Eles são demasiado energéticos, estou cansado e com fome
- Que dizem de irmos fazer pizza para o jantar?
- Sim – respondeu o Tomás
- Eu sei fazer, eu sei fazer – gritava o Tiago
- Primeiro vamos todos lavar as mãos – eles foram logo a correr enquanto me dirigi para a cozinha procurando na net uma receita rápida de fazer a massa.
            Como eles tinham Bimby foi mais rápido e fácil de preparar a base, bastou meter todos os ingredientes lá para dentro e deixar bater. Enchemos a bancada com farinha, o Osvaldo dividiu a massa em 5 bocados iguais, cada um de nós amassou a sua parte e esticou-a. Quando olhei estavam os gémeos à guerra com farinha, rimo-nos imenso porque estavam ambos com a cara toda branca, sem lhes ralhar fui para o meio deles ajudando-os a esticar a massa enquanto o Nico ajudava a Belém. Colocamos o molho de tomate por cima, o queijo, fiambre, cogumelos, e mais queijo para terminar.
- Querem ver o que vou fazer? – disse baixinho para os gémeos
- Sim – disseram em coro, fiz sinal para não fazer barulho, peguei num pouco de molho de tomate com o dedo, aproximei-me do Niquito e borrei-lhe a cara. Ele imediatamente veio atrás de mim para se vingar – foge Magda, foge! – eles meteram-se no meio para impedir que me apanhasse
- Tenho dois belos guarda-costas – disse fazendo-lhe uma careta, mas ele conseguiu libertar-se dos miúdos e apanhou-me enchendo-me a cara com molho de tomate, farinha e eu sem me conseguir defender. O Tiago aproxima-se
- Toma lá – atirou-lhe com uma mão cheia de farinha e eu soltei uma gargalhada. Estava a ser mesmo divertido aquela “guerra”. O Nico pega nele ao colo e vira-o ao contrário
- Pede desculpa ao tio anda lá – enquanto lhe fazia cócegas e nós nos riamos.
- Desculpa, desculpa tio
- Acho bem – pousou o Tiago no chão, colocamos as pizzas no forno e enquanto os miúdos ajudavam o Gaitán a meter a mesa eu limpava a bagunça que tínhamos feito naquela cozinha.
            Jantamos, as crianças foram para o sofá ver televisão enquanto colocávamos a louça na máquina, juntamo-nos a eles. Sentei-me junto do Nico e ele abraçou-me
- Vocês dão beijinhos como o pai e a mãe? – perguntou inocentemente o Tomás que nos fez soltar uma gargalhada
- Sim, também damos – respondeu o Nico
- Podem dar um para eu ver? – olhamos um para o outro e eu a pensar que aquilo não seria boa ideia mas sem contar senti os lábios dele junto aos meus. Foi um beijo breve e suave – só isso tio? Pensei que desses daqueles como nos filmes – ele riu-se
- Isso não é para a tua idade meu menino
- Acho que a Belém tem algo para nos mostrar não é? – pisquei-lhe o olho, ela ligou o ipod, colocou a música que tínhamos escolhido e começou a dançar. No final do primeiro refrão, veio-me buscar para me juntar a ela e assim o fiz. Quando terminamos os rapazes bateram palmas, nós agradecemos e voltamos a sentar
- Podemos jogar um jogo? – perguntou o Tiago
- Mas está na hora de irem para a cama
- Vá lá tio Nico, vá lá deixa! – pediram muito os três
- Está bem, o que querem jogar?
- Escondidinhas – disseram em coro
- Então só vale aqui na sala, ok?
- Ok és tu a encontrar-nos – ele tapou os olhos com a ajuda da almofada e contou até 50.
O primeiro a ser descoberto foi o Tomás, depois a Belém, eu e por fim o Tiago. De seguida foi a vez do Tomás de nos encontrar, eu fui a primeira, o Tiago o segundo, a Belém a terceira e faltava o Gaitán. Estava difícil de o encontrar, pusemo-nos os quatro à procura do tio, até que quando me aproximo da cortina, sinto uma mão a puxar-me o braço, era ele, soltei um pequeno berro com o susto e num ápice tinha os lábios dele a calar-me, cedi àquele beijo longo, apaixonado. No instante a seguir os miúdos metem a cortina para o lado
- Iuuuu que nojo! – gritou o Tomás tapando logo com a cortina, olhamos um para o outro e desatamos a rir. Saímos dali juntando-nos a eles
- Vá agora está na hora de ir lavar os dentinhos e caminha – disse o Nico
- Só mais um jogo – pediu a Belém
- Noooo, senão o teu pai mata-me – foram para cima, lavaram os dentes, vestiram os pijamas e deitaram-se.
Despedi-me primeiro da menina, que me abraçou, agradeceu por brincar e dançar com ela, pediu para voltar lá mais vezes e eu prometi que assim o faria. Depois fui ter ao quarto dos gémeos, missão mais complicada pois eles não param quietos.
- Vá lá meninos, assim não volto mais cá
- Mas tens que voltar cá, queremos brincar mais – disse o Tiago
- Então toca a deitar e fechar os olhinhos – e assim fizeram. Dei primeiro um beijo ao Tiago e depois ao Tomás que me abraçou e disse
- Gosto muito de ti, tia Magda – sorri ao ouvir aquilo, não estava nada a contar.
            Apagamos a luz, descemos para a sala à espera que os pais das crianças chegassem, sentamo-nos no sofá bem agarradinhos
- Tens muito jeito com crianças – disse o Nico
- Eles é que são adoráveis
- E gostaram muito de ti
- Também gostei muito deles
- Até te tratam de tia
- Fiquei mesmo surpresa quando o Tomás me chamou isso
- É bom sinal
- Espero que sim, a Belém também é muito fofa e querida
- Ela às vezes sente-se sozinha por não ter mais nenhuma menina para brincar, enquanto que os gémeos têm-se um ao outro
- Eu reparei quando fui ter com ela no jardim e por isso é que fui brincar com ela. Sei bem o que é não ter mais nenhuma menina para brincar
- Pois, tu és filha única não é?
- Sim mas sempre brinquei com o meu primo, passávamos muito tempo juntos
- Deve ser diferente
- Sim claro. Tu já tiveste sorte nisso, tinhas o Guido
- É verdade, brincamos muito juntos quando eramos pequenos. Sempre a jogar à bola
- Pois não deviam fazer outra coisa
- No – riu-se
- Tiveste um infância feliz é o que interessa
- Não me posso queixar em relação a isso
- Mas olha que tu também tens muito jeito para crianças
- Estou habituado a estar com os meus sobrinhos e com estas pestes
- Muito bem
- Já podemos ter os nossos filhos como pais experientes que somos – disse ele fazendo-me cócegas
- Não inventes, Osvaldo Fabián! – olhei para ele com cara de poucos amigos
- Estou a brincar contigo, chinita – dando-me um beijo na bochecha.
            Continuamos a conversar, a namorar, a ver televisão até que pouco depois das 22h30 o Maxi e a Anna regressaram.
- Como correu? – perguntou ela
- Bem, eles são umas pestes adoráveis – respondi eu
- Dizes isso porque foi a primeira vez
- Aposto que não, eles portaram-se bem e trataram-me muito bem
- São meus filhos, esperavas tratamento diferente? – perguntou o Maxi na brincadeira
- Pai babado – repostou o Nico
- Fiz um bom trabalho, admite lá?
- Fizeste sim senhora mas digam lá, aproveitaram a noite para me fazer outro sobrinho? – rimo-nos
- Já foi feito a alguns meses atrás – respondeu a Anna
- O quê? Vocês vão ser pais novamente? – perguntei imediatamente
- Sim – ela sorriu colocando as mãos na barriga – foi por isso que fomos comemorar
- Muitos parabéns – o Nico abraçou o Maxi e eu a Anna. Fiquei mesmo contente por eles, sabia que para os sul-americanos ter a família a crescer era importante – depois quero saber se é menina ou menino
- Aposto que é um Maxi Júnior – disse o pai
- Ainda é cedo para saber mas mal saiba eu digo. Por favor não comentem isto com ninguém, não quero que se saiba de nada para já – pediu a Anna
- Não te preocupes, segredo guardado
- Obrigada e obrigada por ficarem com as crianças
- Não tens de quê, gostei bastante - olhei para as horas, começava a ficar tarde e o Gaitán ainda teria que me levar a casa - Vamos indo? – perguntei, ele acenou que sim, despedimo-nos do casal e fomos embora.

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(Carolina)

            Acordei ainda a sentir os braços do Lisandro à minha volta, olhei pela janela e vi que já era de noite. Estiquei-me para alcançar o telemóvel para ver as horas, fiquei perplexa
- Acorda, acorda – abanei-o – já são nove da noite, daqui a pouco a Magda está aí e não nos pode ver neste estado
- Bom dia para ti também – deu-me um beijo no ombro
- Primeiro é boa noite e segundo veste-te enquanto faço o mesmo para depois preparar algo para comermos – ia a tentar sair da cama mas ele agarrou-me
- Calma, eles só devem voltar perto das onze – começou-me a beijar – podíamos aproveitar
- Nem penses – empurrei-o, conseguindo sair da cama – veste-te que ainda temos que arrumar isto – peguei na minha roupa e fui para a casa de banho vestir-me.
            Quando voltei, ele já estava vestido, estava só a terminar de apertar as sapatilhas. Fui para a cozinha tentar fazer algo para comer. Enquanto tratava disso ele punha a mesa, comemos massa com atum e cogumelos
- Desculpa ser isto mas não tinha paciência para fazer outra coisa
- Não te preocupes, eu gosto e está muito bom. Dá para matar a fome
- Ainda bem, senão fosses jantar a casa da tia Joana
- Quem? - ri-me pois esquecera que ele é argentino e provavelmente não conhece isto
- Esquece, é uma expressão que usamos cá em Portugal
- Contaste à Magda?
- O quê?
- Isto – apontando para a cama
- Ahhh isso, contei – continuando a comer – vais dizer que não contaste ao Niquito?
- Por acaso no – fiquei boquiaberta a pensar que se calhar devia ter ficado calada e não ter contado nada a ninguém mas eu não conseguia esconder nada da minha melhor amiga, ela sabia que se passava algo e eu não lhe podia mentir – estou a brincar contigo
- Agora assustaste-me, estúpido
- Eu reparei na tua cara
- Achas isso bonito? Brincar com os meus sentimentos?
- Não exageres! Só pedi opinião ao meu amigo sobre o que fazer e o que ele achava disto tudo
- Então foi como eu
- O que ela te disse?
- “Isso nunca acaba bem”
- Ele disse o mesmo
- A sério? Estão mesmo bem um para o outro rimo-nos.
Acabamos de comer, arrumamos a cozinha, depois fui buscar os lençóis novos e ele ajudou-me a mudar a cama. Já eram os terceiros em menos de vinte e quatro horas, não podia continuar com este ritmo senão a conta da luz e da água ia disparar só a lavar a roupa. Quando terminamos sentamo-nos no sofá para ver televisão mas a campainha tocou
- Mesmo a tempo – levantei-me para abrir a porta, eram os pombinhos
- É seguro entrar? – perguntou ela
- Porque não haveria de ser?
- Diz-me tu – piscou-me o olho e entraram. Lisandro levantou-se
- Vamos? Já é tarde – perguntou ele e o Gaitán acenou que sim
- Até qualquer dia – disse eu em tom sarcástico, cumprimentei o namorado da minha amiga primeiro e depois o outro tono que me sussurrou ao ouvido
- Vais ter saudades minhas
- Sempre tão convencido – dei-lhe um murro no braço e saíram de minha casa.
            Mal bati a porta de casa, fui bombardeada com perguntas da Magda: “então?, como ficaram? O que decidiram?”. Expliquei-lhe tudo direito, contei-lhe como tinha corrido a tarde e ela repetiu “isso nunca acaba bem mas vocês é que sabem”. Para mudar o assunto, perguntei como tinha sido com os filhos do Maxi, ela adorou e contou-me tudo. Pouco tempo depois adormecemos.
            Acordamos às 8h, pois como eu era funcionária da Sonae tinha direito a usufruir de um dia no ginásio Solinca e poderia levar um amigo, então combinamos que iriamos hoje, comemos algo leve e lá fomos nós. Começamos por fazer meia hora na passadeira, outra meia hora na elíptica, escolhemos experimentar as aulas de body combat, gap e zumba, esta última não era novidade para nós. No final, para relaxarmos, fomos até ao jacuzzi e a sauna, depois tomamos um duche rápido, sem molhar o cabelo, só mesmo para tirar o suor do corpo e fomos embora. Estávamos exaustas, eu principalmente pois não estou habituada a fazer exercício desde o acidente enquanto que ela vai todas as semanas à zumba.
Chegamos a casa, preparamos algo rápido para almoçar pois já eram quase duas e meia, sentamo-nos no sofá para ver tv e acabamos por adormecer. Acordei sobressaltada, olhei para o relógio e já passavam das cinco e meia.
- Magda, acorda! Temos que nos arranjar
- Ah? Deixa-me estar
- Temos o jantar lembraste? – ela deu um salto
- Eiii o jantar, que horas são?
- 17h40
- Temos que nos despachar, ainda temos que ver como vamos para lá
- Vai tu primeiro tomar banho que demoras mais enquanto vejo o caminho na net
- Tens aqui a morada – pegou nas coisas dela e foi.
            Enquanto ela se terminava de arranjar no quarto/sala, fui tomar banho e vestir-me. Ela esticou o cabelo e eu deixei o meu ao natural. Dei de comer ao HappyMeal e saímos.



Quando chegamos a casa da Brenda, depois de andarmos um pouco perdidas, ela abriu-nos a porta e ficou a olhar para nós pois não nos conhecia.
- Oi? Posso ajudar? – perguntou ela, estava deslumbrante, sempre bem arranjada. Usava um vestido curto salientando bem os seus atributos de brasileira até me deixou por momentos com inveja daquele corpão.
- Boa noite, eu sou a Magda, a namorada do…
- Gaitán, certo? – acenou que sim e cumprimentou-a
- Esta é a minha amiga Carolina – cumprimentei-a
- Entrem, entrem – fazendo o gesto com a mão, nós entramos – só faltavam mesmo vocês
- Peço desculpa mas como não conhecíamos isto andamos um pouco perdidas – pediu a minha amiga.
            Na sala já estavam as mulheres de todos jogadores, que nos olharam de cima a baixo, perguntando-se quem seriamos. A Anna mal nos viu, aproximou-se e apresentou-nos a todas que aos poucos fui reconhecendo das redes sociais.
- Tens que me ajudar, não as conheço – sussurrou-me a Magda
- Pelos nomes chegas lá?
- Nop – comecei apontando pelo olhar e dizendo quem são, era fácil identificá-las.
Estavam em vários grupos: as brasileiras (Karina, Susana, Gabi, Melina, Adriana, Valéria, Keadyla, Anna Paula), que se destacavam pois também são mais; as portuguesas (Marta, Vanessa, Rute, Maria Luís, Maria João) e as de outras nacionalidades (Charlene, Suzana, Vesna). A Anna dava-se bem com todas, pois está cá há imenso tempo tal como a Brenda, eram as anfitriãs da festa basicamente.
Eu e a Magda ficamos um pouco desconfortáveis pois não sabíamos a quem nos juntar, não conhecíamos ninguém, não teríamos assunto excepto aqueles banais. Ficamos a conversar com a Anna até que algumas delas se juntavam a nós para nos conhecer. A primeira a juntar-se a foi a Vanessa, sempre a achei simpática e correspondeu à verdade. Ela é muito querida, afável, até nos convidou para sentar junto às restantes portuguesas e nós aceitamos uma vez que a Anna foi ajudar a Brenda. Sentamo-nos junto delas e a chuva de perguntas foi surgindo: de onde éramos, o que fazíamos, como conhecemos o Nico e o Lisandro, a nossa idade, entre outras.
- És do Porto? – perguntou a Marta (mulher do Sílvio) para a Magda
- Sim, somos as duas mas ela está cá a viver
- E como consegues conciliar o estudo e o namoro? Não deve ser fácil
- Não é fácil, não podemos estar juntos sempre que queremos mas acabamos por dar a volta a isso e sempre que é possível aproveitamos bem o tempo. E além do mais estamos no início e ainda nos estamos a conhecer, aprender a lidar um com o outro
- Não me imagino longe do Paulo – disse a Rute (mulher do Paulo Lopes)
- Nós estamos habituadas a estar longe deles quando vão em estágio ou jogam longe mas não é como vocês, dou-vos os parabéns por conseguirem – felicitou a Vanessa
- Como costumam dizer “quem corre por gosto não cansa” e acho que é um pouco assim – sorriu a minha amiga
- E tu e o Lisandro, são só amigos ou há algo mais? – perguntou-me a Maria João que me deixou completamente sem resposta, engoli a seco
- Somos só bons amigos
- Olha que ele é um borracho – deu-me um ligeiro toque com o cotovelo, eu soltei uma gargalhada e elas riram
- É um borracho sim senhora, mas não é para mim – olhei para a Mag que se ria de toda a situação pois ela sabia toda a verdade
- Vou servir o jantar – anunciou a Brenda, levantamo-nos e fomos para a mesa.
            A mesa estava lindíssima, tudo em tons de bordô, preto e prateado, gostei imenso. Já tinha visto no instagram que ela tinha jeito para estas coisas nas suas publicações, mas hoje tinha a certeza. Sentei-me junto da Magda que tinha a Anna à sua frente e eu a Karina, foi algo instintivo que as brasileiras foram se sentando perto da Karina as portuguesas junto de nós e depois as outras meninas.
- A decoração está lindíssima – comentei – a Brenda está de parabéns
- Obrigada minha querida mas não fui só eu. Quem tratou desta mesa lindíssima foi aqui a minha amiga Karina a mulher do Artur sorriu um pouco envergonhada
- Tens mesmo jeito para isto, eu tenho visto o que tens postado nas redes sociais e adoro
- Eu agradeço o elogiu. Gosto bastante destas coisas, acho que estes pormenores dão outro toque no jantar
- Sem dúvida alguma, então estas argolas em forma de laço nos guardanapos dão um toque diferente, um toque de menina – disse a Magda
- Foi por isso que as escolhi – respondeu a Karina.
Continuamos a conversar sobre a decoração, alguns episódios caricatos que lhes aconteceram e voltaram as questões sobre de onde éramos, como conhecemos o Gaitán e o Lisandro, como o casal se tinha apaixonado, entre outras mil perguntas enquanto jantávamos.
- Brenda, nem perguntei, porque a Magali não pôde vir? – perguntou a Susana (mulher do Júlio César)
- Está em Madrid
- Porquê? Ela e o Salvio estão separados? – olhei de imediato para a minha amiga.
Eu sabia perfeitamente o porquê daquele afastamento, eu sabia exatamente as razões por estarem chateados e sentia-me culpada em parte por isso. Sim sinto-me culpada porque fui eu que encostei o Licha à parede para contar a verdade, fui eu que o pressionei, insisti. O resultado disso: Toto e Magali separados, casamento em risco, família em risco. Porque tenho grande boca? Porque não fiquei quieta? Se eles acabam por se separar vou viver com este sentimento de culpa para sempre! O Valu não merecia ter os pais separados por causa da minha teimosia, por eu achar que o mais correto seja a verdade, por eu ser uma intrometida, por eu me preocupar com os outros, por eu ser uma estúpida! Naquele momento só me apetecia desaparecer mas controlei-me e respirei fundo ficando calada.
- Foi passar uns tempos com a mãe e os irmãos para o filhote deles se distrair e poder estar com o resto da família – respondeu a Anna
- Então foi só passar uma temporada? – perguntou a Gabi (mulher do Jardel)
- Sim, umas semanitas – “será que a Anna sabe da verdade e arranjou esta desculpa ou foi o que Salvio dissera ao Maxi?” perguntei eu aos meus botões
- Fazem eles muito bem, assim o Valu pode conhecer outras crianças, outros ambientes. Ajuda ele a crescer – disse a Brenda.
            Levantamo-nos, dirigimo-nos para a sala, formando outra vez os grupinhos mas desta vez todos misturados. Eu fiquei junto da Brenda, Karina, Susana e Charlene a conversar sobre receitas de comidas, sobremesas, decoração das mesas. Fomos falando sobre o que já tínhamos experimentado fazer e o que gostávamos de fazer. Gostei bastante de conversar com elas, eram divertidas, espontâneas, simpáticas. Foi um bom serão.

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(Magda)

            Enquanto a Carol estava com o grupinho dela, eu juntei-me à Anna, Keadyla, Marta, Vanessa, Valéria, Adriana e Gabi. Estavam a falar dos filhos delas, de como tinham crescido, como ia a escola, no caso dos que ainda eram bébé, como o Gustavo, filho do Sílvio, os passos que já tinha dado: a primeira papa, a primeira palavra, os primeiros passos, etc.
- Como está a correr essa gravidez? – perguntou a Gabi
- Vai bem, está crescendo bem. Vai ser um rapazão – respondeu a mulher do César, rimos enquanto ela tocava na sua barriga
- Desculpe a indiscrição, mas que idade tem? – perguntei-lhe
- Tenho 20 anos
- E já vais ser mãe! – exclamei espantadíssima. Ela tem a minha idade e já vai ser mãe? Isso para mim seria impensável neste momento
- Sim, vou. Foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, foi uma dávida de Deus
- Melhor presente de todos, ser mamãe – repostou a Adriana
- Ser mãe é sem dúvida o melhor amor que se pode ter, o mais genuíno de todos – disse a Anna que olhou para mim a sorrir pois ela contara-me da sua recente gravidez
- É verdade – concordaram todas as mamãs ali presentes
- Tu e o Nico já pensam em constituir família? – perguntou-me a Anna
- Não
- Porquê? Vocês são namorados é normal que planeiem as coisas – aquilo na minha cabeça não fazia sentido
- Porque estamos juntos há pouco tempo não é para pensar em filhos tão cedo
- Depois têm que pensar nisso, tens muito jeito com crianças. Os meus filhos adoraram-te e já perguntaram quando lá voltas – sorri ao saber que os miúdos tinham gostado de mim
- E também têm que pensar em casar – sugeriu a Valéria
- Pois é, o Gaitán já tem idade para isso – repostou a Anna.
            Aquilo começava a deixar-me completamente desconfortável, eu não concordava com nada daquilo. Não são os planos que tenho para a minha vida neste momento, só quero terminar o curso, fazer mestrado, namorar, viajar, divertir-me com os meus amigos, arranjar um emprego e depois sim pensar em constituir família. Olha eu com vinte anos a ter um filho e a subir ao altar, ai que horror! Cada vez que imaginava isso ficava mais irritada, confusa, desorientada. Estava a sentir-me a mais no meio delas.
- Com licença – pedi, levantei-me, dirigi-me até à Carol, puxei-lhe o braço e sussurrei – vamos embora daqui e não faças perguntas
- Ok, tens alguma desculpa?
- Não, usa a tua imaginação
- Brenda, peço desculpa mas temos que ir embora. Amanhã trabalho bem cedinho e tenho que descansar
- Ohhh tenho pena estava a gostar bastante de falar contigo – respondeu ela
- Terminamos a conversa noutro dia, combinamos todas e passamos a tarde a cozinhar – sugeriu a minha amiga
- Brilhante ideia, me dê seu contacto para depois combinarmos isso – ela pegou no telemóvel e apontou o número.
            Despedimo-nos de todas, uma a uma, até daquelas que mal falamos ou nem sequer falamos, como o caso da mulher do Sulejmani e mulher do Talisca. A Brenda e a Anna levaram-nos à porta
- Gostei bastante de vos conhecer, têm que aparecer mais vezes – disse a mulher do Luisão
- Também gostei bastante – respondi e sorri – mais uma vez obrigada pelo convite e pelo jantar, estava tudo fantástico – cumprimentei-as
- Depois combinamos a nossa tarde de culinária – disse a Carolina cumprimentando-as
- Fico à espera. Até uma próxima – elas fecharam a porta, entramos no carro e fomos para casa.
            Estava a passar naquele momento, a música “El taxi” do Osmani Garcia levantei o volume e comecei a cantar para me abstrair. Não me apetecia falar, só queria esquecer aquela conversa ridícula, sem sentido nenhum. Queria esquecer a parte “ele já tem idade para se casar”, sei que ele é mais velho que eu mas… será que não serei a pessoa ideal para ele? Será que sou nova demais para continuarmos juntos? Será que esperamos coisas diferentes da relação? Aiii, tantas perguntas! Não quero pensar nisto!

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