(Magda)
O Nico levou-me até casa da Carol,
subi, ela estava a ouvir música nas alturas enquanto cantarolava “Se tu me queres diz-me que também
queres, se tu não queres também diz que não queres, sinto que queres mas não
compliques…”. Estava toda
sorridente, alegre, não parava um minuto, estava um pouco estranha, antes de
lhe perguntar o quer que fosse fui tomar banho e trocar de roupa para irmos às
compras. Fomos até ao Colombo, entramos em algumas lojas, experimentamos umas
peças mas não gostamos de nada, decidimos ir almoçar. Escolhemos ir ao Vitaminas,
eu comi uma salada de frango e ela de atum.
- Nem te perguntei, o Lisandro sempre
foi jantar contigo?
- Sim, sim foi – respondeu
toda atrapalhada
- Que se passa contigo? Estás estranha
- Nada, estou normal
- Não me mintas, Carolina Maria! Já te
conheço
- Oh bolas…
- Conta lá, não há segredos entre nós
- Eu conto mas por favor não comentes
com ninguém, nem com o Osvaldo!
- Já sabes que podes confiar, estou a
ficar curiosa
- Eu e o Licha envolvemo-nos – disse ela
super baixo mas ainda consegui perceber
- Tu o quê????
- Ohhh tu ouviste
- Mas foram só uns beijinhos ou?
- Ou… – olhou para
mim a rir enquanto olhava para ela chocada
- Mas vocês andam?
- Nada disso
- Então? Explica-te, estou a ficar
confusa
- Just friends
- Como o filme?
- Yes – fez-se
silêncio durante alguns minutos, não queria acreditar na loucura que a minha
amiga cometera – diz alguma coisa por
favor
- Isso nunca acaba bem – ela ficou a
olhar para o prato, começando a brincar com o resto da comida que lá tinha com a
ajuda do garfo – mas vocês já falaram
sobre isso?
- Não – voltou a
evitar o contacto visual comigo – nós
jantamos, depois sentamo-nos para ver um filme, encostei-me a ele, começou-me a
fazer festinhas, a ser um querido, o clima começou a ficar quente até que nos
beijamos, eu não resisti àquele rapaz e pronto
- E quando terminou não falaram?
- Eu pedi para falarmos depois, queria
que pensássemos primeiro com calma no que tínhamos feito
- Fizeste bem, assim têm tempo de
racionalizar as coisas e não estragam a vossa amizade
- Pois foi nisso que pensei
- Ele dormiu lá em casa? – acenou que
sim – e se eu voltasse para casa como
combinado?
- Ele tinha ido embora antes que
chegasses mas o Nico ligou a avisar que não vinhas então ele ficou
- Ao menos trocaste os lençóis? É que
senão durmo no sofá –
rimo-nos
- Sim, troquei não te preocupes
- Acho bem! Mas falando a sério, já
decidiste o que lhe vais dizer?
- Sim mas primeiro quero ouvir o que
ele tem para dizer
- Está bem, então depois quero saber tudo
–
o meu telemóvel começou a tocar e atendi –
hola
- Hola chinita, tenho um convite para
ti –
disse o Gaitán
- Diz-me
- A partir das 16h estás livre?
- Acho que sim porquê?
- Porque o Maxi pediu-me para ficar
com as crianças para poder ir jantar com a Anna e precisava de ajuda…
- Quem é? – perguntou
baixinho a Carol
-
Nico
- Fogo, não se largam agora? – tirou-me o
tele da mão – estás a interromper o meu tempo
com a minha amiga!
- Olá para ti também Carolina
- Olá Niquito – devolveu-me o
telefone
- Desculpa por esta doida e sim aceito
o teu convite
- Então ás 16h/16h30 passo por aí
- Está bem, até logo
- Até logo – desliguei.
- Tu és maluca, Carol
- Também gosto muito de ti – disse a minha
amiga levantando-se – vamos continuar a
nossa busca? – acenei que sim e fomos.
Peguei
no telemóvel para espreitar as redes sociais, no instagram vi as fotos que o
Nico tinha sido identificado e encontrei lá o miúdo que me tinha pedido a foto
ontem, ele postara a nossa foto juntamente com a dele e o Gaitán onde tinha
como descrição “Eu, o Nico e a sua namorada J”. A foto
estava cheia de comentários a perguntar quem eu era, como me chamava, se ele
tinha a certeza que a rapariga era namorada do Nico, como ele tinha conseguido
aquilo. Só me ria ao ler aquilo e mostrei à Carol
- Deixa-me comentar, dizer que a
conheço, por favor
- Nem penses, és minha amiga e tens
fotos comigo. Ia começar a perseguição e eu não quero isso – disse eu mais
exaltada – estou muito bem no meu
anonimato!
- Tem calma, tem calma! Estava só a
brincar contigo
- Acho bem – continuamos o
passeio pelo centro comercial
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(Carolina)
Depois de finalmente arranjarmos
algo para levar ao jantar, voltamos para casa e às quatro e tal o Gaitán foi
buscar a minha amiga e com ele veio o Lisandro que iria ficar comigo para
falarmos e esclarecermos tudo. Eu estava confusa com tudo o que se tinha
passado, estava nervosa porque o teria que encarar, falar do que queria ou não,
do que sentia. Um misto de sentimentos estava a surgir! Estivemos algum tempo a
conversar, ou melhor evitar falar do óbvio, até que o tema de conversa terminou
e o silêncio fez-se sentir.
- Bem temos que falar não é? – perguntei eu
- Dizem que sim, posso começar?
- Deves – ri-me para
tentar desanuviar um pouco o ambiente
- Não sei quanto a ti mas gostei
bastante da noite passada – olhou para mim a sorrir – sei que para ti sou só um bom amigo, que não nutres qualquer outro
sentimento por mim e eu sinto o mesmo por ti mas eu tenho que confessar que tu
mexes com o meu sistema, mexes com as minhas hormonas. Acho-te muito gira,
sensual, és muito sexy – ao ouvir aquilo corei logo, fiquei
envergonhadíssima – escusas de corar, só
estou a dizer a verdade – sorri para disfarçar a minha timidez – sinto-me bastante atraído por ti e quando
estou contigo só me dá vontade de te agarrar, beijar, tirar-te a roupa e deixar
as coisas acontecerem – soltei uma gargalhada só de imaginar as mil e uma
coisas possíveis de se fazer – estás-te
a rir?
- Sim, desculpa
- E tu o que sentes? O que achas disto
tudo?
- É como tu dizes, o único sentimento
que nutro por ti é mesmo amizade! – olhei à minha volta para arranjar
coragem para dizer o que realmente pensava –
mas vou ser sincera esses abdominais não me deixam indiferente – corei só
de imaginar quando ele ficou sem camisola à minha frente – és muito sexy e muitas vezes fico a imaginar-me a percorrer cada
centímetro do teu corpo, então esses abdominais, ai jesus – soltei uma
gargalhada e ele também – mas não sei o
que fazer
- Eu tenho uma sugestão mas não sei se
concordas
- Chuta
- Já que nos sentimos atraídos um pelo
outro, não temos qualquer compromisso com terceiros – olhou para
mim - porque não matamos este desejo
carnal que existe entre nós?
- Friends with Benefits?
- Tipo isso
- Mas tenho
algumas observações, sugiro que enquanto andarmos nisto não nos podemos
envolver sexualmente com mais ninguém
- Concordo,
e quando acharmos que estamos a começar a ficar interessados em alguém pomos um
fim nisto?
- Sim
também concordo
- Então
ficamos “amigos”? –
perguntou ele fazendo o gesto das aspas
- Parece-me
que sim
- Então já
posso fazer isto – com
uma mão agarrou-me pela cintura, puxando-me para junto dele fazendo-me deitar
no sofá e deitou-se por cima de mim pregando-me alto beijo. Um beijo cheio de
desejo, paixão, caloroso, deixando-me sem fôlego. Eu retribuí, o que gerou
beijos cada vez mais intensos, gerou mais desejo entre ambos. Ele começava a
tentar tirar-me a camisola, mas coloquei a minha mão sobre a dele, empurrei-o fazendo
com que saísse de cima de mim e se sentasse. Decidi inverter o jogo,
levantei-me colocando-me na frente dele, sorri-lhe, tirei a camisola bem
devagar sem tirar os olhos dele que sorria cada vez mais, tentou agarrar-me
pela cintura mas dei-lhe uma chapada na mão. Desapertei o botão das calças e
lentamente fiz com que elas deslizassem pelas pernas abaixo continuando a olhar
para ele. Via no olhar dele que estava desejoso de me ter nos braços dele e
isso estava me a dar um gostinho especial, saber que ele estava à espera que
lhe desse permissão para avançar. Sentei-me no colo dele de frente, colocando
as pernas à volta da cintura dele e rapidamente nossos lábios voltaram-se a
unir – tu és doida – sussurrou ele ao meu ouvido.
Começou a
beijar-me a orelha, o pescoço, desceu até ao peito, olhou para mim como espécie
de “posso avançar?”, eu retribui o sorriso maroto e segundos depois estava-me a
encher de beijos, beijos quentes, longos, cheios de desejos. Coloquei os braços
à volta do pescoço dele, levantou-se eu prendi as minhas pernas à sua cintura
para não cair, continuamos a beijar-nos até que ele me pousou na cama, tirou a
roupa, tirou-me a lingerie e em momentos entregamo-nos um outro. Foram momentos
de prazer, de loucura, de satisfação. Quando o cansaço já dominava os nossos
corpos, cada um caiu para seu lado da cama, cobrimo-nos com o lençol,
agarrou-se a mim, ficamos em conchinha, deu-me um beijo na bochecha e
adormecemos.
------------------
(Magda)
Eu e o Gaitán fomos diretos para
casa do Maxi, assim ele e a Anna podiam ir passear antes e ir jantar para
aproveitar o tempo só para eles. Quando lá chegamos, eles apresentaram-me a
casa, os miúdos que se agarraram logo ao Nico, despediram-se dos pais e fomos
para o jardim jogar à bola. Passado um pouco a Belém sentou-se aborrecida junto
à portada que dá acesso a casa.
- Então não queres jogar mais? – perguntei-lhe
sentando-me ao pé dela
- Não, estou farta de jogar à bola. É
sempre como eles querem
- O que queres fazer? Eu brinco
contigo –
ela sorriu
- Quero jogar um jogo na Wii
- Então vamos – levantei-me,
dei-lhe a mão e fomos para dentro enquanto os rapazes ficaram no jardim.
Ela levou-me até à zona onde tinha
as consolas, montamos tudo, começamos por jogar bowling, ela ganhou o primeiro
jogo e eu o segundo. Depois escolheu outro jogo que não conhecia e como é óbvio
ela ganhou, ela dominava aquilo.
- És mesmo boa nisto
- O meu pai ensinou-me os truques
todos
- Deste me uma coça – fiz-lhe cócegas
e ela riu-se
- Posso por música?
- Claro que sim, a casa é tua
- E danças comigo?
- Tens é que me ensinar os passos
- Eu ensino, vou buscar o ipod – ela deu uma
corrida até ao quarto e num instante voltou, escolheu uma música e esteve-me a
ensinar. Ela mexe-se mesmo bem, tem jeito para a coisa. Dançamos mais duas
músicas enquanto os rapazes continuavam lá fora, não sei como não se cansam de
jogar à bola.
- Belém, danças mesmo bem
- Obrigada Magda – abraçou-me
- Tive uma ideia: e se ensaiássemos
uma música e depois do jantar apresentássemos aos teus irmãos e ao Nico?
- Simmmm – gritou ela
enquanto pulava no sofá.
Escolhemos
uma música e estive a ajudá-la a inventar uns passos até que finalmente o
Tiago, Tomás e Gaitán voltaram para dentro já todos cansados.
- Estava difícil - comentei eu
- Eles são demasiado energéticos,
estou cansado e com fome
- Que dizem de irmos fazer pizza para
o jantar?
- Sim – respondeu o
Tomás
- Eu sei fazer, eu sei fazer – gritava o
Tiago
- Primeiro vamos todos lavar as mãos – eles foram
logo a correr enquanto me dirigi para a cozinha procurando na net uma receita
rápida de fazer a massa.
Como eles tinham Bimby foi mais
rápido e fácil de preparar a base, bastou meter todos os ingredientes lá para
dentro e deixar bater. Enchemos a bancada com farinha, o Osvaldo dividiu a
massa em 5 bocados iguais, cada um de nós amassou a sua parte e esticou-a.
Quando olhei estavam os gémeos à guerra com farinha, rimo-nos imenso porque
estavam ambos com a cara toda branca, sem lhes ralhar fui para o meio deles
ajudando-os a esticar a massa enquanto o Nico ajudava a Belém. Colocamos o
molho de tomate por cima, o queijo, fiambre, cogumelos, e mais queijo para
terminar.
- Querem ver o que vou fazer? – disse
baixinho para os gémeos
- Sim – disseram em
coro, fiz sinal para não fazer barulho, peguei num pouco de molho de tomate com
o dedo, aproximei-me do Niquito e borrei-lhe a cara. Ele imediatamente veio
atrás de mim para se vingar – foge
Magda, foge! – eles meteram-se no meio para impedir que me apanhasse
- Tenho dois belos guarda-costas – disse
fazendo-lhe uma careta, mas ele conseguiu libertar-se dos miúdos e apanhou-me
enchendo-me a cara com molho de tomate, farinha e eu sem me conseguir defender.
O Tiago aproxima-se
- Toma lá – atirou-lhe
com uma mão cheia de farinha e eu soltei uma gargalhada. Estava a ser mesmo
divertido aquela “guerra”. O Nico pega nele ao colo e vira-o ao contrário
- Pede desculpa ao tio anda lá – enquanto lhe
fazia cócegas e nós nos riamos.
- Desculpa, desculpa tio
- Acho bem – pousou o
Tiago no chão, colocamos as pizzas no forno e enquanto os miúdos ajudavam o
Gaitán a meter a mesa eu limpava a bagunça que tínhamos feito naquela cozinha.
Jantamos, as crianças foram para o
sofá ver televisão enquanto colocávamos a louça na máquina, juntamo-nos a eles.
Sentei-me junto do Nico e ele abraçou-me
- Vocês dão beijinhos como o pai e a
mãe? – perguntou
inocentemente o Tomás que nos fez soltar uma gargalhada
- Sim, também damos – respondeu o
Nico
- Podem dar um para eu ver? – olhamos um
para o outro e eu a pensar que aquilo não seria boa ideia mas sem contar senti
os lábios dele junto aos meus. Foi um beijo breve e suave – só isso tio? Pensei que desses daqueles como nos filmes – ele
riu-se
- Isso não é para a tua idade meu
menino
- Acho que a Belém tem algo para nos
mostrar não é? –
pisquei-lhe o olho, ela ligou o ipod, colocou a música que tínhamos escolhido e
começou a dançar. No final do primeiro refrão, veio-me buscar para me juntar a
ela e assim o fiz. Quando terminamos os rapazes bateram palmas, nós agradecemos
e voltamos a sentar
- Podemos jogar um jogo? – perguntou o
Tiago
- Mas está na hora de irem para a cama
- Vá lá tio Nico, vá lá deixa! – pediram muito
os três
- Está bem, o que querem jogar?
- Escondidinhas – disseram em
coro
- Então só vale aqui na sala, ok?
- Ok és tu a encontrar-nos – ele tapou os
olhos com a ajuda da almofada e contou até 50.
O
primeiro a ser descoberto foi o Tomás, depois a Belém, eu e por fim o Tiago. De
seguida foi a vez do Tomás de nos encontrar, eu fui a primeira, o Tiago o
segundo, a Belém a terceira e faltava o Gaitán. Estava difícil de o encontrar,
pusemo-nos os quatro à procura do tio, até que quando me aproximo da cortina,
sinto uma mão a puxar-me o braço, era ele, soltei um pequeno berro com o susto
e num ápice tinha os lábios dele a calar-me, cedi àquele beijo longo,
apaixonado. No instante a seguir os miúdos metem a cortina para o lado
- Iuuuu que nojo! – gritou o
Tomás tapando logo com a cortina, olhamos um para o outro e desatamos a rir.
Saímos dali juntando-nos a eles
- Vá agora está na hora de ir lavar os
dentinhos e caminha –
disse o Nico
- Só mais um jogo – pediu a Belém
- Noooo, senão o teu pai mata-me – foram para
cima, lavaram os dentes, vestiram os pijamas e deitaram-se.
Despedi-me
primeiro da menina, que me abraçou, agradeceu por brincar e dançar com ela, pediu
para voltar lá mais vezes e eu prometi que assim o faria. Depois fui ter ao
quarto dos gémeos, missão mais complicada pois eles não param quietos.
- Vá lá meninos, assim não volto mais
cá
- Mas tens que voltar cá, queremos
brincar mais –
disse o Tiago
- Então toca a deitar e fechar os
olhinhos –
e assim fizeram. Dei primeiro um beijo ao Tiago e depois ao Tomás que me
abraçou e disse
- Gosto muito de ti, tia Magda – sorri ao
ouvir aquilo, não estava nada a contar.
Apagamos a luz, descemos para a sala
à espera que os pais das crianças chegassem, sentamo-nos no sofá bem
agarradinhos
- Tens muito jeito com crianças – disse o Nico
- Eles é que são adoráveis
- E gostaram muito de ti
- Também gostei muito deles
- Até te tratam de tia
- Fiquei mesmo surpresa quando o Tomás
me chamou isso
- É bom sinal
- Espero que sim, a Belém também é
muito fofa e querida
- Ela às vezes sente-se sozinha por
não ter mais nenhuma menina para brincar, enquanto que os gémeos têm-se um ao
outro
- Eu reparei quando fui ter com ela no
jardim e por isso é que fui brincar com ela. Sei bem o que é não ter mais
nenhuma menina para brincar
- Pois, tu és filha única não é?
- Sim mas sempre brinquei com o meu
primo, passávamos muito tempo juntos
- Deve ser diferente
- Sim claro. Tu já tiveste sorte
nisso, tinhas o Guido
- É verdade, brincamos muito juntos
quando eramos pequenos. Sempre a jogar à bola
- Pois não deviam fazer outra coisa
- No – riu-se
- Tiveste um infância feliz é o que
interessa
- Não me posso queixar em relação a
isso
- Mas olha que tu também tens muito
jeito para crianças
- Estou habituado a estar com os meus
sobrinhos e com estas pestes
- Muito bem
- Já podemos ter os nossos filhos como
pais experientes que somos – disse ele fazendo-me cócegas
- Não inventes, Osvaldo Fabián! – olhei para
ele com cara de poucos amigos
- Estou a brincar contigo, chinita – dando-me um
beijo na bochecha.
Continuamos a conversar, a namorar,
a ver televisão até que pouco depois das 22h30 o Maxi e a Anna regressaram.
- Como correu? – perguntou ela
- Bem, eles são umas pestes adoráveis
–
respondi eu
- Dizes isso porque foi a primeira vez
- Aposto que não, eles portaram-se bem
e trataram-me muito bem
- São meus filhos, esperavas
tratamento diferente? – perguntou o Maxi na brincadeira
- Pai babado – repostou o
Nico
- Fiz um bom trabalho, admite lá?
- Fizeste sim senhora mas digam lá,
aproveitaram a noite para me fazer outro sobrinho? – rimo-nos
- Já foi feito a alguns meses atrás – respondeu a
Anna
- O quê? Vocês vão ser pais novamente?
–
perguntei imediatamente
- Sim – ela sorriu
colocando as mãos na barriga – foi por
isso que fomos comemorar
- Muitos parabéns – o Nico abraçou
o Maxi e eu a Anna. Fiquei mesmo contente por eles, sabia que para os
sul-americanos ter a família a crescer era importante – depois quero saber se é menina ou menino
- Aposto que é um Maxi Júnior – disse o pai
- Ainda é cedo para saber mas mal
saiba eu digo. Por favor não comentem isto com ninguém, não quero que se saiba
de nada para já –
pediu a Anna
- Não te preocupes, segredo guardado
- Obrigada e obrigada por ficarem com
as crianças
- Não tens de quê, gostei bastante - olhei para as
horas, começava a ficar tarde e o Gaitán ainda teria que me levar a casa - Vamos indo? – perguntei, ele acenou
que sim, despedimo-nos do casal e fomos embora.
------------------
(Carolina)
Acordei ainda a sentir os braços do
Lisandro à minha volta, olhei pela janela e vi que já era de noite. Estiquei-me
para alcançar o telemóvel para ver as horas, fiquei perplexa
- Acorda, acorda – abanei-o – já são nove da noite, daqui a pouco a
Magda está aí e não nos pode ver neste estado
- Bom dia para ti também – deu-me um
beijo no ombro
- Primeiro é boa noite e segundo
veste-te enquanto faço o mesmo para depois preparar algo para comermos – ia a tentar
sair da cama mas ele agarrou-me
- Calma, eles só devem voltar perto
das onze –
começou-me a beijar – podíamos
aproveitar
- Nem penses – empurrei-o,
conseguindo sair da cama – veste-te que
ainda temos que arrumar isto – peguei na minha roupa e fui para a casa de
banho vestir-me.
Quando voltei, ele já estava
vestido, estava só a terminar de apertar as sapatilhas. Fui para a cozinha
tentar fazer algo para comer. Enquanto tratava disso ele punha a mesa, comemos
massa com atum e cogumelos
- Desculpa ser isto mas não tinha paciência
para fazer outra coisa
- Não te preocupes, eu gosto e está
muito bom. Dá para matar a fome
- Ainda bem, senão fosses jantar a
casa da tia Joana
- Quem? - ri-me pois
esquecera que ele é argentino e provavelmente não conhece isto
- Esquece, é uma expressão que usamos
cá em Portugal
- Contaste à Magda?
- O quê?
- Isto – apontando para
a cama
- Ahhh isso, contei – continuando a
comer – vais dizer que não contaste ao
Niquito?
- Por acaso no – fiquei
boquiaberta a pensar que se calhar devia ter ficado calada e não ter contado
nada a ninguém mas eu não conseguia esconder nada da minha melhor amiga, ela
sabia que se passava algo e eu não lhe podia mentir – estou a brincar contigo
- Agora assustaste-me, estúpido
- Eu reparei na tua cara
- Achas isso bonito? Brincar com os
meus sentimentos?
- Não exageres! Só pedi opinião ao meu
amigo sobre o que fazer e o que ele achava disto tudo
- Então foi como eu
- O que ela te disse?
- “Isso nunca acaba bem”
- Ele disse o mesmo
- A sério? Estão mesmo bem um para o
outro –
rimo-nos.
Acabamos
de comer, arrumamos a cozinha, depois fui buscar os lençóis novos e ele
ajudou-me a mudar a cama. Já eram os terceiros em menos de vinte e quatro horas,
não podia continuar com este ritmo senão a conta da luz e da água ia disparar
só a lavar a roupa. Quando terminamos sentamo-nos no sofá para ver televisão
mas a campainha tocou
- Mesmo a tempo – levantei-me
para abrir a porta, eram os pombinhos
- É seguro entrar? – perguntou ela
- Porque não haveria de ser?
- Diz-me tu – piscou-me o
olho e entraram. Lisandro levantou-se
- Vamos? Já é tarde – perguntou ele
e o Gaitán acenou que sim
- Até qualquer dia – disse eu em
tom sarcástico, cumprimentei o namorado da minha amiga primeiro e depois o
outro tono que me sussurrou ao ouvido
- Vais ter saudades minhas
- Sempre tão convencido – dei-lhe um
murro no braço e saíram de minha casa.
Mal bati a porta de casa, fui
bombardeada com perguntas da Magda: “então?, como ficaram? O que decidiram?”. Expliquei-lhe
tudo direito, contei-lhe como tinha corrido a tarde e ela repetiu “isso nunca
acaba bem mas vocês é que sabem”. Para mudar o assunto, perguntei como tinha
sido com os filhos do Maxi, ela adorou e contou-me tudo. Pouco tempo depois
adormecemos.
Acordamos às 8h, pois como eu era
funcionária da Sonae tinha direito a usufruir de um dia no ginásio Solinca e
poderia levar um amigo, então combinamos que iriamos hoje, comemos algo leve e
lá fomos nós. Começamos por fazer meia hora na passadeira, outra meia hora na
elíptica, escolhemos experimentar as aulas de body combat, gap e zumba, esta última
não era novidade para nós. No final, para relaxarmos, fomos até ao jacuzzi e a
sauna, depois tomamos um duche rápido, sem molhar o cabelo, só mesmo para tirar
o suor do corpo e fomos embora. Estávamos exaustas, eu principalmente pois não
estou habituada a fazer exercício desde o acidente enquanto que ela vai todas
as semanas à zumba.
Chegamos
a casa, preparamos algo rápido para almoçar pois já eram quase duas e meia,
sentamo-nos no sofá para ver tv e acabamos por adormecer. Acordei
sobressaltada, olhei para o relógio e já passavam das cinco e meia.
- Magda, acorda! Temos que nos
arranjar
- Ah? Deixa-me estar
- Temos o jantar lembraste? – ela deu um
salto
- Eiii o jantar, que horas são?
- 17h40
- Temos que nos despachar, ainda temos
que ver como vamos para lá
- Vai tu primeiro tomar banho que demoras
mais enquanto vejo o caminho na net
- Tens aqui a morada – pegou nas
coisas dela e foi.
Enquanto ela se terminava de arranjar no quarto/sala, fui
tomar banho e vestir-me. Ela esticou o cabelo e eu deixei o meu ao natural. Dei
de comer ao HappyMeal e saímos.Quando chegamos a casa da Brenda, depois de andarmos um pouco perdidas, ela abriu-nos a porta e ficou a olhar para nós pois não nos conhecia.
- Oi? Posso ajudar? – perguntou
ela, estava deslumbrante, sempre bem arranjada. Usava um vestido curto
salientando bem os seus atributos de brasileira até me deixou por momentos com
inveja daquele corpão.
- Boa noite, eu sou a Magda, a
namorada do…
- Gaitán, certo? – acenou que
sim e cumprimentou-a
- Esta é a minha amiga Carolina –
cumprimentei-a
- Entrem, entrem – fazendo o
gesto com a mão, nós entramos – só
faltavam mesmo vocês
- Peço desculpa mas como não
conhecíamos isto andamos um pouco perdidas – pediu a minha amiga.
Na sala já estavam as mulheres de
todos jogadores, que nos olharam de cima a baixo, perguntando-se quem seriamos.
A Anna mal nos viu, aproximou-se e apresentou-nos a todas que aos poucos fui
reconhecendo das redes sociais.
- Tens que me ajudar, não as conheço – sussurrou-me
a Magda
- Pelos nomes chegas lá?
- Nop – comecei
apontando pelo olhar e dizendo quem são, era fácil identificá-las.
Estavam
em vários grupos: as brasileiras (Karina, Susana, Gabi, Melina, Adriana,
Valéria, Keadyla, Anna Paula), que se destacavam pois também são mais; as
portuguesas (Marta, Vanessa, Rute, Maria Luís, Maria João) e as de outras
nacionalidades (Charlene, Suzana, Vesna). A Anna dava-se bem com todas, pois
está cá há imenso tempo tal como a Brenda, eram as anfitriãs da festa
basicamente.
Eu
e a Magda ficamos um pouco desconfortáveis pois não sabíamos a quem nos juntar,
não conhecíamos ninguém, não teríamos assunto excepto aqueles banais. Ficamos a
conversar com a Anna até que algumas delas se juntavam a nós para nos conhecer.
A primeira a juntar-se a foi a Vanessa, sempre a achei simpática e correspondeu
à verdade. Ela é muito querida, afável, até nos convidou para sentar junto às
restantes portuguesas e nós aceitamos uma vez que a Anna foi ajudar a Brenda.
Sentamo-nos junto delas e a chuva de perguntas foi surgindo: de onde éramos, o que
fazíamos, como conhecemos o Nico e o Lisandro, a nossa idade, entre outras.
- És do Porto? – perguntou a
Marta (mulher do Sílvio) para a Magda
- Sim, somos as duas mas ela está cá a
viver
- E como consegues conciliar o estudo
e o namoro? Não deve ser fácil
- Não é fácil, não podemos estar
juntos sempre que queremos mas acabamos por dar a volta a isso e sempre que é
possível aproveitamos bem o tempo. E além do mais estamos no início e ainda nos
estamos a conhecer, aprender a lidar um com o outro
- Não me imagino longe do Paulo – disse a Rute
(mulher do Paulo Lopes)
- Nós estamos habituadas a estar longe
deles quando vão em estágio ou jogam longe mas não é como vocês, dou-vos os
parabéns por conseguirem – felicitou a Vanessa
- Como costumam dizer “quem corre por
gosto não cansa” e acho que é um pouco assim – sorriu a minha amiga
- E tu e o Lisandro, são só amigos ou
há algo mais? –
perguntou-me a Maria João que me deixou completamente sem resposta, engoli a
seco
- Somos só bons amigos
- Olha que ele é um borracho – deu-me um
ligeiro toque com o cotovelo, eu soltei uma gargalhada e elas riram
- É um borracho sim senhora, mas não é
para mim –
olhei para a Mag que se ria de toda a situação pois ela sabia toda a verdade
- Vou servir o jantar – anunciou a
Brenda, levantamo-nos e fomos para a mesa.
A mesa estava lindíssima, tudo em
tons de bordô, preto e prateado, gostei imenso. Já tinha visto no instagram que
ela tinha jeito para estas coisas nas suas publicações, mas hoje tinha a
certeza. Sentei-me junto da Magda que tinha a Anna à sua frente e eu a Karina,
foi algo instintivo que as brasileiras foram se sentando perto da Karina as
portuguesas junto de nós e depois as outras meninas.
- A decoração está lindíssima – comentei – a Brenda está de parabéns
- Obrigada minha querida mas não fui
só eu. Quem tratou desta mesa lindíssima foi aqui a minha amiga Karina – a mulher do
Artur sorriu um pouco envergonhada
- Tens mesmo jeito para isto, eu tenho
visto o que tens postado nas redes sociais e adoro
- Eu agradeço o elogiu. Gosto bastante
destas coisas, acho que estes pormenores dão outro toque no jantar
- Sem dúvida alguma, então estas
argolas em forma de laço nos guardanapos dão um toque diferente, um toque de
menina –
disse a Magda
- Foi por isso que as escolhi – respondeu a
Karina.
Continuamos
a conversar sobre a decoração, alguns episódios caricatos que lhes aconteceram
e voltaram as questões sobre de onde éramos, como conhecemos o Gaitán e o
Lisandro, como o casal se tinha apaixonado, entre outras mil perguntas enquanto
jantávamos.
- Brenda, nem perguntei, porque a
Magali não pôde vir? – perguntou a Susana (mulher do Júlio César)
- Está em Madrid
- Porquê? Ela e o Salvio estão
separados? –
olhei de imediato para a minha amiga.
Eu
sabia perfeitamente o porquê daquele afastamento, eu sabia exatamente as razões
por estarem chateados e sentia-me culpada em parte por isso. Sim sinto-me
culpada porque fui eu que encostei o Licha à parede para contar a verdade, fui
eu que o pressionei, insisti. O resultado disso: Toto e Magali separados,
casamento em risco, família em risco. Porque tenho grande boca? Porque não
fiquei quieta? Se eles acabam por se separar vou viver com este sentimento de
culpa para sempre! O Valu não merecia ter os pais separados por causa da minha
teimosia, por eu achar que o mais correto seja a verdade, por eu ser uma
intrometida, por eu me preocupar com os outros, por eu ser uma estúpida!
Naquele momento só me apetecia desaparecer mas controlei-me e respirei fundo
ficando calada.
- Foi passar uns tempos com a mãe e os
irmãos para o filhote deles se distrair e poder estar com o resto da família – respondeu a
Anna
- Então foi só passar uma temporada? – perguntou a
Gabi (mulher do Jardel)
- Sim, umas semanitas – “será que a
Anna sabe da verdade e arranjou esta desculpa ou foi o que Salvio dissera ao
Maxi?” perguntei eu aos meus botões
- Fazem eles muito bem, assim o Valu
pode conhecer outras crianças, outros ambientes. Ajuda ele a crescer – disse a
Brenda.
Levantamo-nos, dirigimo-nos para a
sala, formando outra vez os grupinhos mas desta vez todos misturados. Eu fiquei
junto da Brenda, Karina, Susana e Charlene a conversar sobre receitas de
comidas, sobremesas, decoração das mesas. Fomos falando sobre o que já tínhamos
experimentado fazer e o que gostávamos de fazer. Gostei bastante de conversar
com elas, eram divertidas, espontâneas, simpáticas. Foi um bom serão.
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(Magda)
Enquanto a Carol estava com o
grupinho dela, eu juntei-me à Anna, Keadyla, Marta, Vanessa, Valéria, Adriana e
Gabi. Estavam a falar dos filhos delas, de como tinham crescido, como ia a
escola, no caso dos que ainda eram bébé, como o Gustavo, filho do Sílvio, os
passos que já tinha dado: a primeira papa, a primeira palavra, os primeiros
passos, etc.
- Como está a correr essa gravidez? – perguntou a
Gabi
- Vai bem, está crescendo bem. Vai ser
um rapazão –
respondeu a mulher do César, rimos enquanto ela tocava na sua barriga
- Desculpe a indiscrição, mas que
idade tem? –
perguntei-lhe
- Tenho 20 anos
- E já vais ser mãe! – exclamei espantadíssima.
Ela tem a minha idade e já vai ser mãe? Isso para mim seria impensável neste
momento
- Sim, vou. Foi a melhor coisa que me
aconteceu na vida, foi uma dávida de Deus
- Melhor presente de todos, ser mamãe
–
repostou a Adriana
- Ser mãe é sem dúvida o melhor amor
que se pode ter, o mais genuíno de todos – disse a Anna que olhou para
mim a sorrir pois ela contara-me da sua recente gravidez
- É verdade – concordaram
todas as mamãs ali presentes
-
Tu e o Nico já pensam em constituir
família? – perguntou-me a Anna
- Não
- Porquê? Vocês são namorados é normal
que planeiem as coisas – aquilo na minha cabeça não fazia sentido
- Porque estamos juntos há pouco tempo
não é para pensar em filhos tão cedo
- Depois têm que pensar nisso, tens
muito jeito com crianças. Os meus filhos adoraram-te e já perguntaram quando lá
voltas –
sorri ao saber que os miúdos tinham gostado de mim
- E também têm que pensar em casar – sugeriu a
Valéria
- Pois é, o Gaitán já tem idade para
isso –
repostou a Anna.
Aquilo começava a deixar-me
completamente desconfortável, eu não concordava com nada daquilo. Não são os
planos que tenho para a minha vida neste momento, só quero terminar o curso,
fazer mestrado, namorar, viajar, divertir-me com os meus amigos, arranjar um
emprego e depois sim pensar em constituir família. Olha eu com vinte anos a ter
um filho e a subir ao altar, ai que horror! Cada vez que imaginava isso ficava
mais irritada, confusa, desorientada. Estava a sentir-me a mais no meio delas.
- Com licença – pedi, levantei-me,
dirigi-me até à Carol, puxei-lhe o braço e sussurrei – vamos embora daqui e não faças perguntas
- Ok, tens alguma desculpa?
- Não, usa a tua imaginação
- Brenda, peço desculpa mas temos que
ir embora. Amanhã trabalho bem cedinho e tenho que descansar
- Ohhh tenho pena estava a gostar
bastante de falar contigo – respondeu ela
- Terminamos a conversa noutro dia,
combinamos todas e passamos a tarde a cozinhar – sugeriu a
minha amiga
- Brilhante ideia, me dê seu contacto
para depois combinarmos isso – ela pegou no telemóvel e apontou o
número.
Despedimo-nos de todas, uma a uma,
até daquelas que mal falamos ou nem sequer falamos, como o caso da mulher do
Sulejmani e mulher do Talisca. A Brenda e a Anna levaram-nos à porta
- Gostei bastante de vos conhecer, têm
que aparecer mais vezes – disse a mulher do Luisão
- Também gostei bastante – respondi e
sorri – mais uma vez obrigada pelo
convite e pelo jantar, estava tudo fantástico – cumprimentei-as
- Depois combinamos a nossa tarde de
culinária –
disse a Carolina cumprimentando-as
- Fico à espera. Até uma próxima – elas fecharam
a porta, entramos no carro e fomos para casa.
Estava a passar naquele momento, a música “El taxi” do
Osmani Garcia levantei o volume e comecei a cantar para me abstrair. Não me
apetecia falar, só queria esquecer aquela conversa ridícula, sem sentido
nenhum. Queria esquecer a parte “ele já tem idade para se casar”, sei que ele é
mais velho que eu mas… será que não serei a pessoa ideal para ele? Será que sou
nova demais para continuarmos juntos? Será que esperamos coisas diferentes da
relação? Aiii, tantas perguntas! Não quero pensar nisto!


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