quarta-feira, 4 de novembro de 2015

29º Capitulo - estou mais nervosa que tu

(Carolina)

Decidi ficar em casa sexta à noite, matar saudades da comidinha da mãe, aquele arrozinho de ervilhas que eu tanto adoro, acompanhado de fígado com cebolada. Que saudades tinha disto! Nada como ter a mãe para cozinhar para nós. Depois do jantar, sentei-me no sofá a ver a novela, ver séries e acabei por adormecer a ver um filme, fiquei mesmo ali até à manhã seguinte. Acordei já passavam das 10h30 com os meus irmãos fazendo barulho, fui trocar de roupa, por uma mais confortável, comi alguma coisa e fui dar uma caminhada com a minha irmã para a minha mãe poder limpar a casa à vontade.
            Voltamos na hora de almoço, enquanto a mãe terminava de fazer o almoço, fui tomar um banho rápido e trocar de roupa, não precisava de vestir já o uniforme dos escuteiros pois só iria usá-lo à noite e no dia seguinte.  Na hora do costume fui para os escuteiros, ter com os meus pequenitos. Os que iam fazer a promessa estavam nervosos, tal como eu começava a ficar pois teria que fazer a promessa sozinha, teria que me lembrar de todo o cerimonial sem ninguém ao meu lado para me ajudar, só de me lembrar disso as pernas já tremiam.
- Carol, também estás nervosa? – perguntou o meu lobito Rodrigo enquanto treinávamos o cerimonial
- Sim, e aposto que estou mais nervosa que tu
- Não, eu estou mais
- Será?
- Sim, estou muito nervoso. É a minha primeira vez – dei uma gargalhada
- Vocês têm que fazer melhor figura que eu, ouviram? – disse eu para os meus lobitos, eles responderam logo que iam fazer
            Passava pouco das 18h15 quando os pais começaram a vir buscá-los pois as 21h teriam que voltar, já jantados. Ainda faltavam quatro elementos irem embora mas como estavam lá outros dirigentes, pude vir embora com a Magda para irmos buscar as vedetas a Vila do Conde.
- Sabes quanto está o jogo? – perguntei eu
- Estamos a perder 2-1 e faltam dez minutos para o fim
- O quê? Quem marcou?
- O parvalhão do Salvio
- Eiiii, só eu tenho direito de o insultar – entramos no carro e liguei logo o rádio
- Eu não o perdo-o depois do que fez ao Niquito
- Sim, ele é uma besta mas continua a ser o melhor jogador
- A seguir ao Nico
- Opiniões – fomos a viagem até ao estádio do Rio Ave a ouvir o resto do relato, mas acabamos mesmo por perder o jogo – eles vão me ouvir, perder pontos nesta altura? Eles que joguem à bola masé
- Não me digas nada, estou mesmo chateada!
- E o Luisão feito idiota foi expulso!
- O meu pai disse que os primeiros vinte minutos jogaram bem depois foi sempre a cair
- Pensam que o campeonato já está ganho mas estão enganados! Ao menos o Licha para a semana já pode jogar
- Eu quero que sejamos campeões, porra!
- Tu e todos os benfiquistas! – depois de algumas voltas ao estádio – o que combinaste com o Osvaldo?
- Vinha ter às garagens, dizia ao segurança que vinha pela parte dele, teria que mostrar o cartão de cidadão e já me deixavam entrar. Mas não está aqui ninguém
- Olha está ali um, eu vou lá! – saí do carro, fui ter com o segurança, expliquei a situação, ele foi comigo até ao carro, a Magda apresentou o cartão e entramos.
            Estacionamos o carro, fomos ter à zona da saída dos jogadores, e falamos lá com outro segurança que chamou um senhor do Benfica e nós pedimos para avisar o Gaitán que tínhamos chegado. Esperamos quase meia hora até as donzelas decidirem estar prontas, entretanto os outros jogadores foram saindo com cara de poucos amigos, outros até iam contentes porque iam na brincadeira. Vimos o Salvio aproximar-se da saída e afastamo-nos para não lhe dizermos nada que nos arrependessemos mais tarde, ainda por cima ali não era o lugar apropriado e ele também estava chateado por isso foi o melhor que fizemos.
- Demoramos muito? – perguntou o Lisandro
- São sempre os últimos – cumprimentei-o
- Tivemos que esperar que os outros tomassem banho – cumprimentei o Nico – viram o jogo?
- Não falemos do jogo – disse a minha amiga, dando um ligeiro beijo nos lábios ao Nicolas
- A culpa não é minha – disse o Licha rindo-se
- Quando deixas de ser tão estúpido? – perguntei eu
- Assim deixas de me achar piada
- Deixo de te achar piada senão me dás a tua camisola
- Tens que esperar, não é assim tão fácil
- Ui, olhem que eu sou tão solicitado – começamos a fazer cócegas um ao outro
- Crianças, comportem-se! – disse a Magda, nós paramos – vamos embora?
- Sim, deixa-nos só avisar ali o mister que já vamos – respondeu o Gaitán
- Ok, estamos no carro à espera – apontou ela para onde estava o carro
            Fomos para o carro, eles vieram logo atrás, saímos dali e fomos diretos ao hotel onde eles iam ficar.

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(Magda)

            Estacionei o carro à frente da porta do Holiday Inn e saímos do carro com eles. Não podíamos demorar muito pois ainda tínhamos que ir jantar alguma coisa e voltar para os escuteiros. A Carol e o Lisandro iam na frente, eu e o Nico vínhamos atrás.
- Não podes mesmo ficar a jantar comigo? – perguntou ele dando-me a mão
- Hoje não, como te disse tenho a cerimónia e não podemos faltar
- Oh, logo hoje que precisava da tua companhia para me animar depois daquele jogo – paramos junto à porta, ele agarrou-me pela cintura, deu-me um beijo na testa – tens a certeza que tens que ir embora? – fez uma careta
- Assim é golpe baixo
- Eu quero muito que fiques comigo – deu-me um ligeiro beijo nos lábios
- Convite irresistível, mas não posso mesmo, desculpa
- Bolas, não resultou – ele ia-me a soltar, agarrei-me a ele e dei-lhe um beijo longo e apaixonado
- Para passares melhor a noite – sorri e entramos no hotel.
            Ele e o Licha fizeram o check-in, iriam partilhar o mesmo quarto, vieram nos trazer ao carro, na hora da despedida como a Carol sabe que eu sou um pouco tímida com estas coisas sentimentais disse
- Espero ali em baixo por ti, não demores! – agarrou no braço do outro – anda vamos deixar os pombinhos sozinhos
- Não é preciso – disse o Nico mas eles fizeram de conta e saíram dali – amanhã a que horas vens-nos buscar?
- Às 9h30 passo aqui, assim temos tempo para ir a qualquer lado tomar o pequeno-almoço
- Ok ficarei à tua espera
- Não sejam nenhumas princesas como são no balneário depois dos jogos
- Princesas? Ai é isso que pensas? – começou a fazer-me cócegas
- Pára, pára! – pedi eu ainda a rir – olha tenho mesmo que ir senão chegamos atrasadas
- Está bem – deu-me um beijo na testa – tem uma boa noite mi chinita – abracei-o com força e depois voltei a beijá-lo
- Dorme bem, mi pollito! – entrei no carro, apanhei a minha amiga mais abaixo e seguimos caminho.
            Fomos ao McDonalds no hospital São João, depois fomos para as vigílias, que demorou cerca de uma hora, combinamos as coisas para o dia seguinte e cada uma foi para sua casa.

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(Carolina)

Eram 8h quando acordei, apesar do despertador só estar para tocar às 8h30. Os nervos estavam a dominar-me, sentia o meu corpo todo a tremer, já não me lembrava de metade do que tinha que dizer. Levantei-me, fui tomar um banho para ver se aliviava, vesti o uniforme dos escuteiros. Hoje por ser um cerimónia importante fui obrigada a vestir a saia, que tanto odeio, eu bem tentei que o meu chefe de agrupamento mudasse de ideias, mas não mudou.
Enquanto esperava pela minha amiga sentei-me no sofá a estudar pela milésima vez o cerimonial até que ouvi um carro apitar, fui espreitar à janela e era ela. Desci e fomos buscar os rapazes. Quando chegamos ao hotel, para nossa surpresa eles já estavam na porta à nossa espera, entraram no carro e fomos até a uma confeitaria perto de nossa casa, que só tem coisas deliciosas. Quando estava na hora fomos para a igreja, a Magda estacionou o carro.
- Sabem que vai ficar tudo a olhar para vocês, não sabem? – perguntei eu

- Sabemos – respondeu o Nico – já estamos habituados a esses olhares a onde quer que vamos
- No fundo vocês não têm privacidade nenhuma – disse a Magda
- Pois não, mas é como digo com o tempo já nos habituamos – entramos nas imediações da igreja e já lá estavam alguns escuteiros que ficaram logo a olhar para nós.
            Olhei para a minha amiga, sorrimos e agimos normalmente, pedimos aos rapazes para esperar ali um pouco enquanto íamos cumprimentar os elementos e os pais.
- Carolina, aquele ali não é jogador do Benfica? – perguntou o Ruben, um dos pioneiros, apontando para o Gaitán
- Sim
- São o Gaitán e o Lisandro, não são?
- Sim, conheces?
- O Gaitán é grande jogador, o outro não conheço bem. O que fazem aqui?
- São nossos amigos e vieram ver as promessas – respondeu a Magda
- Chama-lhe amigo, chama! – disse eu a rir e ela riu-se logo
- Amigos? Como? Também quero amigos destes – desatamos todos a rir.
            Conversamos mais um pouco com ele e com os outros pioneiros que nos iam enchendo de perguntas e depois voltamos para junto deles. Passado um pouco o Tomás chegou e juntou-se a nós, ele como não faz parte dos escuteiros irá ficar durante as promessas com o Nico e Licha. Quase na hora de começar, a Olívia como sempre chegou super atrasada, cumprimentou-nos e entramos todos para a igreja, eu acompanhei-os até ao lugar onde eles podiam ficar e depois fui para junto do coro.
            A missa começou normalmente, à medida que se aproximava o grande momento os nervos eram cada vez maiores. Começaram com a minha promessa, que correu muito bem só me engasguei uma vez, não me lembrava de umas das frases. Depois foi a dos meu lobitinhos, exploradores, pioneiros e por fim a dos caminheiros. Ao fim de uma hora e meia, terminou a celebração, começaram as habituais felicitações, e juntamo-nos todos para tirar a foto de família. Eram todos os pais, familiares e amigos com câmaras na mão a tirar fotos, nunca sabíamos para qual a olhar, até que decidi tirar o telemóvel e pedir a um dos pais para nos tirar uma foto, assim sabia que iriamos ficar todos a olhar só para aquela câmara. Depois da foto tirada, fomos lá para a fora fazer o corredor para quem fez a promessa ter o seu batismo e levar com o lenço nas costas. Quando todos passaram no túnel fomos arrumar as coisas para irmos embora e eu e Magda fomos ter com os nossos amigos.
- Vocês cantam mesmo bem, não haja dúvida – disse o Tomás
- Desafinamos assim tanto? – perguntei eu
- Todas as músicas
- Não sejas mentiroso! – repostou a Magda 
- Estou a dizer a verdade, olha pergunta-lhes – olhamos para o Nico e Licha que se começaram a rir – podem ser sinceros
- Não cantaram mal, só desafinaram um pouco – disse o Lisandro
- Vês? Mentiroso! – resmungou a minha amiga com o Tomás.
- Carol!!! – olhei para trás, vinha o Gustavo a correr na minha direção, mas quando se aproximou parou e ficou boquiaberto a olhar para o Gaitán
- Então rapaz, já vais embora?
- Ele é, é… é o… - agarrou-me o braço, olhei para a Magda e rimo-nos – é o Gaitán!
- Nico – a minha amiga aproximou-se do lobito, meteu as mãos nos ombros dele – este é o Gustavo, mais precisamente o Niquito! – o miúdo continuava perplexo a olhar para o Osvaldo
- Já te disseram que jogas mesmo bem? – desatamos todos rir – que foi? – olhou para nós indignado – ele joga mesmo bem, é o melhor de todos! Posso te dar um abraço?
- Claro que sim – mal o Nico acabou a frase, o Gustavo agarrou-se a ele abraçando-o com força
- Queres tirar uma foto com ele? – perguntei eu pegando no telemóvel
- Sim quero, para depois postar no facebook para todos os meus amigos verem – rimos mais uma vez com a espontaneidade do rapaz e tirei a foto, aliás tirei umas cinco – depois manda isso para o email do meu pai por favor – agarrou-se à Magda e deu-lhe um beijo na bochecha – adoro-te!
- Olha que alguém vai ficar com ciúmes – disse o Tomás
- Quem? Ela é minha – rimos até o próprio Osvaldo se ria
- Ela não é tua, é minha – o Nico agarrou na mão dela e puxou-a para junto dele, abraçando-a
- Vocês são namorados? – perguntou o puto
- Sim – respondeu a Magda
- Ei que cena! – meteu as mãos na cabeça olhando para eles admirado – bem vou embora – deu-me um beijo e foi ter com o pai
- Este miúdo é uma comédia – disse o Tomás
- É uma peste – disse eu
- Dá para ver
- Vamos embora? Ainda temos que passar em minha casa – perguntou a minha amiga, fomos nos despedir dos elementos e chefes que ainda estavam presentes. Voltaram a dar-me os parabéns pela promessa e eu agradeci.
            Quando nos fomos despedir do chefe de agrupamento, fez logo questão de vir ter connosco até junto dos nossos amigos
- Não me vão apresentar? – perguntou o chefe
- Mas tu já os conheces – repostei eu
- Conheço na televisão
- Pronto, Vasco este é o Nico Gaitán, Nico este é o Vasco – cumprimentaram-se – Lisandro este é o Vasco, Vasco este é o Lisandro – cumprimentaram-se – E este já conheces, é o Tomás
- Como conseguem aturá-las?
- Com algum sacrifício – respondeu o Lisandro
- Até parece! – dei-lhe um murro no braço
- Elas lá no fundo são boas pessoas, boas amigas e nós gostamos muito delas – olhei para ele a sorrir, que me piscou o olhou
- Tratem bem delas, se elas chegam algum dia à minha beira a fazer queixa de vocês, não sabem o que vos acontece
- Oh Chefe Vasco, páre de os assutar! – disse a Magda
- Não se preocupe que trataremos delas da melhor forma – respondeu o Nico, calmamente sorrindo para a minha amiga que retribui o sorriso
- Acho muito bem, agora não incomodo mais ide à vossa a vida – cumprimentamo-nos e fomos embora.
            O Tomás e a Olivia foram no carro dela e nós os quatro fomos com a Magda, encontramo-nos à porta de sua casa. Subimos, entramos e estavam lá os pais da minha amiga na sala.
- Vais apresentar o Osvaldo? – sussurrei ao ouvido dela
- Lá terá que ser, né?
- Ei lá, não tenho comida para tanta gente! – disse o pai dela cumprimentando-nos
- Pai, tenho que te apresentar uma pessoa – pegou na mão do Nico
- Mas eu já o conheço, é o boquinha de sapo – rimo-nos
- Já disse para não o chamares assim – disse ela fula – não ligues ao meu pai, por favor!
- Não tem mal, é engraçado
- Ele é o… - olhou para mim para ver se ajudava e eu dei-lhe uma palmadinha nas costas para encorajá-la – eu já te disse que eu e ele somos bons amigos, não já?
- Sim, já verificaste a conta bancária dele?
- Pai, por favor, estás a brincar comigo?
- Estou a brincar – o Sr. Lourenço aproximou-se dele, apertando-lhe a mão – toma bem conta dela senão vamos ter problemas – sorriram
- Sentem-se, façam de conta que estão em casa enquanto vamos trocar de roupa – disse a Magda para os rapazes, fomos as três para o quarto dela, para mudar de roupa e a minha amiga acabar de arrumar a mala pois ela vai passar a semana de férias comigo a Lisboa.
Quando terminamos fomos ter com os outros à sala e saímos para ir almoçar. Fomos até ao cais de Gaia onde almoçamos no Ar de Rio, todos nós pedimos francesinha. Depois demos um passeio por ali e mais ao final da tarde despedimo-nos do Tomás e Olívia, passamos no hotel onde o Gaitán e o Licha estavam hospedados para ir buscar as malas deles e fizemo-nos à estrada. Quando iniciámos a viagem para Lisboa eu postei uma foto no instagram.
 
“Francesinha é boa, 
mas junto de amigos alegra uma pessoa :) 

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