(Carolina)
Íamos nós a caminho de Lisboa, no
Volkswagen da Magda, mas quem ia a conduzir era o Lisandro pois ela estava
cansada. Eu ia na frente com o motorista de serviço, e o casalinho vinha atrás.
- Então como te sentiste ao fazer a
promessa de dirigente? – perguntou o Lisandro
-
Sinto-me feliz pelo compromisso que
assumi mas sei que vem acrescido de mais responsabilidade, agora mais do que
nunca serei o exemplo a seguir dos mais novos
- Agora já não podes brincar tanto – disse a minha
amiga
- Achas? Continuarei a ser eu própria:
a fazer as minhas palhaçadas, a brincar com os miúdos, entrar nos jogos, tudo a
que tiver direito. Não quero ser daqueles chefes que não fazem nenhum
- Tipo a Bê (Benedita)? – olhei para
ela e rimos
- Tipo ela
- Ela não faz nada, é? – perguntou o
Nico
- Não é não fazer nada, mas não gosta
de jogar, não gosta de brincar com os elementos, só gosta de socializar e tudo
o que tenha a ver com a fé - respodeu a Magda
- Basicamente ela só faz aquilo que
ela gosta e quer –
disse eu
- Assim é mau para os miúdos, quando
estão com ela não se podem divertir
- Eles divertem-se mas ela não joga,
não interage com eles e eu não sou assim. Eu quero jogar com eles, quero que
eles percebam que os dirigentes também têm direito ao seu divertimento. Mas
claro, há tempo para tudo: brincar e trabalhar.
- E fazes tu muito bem ser assim, se
fosse criança queria ter um chefe como tu – disse o Licha olhando para mim
- Tão querido, mas põe masé os olhos
na estrada que ainda sou traumatizada – coloquei-lhe a mão na cara para ele
se virar mas ele aproveita e ferra-me o dedo – estúpido!!! Isso doeu! – os outros dois riram-se – não tem piada nenhuma!
- Desculpa Carol!
- Não desculpo! - endireitei-me
no banco, aumentei o som do rádio e encostei-me ao vidro
A Magda e o Gaitán vinham atrás a
conversar, até que pouco depois de Aveiro, ele pede-me para baixar o volume do
rádio porque a menina tinha adormecido com a cabeça no colo dele. Os dois
rapazes vinham a conversar para que o condutor não adormecesse e eu continuava
calada pois estava chateada com o Lisandro. Olhei para trás e vi que a minha
amiga continuava a dormir.
- Nico, faz-lhe um desenho na cara
- Não tenho caneta
- Eu arranjo – fui à
carteira buscar a caneta – pega
- O que escrevo?
- Desenha um panda
- Nooo, tive um ideia melhor – ele começou a
escrever na testa “propriedade” e depois na bochecha direita “pri”, na esquerda
“da” – como escrevo no nariz? Tenho medo
que ela acorde
- Tens que fazer devagar, é uma zona sensível
–
ele aproveitou que ela se mexeu, o que deixou o “acesso” ao nariz mais fácil e
escreveu “va”.
- Obra-prima terminada! – rimo-nos ao
olhar para ela que tinha escrito “propriedade privada” na cara toda
- Ela vai-te matar quando acordar – disse o
Lisandro
- Vai nada, é só uma brincadeira – respondeu o
Gaitán
Continuamos a conversar, rirmo-nos
da figurinha da minha amiga e a imaginar as possíveis reações dela. Quando
paramos na estação de serviço de Santarém, acordei a Magda para irmos à casa de
banho, Durante o caminho a minha vontade era de me desmanchar a rir mas
controlei apesar que quando passavamos pelas pessoas elas se riam ao verem o
estado dela. Chegamos ao wc, a minha amiga olha para o espelho
- Quem me fez isto? – e eu desato-me
a rir – foste tu, parva?
- Nooo, não fui eu – continuando a
rir-me
- Quem foi o parvalhão?
- Quem achas?
- O Nico?! – acenei que
sim enquanto ela tirava aquilo da cara com água – e tu deixaste que ele o fizesse? Que rica amiga
- Fui eu que sugeri – ri-me
- Ai que parva! – riu-se porque
no fundo ela achou piada a brincadeira –
ele quer brincar comigo? Então vai ver quem vai brincar com ele!
- Ui tenham cuidado que a Magda está
fula!!!!
- Ele vai aprender a não se meter
comigo –
terminamos o que tínhamos para fazer e fomos ter com os rapazes que estavam
junto do carro à nossa espera. Ela adotou uma postura séria e dirigindo-se ao
Nico – Achas bonito o que fizeste? Não
achas que já és adulto suficiente para não fazer este tipo de brincadeiras?
- Mas… - ela não o
deixou falar
- Mas nada, nem os lobitos têm estas
atitudes! Está na altura de cresceres, de teres juízo! – virou costas
e entrou no carro, a minha vontade era de me rir pois sabia que aquilo era tudo
teatro dela mas tinha que ajudar nisto
- Porque é que te dei ouvidos, Carol?
–
disse o Osvaldo
- Isto passa-lhe – respondi
dando-lhe um toquezinho no ombro e entramos no carro
- Eu avisei-te amigo – repostou o
Lisandro
- Está caladinho, que tu não sabes
nada!
- Ainda estás chateada comigo?
- Enquanto me doer o dedo não me
esqueço do que fizeste – coloquei o cinto como ele, depois pegou na minha
mão, deu-me um beijo no sítio onde me tinha mordido e eu soltei uma gargalhada
- E agora estou desculpado?
- Já te disse que és um estúpido?
- Várias vezes até – rimos, eu
dei-lhe um beijo na bochecha
- Agora conduz que estou desejosa de
chegar a casa –
e arrancamos
- Magda, deixa-me explicar – tentava o
Nico falar com ela
- Não quero ouvir, deixa-me em paz!
- Mas chinita – tentou agarrá-la
- Larga-me!
- Oh miga, faz lá as pazes com o
rapaz! Ele estava a brincar contigo – disse eu tentando ajudar e
pisquei-lhe o olho
- Brincadeira de mau gosto!
- Ele já percebeu que exagerou, não
foi? –
olhei para ele que acenou que sim – vês?
Agora façam lá as pazes!
- Vou pensar até chegar a Lisboa
- Já não falta muito – disse o Licha
e todos nos rimos
- Tá calado e conduz! – continuamos a
conversar, até que depois das portagens o Osvaldo retirou o cinto à Magda e
puxou-a para junto dele prendendo-a entre o peito e os braços dele
- Faz as pazes comigo – dando-lhe
beijos na bochecha e ela tentava soltar-se mas sem efeito – eu gosto muito de ti e fui um parvo quando decidi escrever aquilo na
tua cara! Vá lá chinita, faz as pazes comigo! – deu-lhe um beijo na testa e
olhou para ela que continuava com o seu ar sério
- Sabes Nico, eu fiquei muito furiosa
e –
fez uma pausa, olhou de esgueira para mim –
por isso decidi dar-te uma lição e brincar um pouco contigo – riu-se e ele
olhou para ela sem entender o que se estava a passar – estava a fingir que estava chateada contigo para ver a tua reação,
tonto.
- Ai é? – começou a
fazer-lhe cócegas até ela já não aguentar mais
- Pronto, os pombinhos já fizeram as
pazes –
disse eu para o Lisandro
- Eu ouvi isso! – disse a minha
amiga
- Sinal que ouves bem – olhei para
ela e fiz uma careta.
O casalzinho continuou a viagem até
casa do Nico agarradinhos, deixamos os rapazes lá e fomos para minha casa.
Estávamos cansadas, mal chegamos a casa comemos qualquer coisa e adormecemos.
Eram 7h30 quando o despertador tocou, levantei-me sem fazer barulho para não
acordar a Magda pois eu tinha que ir trabalhar e ela ia ficar ali. Tomei banho,
arranjei-me e antes de sair de casa deixei um bilhete no frigorifico “Mi casa es su casa pero nada de traer
Osvaldo para aqui xD #loveyoubro #nãotepercas” e fui trabalhar.
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(Magda)
Acordei, já passava das dez e meia
da manhã, já não sabia o que era dormir tanto e acordar tão tarde. Fui à
cozinha buscar algo para petiscar pois estava com alguma fome, quando me
aproximei do frigorífico vi o bilhete da Carol, peguei no telemóvel e
mandei-lhe uma mensagem
Para: Carol
- Se trouxer não vais ficar a saber, a
tua amiga é muito discreta :p #loveyoubro #voutentar
Sentei-me no sofá a comer uma tigela
de cereais e pus-me a ver tv, ao meio dia fui tomar banho pois as 13h ia
almoçar com a minha amiga ao Colombo e depois ia-me aventurar em dar uma volta
por Lisboa. Passava pouco das três horas quando o Nico me ligou
- O que anda a menina a fazer?
- Vim passear por Lisboa e acho que já
me perdi –
ri-me
- Perdeste-te? Mas estás sozinha?
- Sim, a Carol está a trabalhar e tu
vais ter treino agora de tarde e como não queria ficar em casa decidi
aventurar-me
- Mas não sabes onde estás?
- Estou aqui numa avenida mas não era
o que queria
- Pergunta alguém
- Não preciso, eu desenrasco-me!
- Foste a pé?
- Não, saí no metro do Marquês e
queria ir a pé pela Avenida da Liberdade mas pelos vistos fui pela avenida
errada e agora estou a ir por uma ruela que segundo vi vai ter onde quero mas
nunca mais chego lá
- Tu vê lá por onde andas metida, não
quero que te aconteça nada de mal
- Está descansado, não vai acontecer.
Eu sei-me defender
- Deves saber deves
- Dúvidas? Eu sei golpes de Karaté – ele riu-se – não te rias
- Quero ver isso amanhã então
- Vamos estar juntos amanhã?
- Se quiseres
- Vamos onde?
- Vamos almoçar a qualquer lado depois
do treino, e a seguir podíamos ir para minha casa ver um filme que dizes?
- Parece-me bem. Eu posso ir ter ao
Seixal e assim ficávamos já desse lado
- Senão houver problema para ti vir cá
ter de transportes públicos
- Problema nenhum, eu prometo que não
me perco –
ele riu-se
- Olha vou preparar as coisas para o
treino depois falamos
- Bom treino, até logo – desliguei e
continuei a minha caminhada.
Quando cheguei à Avenida da Liberdade,
meti-me numa rua e fui ter ao Jardim Botânico onde entrei e visitei, depois
segui as indicações de um senhor e cheguei ao Mercado da Ribeira que fica em
frente ao Cais do Sodré. Dei uma vista de olhos lá e depois fui ao cais saber
as horas do ferry para o Seixal. Olhei para o relógio e já era 18h20, como vi
que não tinha nenhum transporte direto para o Colombo, decidi ir a pé até ao
Chiado apanhei lá a linha azul do metro e fui direta para casa. Durante a
viagem recebi uma mensagem da Carolina.
De: Carol
- Já estás em casa a preparar o
jantar? :p
Para: Carol
- Próxima paragem Jardim Zoológico,
queres que vá lá buscar a tua ração? :p
Ps: espera por mim no Colombo
- Aproveita e trás a tua também, cara
irmã ;)
Ps: espero junto a fonte
- Que piadinha!
Pouco tempo depois sai na estação
Colégio Militar, encontrei-me com a minha amiga e fomos para casa. Preparamos o
jantar enquanto lhe contei o meu dia, o que tinha combinado com o Gaitán para o
dia seguinte e ela contou-me sobre o dia dela
- Olha a Filipa contou-me que vai
levar a gravidez para a frente – disse ela
- A sério? Agora tem que falar com os
ditos pais
- Foi o que lhe disse e ela disse que
isso seria o pior pois não tem falado com o outro rapaz e com o Pedro a relação
também não está muito famosa.
- Pois deve ser complicado mas ela que
marque um dia com eles e que explique tudo direito
- Sim é o que ela tem que fazer e
independentemente da reação deles tem que seguir em frente
- Já viste se eles não querem que ela
leve a gravidez para adiante?
- Isso vai ser chato mas ela é que tem
que decidir
- Ser mãe solteira não deve ser nada
fácil ainda por cima nesta idade – o meu telemóvel começa a tocar
enquanto eu falava – Carol atende por
favor, não conheço o número!
- És sempre a mesma – pegou no
telefone e atendeu – estou?
- Hola Magda, fala a Anna
- Quem?
- A Anna, mulher do Maxi
- Ahhh…não é a Magda que fala, é amiga
Carolina, ela estava com as mãos ocupadas, por isso atendi mas vou já passar
- Muito obrigada, está tudo bem
contigo?
- Sim está e consigo?
- Trata-me por tu por favor, também
está tudo bem
- Ainda bem, eu vou passar a chamada,
gostei de falar cons...contigo
- Também gostei, beijinho – passou-me o
tele
- Estou?
- Hola Magda, como estás?
- Bem e tu?
- Também, desculpa estar a incomodar
mas eu pedi o teu número ao Nico – fez uma pausa – espero que não leves a mal
- Naaa, não há problema – “porque raio
foi ele dar o meu número?” pensei eu para os meus botões – mas passa-se alguma coisa?
- Noooo…estou a ligar para te convidar
para um jantar
- Jantar em vossa casa?
- Não, a Brenda,, a mulher do Luisão
está a organizar um jantar em casa dela para as esposas e namoradas dos
jogadores do Benfica, é uma tradição dela e gostávamos que tu também fosses
- Ohhh muito obrigada pelo convite
- Isso quer dizer que vens?
- Quando é?
- Esta quinta-feira…ah e a Carolina
também pode vir, sei que ela não é namorada de nenhum deles mas sei que te
irias sentir mais à vontade se ela for
- Sim, isso é verdade – disse eu meia
envergonhada
- Então podemos contar convosco? – olhei para a
minha amiga e respondi sem hesitar
- Sim pode, só precisamos de saber,
horas e local –
fiz uma pausa à espera de uma resposta –
ahhh em relação ao dress code?
- Depois envio-te uma mensagem com a
morada e horas, pode ser?
- Sim claro
- Em relação à roupa, costumamos ir
todas assim mais arranjadas pois é um noite dedicada a nós mulheres
- Ok precisamos de levar alguma coisa?
Ou é preciso ajuda para algo?
- Nooo basta aparecerem
- Então quinta conte connosco para
jantar
- Fico à espera. Beijinho
- Beijinho – desliguei
- Jantar na quinta? E perguntares se
posso? –
resmungou a Carol
- OMG
- Conta tudo – expliquei-lhe
tudo direitinho – eu e tu vamos jantar
com as outras todas?
- Pelos vistos sim e eu sem nada de
jeito para vestir!!
- Tu e eu, tenho tudo no Porto
- Vamos às compras na quarta, não
quero saber!
- Ok – terminamos de
jantar, arrumamos a cozinha, sentamo-nos no sofá a ver na net o que poderíamos
levar vestido, não queríamos parecer mal em frente das outras e quando o sono
começou a apertar fomo-nos deitar.
Quando o despertador da Carolina
tocou acordamos as duas, ela levantou-se primeiro para se arranjar para ir
trabalhar e eu fui a seguir. Tomei banho, arranjei-me, comi alguma coisa, como
ainda era cedo decidi pegar no HappyMeal, coloquei-lhe a trela e fui dar uma
volta com ele nos jardins ali perto. Depois do passeio, voltei a casa, peguei
na mala e saí para ir ter com o Nico.
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(Nico
Gaitán)
Quando terminou o treino, ia a sair
do campo e o Salvio veio ter comigo
- Posso falar contigo?
- Claro – sentamo-nos
no campo junto a uma das balizas para falarmos à vontade
- Tenho um pedido desculpas para te
fazer
- Oh deixa lá isso
- Nooo…eu agi mal, tu não tinhas que
levar soco nenhum
- Eu também não me devia ter metido no
meio –
ri-me – mas pronto já passou
- Mais uma vez desculpa
- Na boa. Mas diz-me como estás?
- Estou bem – baixou o
olhar
- Podes ser sincero comigo, sou teu
amigo
- Estou aprender a lidar com isto,
senti-me mesmo magoado com atitude dele. Eu recebo-o em minha casa e ele anda
aos beijos com a minha mulher? Não consigo perdoar
- Não quero defender ninguém, mas ele
não te conhecia muito menos a ela
- Eu sei mas podia ter contado logo de
início e não arrastar o assunto até hoje
- Pelo que me contou, eles juraram não
contar isto a ninguém, iria morrer com eles
- Então porque me contou?
- Porque houve uma pessoa que
descobriu e estava disposta a contar-te
- Quem?
- Não sei se te lembras dela, mas
sabes a Carolina a amiga dele?
- A que é minha fã?
- Sim, ela
- Como ela soube?
- Porque no meu aniversário ouviu os
dois a conversar sobre isso e ela chateou-se a sério com ele, não lhe falava
nem nada até que um dia ele bateu no fundo, não sei se te lembras de ele andar
mais em baixo –
acenou que sim - embebedou-se e foi a
casa dela tirar satisfações. Ela disse que não queria esconder isso de ti, que
não se iria sentir bem em saber uma coisa que te magoa e tu não saberes de nada
- Eles chatearam-se por minha causa? – perguntou ele
incrédulo
- Em parte sim porque ela queria que ele
fosse honesto contigo
- Essa miúda é mesmo querida
- Defendeu o ídolo dela
- Tenho que lhe agradecer quando a vir
- Num próximo jogo que ela for ver,
falas com ela
- Sim, quando souberes que ela vai
avisa-me por favor
- Está bem. E como vão as coisas lá em
casa?
- Não vão. A Magali foi para Madrid
com o Valu para eu não estar a pagar um hotel tendo eu casa
- Mas terminaram?
- Nooo… pedi-lhe um tempo para pensar
na nossa relação e assim consigo pôr as ideias no lugar
- Por um lado fazem bem para não se
magoarem com as palavras mas por outro o que disseram ao vosso filho?
- Dissemos que como estou no final da
época terei muito jogos e não passarei muito tempo em casa por isso seria
melhor passarem uns tempos em casa da avó, ao menos ele distrai-se com os tios
e assim
- Deve estar a ser muito complicado
para ti teres o teu filho longe, certo?
- Nem imaginas o quanto, era tão bom
chegar a casa e receber um abraço dele, ver aquele sorriso lindo, brincar com
ele, contar-lhe uma história para adormecer mesmo que esteja super cansado do
jogo ou do treino
- Tu és forte, companheiro! – dei-lhe uma
palmada nas costas
- Tem que ser, ainda no sábado o golo
foi dedicado a ele
- Eu reparei no festejo
- E tu e a tua namorada? Como vai
isso?
- Vamos bem, é complicado com a
distância mas nós damos a volta e sempre que podemos estamos juntos
- Ela é do Porto não é?
- Sim, ela esta semana está em casa da
amiga, da Carolina e então vamos aproveitar para estar mais tempo juntos
- Vem daí um sobrinho? – perguntou ele
a rir-se
- Noooo – respondi de
imediato – acho que não faz parte dos
planos dela ser mãe tão cedo
- E dos teus planos faz?
- Para já não, pois a relação ainda
está no início mas se me perguntares se já me imaginei ter filhos com ela,
claro que sim –
soltei uma gargalhada – eu quero ser pai
- Vê se isso quando estás com os
filhos do Maxi ou quando estás com o Valu
- Eu gosto de crianças
- Então tens que fazer uma tua – soltou uma
gargalhada dando-me uma palmada nas costas
- Com calma amigo, calma!
- Vamos embora?
- Vamos porque de caminho a Magda está
aí e eu ainda sem tomar banho
- Txiii então tens que te despachar,
elas odeiam esperar –
levantamo-nos, continuamos a conversar até ao balneário.
Quando lá cheguei, peguei no
telemóvel e tinha uma mensagem dela de à meia hora atrás
De: Magda
- Hola pollito, eu sei que cheguei
cedo por isso despacha-te :p **
Para: Magda
- Chinita, dez minutos estou ai **
- Vou contar :p
Peguei nas coisas, tomei um duche
rápido, vesti-me e sai despedindo-me dos que ainda estavam no balneário
- Ei lá, hoje vais sair primeiro que
eu –
disse o Fejsa quando ia a sair
- Tenho gente à minha espera
- Vai lá ter com a menina vai. Xau – cumprimentei-o
e fui embora.
Como reparei que estavam alguns
adeptos na entrada, chamei o segurança, pedi-lhe que trouxesse a Magda cá
dentro para não entrar no carro à frente daquela gente e assim aconteceu.
Quando ela chegou ao pé de mim, dei-lhe um ligeiro beijo nos lábios.
- Princesa, desculpa mas hoje está
muita gente lá fora e não queria que entrasses no carro ali, assim não tenho
que parar
- Férias da escola é normal que esteja
mais gente que o normal e claro que vais parar, há gente que veio de longe para
te ver
- Malditas férias
- Senão fossem elas não estava aqui!
- Benditas férias – agarrei-a
pela cintura e dei-lhe um beijo na testa
- Ainda aqui estás? – perguntou o
Fejsa
- Sim – olhei para
ela – Fejsa esta é a Magda, Magda este
é…
- Eu sei bem quem ele é – cumprimentaram-se
- Finalmente conheço a menina dos
olhos do Nico –
ela corou – escusas de corar, ele só
fala bem de ti
- Até parece que falo muito dela
- Por acaso não fala, ele é muito
discreto. Gostei de te conhecer qualquer dia marcamos um jantarzinho ou almoço
- Um dia – respondeu ela,
ele entrou no carro e foi embora – e nós
vamos embora? Estou esfomeada
- Vamos mas primeiro temos sessão
fotográfica
- Let’s go – entramos no
carro, arranquei e mal passei o portão do caixa houve alguns miúdos que se
puseram à frente do carro, eu parei de imediato, abri o vidro, sorri e comecei
a sessão
- Nico, é a tua namorada? – perguntou um
dos miúdos apontando para a Magda, olhei para ela que sorriu
- Sim é
- Tens bom gosto, é mesmo gira – soltei uma
gargalhada, continuei a dar autógrafos e a sorrir para as fotos, quando ia
arrancar – posso tirar uma foto com ela?
- Só ela te pode responder a isso – olhei para ela
que estava super envergonhada
- Anda a este lado que eu tiro foto contigo
–
respondeu ela, o miúdo correu até ao outro lado – não tenho jeito nenhum para isto
- Basta sorrir – disse o puto
e ela soltou uma gargalhada – vês até ficamos
bem – mostrou a foto – és
portuguesa?
- Sim, sou
- Bom gosto Gaitán, bom gosto! És
mesmo gira –
piscou-lhe o olho, ela fez-lhe uma festa na cabeça, sorri e arranquei acenando
ao miúdo
- Tão querido este puto!
- Ganhaste um fã já viste?
- Não digas asneiras
- Senão me ponho a pau ele rouba-me a
namorada –
ela deu-me um soco no braço
- Tão parvo, eu ia me lá interessar
por um miudinho como ele
- Estou a brincar
- I know – continuamos a
conversar enquanto conduzia ao local onde íamos almoçar, aproveitei para lhe
contar do convite da Anna do qual ele já tinha conhecimento.
Almoçamos, fomos dar uma volta a pé
pela zona e antes de irmos para minha casa passamos no Rio Sul Shopping para
comprar algo para comermos ao jantar. Quando chegamos a minha casa, pousamos as
compras na cozinha e fomos até à sala para escolher um filme para ver, depois
de mil e uma opções, optamos por ver uma comédia, o “Last Vegas”.
Sentei-me
no sofá, a Magda sentou-se no meio das minhas pernas encostando as costas ao
meu peito, abracei-me a ela e tapamo-nos com uma manta pois estava frio. O
filme foi mesmo uma comédia, passamos o filme todo a rir. Foi mesmo bom passar
a tarde desta maneira só com a minha chinita, vê-la sorrir, vê-la divertida,
conhecê-la melhor, conhecer os gostos dela, conhecer as suas manias, deixou-me
muito feliz e satisfeito. Cada vez tenho mais a certeza que gosto dela e que
ela gosta realmente de mim, não só por eu ser um jogador de futebol mas sim
pela pessoa que sou. No final do filme ela virou-se de frente para mim e eu
fiquei a olhar para ela com aquele sorriso parvo na cara, sorriso apaixonado,
sorriso verdadeiro. Já não me sentia assim desde…não queria pensar nisso, só
queria aproveitar o momento com a Magda.
- Que sorriso é esse?
- Estou feliz, só isso
- Porquê?
- Porque te tenho aqui comigo – abraçou-me – cada vez gosto mais de ti – dei-lhe
um beijo na testa, ela olhou para mim e sorriu
- Todos os dias tenho a certeza que
fiz a escolha certa – beijou-me, ficamos durante um bocado abraçados,
aos beijos, disfrutar do tempo até que o telemóvel dela toca.
- Estou?
- Onde andas? – perguntou a
Carolina
- Em casa do Nico como te disse
- Não vens jantar?
- Ups…não, vou jantar aqui com ele
- Podias ter avisado, ao menos vens
dormir a casa?
- Faço intenções disso
- Duvido mas quando chegares liga-me
para te abrir a porta
- Vais jantar sozinha?
- Vou ver se o estúpido do Lisandro
está livre e se me quer vir fazer companhia
- Tenham juízo
- Juízo, tenham vocês! Não quero ser
tia tão cedo
- Não te preocupes que não faço
intensões de ser mãe tão cedo
- Acho bem! Vá eu deixo o casal em
paz, bom jantar
- Xau – ela desligou – esqueci-me de avisar que jantava aqui
- Por falar nisso, vamos cozinhar?
- É melhor, a minha barriga já
resmungou
- A minha também – fomos tratar
do jantar, jantamos e depois voltamos para a sala para escolher outro filme.
Desta vez escolhemos um filme de
terror, o “Mama”, deitamo-nos no sofá, na mesma posição que de tarde, coloquei
o meu braço esquerdo à volta dela para não a deixar cair e cobrimo-nos com a
manta. Mal começou o filme, ela soltou um grito
- Isso é tudo medo? – ri-me
- Aquilo foi assustador, tá?
- E ainda é o início
- Ainda há cenas piores?
- Sim
- Ai que medo – disse ela
agarrando-se à manta pronta para tapar os olhos quando algo aparecesse – olha para elas são horríveis
- Já viste a maneira de elas andarem
- Pequenos monstros
- Tem a sua piada
- Não acho piada nenhuma, isto é
horrível
- Não tenhas medo estou aqui – dei-lhe um
beijo na nuca e continuamos a ver o filme
- Ahhhhhhh – voltou a
gritar ela tapando a cara imediatamente
- Então?
- O que era aquilo?
- Mama
- É a mãe delas? Que horror! – ri-me
- Vê o filme, vais ver que vais gostar
- Eu estou a gostar mas isto aparece
sempre assim do nada e assusta uma pessoa – continuamos a ver o filme e
mais perto do fim reparei que ela estava mais calada, espreitei e estava a
dormir, adormeceu ali junto a mim, tive pena de a acordar então levantei-me sem
que ela desse por isso, peguei nela ao colo e fui deitá-la na minha cama.
Mal sentiu o conforto da cama,
encolheu-se ficando em conchinha, estava tão querida, dei-lhe um beijo na testa
e voltei para o sofá onde iria ficar a dormir. Antes de o fazer enviei uma
mensagem à amiga dela avisar que ela não voltava a casa.
------------------
(Magda)
Acordei, dei logo um salto da cama
perguntando-me onde estava, olhei em volta e reparei que estaria no quarto do
Gaitán, virei a cabeça mas ele não estava na cama, Onde teria dormido??
Levantei-me e fui à procura dele, quando cheguei à sala, estava lá deitado no
sofá, aproximei-me, dei-lhe um beijo na testa e fui para a cozinha para lhe
preparar o pequeno-almoço. A primeira coisa que faço quando entro na cozinha é
olhar para o relógio para ver se não tinha madrugado mas já eram 9h40. Coloquei
os fones nos ouvidos, pus-me a ouvir música enquanto procurava nos armários o
que ele tinha para comer, como tinha pão de forma decidi fazer umas torradas,
preparar café, sumo de laranja, tudo a que ele tivesse direito. Um
pequeno-almoço de rei, já que ele é o meu rei das assistências.
Estava a cantarolar a música “me
marchare” dos Los Cadillac’s quando senti umas mãos agarrem-me pela cintura e
os lábios quentes no meu pescoço, dei um salto
- Não é preciso assustares-te, sou só
eu
- Pensei que fosse a mama atacando-me
–
virei-me para ele, tirando os fones, agarrei-me a ele e dei-lhe um beijo de bom
dia
- Alguém acordou bem-disposta – sorriu
- Dormi bem e ontem passei um dia em
excelente companhia
- Gosto muito de sabê-lo – piscou-me o
olho enquanto roubava uma uva da taça que eu tinha preparado, dei-lhe uma
sapatada na mão
- Não vale roubar
- Não foste a tempo, esta já é minha
- Parvo
- Isto é tudo para nós?
- Exagerei um pouco, não foi?
- Com a fome que estou não sei não
- Então senta-te e vamos comer – sentamo-nos
na mesa e comemos, sobraram só algumas torradas – porque não me acordaste ontem à noite?
- Estavas a dormir tão bem que tive
pena de o fazer
- A Carol deve estar super preocupada
- Eu avisei-a
- Lindo menino, sempre a surpreender-me
– sorri
e ele retribui – podes-me levar a casa?
É que combinei com ela que íamos comprar roupa para levar amanhã ao jantar
- Dá-me só tempo de ir tomar banho e
trocar de roupa
- Enquanto fazes isso eu arrumo aqui a
cozinha
- Não é preciso, hoje é dia de a
empregada vir cá
- Mas eu não quero que ela limpe o que
eu sujei e ainda tenho mãozinhas
- Não precisas de o fazer mas não te
quero contrariar
- Acho muito bem, agora vai lá tomar
banho sapinho – fiz-lhe
uma careta
- Então depois tens que me dar um beijo
para me transformar em príncipe e ficar ao teu nível, princesa
- Foi tão piroso isso – rimos, ele
foi para o wc e eu fiquei arrumar a cozinha
Como já tinha terminado, fui até a
sala, pus-me a ver tv até que o Gaitán apareceu e fomos embora.
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