(Magda)
Como
o meu pai não poderia ir ver o jogo, convidei os meus dois amigos para irem
comigo e eles aceitaram. Passava pouco das seis da manhã quando a Olivia chegou
a minha casa, fomos buscar o Tomás e seguimos viagem. Fomos diretos para casa
da Carolina, deixamos as nossas coisas e depois fomos passear até à zona do
Rossio, estacionamos o carro numa rua lá perto e andamos a pé, mas antes
paramos no Starbucks para tomar alguma coisa.
- Devíamos ter ficado em casa a dormir
–
resmungou o Tomás
- Sempre a queixar-se – respondi eu
- Não sejas assim acordaram cedo – disse a
Carolina
- Ele veio a viagem toda a resmungar.
Ou porque a música estava alta ou porque estava frio ou calor. Já não o podia
aturá-lo
- Olivia, como aguentaste uma viagem
até aqui?
- Não foi fácil, mas quando na
Mealhada troquei com a Magda para ela conduzir adormeci no banco de trás e não
os ouvi mais
- Sorte a tua - riram-se
- Que ricas amigas que eu tenho não
haja dúvida
- Ohhhh – disseram em
coro e abraçaram-se a mim – gostamos
muito de ti
- Graxa agora não resulta
- Vamos masé passear que estás a
precisar –
disse o Tomás.
Levantamo-nos,
saímos dali e começamos a nossa visita: primeiro fomos ver o Teatro D.Maria II
e a Praça do Rossio, descemos pela Rua Augusta até à Praça do Comércio, de seguida
fomos até à Sé de Lisboa e subimos até ao Castelo de São Jorge, onde não
entramos pois já estava na hora de almoço e teríamos que voltar para junto do carro
para depois irmos para o estádio. Nesta última parte andamos um pouco perdidos
pois nenhum de nós, nem mesmo a Carol sabia o caminho certo até lá. Como já era
uma e meia da tarde quando regressamos à Praça do Rossio acabamos por almoçar
no McDonald's de lá e depois fomos para o estádio.
- Não me acredito que vim ver um jogo
destes tipos –
disse o Tomás
- Vens para estar com os teus amigos
- Venho ver o coiso a jogar mal e o
Maxi a dar cacetadas
- Já te disse que ele tem nome e
tomará o Porto ter um jogador como o Nico
- Temos o Brahimi que é melhor
- Muito melhor não haja dúvida – respondeu a
Carol
- Têm noção que eu não sei quem é
quem, não têm? –
perguntou a Olivia e rimo-nos
- Não tem problema, eu vou conversando
contigo que isto não me interessa para nada – disse o Tomás
- Vai começar – disse eu a
Carol e rimo-nos
- Que estão praí a inventar?
- Nada nada. Vamos masé entrar no
estádio que hoje vamos ver o jogo em zona vip
- Tem comida?
- Já não estás a pedir de mais, Tomás?
–
acenou que não – bilhete de borla ainda
quer comida de borla que lata
- Tenho que ocupar o tempo
- Vês o melhor do mundo a jogar
- Lol Carolina! – continuamos a
conversar enquanto entravamos no estádio.
Era
a primeira vês que ia para os camarotes, a zona onde os familiares e amigos
ficam sempre, por momentos senti-me importante mas sabia que ia morrer de
vergonha mal visse algumas das esposas dos jogadores ou mesmo eles. Mal
entramos, tinha uma grande sala cheia de petiscos, bebidas, sofás, mesas, tudo
muito requintado e confortável. Já lá estavam algumas pessoas, como o Luisão acompanhado
da mulher e filhas, a mulher do Júlio César, a mulher do Jardel com o seu
pequenito, a mulher do Lima, a mulher do Fejsa e a do Ola John, entre outros
que não reconhecemos. Fomos diretos ao nosso lugar pois queríamos ver o
aquecimento, tiramos logo imensas fotos para recordar aquele momento, o
ambiente (era diferente do que se vivia perto da claque), a nós, a tudo
basicamente. Quando entraram para o aquecimento levantamo-nos e batemos palmas,
porque além de serem nossos amigos é o nosso clube e apoiamos
incondicionalmente.
- Salvio, Licha e Nico titulares – disse a Carol
enquanto lia no twitter
- Os três titulares?!? Não podia ser
mais perfeito
- Algum deles podia marcar golo
- Aposto que o Nico vai fazer a assistência
para um dos golos
- Óbvio senão fosse ele o rei das
assistências -
rimo-nos. Quando anunciaram o onze nos ecrãs do estádio, aproveitei e tirei uma
foto no momento que o Gaitán apareceu e postei no instagram.
![]() |
"sempre no apoio ❤ #Benfica #rumoao34 #orgulho"
|
Vimos
uma sombra aproximar-se de nós, olhamos para trás e era a Magali com o
Valentino, mal a minha amiga os viu, a expressão alegre e bem disposta dela
mudou completamente.
- Tem calma – disse eu
agarrando na mão dela
- Eu estou calma! Só peço que não fale
muito
- Hola ninas – disse a Mag,
levantamo-nos para a cumprimentar – não
sabia que vinham?
- Também foi uma surpresa para nós ,
principalmente vir para aqui – respondi eu
- É bom voltar a ver-vos – sorriu e
retribuimos
- Também gostei muito de te ver – disse a Carol – e tu Valu dás-me um beijinho ou hoje não
tenho direito? – ele riu-se aproximou-se dela todo envergonhado e deu-lhe um
beijo rápido – ai que beijo bom. Vieste
ver o pai jogar? – acenou que sim agarrando-se a mãe – e vai ser golo de quem?
- Do Benfica - rimo-nos só
de ouvir a doçura dele em dizer aquilo
- Mas quem marca?
- O papá – virou costas
todo envergonhado
- Ele hoje está muito envergonhado – disse a Magali
- Com o decorrer do jogo passa e anda
aí a pular e a saltar
- Sim – pegou nele ao
colo, olhou para o lado – olha quem vem
aí, filho? – olhamos todos e era a Anna, mulher do Maxi que vinha com os
três filhos mais velhos
- Hola – disse ela,
cumprimentamo-nos uns aos outros – que
bom ver-vos por aqui
- Obrigada. É recíproco – disse a Carol
- Já soube das novidades – eu corei logo
e sorri – fico muito feliz por vocês
- Muito obrigada Anna.
- O que é que perdi? – perguntou a Magali,
a mulher do Maxi contou o que se passou e ela deu-me os parabéns e disse que
temos que sair mais vezes juntas. Eu agradeci e disse que teríamos que combinar
outro jantar e elas concordaram.
Como
o jogo ia começar sentamo-nos nos lugares, quando começou o hino ficamos todos
de pé sem excepção de ninguém. Ouvir o Hino é sempre um momento emocionante,
ouvir milhares de pessoas uníssono, bem ou mal, a cantar pelo meu Benfica
deixa-me sempre arrepiada e sem palavras. Depois de tirarem a foto de grupo,
como é habitual, o Lisandro e o Nico olharam na nossa direção, sorriram e nós
retribuimos de imediato. O jogo correu pela normalidade, com domínio total do Benfica,
um jogo de grande qualidade. Ganhamos por 3-1 com dois golos de Jonas
assistência do Salvio e um de Lima e não poderia faltar a assistência do Gaitán.
Fiquei mesmo feliz pelo resultado mas fiquei ainda mais feliz pela excelente exibição,
a assistência e o prémio de melhor jogador.
- Viste o melhor a jogar? Não é melhor
que Brahimi? –
disse eu para o Tomás enquanto saíamos dali
- O Brahimi é melhor
- Vai-te lixar - dando-lhe um
murro no braço e ele retribuiu -
aleijaste-me parvalhão! – voltei a bater-lhe – Carol, olha o Tomás!
- Comportem-se meninos está tudo a
olhar para vocês – olhei
em volta e estavam algumas pessoas a olhar para nós e rimo-nos
- Posso ir tirar uma foto com o
Luisão? –
perguntou ele
- Vais lá e pedes, o máximo que podes
levar é um não –
disse a Carol, ele foi lá e tirou a foto com o capitão.
Enquanto
isso eu e a minha amiga fomos nos despedir da Magali e da Anna que nos disseram
para esperar assim desciamos com elas, não precisávamos de ir para a confusão
junto dos adeptos, esperávamos por eles na porta de saída para os carros e
assim fizemos. Mal chegámos lá os seguranças estranharam a nossa presença, mas
elas avisaram-os de quem eramos e depois foram embora para não apanhar a
confusão das fotos e autógrafos, principalmente estando com o miúdos, é sempre
mais complicado. Passado um pouco os jogadores começaram a sair, primeiro os
que não jogaram e depois conforme se iam despachando. Já sabíamos que as duas
madames iam demorar e estávamos a comentar isso quando o Salvio saiu e a Carol
ficou sem qualquer reacção.
- Olha é o Salvio não vais lá? – perguntou o
Tomás
- Não…- abanou a
cabeça – Salvio? – gritou ela e ele
olhou de imediato para trás
- Hola – recuou,
cumprimentaram-se
- Quero dar-te os parabéns pelo jogo
de hoje, estiveste muito bem! Mas tirando hoje é todos os dias – ele sorriu
- Obrigada Carolina – ela sorriu instantaneamente,
sabia que ela estava radiante por ele se lembrar do nome dela – Estão à espera do Lisandro e Nico?
- Sim, eles demoram?
- Cinco, dez minutos no máximo
- São piores que as meninas – disse eu e
eles riram-se
- Muitos parabéns Salvio, pela excelente
exibição e pelas assistências! Faltou só o golo mas da próxima marcas – sorriu e ele
retribuiu
- Muito obrigada mais uma vez. Espero
que sim, mas o importante é que conquistamos os três pontos
- Exato. Mas vá não te chateio mais que
tens mais fãs lá fora à tua espera e deves querer ir para casa celebrar com a tua
família. –
cumprimentaram-se, ele foi embora – foi
horrível Magda! Horrível!!! Senti-me tão mal!!! – agarrou-se a mim,
encostando a cabeça ao meu ombro e os outros dois ficaram a olhar para mim sem
entenderem nada do que se estava a passar
- Correu bem, ele não percebeu nada! E
disseste-lhe aquilo que qualquer fã diria
- Eu sei but… - olhou para mim
– tu entendes, certo? – acenei que sim
e sorri
- Como é que ele sabe o teu nome? – perguntou a
Olivia admirada
- Sempre a mesma, esta rapariga! Então
já não te explicamos que tivemos o aniversário do Nico?
- Alguém falou em mim? – olhei para o
meu lado esquerdo e lá estava ele sorridente juntamente com o Licha
- Viraste convencido? – perguntei eu – estou a ver que certas companhias te andam
a fazer mal
- Isso era alguma boca para mim? – perguntou de
imediato o Lisandro
- Entende como quiseres
- Alguém vá buscar pipocas, que estou
adorar isto – disse
a Carol
- Parva – disse eu
dando-lhe um empurrão
- Estou a ver que trouxeram companhia
–
disse o Nico, dando-me um beijo na testa
- Não te lembras deles? Este é o Tomás
–
apontei para ele – Ela a Olivia – apontando
para ela
- Claro que me lembro, não nos
conhecemos pelas melhores razões mas lembro-me - cumprimentou-os
e o Lisandro também o fez
- Onde vamos sair? – perguntou o
Licha
- Tu não bebes – disse a Carol
e eu em coro. Como é óbvio começamos a rir juntamente com o Gaitán e mais uma vez os meus amigos ficaram
sem entender
- Que engraçadinha! Hoje também só
podemos beber água que amanhã temos treino! – Decidimos onde íamos, a
Carolina tinha um monte de sugestões e acabamos por escolher uma.
- Vamos no meu carro até tua casa,
Carol? –
perguntou o Nico
- Mas estamos mais pessoas que lugares
–
respondi eu rapidamente
- Não há nenhum problema, moro já ali
a beira do Colombo – disse
a minha amiga
- Podemos ter problemas com a polícia
- Não sejas assim e entra no carro – resmungou o
Tomás
Entramos
todos no carro do Nico mas só até casa da minha
amiga para ir buscar o carro. Antes de sairmos do estádio eles tiveram que
distribuir os habituais autógrafos e tirar fotografias, eram poucos fãs que
esperaram pela sáida deles, contudo estava lá a rapariga que se passou da outra
vez por me ver sentada ao lado do Gaitán.
- É verdade que namoras? – perguntou ela
- Não interessa – respondeu ele
enquanto autografava uma camisola
- Diz-me, eu preciso de saber – disse ela
aumentando o tom de voz – quem é ela? É aquela
da outra vez? – ele olhou pelo retrovisor e viu na minha cara que não
estava a gostar de ouvir aquilo
- Queres tirar foto ou não? Tenho que
ir, estou com pressa – disse ele calmamente, sorrindo para apaziguar as
coisas
- Sim quero - deu-lhe o
telemóvel para mão e tiraram uma selfie –
OMD ele tocou no meu telemóvel – gritava ela e todos nós começamos a rir.
Como não estava mais ninguém para fotos e assim, ele fechou o vidro e arrancou.
- Peço desculpa pelo sucedido
- Quero ver mais cenas destas, por
favor! Isto no Olival não acontece. – disse o Tomás ainda a rir-se e eu
dei-lhe uma cotovelada para ele se calar
- Não tens que pedir desculpa, Osvaldo!
É normal isto acontecer – disse a Carol muito descontraída
- Acho que vais ter problemas, Magda – disse o Licha
- Sei me defender sozinha – respondi
dando-lhe uma palmadinha no ombro.
Quando
chegámos à porta do prédio da minha amiga, ele parou ligando os quatro piscas pois
eu e os meus amigos precisávamos de ir a casa buscar umas coisas e rapidamente
voltamos a descer. Combinamos que a Olivia e Tomás iam no carro dela e eu e
companhia íamos com o Nicolas. Depois de estacionar o carro num parque junto ao
Cais do Sodré, o Gaitán pediu-me para esperar um pouco e deixamos os outros
indo para o restaurante guardar mesa. Ele agarrou-me pela cintura e coloquei as
minhas mãos sobre o peito dele.
- Tenho um pedido de desculpas para te
fazer –
disse ele
- Ah? Porquê?
- Aquela maluca!
- Oh esquece lá isso. Não tens que
pedir desculpa já sabíamos que isto podia acontecer
- Mas ficas numa situação
constrangedora e eu não quero isso
- Não vou negar que fiquei aborrecida.
Claro que fiquei, quem é ela para querer saber da tua vida? Não tem nada a ver
com o que fazes ou deixas de fazer! – disse eu um pouco chateada
- Tens razão mas vamos esquecer que
isto se passou e aproveitar o pouco tempo juntos – sorrimos, tentava
me afastar dele para irmos embora – nem
um beijo tenho direito? - ri-me
- Claro que tens – nesse mesmo
segundo ele beijou-me, um beijo intenso, longo e caloroso. Aproveitei para o
abraçar – vamos?
- Só mais uma coisa – abriu a mala – eu queria ter-te dado isto mais cedo mas com
a correria passou – pegou numa saca que lá tinha e deu-me – espero que gostes – abri e não queria
acreditar, era a camisola dele, sorri mal vi e abracei-o com toda a força
susurrando-lhe ao ouvido mil e uma vez obrigada – assim vais me esganar - soltei-o
- Desculpa! – voltei a
olhar para a camisola – eu já não tenho
palavras para te agradecer rapaz
- Não precisas, só quero que a estimes
bem. Não é para todas
- Vou guardar muito bem – agarrei-me a
ela – ainda tem o cheiro do teu perfume
- É para não te esqueceres de mim
- Nunca me esquecerei de ti – sorrimos um
para o outro – não tens noção à quanto
tempo espero por isto! Não tens mesmo noção!
- Ainda bem que pude finalmente
realizar esse sonho
- Obrigada, obrigada! – voltei abraçar
mas desta vez com menos força. Guardei a camisola no carro para não correr o
risco de a perder, apesar de a minha vontade naquele momento era vesti-la e
mostrar a toda a gente o orgulho que tenho nele. Por fim, fomos ter com os nossos
amigos, jantamos e depois decidimos ir a um dos bares da zona.
Estávamos
a conversar quando começou a tocar a música Dança Kuduro, eu e as minhas amigas
começamos logo a dançar e os rapazes ficaram a olhar e a rir-se, as pessoas que
lá estavam iam nos acompanhando e pouco depois o Lisandro juntou-se a nós, a
Olivia foi buscar o Tomás que se recusava a ir mas ela lá o convenceu.
- Anda também – disse eu para
o Nico
- Não sei dançar
- Aposto que desses pés só sai magia
até na dança – puxei-o
- Acredita em mim, não sou bom nisto –
veio
para junto de nós dançar e ao fim de alguns passos era mesmo verdade, ele não
tem mesmo jeito para isto mas até deu para rir um pouco das figurinhas dos
três. – eu avisei
- Tens pés de chumbo, mas depois dou-te
umas aulinhas – rimo-nos e
encostamo-nos a conversar com a Olívia e Tomás enquanto a Carol e o Licha
continuavam a dançar
------------------------------------
(Carolina)
- Tu até tens jeito para isto – disse eu
enquanto dançava
- Tenho jeito para muita coisa e uma
delas é a dança
- Convencido - dei-lhe uma
palmada no braço e ele riu-se
- Tenho uma coisa para te contar
- Estás à espera do quê?
- Combinei um almoço com o Toto amanhã
em minha casa
- Vais-lhe contar?
- Sim, tenho que fazer isto
- Fazes bem, já sabes depois quero
saber de tudo
- Curiosa - deu-me um
beijo na bochecha
- Só quero saber para ajudar
- Eu sei tótó
- Sabes hoje quando vi o Salvio
custou-me imenso falar com ele – fiquei um pouco triste, voltei o meu
olhar para o chão e ele com as mãos fez com que voltasse olhar para ele
- Não te quero ver assim, tu não
mereces! Eu fui um estúpido e culpo-me todos os dias pelo que fiz, fiz sofrer
muita gente à minha volta e tu foste uma delas. Por favor não fiques triste, não
deixes que isto afete a tua relação com ele porque afinal de contas ele é o teu
ídolo e tu gostas muito dele – sorri – é assim que te quero ver a sorrir, até ficas mais gira e tudo –
corei
- Ohhh não sejas parvo
- Só disse a verdade
- Eu poderia dizer que tu também és
giro mas nem todos podem ser como eu - fiz-lhe uma careta
- Obrigadinha – ficou amuado,
virou costas, agarrei na mão dele
- Espera – aproximei-me e
abracei-o sussurrando-lhe ao ouvido – tu
és lindo, lindo por favor e o mais importante és lindo por dentro. Tens um
coração gigante! – ele abraçou-me com força fazendo me levantar os pés do
chão
- Até que sabes ser querida – sorriu
- Não digas a ninguém, tenho uma
reputação a manter -
rimo-nos e fomos ter com o resto do pessoal
------------------------------------
(Magda)
Pouco
depois da Carol e do Lisandro voltarem para a nossa beira fomos embora, estávamos
todos cansados, tinha sido um longo dia e precisávamos de descansar. No
regresso a casa, o Nico e o amigo já não nos precisaram dar boleia assim iam diretos
para casa e fomos todos no carro da Olivia. Antes de irem embora, fui buscar a
minha saca à mala do carro e combinei com o Gaitán para amanhã nos encontrarmos
para estarmos um pouco juntos antes de ir embora para o Porto. Já estávamos em
casa a ajeitar as coisas para dormir, quando a Olivia se lembrou
- Alguém se lembrou de comprar as
coisas para o Picnic?
- Sim, eu comprei tudo na sexta antes
de vir para casa –
respondeu a Carolina – de manhã
acordamos às nove e cozinhamos tudo para levar
- Ouviste Tomás? – repostei eu
- O quê?
- Vamos todos ajudar a cozinhar
- Mas eu não sei fazer nada
- Eu ajudo-te – respondeu a
Olivia
- Obrigada – peguei no
presente que o Nico me deu
- Gente, olhem o que eu recebi – tirei a
camisola do saco
- Ele deu-te? – perguntou a
Olivia e eu acenei que sim
- Boa amiga, mais um sonho cumprido – disse a Carol
esticando a mão para me dar cinco
- Vende isso no eBay – sugeriu o
Tomás
- Estás maluco – agarrei na
camisola – vou guardar para sempre
- Tão exagerada – começamos
outra vez na picardice
- Pronto meninos, vamos todos masé
dormir que estamos cansados e amanhã temos que acordar cedo – disse a
Olivia.
- Carol, podes-me só dizer o nome do sítio
onde vamos para dizer ao Osvaldo? – ela assim o fez e eu enviei mensagem
enquanto nos deitávamos
Para: Nico
- Boa noite, amanhã vamos ao Parque da
Quinta das Conchas aparece depois do almoço ;) adivinha qual é o meu pijama
hoje? :p
De: Nico
- Tenho que descobrir onde isso fica
jajajaja deixa-me adivinhar: é uma camisola vermelha, mais precisamente do
Benfica e por acaso tem o número 10 e o meu nome nas costas? Jajajaja dorme bem
**
Para: Nico
- Google maps :p wow como adivinhaste?
És muito inteligente ;) boa noite **
Pousei
o telemóvel, virei para o outro lado e pouco depois adormecemos. Eram nove
horas quando o despertador da Carol começou a tocar, acordou toda a gente com
aquela música irritante, levantamo-nos e enquanto uns se vestiam e assim os
outros tratavam do pequeno-almoço. Depois de tomar o pequeno-almoço, tratámos
das coisas do Picnic: fritar rissóis, bolinhos de bacalhau, perninhas de
caranguejo, croquetes, fazer um bolo para cantar os parabéns e um pão de ló
porque o Tomás estava farto de pedir, etc.
Quando
tínhamos tudo pronto, pegamos nas coisas e fomos até ao Parque da Quinta das Conchas
que fica perto do aeroporto. Escolhemos um local para estender a toalha,
pousamos as coisas, jogamos um pouco de cartas, como estávamos só os quatro
passamos a manhã toda a jogar à sueca. Começamos a comer e depois como
sobremesa decidimos cantar os parabéns ao André que hoje faria 21 anos.
- Antes de comermos gostaria de dizer
umas palavras –
disse eu
- Força – respondeu a
Carol, fui à carteira buscar a folha onde tinha escrito um pequeno texto – vens preparada e tudo
- Sabem que não tenho muito jeito para
estas coisas mas pronto aqui vai – fiz uma pausa – André, não tive a oportunidade de me despedir de ti em condições, não
é que eu o quisesse fazer pois preferia que estivesses aqui connosco, a
conversar, a brincar, a ser um parvo, a tirar me do sério como tu adoravas
fazer! Mas eu queria que soubesses que apesar das nossas discussões, dos nossos
conflitos, das nossas guerras meias parvas, eu gostava, quer dizer, eu gosto
muito de ti! Tu sempre foste um bom amigo, um bom companheiro, tu eras o meu
amigo! Tu és o meu melhor amigo! – fiz uma pausa para travar a lágrima que
tentava cair - Onde quer que estejas
neste momento – olhei para o céu - eu
vou te sempre lembrar como um rapaz alegre, divertido, pronto ajudar, sempre
acompanhado das suas filosofias. Nunca me esquecerei de ti! Até um dia, amigo!
– fechei o papel, olhei para os meus amigos, voltei abrir a folha – PS: perdoa-me por não ter lutado, por não
te ter ajudado mais a mudares de vida! Perdoa-me André – aí não controlei
as lágrimas que começaram a cair, os meus amigos levantaram-se e abraçaram-me
- Claro que ele te perdoa porque
afinal de contas tu não tiveste culpa de nada. Tu estavas sempre a dizer-lhe que aquilo não lhe fazia bem por isso como já te tinha dito: não te sintas culpada! – disse a Olivia
- Puseste-me a chorar, isso não se faz
– disse
a Carol limpando a cara e rimo-nos – ele
será sempre nosso amigo
- Vamos fazer um brinde – pegamos nos
copos e brindamos – ao André
- À nossa amizade – disse a
Olivia e brindamos
- Agora já podemos comer? – perguntou o
Tomás e começamos a rir
- Come lá rapaz – disse a Carol
dando-lhe a faca para a mão
- Obrigado por trazerem pão de ló para
mim
- Está bom?
- Delicioso - rimo-nos,
cortamos uma fatia do bolo de aniversário que não passava de um simples bolo de
cenoura com pepitas de chocolate.
Continuamos
a tarde a conversar, a relembrar de momentos passados com o nosso amigo André,
de coisas que ele costumava dizer e fazer:
- Uma vez estamos a vir da praia, eu
contei como curiosidade que a carne de porco para ser tenra, o animal tinha que
ser morto em situação de stress ou ser injetado um químico e o meu amigo
discordou, começando uma pequena discussão pois eu tinha a certeza do que
estava dizer porque nos últimos dias de aulas eu tinha apresentado um trabalho
sobre isso! A Carolina riu-se imenso com a nossa discussão apesar de eu não
estar achar piada nenhuma ao facto de ele estar a duvidar de mim, mas hoje rio-me
pois foi uma situação caricata - relatei eu.
- Estava a ver que vocês se iam
matando por causa de um porco – disse a Carolina e desatamo-nos a
rir.
Nesse
momento chegou o Gaitán, que ficou a olhar para nós com cara de “o que eu
acabei de perder”. Resumi o que tinha acabado de contar e, como óbvio ele
riu-se:
- Tu e as tuas teorias de bióloga.
- Come masé o bolo e cala-te – levantamo-nos
e fomos dar um passeio.
- Como é que estás? – perguntou o
Nico
- Eu estou bem, porque perguntas isso?
- Pergunto se estás bem em relação a
isto do teu amigo? Eu sei que te sentiste culpada pela morte dele, esses
pensamentos já se foram embora – encolhi os ombros e baixei a cara
- Aos poucos vão desaparecendo mas é
complicado não o ter cá, entendes? – acenou que sim – ele era um grande amigo, e como é obvio sinto muitas saudades dele
apesar disso tenho que me lembrar das coisas boas que passamos juntos – sorri
só de me lembrar de alguns desses momentos
- Além de sermos namorados sou teu
amigo e quero que saibas que estou aqui para te ajudar – depois de
ouvir isto, tomei a iniciativa, beijei-o. Primeiro dei-lhe um beijo breve e
suave ao qual ele sorriu e depois ele agarrou-me pela cintura e voltei a
dar-lhe um beijo desta vez um beijo prolongado, ofegante, apaixonado,
carinhoso, mágico.
- Muito obrigada por tudo, Nico! – demos as mãos
e continuamos a passear
Pouco
depois das cinco voltamos para junto dos meus amigos, arrumamos tudo,
despedi-me do Nico e fomos embora. Deixamos a Carol em casa, pegamos nas nossas
malas e seguimos viagem até ao Porto.

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