(Carolina)
- Estou Magda? – disse eu a
chorar quando ela me atendeu a chamada
- Sim. Estás a chorar?
- Ele é um parvalhão, um idiota.
Odeio-o
- Estás a falar de quem? – não conseguia
falar e continuava a chorar – Carol,
pára lá de chorar e explica-me o que se passa. Assim não entendo nada
- Foi o… – tentava falar
aos soluços – o idiota do Pedro
- O que é que tem? O que é que ele
fez? - contei-lhe
o que se passou – que grande idiota! E
tu não te passaste e deste um estalo à tipa?
- Nem consegui reagir, só quis sair
dali para fora e correr até ao táxi
- Não esperava isso dele, foi mesmo
uma besta!
- O que me irrita mais é que ele dizia
que me amava e que teve o tempo todo à minha espera, porque mentiu? Para que dizer
o que não sente? Quer andar com as duas ao mesmo tempo? Que ódio!!!
- Tem calma, amiga! Não podes ficar
assim!
- Não consigo, sabes que me estava a
dar muito bem com ele!
- I know! Estás a precisar de te
distrair, fazemos assim vou-te buscar à estação e vamos dar uma volta
- Não sou boa companhia para ninguém
- És sim, vamos jantar a algum lado e
depois damos uma volta pela baixa
- Não me apetece!
- Ohhh mas quem manda? Vamos e acabou!
- Está bem mas depois não te queixes
- A que horas chegas?
- As dez
- Tão tarde? Vou morrer de fome
- Come alguma coisa até lá
- Eu aguento. Até logo então
- Hasta – Desligamos e tinha
uma mensagem
De: Pedro
- Onde andas? Já foste para o Porto e
nem te despedes?
Para: Pedro
- Sim estou a caminho do Porto é da
maneira que ficas à vontade com a Filipa!
Aguardei
o telemóvel na carteira e pus-me a ouvir música para tentar esquecer tudo o que
se estava a passar. Sabia que não devia ter respondido àquela mensagem mas
estava feito e não podia voltar atrás. A viagem estava a custar mais do que
habitual parecia que as horas e os kilometros não passavam e começava a ficar
impaciente. Acabei por adormecer um pouco depois de Leiria e só acordei quando
cheguei ao destino. A minha amiga estava lá à minha espera juntamente com a
Olivia e Tomás
- O que fazem todos aqui?
- Surpresaaaa – disseram em
coro
- Foi ensaiado? É que acho que não saía
tão bem -
rimo-nos
- Vamos embora que tenho fome – disse a Magda
- Eu também já comia alguma coisa.
Onde tens o carro?
- Já o deixamos estacionado perto da
Cordoaria para não estarmos a esta hora à procura de lugar, o que seria
impossível –
fomos embora dali.
Jantámos
no BaixaBurguer onde a Olivia tinha guardado uma mesa porque já sabíamos a
confusão que aquilo é. Conversamos durante todo o jantar sobre várias coisas, como
ia a faculdade, o meu trabalho, sobre futebol, sobre saídas anteriores, sobre
as novidades que surgiram entretanto, entre outros assuntos, foram umas belas
horas com os meus amigos. Quando saímos do jantar, eu já estava um pouco alegre
demais depois de beber uns copos de sangria, escrevi num papel o meu número de telefone
e entreguei ao empregado bem giro que nos atendeu durante a noite, o que nos
rimos com isto, senti-me uma verdadeira adolescente!
- Oh Carol, o que foste fazer? – perguntou a
Magda
- Ele não vai ligar por isso, estou
descansada
- Como tens tanta certeza?
- Não sei mas vais ver que tenho razão
- OK tu é que sabes
- Vamos até as galerias? – perguntou a
Olivia e todos dissemos que sim. Fomos a um dos bares que estava abarrotar de
gente, ela pagou um shot a cada um, ao início a Magda recusou mas depois de
muito insistir ela acabou por beber. Como não dava para dançar viemos cá para
fora, onde se ouvia música de vários sítios. Peguei no telemóvel para ver as
horas que já eram 2h27 e reparei que tinha duas mensagens.
De: Pedro
- Ah? Não entendi essa
De: 91*******
- Olá. Já saí do trabalho, podemos
falar agora. Ass: o rapaz do BaixaBurguer
- OMD – fiquei
chocada olhar o telemóvel
- O que foi? – perguntou o Tomás
- O tipo mandou mensagem, não acredito
–
comecei a rir
- Eu disse-te e agora que lhe vais
dizer?
Para: 91*******
- Hola. Como te chamas? Já foste para casa
ou andas pelas galerias? :b
- Tu és maluca! – disse a Magda
- Um pouco mas não digam isto a
ninguém, fica entre nós ok?
- OK - rimo-nos e o
meu telemóvel voltou a tocar
De: 91*******
- Pedro e tu? Vim para casa, estava
cansado
- Naooooooooooooooo!!! Ele chama-se
Pedro
- Não se chama nada? – perguntou a Olivia
- Antes tivesse a gozar – pela primeira
vez essa noite me lembrava do lisboeta.
- Que azar! Vais voltar a responder? – acenei que
sim e assim o fiz
Para: 91*******
- Péssimo nome para a altura xD Carolina,
então bom descanso!
Voltei
a guardar o telemóvel na carteira e continuei à conversa com os meus amigos. Ficamos
mais um pouco ali pelas galerias e antes de irmos embora fomos até à Caipicompany
onde tem caipirinhas de vários sabores. O Tomás pediu uma caipirinha de mojito,
a Olivia não pediu nenhuma pois ia a conduzir e não poderia beber mais nada, eu
e a Magda pedimos a caipiursos (caipirinha de vodka preta com ursinhos de
gomas). Sempre que vamos às galerias temos que ir lá buscar uma caipirinha, mas
esta é sem dúvida a que mais gostamos. Aproveitei o momento e tirei uma foto
para postar no instagram..
![]() |
| “quem tem amigos tem tudo ❤ #bestfriend” |
Passei
a manhã de sábado a dormir, visto que cheguei tarde a casa. Quando acordei,
tinha duas mensagens
De: 91*******
- Bom dia. Hein? Péssimo nome? :o
De: Pedro
- O que mudou? O que se passa? Fala
comigo por favor!
Ignorei
as duas mensagens, ao lisboeta tenho que pensar muito bem no que lhe vou dizer
e como vou dizer que sei de tudo! Se pessoalmente ou por mensagem, mas só
preciso de tempo para pensar! Antes de me levantar da cama para ir tomar banho,
dei uma olhadela pelas redes sociais que estavam repletas de fotos do Benfica
pois jogavam às 17h com o Braga. Na parte da tarde, fui aos escuteiros, fui ter
com os meus lobitos, o meu refúgio, apesar de me darem bastantes dores de
cabeça e de muitas vezes não se portarem bem são das únicas pessoas que
conseguem roubar um sorriso sincero de mim! As crianças são maravilhosas e têm
um poder incrível nos adultos. A tarde foi passada com jogos, mais
precisamente, uma pista de obstáculos com o intuito de os fazer ultrapassar
alguns dos medos e receios deles. Creio que no final do dia o objetivo foi cumprido,
alguns superaram-se e não tiveram medo de arriscar, assim se vê a evolução
deles. O sábado passara a correr e o domingo foi igual, antes de voltar para
Lisboa estive a conversar com a Magda sobre o que fazia em relação ao Pedro, o
que ela acharia melhor. Decidi então que iria falar pessoalmente com ele para o
confrontar com tudo o que a Filipa me contou e depois logo vejo o que faço em relação
a ele. Quando cheguei a casa, em Lisboa, dei de comer ao HappyMeal, comi alguma
coisa e depois enviei uma mensagem.
Para: Pedro
- Olá, preciso falar contigo face to
face, amanhã antes do trabalho está bem para ti?
De: Pedro
- Sim está bem, a que horas?
- 8h30 junto a fonte, OK?
- OK
Já
estava a dormir quando o meu telemóvel começa a tocar, alguém me estava a
ligar, pensei logo “mas quem é o diabo que me está a ligar a estas horas?”
- Estou? – perguntei eu meia
a dormir
- Necesito hablar contigo, es muy
importante –
aquele espanhol não deixou dúvidas
- O que é que tu queres a esta hora?
- Hablar contigo
- Tu estás bem para me ligares a estas
horas?
- Estou à porta de tua casa, podes
abrir?
- Estás o quê? – dei um mini
berro, levantei-me, fui à janela ver se era verdade e confirmava-se – tu és louco rapaz
- Só quero falar contigo, por favor só te peço isso
- OK eu vou abrir – assim o fiz e
ele subiu. Quando chegou à porta de minha casa, estava com cara de choro e de
quem esteve a beber – andaste a beber? –
ele mal se segurava de pé – não precisas
dizer nada, já percebi que sim, entra! – entrou e sentou-se imediatamente
no sofá – vou fazer um café para
arrebitares
- Não quero, senta-te aqui comigo! – olhei para
ele que não estava nada bem
- O Benfica sabe disto? – ele acenou
que não
- Sinto-me enjoado!
- Espera lá não vieste a minha casa
vomitar, muito menos no meu sofá – fui buscar um balde – pega, aqui já podes – ele pegou nele
e colocou no chão junto aos pés dele
- Não preciso disto, para já! Só quero
entender o que se passou entre nós, porque deixaste de falar comigo?
- Não acho que estejas em condições para
falarmos nisso
- Estou es… - pegou de
imediato no balde, vomitou duas vezes seguidos
- Eu vou te fazer um chá, estou a ver
que a noite hoje vai ser longa – encostei-o para trás, para ele
descansar um pouco – não adormeças –
ele sorriu, fui buscar um copo de água para ele tirar aquele sabor horrível da
boca e depois coloquei a água a ferver –
porque foste beber? Já não sabes que não podes?
- Fui sair com uns amigos meus que cá
vieram e deixei-me ir
- Assim pões a tua carreira em causa desnecessariamente
- Só fico uns jogos sem jogar
- E achas pouco? Se fosse teu mister ias
treinar todos os dias, manhã e tarde, como castigo – fui buscar o
chá
- Mas eu não me importava, assim
enquanto lá estava não pensava no que não devia
- Talvez mas agora bebe o chá para ficares
melhor – ele
deu um gole e passado segundos estava a vomitar novamente – tens que beber mais para limpar esse estômago
- Tenho fome
- Primeiro bebe o chá depois dou-te
umas bolachas. E tens sorte porque por minha vontade metia-te debaixo do chuveiro em água gelada
- Isso é que … - voltou a
vomitar – não. Mas diz-me o que te fiz
- Primeiro tratamos de ti, depois
falámos
- OK – bebeu o chá
até ao fim e não voltou a vomitar, fui buscar umas bolachas para ele comer e
não acabar por desmaiar – já me sinto
melhor
- Anda à casa de banho para limpares a
cara e as mãos -
ajudei-o a ir, ainda estava meio tonto,
até que acabei por o deixar lá sozinho e voltei para o sofá pois teve vontade
de urinar
- Estou aqui
- Estás bem?
- Agora sim, obrigado - sentou-se
- Então é assim Lisandro, estou muito
triste contigo! Não gostei do que vi na casa do Nico, no aniversário dele!
- Mas o que é que tu viste? – fez cara de
como se não soubesse do que eu estava a falar
- Tu e a Magali, no escritório – a expressão
facial dele mudou completamente, desviou logo o olhar – porquê Licha?
- Não te sei dizer
- É o que todos dizem sempre - continuou sem
olhar para mim - Olha para mim e diz-me
o que passa, quero entender onde começou e porquê – olhou ligeiramente mas
voltou a desviar, aproximei-me dele e com a mão fiz com que olhasse para mim – começa do início
- Eu juro que o que te vou dizer é a
verdade, por mais que não consigas acreditar em mim, é verdade tudo o que vou
contar –
fez uma pausa – isto só aconteceu duas
vezes, a primeira foi quando nos conhecemos em Madrid! – fez uma pausa - Antes de vir para o Benfica, fui a Madrid
de férias e numa das saídas à noite com os meus amigos, estava lá ela e as
amigas. Um amigo meu achava muito gira uma delas e começou a meter conversa com
a tal rapariga, a meio da noite estávamos todos na conversa, copo puxa copo,
piropo atrás de piropo e quando demos por nós estávamos aos beijos e parou por ali.
Eu não a conhecia de lado nenhum, não sabia que ela namorava com o Toto, nem o
conhecia – olhou para mim esperando que eu reagisse - Quando vim para o Benfica, tornei-me amigo do Salvio, como sabes, e
um dia ele convidou-me para ir a casa dele e quando lá chego dou de caras com ela
e senti-me muito envergonhado, não fiquei lá nem cinco minutos. Por sorte ou
azar, fui emprestado ao Getafe e numa das folgas estava a passear por Madrid
com os meus colegas de clube e encontrei-a com a mãe, pedi para falar com ela
para esclarecermos as coisas e pedimos desculpa um ao outro e que nunca
voltaria a acontecer nada entre nós – voltou a olhar para mim - Até que não sei o que me passou pela
cabeça no aniversário do Gaitán, aproveitei que ela estava sozinha e tentei dar-lhe
um beijo, como viste, e ela recusou sempre, de tanto insistir acabei por levar
um tabefe dela
- Devias levar imensos! – disse eu
perplexa a olhar para ele – o Toto é teu
amigo! Isso faz-se? É isto que fazes aos teus amigos? É assim que retribuis a
ajuda que ele te deu? – voltou a desviar o olhar – olha para mim, porra! Estás com vergonha do que fizeste? Pensasses
nisso antes! Não sabes o quanto me custou ver aquilo, ver uma pessoa que admiro
imenso fazer aquilo, ver um amigo meu fazer aquilo! Foi uma grande desilusão – comecei
a chorar – não esperava nada disto vindo
de ti! – olhou para mim e agarrou uma das minhas mãos enquanto tentava
limpar as lágrimas com a outra
- Carol, desculpa-me! Sei que agi mal
e estou super arrependido, não queria desiludir o meu amigo, nem queria ter
feito nada daquilo, não sei o que me passou pela cabeça! Eu sei que isto não
tem perdão ou desculpa alguma! Eu errei e peço perdão a Deus todos os dias por
isto! Só ele sabe como me tenho sentido! Não queria desiludir ninguém muito
menos a uma pessoa –
olhou-me nos olhos – não te queria
desiludir! Tu és incrível comigo, tens sido um grande apoio, uma bela amiga e
eu estraguei tudo, sinto-me a pior pessoa do mundo!
- O mal já está feito – fiz uma pausa - e agora o que vais fazer? Contar ao
Salvio? É que eu não consigo olhar para a cara do meu ídolo sabendo o que sei!
Mata-me por dentro, parte-me o coração, faz-me sentir uma péssima pessoa! –
as lágrimas começaram a escorrer novamente
– eu gostava tanto de ti, melhor eu gosto muito de ti, e tu sabes isso! –
olhei para ele e as lágrimas começavam também a cair
- Desculpa Carolina! - fez-se
silêncio durante alguns segundos – eu
vou falar com o Salvio, contar-lhe tudo e vou arcar com as consequências dos
meus actos.
- Estás mesmo disposto a isso?
- Sim, sei que vai ser difícil mas só
quero ficar bem com toda a gente e comigo próprio – limpei a cara
- Sabes que vais perder um amigo, não
sabes?
- Sei
- E sabes que vou estar aqui para te
apoiar não sabes? –
ele olhou para mim e eu esbocei um ligeiro sorriso
- Eu não mereço isso
- Lá no fundo mereces mas não digas a
ninguém –
riu-se
- Posso pedir uma coisa?
- Não abuses
- Só quero um abraço – olhei para ele
- Como resistir a esse pedido? - levantei-me e abracei-o
- Como é que tu tens estado?
- Tirando isto, ando mais ou menos mas
não quero falar sobre isso
- Está bem, tu é que sabes – bocejou
- Isso é tudo sono? A quem tenho que
ligar para te vir buscar?
- A ninguém, eu trouxe o carro
- Tu não vais conduzir nesse estado,
nem que fiques aqui no sofá a dormir mas de carro não vais
- Tão querida, mas depois ligamos ao
Nico, gostava de ficar mais um pouco a falar senão te importares é claro
- Eu estou sem sono por isso ficamos o
tempo que quiseres e aguentares
- Posso? – apontou para
o meu colo, eu acenei que sim e ele deitou a cabeça no meu colo
- Como vão as coisas no Benfica?
Voltaste a ficar no banco ontem – comecei a fazer-lhe festinhas no
cabelo
- O mister é que sabe em quem aposta,
eu trabalho todos os dias para conseguir mas é difícil, os meus colegas são
bons
- São opiniões – conversamos
mais um bocado até que ele começou a bocejar constantemente. Ligamos ao Gaitán
para o vir buscar - Olha tens de dizer ao
teu amigo para dar o passo em frente com a Magda
- Ah? Não comprendi
- Sabes da história entre eles? O
Gaitán e a minha amiga?
- Ahhh sim sei, já lhe disse para ele
deixar os medos de lado, esquecer a distância e avançar! Ele gosta muito dela
- E ela dele por isso o moço que se
faça à vida - riu-se
e o Osvaldo ligou a avisar que já tinha chegado, ele levantou-se e acompanhei-o
até a porta
- Obrigado por me aturares e cuidares
de mim
- Não tens de quê, mas agora toma
juízo
- Sim chefe! O meu carro fica aí, por
favor toma conta dele
- Deixa as chaves para eu ir dar uma
volta
- Nem penses, não quero o meu carro
arranhado
- Aiiii que facada! – ele tentou
aproximar-se para me dar um abraço e eu afastei-o – xau xau vai à tua vida! - deu-me um beijo na bochecha e sussorrou-me
ao ouvido
- Desculpa por tudo! Gosto muito de ti
miúda! –
virou costas e foi embora.
Fechei a
porta e voltei para a cama, adormecendo rápidamente.

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