segunda-feira, 7 de setembro de 2015

24º Capítulo - olha para mim, porra!

(Carolina)

- Estou Magda? – disse eu a chorar quando ela me atendeu a chamada
- Sim. Estás a chorar?
- Ele é um parvalhão, um idiota. Odeio-o
- Estás a falar de quem? – não conseguia falar e continuava a chorar – Carol, pára lá de chorar e explica-me o que se passa. Assim não entendo nada
- Foi o… – tentava falar aos soluços – o idiota do Pedro
- O que é que tem? O que é que ele fez? - contei-lhe o que se passou – que grande idiota! E tu não te passaste e deste um estalo à tipa?
- Nem consegui reagir, só quis sair dali para fora e correr até ao táxi
- Não esperava isso dele, foi mesmo uma besta!
- O que me irrita mais é que ele dizia que me amava e que teve o tempo todo à minha espera, porque mentiu? Para que dizer o que não sente? Quer andar com as duas ao mesmo tempo? Que ódio!!!
- Tem calma, amiga! Não podes ficar assim!
- Não consigo, sabes que me estava a dar muito bem com ele!
- I know! Estás a precisar de te distrair, fazemos assim vou-te buscar à estação e vamos dar uma volta
- Não sou boa companhia para ninguém
- És sim, vamos jantar a algum lado e depois damos uma volta pela baixa
- Não me apetece!
- Ohhh mas quem manda? Vamos e acabou!
- Está bem mas depois não te queixes
- A que horas chegas?
- As dez
- Tão tarde? Vou morrer de fome
- Come alguma coisa até lá
- Eu aguento. Até logo então
- Hasta – Desligamos e tinha uma mensagem

De: Pedro
- Onde andas? Já foste para o Porto e nem te despedes?

Para: Pedro
- Sim estou a caminho do Porto é da maneira que ficas à vontade com a Filipa!

Aguardei o telemóvel na carteira e pus-me a ouvir música para tentar esquecer tudo o que se estava a passar. Sabia que não devia ter respondido àquela mensagem mas estava feito e não podia voltar atrás. A viagem estava a custar mais do que habitual parecia que as horas e os kilometros não passavam e começava a ficar impaciente. Acabei por adormecer um pouco depois de Leiria e só acordei quando cheguei ao destino. A minha amiga estava lá à minha espera juntamente com a Olivia e Tomás
- O que fazem todos aqui?
- Surpresaaaa – disseram em coro
- Foi ensaiado? É que acho que não saía tão bem - rimo-nos
- Vamos embora que tenho fome – disse a Magda
- Eu também já comia alguma coisa. Onde tens o carro?
- Já o deixamos estacionado perto da Cordoaria para não estarmos a esta hora à procura de lugar, o que seria impossível – fomos embora dali.
Jantámos no BaixaBurguer onde a Olivia tinha guardado uma mesa porque já sabíamos a confusão que aquilo é. Conversamos durante todo o jantar sobre várias coisas, como ia a faculdade, o meu trabalho, sobre futebol, sobre saídas anteriores, sobre as novidades que surgiram entretanto, entre outros assuntos, foram umas belas horas com os meus amigos. Quando saímos do jantar, eu já estava um pouco alegre demais depois de beber uns copos de sangria, escrevi num papel o meu número de telefone e entreguei ao empregado bem giro que nos atendeu durante a noite, o que nos rimos com isto, senti-me uma verdadeira adolescente!
- Oh Carol, o que foste fazer? – perguntou a Magda
- Ele não vai ligar por isso, estou descansada
- Como tens tanta certeza?
- Não sei mas vais ver que tenho razão
- OK tu é que sabes
- Vamos até as galerias? – perguntou a Olivia e todos dissemos que sim. Fomos a um dos bares que estava abarrotar de gente, ela pagou um shot a cada um, ao início a Magda recusou mas depois de muito insistir ela acabou por beber. Como não dava para dançar viemos cá para fora, onde se ouvia música de vários sítios. Peguei no telemóvel para ver as horas que já eram 2h27 e reparei que tinha duas mensagens.

De: Pedro
- Ah? Não entendi essa

De: 91*******
- Olá. Já saí do trabalho, podemos falar agora. Ass: o rapaz do BaixaBurguer

- OMD – fiquei chocada olhar o telemóvel
- O que foi? – perguntou o Tomás
- O tipo mandou mensagem, não acredito – comecei a rir
- Eu disse-te e agora que lhe vais dizer?

Para: 91*******
- Hola. Como te chamas? Já foste para casa ou andas pelas galerias? :b

- Tu és maluca! – disse a Magda
- Um pouco mas não digam isto a ninguém, fica entre nós ok?
- OK - rimo-nos e o meu telemóvel voltou a tocar

De: 91*******
- Pedro e tu? Vim para casa, estava cansado

- Naooooooooooooooo!!! Ele chama-se Pedro
- Não se chama nada? – perguntou a Olivia
- Antes tivesse a gozar – pela primeira vez essa noite me lembrava do lisboeta.
- Que azar! Vais voltar a responder? – acenei que sim e assim o fiz
  
Para: 91*******
- Péssimo nome para a altura xD Carolina, então bom descanso!


Voltei a guardar o telemóvel na carteira e continuei à conversa com os meus amigos. Ficamos mais um pouco ali pelas galerias e antes de irmos embora fomos até à Caipicompany onde tem caipirinhas de vários sabores. O Tomás pediu uma caipirinha de mojito, a Olivia não pediu nenhuma pois ia a conduzir e não poderia beber mais nada, eu e a Magda pedimos a caipiursos (caipirinha de vodka preta com ursinhos de gomas). Sempre que vamos às galerias temos que ir lá buscar uma caipirinha, mas esta é sem dúvida a que mais gostamos. Aproveitei o momento e tirei uma foto para postar no instagram..
“quem tem amigos tem tudo #bestfriend”
Passei a manhã de sábado a dormir, visto que cheguei tarde a casa. Quando acordei, tinha duas mensagens

De: 91*******
- Bom dia. Hein? Péssimo nome? :o

De: Pedro
- O que mudou? O que se passa? Fala comigo por favor!

Ignorei as duas mensagens, ao lisboeta tenho que pensar muito bem no que lhe vou dizer e como vou dizer que sei de tudo! Se pessoalmente ou por mensagem, mas só preciso de tempo para pensar! Antes de me levantar da cama para ir tomar banho, dei uma olhadela pelas redes sociais que estavam repletas de fotos do Benfica pois jogavam às 17h com o Braga. Na parte da tarde, fui aos escuteiros, fui ter com os meus lobitos, o meu refúgio, apesar de me darem bastantes dores de cabeça e de muitas vezes não se portarem bem são das únicas pessoas que conseguem roubar um sorriso sincero de mim! As crianças são maravilhosas e têm um poder incrível nos adultos. A tarde foi passada com jogos, mais precisamente, uma pista de obstáculos com o intuito de os fazer ultrapassar alguns dos medos e receios deles. Creio que no final do dia o objetivo foi cumprido, alguns superaram-se e não tiveram medo de arriscar, assim se vê a evolução deles. O sábado passara a correr e o domingo foi igual, antes de voltar para Lisboa estive a conversar com a Magda sobre o que fazia em relação ao Pedro, o que ela acharia melhor. Decidi então que iria falar pessoalmente com ele para o confrontar com tudo o que a Filipa me contou e depois logo vejo o que faço em relação a ele. Quando cheguei a casa, em Lisboa, dei de comer ao HappyMeal, comi alguma coisa e depois enviei uma mensagem.

Para: Pedro
- Olá, preciso falar contigo face to face, amanhã antes do trabalho está bem para ti?

De: Pedro
- Sim está bem, a que horas?

- 8h30 junto a fonte, OK?
- OK

Já estava a dormir quando o meu telemóvel começa a tocar, alguém me estava a ligar, pensei logo “mas quem é o diabo que me está a ligar a estas horas?”
- Estou? – perguntei eu meia a dormir
- Necesito hablar contigo, es muy importante – aquele espanhol não deixou dúvidas
- O que é que tu queres a esta hora?
- Hablar contigo
- Tu estás bem para me ligares a estas horas?
- Estou à porta de tua casa, podes abrir?
- Estás o quê? – dei um mini berro, levantei-me, fui à janela ver se era verdade e confirmava-se – tu és louco rapaz
- Só quero falar contigo, por favor só te peço isso
- OK eu vou abrir – assim o fiz e ele subiu. Quando chegou à porta de minha casa, estava com cara de choro e de quem esteve a beber – andaste a beber? – ele mal se segurava de pé – não precisas dizer nada, já percebi que sim, entra! – entrou e sentou-se imediatamente no sofá – vou fazer um café para arrebitares
- Não quero, senta-te aqui comigo! – olhei para ele que não estava nada bem
- O Benfica sabe disto? ele acenou que não
- Sinto-me enjoado!
- Espera lá não vieste a minha casa vomitar, muito menos no meu sofá – fui buscar um balde – pega, aqui já podes – ele pegou nele e colocou no chão junto aos pés dele
- Não preciso disto, para já! Só quero entender o que se passou entre nós, porque deixaste de falar comigo?
- Não acho que estejas em condições para falarmos nisso
- Estou es… - pegou de imediato no balde, vomitou duas vezes seguidos
- Eu vou te fazer um chá, estou a ver que a noite hoje vai ser longa – encostei-o para trás, para ele descansar um pouco – não adormeças – ele sorriu, fui buscar um copo de água para ele tirar aquele sabor horrível da boca e depois coloquei a água a ferver – porque foste beber? Já não sabes que não podes?
- Fui sair com uns amigos meus que cá vieram e deixei-me ir
- Assim pões a tua carreira em causa desnecessariamente
- Só fico uns jogos sem jogar
- E achas pouco? Se fosse teu mister ias treinar todos os dias, manhã e tarde, como castigo – fui buscar o chá
- Mas eu não me importava, assim enquanto lá estava não pensava no que não devia
- Talvez mas agora bebe o chá para ficares melhor – ele deu um gole e passado segundos estava a vomitar novamente – tens que beber mais para limpar esse estômago
- Tenho fome
- Primeiro bebe o chá depois dou-te umas bolachas. E tens sorte porque por minha vontade metia-te  debaixo do chuveiro em água gelada
- Isso é que … - voltou a vomitar – não. Mas diz-me o que te fiz
- Primeiro tratamos de ti, depois falámos
- OK – bebeu o chá até ao fim e não voltou a vomitar, fui buscar umas bolachas para ele comer e não acabar por desmaiar – já me sinto melhor
- Anda à casa de banho para limpares a cara e as mãos - ajudei-o a ir,  ainda estava meio tonto, até que acabei por o deixar lá sozinho e voltei para o sofá pois teve vontade de urinar
- Estou aqui
- Estás bem?
- Agora sim, obrigado - sentou-se
- Então é assim Lisandro, estou muito triste contigo! Não gostei do que vi na casa do Nico, no aniversário dele!
- Mas o que é que tu viste? – fez cara de como se não soubesse do que eu estava a falar
- Tu e a Magali, no escritório – a expressão facial dele mudou completamente, desviou logo o olhar – porquê Licha?
- Não te sei dizer
- É o que todos dizem sempre - continuou sem olhar para mim - Olha para mim e diz-me o que passa, quero entender onde começou e porquê – olhou ligeiramente mas voltou a desviar, aproximei-me dele e com a mão fiz com que olhasse para mim – começa do início
- Eu juro que o que te vou dizer é a verdade, por mais que não consigas acreditar em mim, é verdade tudo o que vou contar – fez uma pausa – isto só aconteceu duas vezes, a primeira foi quando nos conhecemos em Madrid! – fez uma pausa - Antes de vir para o Benfica, fui a Madrid de férias e numa das saídas à noite com os meus amigos, estava lá ela e as amigas. Um amigo meu achava muito gira uma delas e começou a meter conversa com a tal rapariga, a meio da noite estávamos todos na conversa, copo puxa copo, piropo atrás de piropo e quando demos por nós estávamos aos beijos e parou por ali. Eu não a conhecia de lado nenhum, não sabia que ela namorava com o Toto, nem o conhecia – olhou para mim esperando que eu reagisse - Quando vim para o Benfica, tornei-me amigo do Salvio, como sabes, e um dia ele convidou-me para ir a casa dele e quando lá chego dou de caras com ela e senti-me muito envergonhado, não fiquei lá nem cinco minutos. Por sorte ou azar, fui emprestado ao Getafe e numa das folgas estava a passear por Madrid com os meus colegas de clube e encontrei-a com a mãe, pedi para falar com ela para esclarecermos as coisas e pedimos desculpa um ao outro e que nunca voltaria a acontecer nada entre nós – voltou a olhar para mim - Até que não sei o que me passou pela cabeça no aniversário do Gaitán, aproveitei que ela estava sozinha e tentei dar-lhe um beijo, como viste, e ela recusou sempre, de tanto insistir acabei por levar um tabefe dela
- Devias levar imensos! – disse eu perplexa a olhar para ele – o Toto é teu amigo! Isso faz-se? É isto que fazes aos teus amigos? É assim que retribuis a ajuda que ele te deu? – voltou a desviar o olhar – olha para mim, porra! Estás com vergonha do que fizeste? Pensasses nisso antes! Não sabes o quanto me custou ver aquilo, ver uma pessoa que admiro imenso fazer aquilo, ver um amigo meu fazer aquilo! Foi uma grande desilusão – comecei a chorar – não esperava nada disto vindo de ti! – olhou para mim e agarrou uma das minhas mãos enquanto tentava limpar as lágrimas com a outra
- Carol, desculpa-me! Sei que agi mal e estou super arrependido, não queria desiludir o meu amigo, nem queria ter feito nada daquilo, não sei o que me passou pela cabeça! Eu sei que isto não tem perdão ou desculpa alguma! Eu errei e peço perdão a Deus todos os dias por isto! Só ele sabe como me tenho sentido! Não queria desiludir ninguém muito menos a uma pessoa – olhou-me nos olhos – não te queria desiludir! Tu és incrível comigo, tens sido um grande apoio, uma bela amiga e eu estraguei tudo, sinto-me a pior pessoa do mundo!
- O mal já está feito – fiz uma pausa - e agora o que vais fazer? Contar ao Salvio? É que eu não consigo olhar para a cara do meu ídolo sabendo o que sei! Mata-me por dentro, parte-me o coração, faz-me sentir uma péssima pessoa! – as lágrimas começaram a escorrer novamente – eu gostava tanto de ti, melhor eu gosto muito de ti, e tu sabes isso! – olhei para ele e as lágrimas começavam também a cair
- Desculpa Carolina! - fez-se silêncio durante alguns segundos – eu vou falar com o Salvio, contar-lhe tudo e vou arcar com as consequências dos meus actos.
- Estás mesmo disposto a isso?
- Sim, sei que vai ser difícil mas só quero ficar bem com toda a gente e comigo próprio – limpei a cara
- Sabes que vais perder um amigo, não sabes?
- Sei
- E sabes que vou estar aqui para te apoiar não sabes? – ele olhou para mim e eu esbocei um ligeiro sorriso
- Eu não mereço isso
- Lá no fundo mereces mas não digas a ninguém – riu-se
- Posso pedir uma coisa?
- Não abuses
- Só quero um abraço – olhei para ele
- Como resistir a esse pedido? - levantei-me e abracei-o
- Como é que tu tens estado?
- Tirando isto, ando mais ou menos mas não quero falar sobre isso
- Está bem, tu é que sabes – bocejou
- Isso é tudo sono? A quem tenho que ligar para te vir buscar?
- A ninguém, eu trouxe o carro
- Tu não vais conduzir nesse estado, nem que fiques aqui no sofá a dormir mas de carro não vais
- Tão querida, mas depois ligamos ao Nico, gostava de ficar mais um pouco a falar senão te importares é claro
- Eu estou sem sono por isso ficamos o tempo que quiseres e aguentares
- Posso? – apontou para o meu colo, eu acenei que sim e ele deitou a cabeça no meu colo
- Como vão as coisas no Benfica? Voltaste a ficar no banco ontem – comecei a fazer-lhe festinhas no cabelo
- O mister é que sabe em quem aposta, eu trabalho todos os dias para conseguir mas é difícil, os meus colegas são bons
- São opiniões – conversamos mais um bocado até que ele começou a bocejar constantemente. Ligamos ao Gaitán para o vir buscar - Olha tens de dizer ao teu amigo para dar o passo em frente com a Magda
- Ah? Não comprendi
- Sabes da história entre eles? O Gaitán e a minha amiga?
- Ahhh sim sei, já lhe disse para ele deixar os medos de lado, esquecer a distância e avançar! Ele gosta muito dela
- E ela dele por isso o moço que se faça à vida - riu-se e o Osvaldo ligou a avisar que já tinha chegado, ele levantou-se e acompanhei-o até a porta
- Obrigado por me aturares e cuidares de mim
- Não tens de quê, mas agora toma juízo
- Sim chefe! O meu carro fica aí, por favor toma conta dele
- Deixa as chaves para eu ir dar uma volta
- Nem penses, não quero o meu carro arranhado
- Aiiii que facada! – ele tentou aproximar-se para me dar um abraço e eu afastei-o – xau xau vai à tua vida! - deu-me um beijo na bochecha e sussorrou-me ao ouvido
- Desculpa por tudo! Gosto muito de ti miúda! – virou costas e foi embora.
Fechei a porta e voltei para a cama, adormecendo rápidamente.

Sem comentários:

Enviar um comentário