quarta-feira, 2 de setembro de 2015

23º Capítulo - Vamos só aproveitar o momento ...

(Carolina)

A semana foi passando com muito trabalho, as longas conversas com a Magda, as saídas com o Pedro e os meus colegas de trabalho. Tudo corria dentro da normalidade, finalmente o sossego que tanto pedia na minha vida tinha chegado.
Hoje, quarta-feira, o despertador tocou à hora de sempre, levantei-me, tomei um duche rápido, preparei o meu pequeno-almoço, dei de comer ao HappyMeal e sentei-me no sofá até serem horas de ir trabalhar. O meu telemóvel tocou, era uma mensagem.

De: Pedro
- Bom dia, a menina já está pronta? Estou aqui embaixo a tua espera ;)

Para: Pedro
- Bom dia, esperas 20 minutos? :p

Peguei de imediato nas minhas coisas e desci, estava ele no carro, estacionado mesmo à porta do prédio, mal me viu riu-se. Entrei no carro
- Agora tenho motorista privado e não sei? - dei-lhe um beijo na bochecha
- Não te habitues que não é todos os dias
- Ei que chunga – coloquei o cinto, apesar da viagem não ser muito longa, e ele arrancou
- Tens que pagar pelo serviço
- Então mais vale ir a pé
- Estou a brincar, tona! - deu-me uma palmada na perna
- Auuu! E ainda me agrides?
- Desculpa - deu-me um beijo rápido na bochecha
- Vai masé atento à estrada - empurrando-o para o lugar dele. Ele estacionou o carro no sítio do costume e entramos no Colombo.
Como íamos entretidos a brincar um com o outro nem reparamos que a Filipa estava mesmo ao nosso lado, até que ela falou para nós
- Começou bem o dia para vocês – dei um salto
- Que susto, Filipa! – cumprimentei-a
- Ias matando a rapariga – disse o lisboeta enquanto a cumprimentava
- Eu já vos tinha apanhado ali atrás mas nem deram por mim
- Estávamos distraídos
- Eu reparei – paramos à porta dos vestiários
- Almoçamos juntos? – perguntou o Pedro e acenei que sim
- Não quero incomodar os pombinhos – respondeu ela
- Não faças filmes! Vens com a gente e acabou – repostei logo
- 12h30 espero aqui por vocês – gritou ele
Guardamos as nossas coisas nos cacifos e fomos trabalhar. A manhã de trabalho foi calma como sempre, uns minutos mais agitados que outros mas nada de muito stress. Na nossa hora fomos almoçar como combinado, ainda se juntou dois colegas nossos, a Patrícia (a rapariga que está grávida) e o Paulino (dá-se bem com o Pedro e é brasileiro). Passamos a hora de almoço a rirmo-nos com as histórias que o brasuca nos contava ou de momentos engraçados que nos íamos lembrando que já se tinham passado no local de trabalho, enfim estava um ambiente descontraído. Depois voltamos ao trabalho.

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(Magda)

             Estava na minha hora de almoço juntamente com o Tomás e outros dois colegas,numa das salas de estudo, a rever uma matéria, pois na sexta vamos ter uma frequência e todo o tempo livre tem que ser aproveitado, quando o meu telemóvel que estava pousado em cima da mesa começou a vibrar estremecendo toda a mesa.
- Depois são os outros – disse o Tomás
- Desculpem – peguei no telemóvel que tinha uma mensagem

De: Nico
- Buenas tardes, como estás? Como vai esse estudo? **

Para: Nico
- Boa tarde, estou bem e tu? Começo a ficar com dores de cabeça, mas nada que não passe. Como correu o treino? *** PS: te echo de menos

- Com saudades tuas :( Não seria melhor ires a um médico ver o que se passa já que estás sempre assim? Correu bem o treino, fizemos uns exercícios novos e alguns jogadores da equipa de juniores treinaram connosco ;) *** PS: domingo estás livre?

- Já tenho consulta marcada, até lá aguento-me com isto. Estiveste a mostrar-lhes como se faz? :p PS: tenho que estudar, terça tenho outra frequência :(

- Se precisares de alguma coisa dizes-me e vens à clínica da Luz, que eles tratam de ti :) ensinei algumas coisas e eles também me ensinaram. No fim houve jogo entre nós e eles, perderam só por 4. PS: assim já não posso estar contigo :(

- Obrigada mas aqui no Porto também há bons médicos. Só 4? Tiveram pena deles? xD PS: depois de terça já estou livre :)

- Eu sei mas aqui tenho a certeza que ias ser bem tratada. Não sejas má, eles até jogam bem mas têm que crescer e melhorar alguns aspectos. Na idade deles também era assim por isso... PS: então depois combinamos alguma coisa ;) ***

- Com quem tanto trocas mensagens? – perguntou o Tomás – com o coiso?
- Ele tem nome, tá? Para ti é Sr. Nico Gaitán!
- Lol!

Para: Nico
- Não te preocupes. Eu entendo isso, mas o talento é algo inato, por isso, na idade deles já devias ser um jogador espectacular :b Tenho de voltar ao estudo. Tem um bom dia :) depois falámos *** 

             Fui ao instagram ver se havia alguma coisa nova, mas não. Fui à zona que diz “a seguir” e vi que o Gaitán comentou a foto do Lisandro a dizer “vai à luta 💪”, enviei logo mensagem à Carol a contar o que se passou para ela ir ver, depois guardei o telemóvel na carteira – Está na hora de irmos para a aula, vamos? – eles acenaram que sim, arrumamos as coisas e fomos.

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A meio da tarde, aproveitei um tempo livre para ir ao telemóvel quando vi a mensagem da Magda a contar do comentário do Osvaldo na foto do outro, fui ver com os meus próprios olhos e comecei a rir. Vi uma sombra aproximar-se da caixa, olhei e engoli a seco. Guardei o telemóvel no bolso de trás. Ele pousou as coisas no tapete, respirei fundo
- Bom tarde – disse eu evitando o contacto visual
- Olá Carolina – disse o Lisandro sorrindo, continuei a registar as coisas dele
- Cartão continente?
- Não tenho - ele pagou com o cartão multibanco – podemos falar?
- Não vês que estou a trabalhar?
- Posso esperar
- Hoje trabalho à noite, acho que não vais querer esperar até à meia-noite
- Então amanhã podemos falar?
- Não, não podemos! Não tenho nada para te dizer, agora por favor vai embora!
- Carolina, por favor! Eu quero saber o que te fiz, que mal te fiz eu?
- Respeita a minha decisão, o meu local de trabalho e vai embora!
- OK! – virou costas e foi.
Fiquei mesmo irritada com a presença dele, que grande lata a dele! Se quer saber o que se passou que pense nos actos dele, não sou mãezinha dele para o chamar atenção! Mexeu mesmo comigo a visita dele, nem me consegui concentrar em condições o resto da tarde, acho que tratei alguns clientes com frieza, o que não é normal em mim. Mal chegou a minha hora de sair, fechei a caixa, peguei nas minhas coisas e fui para casa, não esperei por ninguém. Liguei à minha amiga a contar-lhe o sucedido.
- Oh Carol, também tens que compreender o lado dele. Deixaste de lhe falar do dia para a noite é normal que ele queira saber o porquê desse afastamento – disse ela
- Que pense pela cabecinha!
- Não sejas assim, não estás a ser racional! Já te disse que está na altura de te sentares frente a frente com ele e conversarem como dois adultos que são.
- Não consigo!
- Tens que conseguir só assim ele vai parar de te procurar e tu paras de pensar nisso. Só te faz mal guardares tudo para ti, qualquer dia explodes no sítio e momento errado e depois é pior para ti
- Eu sei, tenho que ganhar coragem
- Tu consegues!
- Obrigada
- Depois pagas com juros
- Já sei que isto me vai sair caro
- Que exagerada! – falámos mais um pouco, logo após desligar a chamada adormeci no sofá e só acordei no dia seguinte com o despertador.
Quando acordei peguei no telemóvel, tinha algumas mensagens e chamadas não atendidas do Pedro.

De: Pedro
- Está tudo bem? Saíste disparada e nem esperaste por mim como tínhamos combinado
- Carolina? O que se passa?
- Carol?
- Vou ter que ir a tua casa?
- OK, tomei a liberdade de ligar à Magda e ela disse que não tem nada a ver comigo provavelmente já estás a dormir. Beijinho

Para: Pedro
- Bom dia Pedro, desculpa não ter esperado mas estava bastante irritada e não me apetecia ver ninguém. E mal cheguei a casa adormeci e só acordei agora xD

De: Pedro
- Bom dia preguiçosa, tens 5 minutos para estares pronta, vou-te buscar para irmos tomar o pequeno-almoço, não vale dizer que não :p

- Ei isso não se faz, podia ficar na cama mais meia hora :p

Levantei, arranjei-me a correr e saí de casa. O lisboeta já estava à porta do prédio à minha espera. Levou-me à padaria “Fábrica Lisboa “ localizada em plena baixa pombalina, local pequeno, decoração interessante - objectos antigos que encaixam muito bem. Para não falar no atendimento, os empregados eram cinco estrelas e sempre muito atenciosos. Eu pedi um cappuccino e uma torrada, o Pedro pediu um café e um croissant de nutela, estava tudo delicioso. Gostei bastante de lá ir e espero voltar para provar as restantes iguarias. A viagem para o trabalho demorou um pouco por causa da intensificação do trânsito, mas chegámos bem a tempo do nosso horário. Ele estacionou o carro no sítio do costume, cá fora junto à porta lateral do shopping, perto das paragens de autocarros. Depois de atravessarmos a passadeira, agarrei na mão do Pedro e disse
- Obrigada lisboeta pela surpresa. Gostei muito – sorri e ele retribuiu – tens sido mesmo querido comigo, um verdadeiro amigo, cavalheiro. Obrigada mesmo
- Não tens que agradecer prin… - olhou para mim – eu gosto muito de ti, faria qualquer coisa para te ver bem, ver-te feliz deixa-me feliz – sorri ao ouvir aquilo – sabes eu gosto mesmo muito de ti – ganhei coragem, dei-lhe um beijo rápido nos lábios, olhei para ele que sorriu de imediato, virei costas e subi as pequenas escadas a correr ele veio atrás de mim que só me apanhou junto à fonte, agarrou-me pela cintura, colocou o cabelo atrás da orelha e deu-me um beijo apaixonado, calmo, delicado, deixou-me toda arrepiada – o que me estás a fazer Carolina Maria? – voltamos a beijar-nos, desta vez um beijo mais intenso e caloroso, parecia que só iríamos parar quando algum de nós caísse para o lado sem conseguir respirar. Quando terminou o beijo olhamos um para o outro e sorrimos
- Pedro, eu não sei … - colocou o dedo na minha boca
- Não digas nada, eu sei o que vais dizer! Vamos só aproveitar o momento e pensamos no resto depois – o impulso foi maior que eu, agarrei-me ao pescoço dele e voltei a beijá-lo – temos que ir trabalhar
- Podemos ficar aqui o dia todo? – rimos
- Também gostava mas não pode ser – demos um último beijo mas desta vez mais curto que os últimos e dirigimo-nos para a porta a brincar um com o outro
- Pedro – ele olhou para mim – isto tem que ficar entre nós, pelo menos por enquanto, OK?
- OK mas…
- Promete que fica entre nós para já?
- Prometo mas porque não queres que ninguém saiba?
- Não quero magoar ninguém
- Estás a falar da Pipa?
- Sim, eu sei que ela gosta de ti e não quero que ela sofra, nem que fique magoada comigo
- OK respeito isso, é um segredo só nosso.
- Obrigada. Logo jantas lá em casa, e não vale dizer que não – fiz-lhe uma careta, deu-me um beijo na testa e entramos no Colombo como normalmente fazemos.
O dia passou a correr, não sei se foi pelo mistos de sentimentos que estavam dentro de mim que nem dei pelas horas passarem. O lisboeta como tínhamos combinado foi a minha casa jantar e aproveitamos para estar um pouco juntos. Eu não sei o que sinto por ele, só sei que me sinto bem junto dele, sinto-me segura, calma, alegre, já não me lembro de me sentir assim com ninguém além dos meus amigos. Não sei no que isto vai dar, vamos deixar o tempo falar por si. O dia seguinte também passou rápido apesar de ter sido um dia mais agitado, com mais movimento, no final do dia como sempre fazemos, fomos ao vestiário buscar as nossas coisas para ir embora. Antes de entrarmos, o Pedro aproveitou que ninguém estava a volta e deu-me beijo ligeiro.
- Estás maluco? – repostei logo
- Vale a pena correr o risco – fez-me uma careta e entrou para o lado dos meninos e eu fui para o das meninas. Estava lá a Filipa que estava a bater com as portas todas, primeiro a da casa de banho, depois a do cacifo
- Está tudo bem Pipa?
- Está tudo óptimo! – foi muito fria sem sequer me olhar na cara
- Estás chateada?
- Eu chateada? Achas mesmo? Não tenho razões para tal ou tenho? – continuou a responder arrogantemente
- Não sei o que se passa mas acho que não te fiz mal nenhum para me falares assim
- Sou eu que sou maluquinha
- Ei, oh Filipa, vai lá com calma que ninguém aqui disse que eras maluca
- Não me chateies
- Se é assim que queres, Xauuu – peguei na minha mala para sair
- Eu vi – disse ela baixinho
- O quê?
- Eu vi o vosso beijo – engoli a seco pois não sabia o que dizer. Olhou para mim – felicidades para os pombinhos
- Oh Pipa, desculpa mas não sei o que te dizer! Não queria nada estar nesta posição não te queria magoar!
- Na boa, Carol, na verdade quem vai sair magoada és tu não sou eu
- Ahhh? Não estou a entender
- Pergunta ao teu namoradinho – pegou nas coisas dela e dirigiu-se para a porta. Agarrei no braço dela, virando-a para mim
- Começaste agora vais acabar! Não gosto de entrelinhas
- Pergunta ao teu amiguinho se foi fiel durante o tempo que estiveste em coma, pergunta-lhe se foste a única no pensamento dele
- Pára com rodeios e diz de uma vez por todas o que estás para aí a insinuar! – elevei um pouco mais a voz
- Queres mesmo saber? – acenei que sim – ok mas depois não te queixes
- Fodasse, diz logo! – já me estava a passar com ela
- O teu Pedrinho, quando estiveste em coma andou aos beijos comigo, foi para a cama comigo! Estás satisfeita? – não queria acreditar no que estava ouvir, as lágrimas começaram a escorrer pela cara, imediatamente agarrei na minha carteira e saí porta fora! Corri até à praça de táxis, apanhei o primeiro e fui até ao centro de camionetas onde apanhei a primeira para o Porto!

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