sexta-feira, 18 de setembro de 2015

25º Capitulo - só preciso que sejas verdadeiro

(Carolina)

Acordei cedo para tomar banho, arranjar-me e tomar o pequeno-almoço para depois ir ter com o lisboeta. Marcava 8h20 no relógio da cozinha quando peguei na minha carteira e saí de casa, passei pelo carro do Lisandro que estava direito e segui para o Colombo. Já estava sentada junto à fonte quando ele chegou
- Bom dia – disse ele a sorrir
- Bom dia, podes sentar – assim o fez
- Então Carol, o que se passa? – agarrou-me a mão mas eu tirei logo e ele olhou imediatamente para mim
- É verdade o que a Filipa me disse?
- O que é que ela te disse?
- Não sabes? Ou estás-te a fazer de burrinho?
- Não sei mesmo o que ela te foi dizer
- É verdade que vocês se envolveram? – olhou de esgueira antes de me responder
- Sim, eu e ela já fomos namorados mas eu tinha te dito
- Não estava a falar disso
- Então?
- Tenho que ser mesmo eu a dizer?
- Sim, não sei o que estás a falar – engoli a seco para não me passar e respirei fundo
- Quando eu estive em coma, não te diz nada – endireitou-se, olhou em frente e por alguns segundos ficamos em silêncio.
- Diz…
- És um mentiroso, Pedro! Eu acreditei em ti, acreditei no que dizias sentir por mim, confiei em ti e é assim que tu ages? Pensavas o quê? Que eu nunca iria descobrir? – olhei para ele que começou a chorar – olha que lágrimas de crocodilo não me comovem!
- Mas eu…
- Mas tu nada! Tudo o que disseres a partir de agora não me vou acreditar, não há cá falinhas mansas para ninguém! Acabou-se a Carolina otária, a Carolina ingénua, acabou! – levantei-me – a minha vontade era te mandar a essa fonte e afogar-te ai! – virei costas mas ele agarrou na minha mão
- Deixa-me falar, tenho direito a isso! - sentei-me
- Fala lá vá
- Carol, eu sei que não tinha o direito de te ter escondido isto, devia ter contado logo de início mas quando soube o teu estado achei melhor não dizer nada e tentar reconquistar-te – olhou para mim – apesar do que aconteceu eu amo-te e sempre te amei, aquilo foi num acto de desespero e além do mais eu estava bêbado naquela noite – voltou a olhar para mim - Eu só queria que tu acordasses, que tu reagisses mas nada disso acontecia e os dias, semanas iam passando, então para me distrair fui sair com os meus amigos e como sabes copo puxa copo - ri-me porque me lembrei que o Licha me dissera o mesmo – a Filipa estava connosco, deu-me um ombro amigo e aconteceu. Fiquei super arrependido e disse-lhe logo isso, que tinha sido um erro e que nunca mais voltaria a acontecer, que eu e ela só éramos amigos nada mais do que isso – fez uma pausa – tudo o que te disse que sentia por ti foi sempre sincero! Eu amo-te, sempre te amei e vou continuar a amar! Acredita nisso por favor! Podes ficar chateada comigo mas por favor não duvides daquilo que sinto por ti!
- Não consigo acreditar em nada neste momento, estou magoada, estou chateada, estou revoltada! Até podes estar a ser o mais sincero possível mas não consigo acreditar numa única palavra que saia da tua boca neste momento! Desculpa mas não dá! Preciso de tempo, tempo para pensar, tempo para colocar as ideias no lugar, tempo para conseguir digerir tudo com calma e racionalmente!
- Dou-te o tempo que quiseres
- Ainda bem
- Desculpa Carolina, desculpa a sério – agarrou-me as mãos – por favor desculpa-me!
- Não peças milagres, Pedro!
- Eu compreendo, pensa o tempo que quiseres eu estarei aqui à tua espera
- Obrigada por compreenderes mas agora se não te importas preciso ficar sozinha
- Sim claro - levantou-se e deixou-me ali.
Peguei no mp3 pois precisava de me abstrair de tudo e nada melhor que ouvir música, entretanto o meu telemóvel tocou

De: Lisandro
- Bom dia. Como estás? O meu carro ainda está inteiro?

Para: Lisandro
- Bons dias. Estou com sono e tu? Tenho a dizer que as jantes já se foram

De: Lisandro
- Tenho um pouco de dores de cabeça mas nada melhor que um café bem forte e um treino para ajudar a passar. Estás a brincar comigo?

- Ninguém te manda beber :p sim estou a brincar só queria ver a tua reacção
- Mas tive uma boa enfermeira a tomar conta de mim ;) que susto
- Tão querido logo pela manhã :) bem vou trabalhar, tem um bom treino e quando vieres buscar o carro avisa :p
- Sou querido a toda a hora :) obrigado e bom trabalho, aviso sim. Envio um beijinho grande

Antes de sair dali mandei uma mensagem a Magda

Para: Magda
- Na hora de almoço liga-me ;)

Guardei o telemóvel na carteira, dirigi-me para o meu local de trabalho, antes de entrar no shopping respirei fundo pois sabia que teria que ver a Filipa e o Pedro o dia todo e não queria nada. Mas trabalho é trabalho e os problemas pessoais têm que ficar lá fora e assim o fiz, fui trabalhar com um sorriso na cara como faço sempre. Passei a minha hora de almoço a falar com a minha amiga ao telemóvel , contei-lhe sobre o episódio com o Licha, em  que ela se riu bastante só de imaginar a figura dele bêbedo e também contei a conversa com o lisboeta. Ela disse que fiz muito bem em esclarecer as coisas com os dois pois só assim poderei seguir em frente com a minha vida.
- Carol, o André faria anos no próximo domingo podiamos fazer algo para celebrar isso
- Tens alguma ideia?
- Não pensei em nada em especial, mas podíamos fazer um picnic ou assim
- Picnic acho boa ideia mas cria conversa no facebook com a Olívia e Tomás para falarmos nisso
- Está bem vou fazer isso
- Então depois falamos até logo. Bom estudo
- Obrigada, só falta o de amanhã e depois estou livre
- Força Magda! Hasta – desliguei e voltei ao trabalho.
O resto do dia de trabalho foi sossegado e não tive que me cruzar nem falar com os outros dois, o que foi melhor para mim pois não sei como poderia reagir. No final do dia o Lisandro foi com o Nico buscar o carro e ainda deu tempo para trocar dois dedos de conversa

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(Magda)

Quarta-feira, o único dia em que posso dormir um pouco mais pois não tenho aulas, o meu telemóvel toca as 8h30, nem me dei ao trabalho de ver quem era
- Estou!? – disse eu literalmente a dormir
- Bom dia – dei um salto da cama, aquela voz despertou-me logo – ainda a dormir?
- Estaria senão houvesse alguém a ligar-me a estas horas, não é?
- Quanto tempo demoras a arranjar-te?
- Ah? O quê? Estás cá?
- Sim
- E não avisas?
- Surpresa, não gostaste?
- Gostei mas podias ter avisado. Trinta minutos é muito tempo?
- Não, é tempo de eu terminar o pequeno-almoço e chegar aí.
- Mas já estás no Porto?
- Sim mas vá depois falamos, vai-te arranjar. Beijo – desligou
Corri para a casa de banho para tomar um banho para começar a arranjar-me e depois comer alguma coisa e sair. O banho foi rápido, o pior foi o que vestir, não sabia onde íamos, se poderia levar uma coisa mais formal ou informal, o dilema de milhões de raparigas. Ao final de alguns minutos a olhar para o armário consegui escolher o que vestir e claro não poderia faltar o relógio vermelho que ele me dera. Já tinha passado os trinta minutos quando me sentei no sofá a comer um iogurte e como o Nico não tinha ligado, liguei a TV e milhões de perguntas surgiram: Como é que ele já está no Porto? Veio de madrugada? Será que veio ontem à noite e ficou num hotel? Onde iremos?O que será que vamos fazer? O telemóvel começou a tocar, era ele. Peguei na carteira e desci.
Quando cheguei cá embaixo, estava ele encostado à porta do carro e sorriu mal me viu. Se ele soubesse como aquele sorriso mexe comigo e me deixa tão feliz, quer dizer eu lá no fundo sei que ele sabe.
- Bom dia – disse eu aproximando-me dele
- Buenos dias - deu-me um beijo na bochecha e eu corei imediatamente – sempre tão envergonhada
- Não digas isso. Gosto dessa camisola – ele tinha vestido a camisola que lhe tinha dado no natal
- Fica-me bem?
- Claro que fica, fui eu que escolhi!
- Convencida! Esse relógio também te fica muito bem – sorrimos – vamos?
- Sim mas já agora onde vamos?
- A um lugar especial – entramos no carro e mal o ligou  o rádio começou a tocar a música Plakito do Yandel, comecei a cantar e ele acompanhou-me.
Descemos a circunvalação, eu sempre a tentar adivinhar onde íamos mas ele não se descoseu nem um bocadinho. Ele levou-me até ao parque da cidade.
- O que fazemos aqui?
- Agora de manhã vamos fazer uma caminhada, aproveitar que está sol e estarmos um pouco juntos depois de tarde vamos a outro sítio – saímos do carro depois de ele o estacionar
- Estou a ver que tens tudo planeado. Como conhecias isto?
- Tive ajuda divina - rimo-nos
- Porque é que acho que sei quem te ajudou?
- Porque a conheces muito bem - deu-me um beijo na bochecha, deu-me a mão e fomos assim pelo parque, onde ele aproveitou para me dizer que chegou cá ontem à noite e ficou no hotel em Gaia para não ter que acordar muito cedo e conseguir estar cá as 9h.
Algumas pessoas que passavam por nós, ficavam a olhar para ele, principalmente alguns rapazes, deviam reconhecê-lo do mundo do futebol. Houve mesmo um senhor que pediu para tirar foto com ele, disse que era benfiquista desde pequeno, adorava vê-lo jogar e que ficava feliz por vê-lo a passear por cá. Depois de começarmos numa ponta do parque, irmos até à praia e voltamos ao parque, sentamo-nos num dos jardins a conversar. Começamos a brincar um com o outro, a fazer cócegas um ao outro, até acabarmos por rebolar na relva, ele levantou-se e depois ajudou-me a levantar. Ficamos a olhar olhos nos olhos, sorrimos, ele aproximou-se para me dar um beijo mas afastei-o e disse:
- Só se me apanhares – comecei a correr e ele veio logo a seguir atrás de mim. Depois de muito correr, ele finalmente apanhou-me, agarrou-me pela cintura e virou-me para ele
- Agora não me escapas – colocou o meu cabelo atrás da orelha e deu-me um ligeiro beijo nos lábios. Eu sorri e abracei-o – como eu gosto destes abraços – sussurrou-me ao ouvido, eu olhei para ele e ele deu-me um beijo na testa.
- E como eu gosto de os dar – sorriu, voltamo-nos a sentar na relva mas desta vez sentei-me entre as pernas dele encostada junto ao peito dele enquanto me abraçava, ficamos assim a conversar durante algum tempo até a minha barriga fazer um barulho estranho
- Isso é tudo fome? - riu-se
- Parece que sim
- Então vamos lá almoçar – levantamo-nos e fomos almoçar a um restaurante em Matosinhos que a Carolina tinha aconselhado. Não o conhecia, era um local pequeno, bom ambiente, com pouco movimento e a comida era deliciosa. Ambos pedimos carne grelhada, com arroz e legumes.
Depois de almoçar foi a guerra por causa do pagamento, eu queria pagar a meias, ele queria ser ele a pagar, dizia que fazia parte da surpresa e venceu a dele mas avisei-o que o próximo jantar ou almoço eu é que pago. Na parte de tarde, ele levou-me ao Jardim do Passeio Alegre para jogarmos mini-golfe.
- Estou em desvantagem, nunca joguei isto na vida
- Eu também não sou nenhum profissional, só joguei três vezes
- Mais vezes que eu – primeiro explicou-me as regras.
Temos que colocar a bola no buraco com o número mínimo de tacadas, sendo seis o número máximo. Caso não tenha sucesso, recebo uma tacada de penalização e deslocamo-nos para a pista seguinte. O objectivo basicamente é minimizar o número de tacadas necessárias para a realização do circuito. No final do jogo o vencedor foi o Gaitán como era esperado mas a diferença de pontos foi só de três. Sentamo-nos junto ao rio, no muro, ele colocou o braço direito à minha volta e eu encostei a cabeça no ombro dele.
- Magda, tenho uma coisa para te dizer – olhei para ele
- Diz-me
- Sabes que eu gosto muito de ti, não sabes? – acenei que sim – ainda bem, é que eu quero muito que isto entre nós resulte. Quero deixar os medos e os receios de lado, quero pôr de parte todas as inseguranças e ultrapassar a dificuldade da distância – sorri ao ouvir aquilo – eu gostava muito que aceitasses
- Aceitasse o quê? – pegou na minha mão direita e entrelaçamos os dedos
- Magda… – continuei fixadamente a olhar para ele com os olhos a brilhar, estava a gostar de ouvir aquilo apesar dos meus receios – queres juntamente comigo fazer com que isto resulte? – desviei o olhar por breves segundos, fechei os olhos, respirei fundo e beijei-o. Esqueci tudo à volta, esqueci todos os meus medos, sabia que era aquilo que queria naquele momento, queria arriscar, queria estar junto dele, queria que isto resultasse. Foi um beijo tão apaixonado, tão intenso, nunca o tinha feito antes, foi um sentimento único, arrepiei-me toda! No fim olhei para ele
- Sim, quero fazer com que isto resulte contigo - abracei-o
- Gosto muito de ti, Magda! – disse-me ao ouvido
- E eu gosto muito de ti, Nico! - voltamos a olhar um para o outro e ele deu-me um ligeiro beijo nos lábios
- Tenho uma coisa para nós – tirou do bolso das calças, duas pulseiras vermelhas – tu escolhes onde colocas a minha e eu escolho a tua, pode ser?
- Claro que pode. Escolhe tu primeiro
- Dá-me a mão esquerda – Estiquei a mão e ele colocou-a – assim fica à vista de todos
- Que engraçadinho! Dá aí a tua mão esquerda
- Nos braços não pode ser por causa do futebol
- Ahhhh pois é. Então vou pôr no tornozelo esquerdo – ia a colocar mas lembrei-me que ele tem a tatuagem nessa perna – pensando bem, vou por antes na direita porque na esquerda já tens a tatuagem, então fica num sítio diferente, em que quando olhares te lembras de mim – depois de colocar ele levantou-se e esticou a mão, eu agarrei-a e levantei-me. Ele agarrou-me pela cintura, eu coloquei as minhas mãos à volta do pescoço dele
- Olha que não sou nada romântico, por isso não esperes aquele tipo de surpresas que vês nos filmes - ri-me
- És mesmo tono, só preciso que sejas verdadeiro
- Há quem goste, tá? – fez uma careta
- Coitada da pessoa em questão – ele olhou para mim com cara de poucos amigos – estou a brincar contigo, eu própria não sou muito romântica por isso estamos bem um para o outro - dei-lhe um beijo na bochecha e ele aproveitou para me dar outro beijo na boca, que voltou a ser muito intenso e de cortar a respiração – vamos dar um passeio
- Sim – olhou para as horas – não quero ser mau mas daqui a pouco temos que ir embora pois tenho que voltar a Lisboa
- Isso é que já não me agrada – colocou o braço esquerdo sobre os meus ombros e eu coloquei o meu braço à volta da cintura dele e seguimos assim até ao carro.
Antes de chegarmos lá vi a barraca de bolas de praia ambulante e como já tinha alguma fome, convenci-o a irmos lá buscar uma bola de Berlim e assim o fizemos. Peguei no meu telemóvel, tirei uma foto e postei no instagram.
“para celebrar #rumoaobesidade

- Rumo à obesidade? A sério Magda? Podias ser um pouco mais sentimental
- Já tem um coração, não chega? - fiz-lhe uma careta – mas o que interessa realmente é que nós entendemos o significado intrínseco da foto
- Tão querida - deu-me um beijo na testa – depois manda-me a foto para eu partilhar também
- Nem penses, não quero ter as tuas fãs atrás de mim e a chatear.
- Eu não te identifico, prometo
- Vou pensar até ires embora – entramos no carro.
Fomos o caminho todo até minha casa a ouvir música e a cantarolar. Quando lá chegámos ele estacionou o carro para podermos nos despedir em condições.
- Estás entregue
- OK... – olhei para ele enquanto tirava o cinto de segurança
- Estou a brincar contigo – tirou o cinto, virou-se para mim e agarrou-me as mãos – vou ter saudades tuas
- Não digas isso que se torna mais difícil - aproximei-me, dei-lhe um beijo e ele abraçou-me – estás me a roubar a deixa - riu-se
- Antes que vás embora, tenho uma última coisa para ti
- Não chega por hoje? – acenou que não, abriu o porta luvas e tirou um envelope
- É para ti – abri e eram dois bilhetes para o jogo de sábado – para levares a Carolina contigo
- Obrigada, já andava a pensar em ir ver o jogo mas estava difícil arranjar bilhetes
- Assim já podes ir
- Obrigada - abracei-o durante uns segundos, não o queria largar, não queria que ele fosse embora, não queria que este dia fantástico terminasse, mas por mais que custasse tinha que deixá-lo ir – toma conta de ti
- E tu de ti – pôs as mãos dele na minha cara e deu-me um beijo longo, senti cada ossinho do meu corpo arrepiar-se com tal coisa, foi tão bom!
- Gosto muito de ti - abracei-o, abri a porta do carro e antes de sair pedi-lhe o telemóvel para lhe passar a foto – faz boa viagem e avisa quando chegares - demos um último beijo, saí do carro, fechei a porta e ele arrancou. 
Mais tarde ele mandou-me mensagem

De: Nico
- Já estou em casa são e salvo :) o Lisandro janta cá e fica a dormir. Depois vê o que postei no insta :p beijinho enorme

Antes de lhe responder fui ao instagram ver o que ele tinha escrito: “para celebrar #IOweItAllToYou”

Para: Nico
- Ainda bem que correu tudo bem :) diz a esse menino para não abusar senão tem problemas comigo :p beijinho grande
PS: #I’veHadTheTimeOfMyLife

              Jantei, depois liguei à minha amiga a contar a novidade, que decidimos deixar os medos de lado e arriscar numa relação. Ela ficou muito feliz por nós, disse que até que enfim que nos entendemos, estava difícil mas aconteceu e também já tinha visto as nossas fotos no instagram. Contei-lhe também que o Osvaldo me dera dois bilhetes para o jogo de sábado contra o Nacional e por coincidência o Lisandro também lhe deu dois, ou seja, poderíamos levar mais duas pessoas connosco. Lembramo-nos do meu pai e do meu primo, só teria que falar com eles para ver se podiam ir senão falávamos com o Tomás e Olivia ou outros amigos que pudessem e quisessem ir. Quando terminei a chamada fui me deitar, custou um pouco adormecer pois lembrava-me de cada pormenor do dia e atomaticamente sorria, lá acabei por adormecer.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

24º Capítulo - olha para mim, porra!

(Carolina)

- Estou Magda? – disse eu a chorar quando ela me atendeu a chamada
- Sim. Estás a chorar?
- Ele é um parvalhão, um idiota. Odeio-o
- Estás a falar de quem? – não conseguia falar e continuava a chorar – Carol, pára lá de chorar e explica-me o que se passa. Assim não entendo nada
- Foi o… – tentava falar aos soluços – o idiota do Pedro
- O que é que tem? O que é que ele fez? - contei-lhe o que se passou – que grande idiota! E tu não te passaste e deste um estalo à tipa?
- Nem consegui reagir, só quis sair dali para fora e correr até ao táxi
- Não esperava isso dele, foi mesmo uma besta!
- O que me irrita mais é que ele dizia que me amava e que teve o tempo todo à minha espera, porque mentiu? Para que dizer o que não sente? Quer andar com as duas ao mesmo tempo? Que ódio!!!
- Tem calma, amiga! Não podes ficar assim!
- Não consigo, sabes que me estava a dar muito bem com ele!
- I know! Estás a precisar de te distrair, fazemos assim vou-te buscar à estação e vamos dar uma volta
- Não sou boa companhia para ninguém
- És sim, vamos jantar a algum lado e depois damos uma volta pela baixa
- Não me apetece!
- Ohhh mas quem manda? Vamos e acabou!
- Está bem mas depois não te queixes
- A que horas chegas?
- As dez
- Tão tarde? Vou morrer de fome
- Come alguma coisa até lá
- Eu aguento. Até logo então
- Hasta – Desligamos e tinha uma mensagem

De: Pedro
- Onde andas? Já foste para o Porto e nem te despedes?

Para: Pedro
- Sim estou a caminho do Porto é da maneira que ficas à vontade com a Filipa!

Aguardei o telemóvel na carteira e pus-me a ouvir música para tentar esquecer tudo o que se estava a passar. Sabia que não devia ter respondido àquela mensagem mas estava feito e não podia voltar atrás. A viagem estava a custar mais do que habitual parecia que as horas e os kilometros não passavam e começava a ficar impaciente. Acabei por adormecer um pouco depois de Leiria e só acordei quando cheguei ao destino. A minha amiga estava lá à minha espera juntamente com a Olivia e Tomás
- O que fazem todos aqui?
- Surpresaaaa – disseram em coro
- Foi ensaiado? É que acho que não saía tão bem - rimo-nos
- Vamos embora que tenho fome – disse a Magda
- Eu também já comia alguma coisa. Onde tens o carro?
- Já o deixamos estacionado perto da Cordoaria para não estarmos a esta hora à procura de lugar, o que seria impossível – fomos embora dali.
Jantámos no BaixaBurguer onde a Olivia tinha guardado uma mesa porque já sabíamos a confusão que aquilo é. Conversamos durante todo o jantar sobre várias coisas, como ia a faculdade, o meu trabalho, sobre futebol, sobre saídas anteriores, sobre as novidades que surgiram entretanto, entre outros assuntos, foram umas belas horas com os meus amigos. Quando saímos do jantar, eu já estava um pouco alegre demais depois de beber uns copos de sangria, escrevi num papel o meu número de telefone e entreguei ao empregado bem giro que nos atendeu durante a noite, o que nos rimos com isto, senti-me uma verdadeira adolescente!
- Oh Carol, o que foste fazer? – perguntou a Magda
- Ele não vai ligar por isso, estou descansada
- Como tens tanta certeza?
- Não sei mas vais ver que tenho razão
- OK tu é que sabes
- Vamos até as galerias? – perguntou a Olivia e todos dissemos que sim. Fomos a um dos bares que estava abarrotar de gente, ela pagou um shot a cada um, ao início a Magda recusou mas depois de muito insistir ela acabou por beber. Como não dava para dançar viemos cá para fora, onde se ouvia música de vários sítios. Peguei no telemóvel para ver as horas que já eram 2h27 e reparei que tinha duas mensagens.

De: Pedro
- Ah? Não entendi essa

De: 91*******
- Olá. Já saí do trabalho, podemos falar agora. Ass: o rapaz do BaixaBurguer

- OMD – fiquei chocada olhar o telemóvel
- O que foi? – perguntou o Tomás
- O tipo mandou mensagem, não acredito – comecei a rir
- Eu disse-te e agora que lhe vais dizer?

Para: 91*******
- Hola. Como te chamas? Já foste para casa ou andas pelas galerias? :b

- Tu és maluca! – disse a Magda
- Um pouco mas não digam isto a ninguém, fica entre nós ok?
- OK - rimo-nos e o meu telemóvel voltou a tocar

De: 91*******
- Pedro e tu? Vim para casa, estava cansado

- Naooooooooooooooo!!! Ele chama-se Pedro
- Não se chama nada? – perguntou a Olivia
- Antes tivesse a gozar – pela primeira vez essa noite me lembrava do lisboeta.
- Que azar! Vais voltar a responder? – acenei que sim e assim o fiz
  
Para: 91*******
- Péssimo nome para a altura xD Carolina, então bom descanso!


Voltei a guardar o telemóvel na carteira e continuei à conversa com os meus amigos. Ficamos mais um pouco ali pelas galerias e antes de irmos embora fomos até à Caipicompany onde tem caipirinhas de vários sabores. O Tomás pediu uma caipirinha de mojito, a Olivia não pediu nenhuma pois ia a conduzir e não poderia beber mais nada, eu e a Magda pedimos a caipiursos (caipirinha de vodka preta com ursinhos de gomas). Sempre que vamos às galerias temos que ir lá buscar uma caipirinha, mas esta é sem dúvida a que mais gostamos. Aproveitei o momento e tirei uma foto para postar no instagram..
“quem tem amigos tem tudo #bestfriend”
Passei a manhã de sábado a dormir, visto que cheguei tarde a casa. Quando acordei, tinha duas mensagens

De: 91*******
- Bom dia. Hein? Péssimo nome? :o

De: Pedro
- O que mudou? O que se passa? Fala comigo por favor!

Ignorei as duas mensagens, ao lisboeta tenho que pensar muito bem no que lhe vou dizer e como vou dizer que sei de tudo! Se pessoalmente ou por mensagem, mas só preciso de tempo para pensar! Antes de me levantar da cama para ir tomar banho, dei uma olhadela pelas redes sociais que estavam repletas de fotos do Benfica pois jogavam às 17h com o Braga. Na parte da tarde, fui aos escuteiros, fui ter com os meus lobitos, o meu refúgio, apesar de me darem bastantes dores de cabeça e de muitas vezes não se portarem bem são das únicas pessoas que conseguem roubar um sorriso sincero de mim! As crianças são maravilhosas e têm um poder incrível nos adultos. A tarde foi passada com jogos, mais precisamente, uma pista de obstáculos com o intuito de os fazer ultrapassar alguns dos medos e receios deles. Creio que no final do dia o objetivo foi cumprido, alguns superaram-se e não tiveram medo de arriscar, assim se vê a evolução deles. O sábado passara a correr e o domingo foi igual, antes de voltar para Lisboa estive a conversar com a Magda sobre o que fazia em relação ao Pedro, o que ela acharia melhor. Decidi então que iria falar pessoalmente com ele para o confrontar com tudo o que a Filipa me contou e depois logo vejo o que faço em relação a ele. Quando cheguei a casa, em Lisboa, dei de comer ao HappyMeal, comi alguma coisa e depois enviei uma mensagem.

Para: Pedro
- Olá, preciso falar contigo face to face, amanhã antes do trabalho está bem para ti?

De: Pedro
- Sim está bem, a que horas?

- 8h30 junto a fonte, OK?
- OK

Já estava a dormir quando o meu telemóvel começa a tocar, alguém me estava a ligar, pensei logo “mas quem é o diabo que me está a ligar a estas horas?”
- Estou? – perguntei eu meia a dormir
- Necesito hablar contigo, es muy importante – aquele espanhol não deixou dúvidas
- O que é que tu queres a esta hora?
- Hablar contigo
- Tu estás bem para me ligares a estas horas?
- Estou à porta de tua casa, podes abrir?
- Estás o quê? – dei um mini berro, levantei-me, fui à janela ver se era verdade e confirmava-se – tu és louco rapaz
- Só quero falar contigo, por favor só te peço isso
- OK eu vou abrir – assim o fiz e ele subiu. Quando chegou à porta de minha casa, estava com cara de choro e de quem esteve a beber – andaste a beber? – ele mal se segurava de pé – não precisas dizer nada, já percebi que sim, entra! – entrou e sentou-se imediatamente no sofá – vou fazer um café para arrebitares
- Não quero, senta-te aqui comigo! – olhei para ele que não estava nada bem
- O Benfica sabe disto? ele acenou que não
- Sinto-me enjoado!
- Espera lá não vieste a minha casa vomitar, muito menos no meu sofá – fui buscar um balde – pega, aqui já podes – ele pegou nele e colocou no chão junto aos pés dele
- Não preciso disto, para já! Só quero entender o que se passou entre nós, porque deixaste de falar comigo?
- Não acho que estejas em condições para falarmos nisso
- Estou es… - pegou de imediato no balde, vomitou duas vezes seguidos
- Eu vou te fazer um chá, estou a ver que a noite hoje vai ser longa – encostei-o para trás, para ele descansar um pouco – não adormeças – ele sorriu, fui buscar um copo de água para ele tirar aquele sabor horrível da boca e depois coloquei a água a ferver – porque foste beber? Já não sabes que não podes?
- Fui sair com uns amigos meus que cá vieram e deixei-me ir
- Assim pões a tua carreira em causa desnecessariamente
- Só fico uns jogos sem jogar
- E achas pouco? Se fosse teu mister ias treinar todos os dias, manhã e tarde, como castigo – fui buscar o chá
- Mas eu não me importava, assim enquanto lá estava não pensava no que não devia
- Talvez mas agora bebe o chá para ficares melhor – ele deu um gole e passado segundos estava a vomitar novamente – tens que beber mais para limpar esse estômago
- Tenho fome
- Primeiro bebe o chá depois dou-te umas bolachas. E tens sorte porque por minha vontade metia-te  debaixo do chuveiro em água gelada
- Isso é que … - voltou a vomitar – não. Mas diz-me o que te fiz
- Primeiro tratamos de ti, depois falámos
- OK – bebeu o chá até ao fim e não voltou a vomitar, fui buscar umas bolachas para ele comer e não acabar por desmaiar – já me sinto melhor
- Anda à casa de banho para limpares a cara e as mãos - ajudei-o a ir,  ainda estava meio tonto, até que acabei por o deixar lá sozinho e voltei para o sofá pois teve vontade de urinar
- Estou aqui
- Estás bem?
- Agora sim, obrigado - sentou-se
- Então é assim Lisandro, estou muito triste contigo! Não gostei do que vi na casa do Nico, no aniversário dele!
- Mas o que é que tu viste? – fez cara de como se não soubesse do que eu estava a falar
- Tu e a Magali, no escritório – a expressão facial dele mudou completamente, desviou logo o olhar – porquê Licha?
- Não te sei dizer
- É o que todos dizem sempre - continuou sem olhar para mim - Olha para mim e diz-me o que passa, quero entender onde começou e porquê – olhou ligeiramente mas voltou a desviar, aproximei-me dele e com a mão fiz com que olhasse para mim – começa do início
- Eu juro que o que te vou dizer é a verdade, por mais que não consigas acreditar em mim, é verdade tudo o que vou contar – fez uma pausa – isto só aconteceu duas vezes, a primeira foi quando nos conhecemos em Madrid! – fez uma pausa - Antes de vir para o Benfica, fui a Madrid de férias e numa das saídas à noite com os meus amigos, estava lá ela e as amigas. Um amigo meu achava muito gira uma delas e começou a meter conversa com a tal rapariga, a meio da noite estávamos todos na conversa, copo puxa copo, piropo atrás de piropo e quando demos por nós estávamos aos beijos e parou por ali. Eu não a conhecia de lado nenhum, não sabia que ela namorava com o Toto, nem o conhecia – olhou para mim esperando que eu reagisse - Quando vim para o Benfica, tornei-me amigo do Salvio, como sabes, e um dia ele convidou-me para ir a casa dele e quando lá chego dou de caras com ela e senti-me muito envergonhado, não fiquei lá nem cinco minutos. Por sorte ou azar, fui emprestado ao Getafe e numa das folgas estava a passear por Madrid com os meus colegas de clube e encontrei-a com a mãe, pedi para falar com ela para esclarecermos as coisas e pedimos desculpa um ao outro e que nunca voltaria a acontecer nada entre nós – voltou a olhar para mim - Até que não sei o que me passou pela cabeça no aniversário do Gaitán, aproveitei que ela estava sozinha e tentei dar-lhe um beijo, como viste, e ela recusou sempre, de tanto insistir acabei por levar um tabefe dela
- Devias levar imensos! – disse eu perplexa a olhar para ele – o Toto é teu amigo! Isso faz-se? É isto que fazes aos teus amigos? É assim que retribuis a ajuda que ele te deu? – voltou a desviar o olhar – olha para mim, porra! Estás com vergonha do que fizeste? Pensasses nisso antes! Não sabes o quanto me custou ver aquilo, ver uma pessoa que admiro imenso fazer aquilo, ver um amigo meu fazer aquilo! Foi uma grande desilusão – comecei a chorar – não esperava nada disto vindo de ti! – olhou para mim e agarrou uma das minhas mãos enquanto tentava limpar as lágrimas com a outra
- Carol, desculpa-me! Sei que agi mal e estou super arrependido, não queria desiludir o meu amigo, nem queria ter feito nada daquilo, não sei o que me passou pela cabeça! Eu sei que isto não tem perdão ou desculpa alguma! Eu errei e peço perdão a Deus todos os dias por isto! Só ele sabe como me tenho sentido! Não queria desiludir ninguém muito menos a uma pessoa – olhou-me nos olhos – não te queria desiludir! Tu és incrível comigo, tens sido um grande apoio, uma bela amiga e eu estraguei tudo, sinto-me a pior pessoa do mundo!
- O mal já está feito – fiz uma pausa - e agora o que vais fazer? Contar ao Salvio? É que eu não consigo olhar para a cara do meu ídolo sabendo o que sei! Mata-me por dentro, parte-me o coração, faz-me sentir uma péssima pessoa! – as lágrimas começaram a escorrer novamente – eu gostava tanto de ti, melhor eu gosto muito de ti, e tu sabes isso! – olhei para ele e as lágrimas começavam também a cair
- Desculpa Carolina! - fez-se silêncio durante alguns segundos – eu vou falar com o Salvio, contar-lhe tudo e vou arcar com as consequências dos meus actos.
- Estás mesmo disposto a isso?
- Sim, sei que vai ser difícil mas só quero ficar bem com toda a gente e comigo próprio – limpei a cara
- Sabes que vais perder um amigo, não sabes?
- Sei
- E sabes que vou estar aqui para te apoiar não sabes? – ele olhou para mim e eu esbocei um ligeiro sorriso
- Eu não mereço isso
- Lá no fundo mereces mas não digas a ninguém – riu-se
- Posso pedir uma coisa?
- Não abuses
- Só quero um abraço – olhei para ele
- Como resistir a esse pedido? - levantei-me e abracei-o
- Como é que tu tens estado?
- Tirando isto, ando mais ou menos mas não quero falar sobre isso
- Está bem, tu é que sabes – bocejou
- Isso é tudo sono? A quem tenho que ligar para te vir buscar?
- A ninguém, eu trouxe o carro
- Tu não vais conduzir nesse estado, nem que fiques aqui no sofá a dormir mas de carro não vais
- Tão querida, mas depois ligamos ao Nico, gostava de ficar mais um pouco a falar senão te importares é claro
- Eu estou sem sono por isso ficamos o tempo que quiseres e aguentares
- Posso? – apontou para o meu colo, eu acenei que sim e ele deitou a cabeça no meu colo
- Como vão as coisas no Benfica? Voltaste a ficar no banco ontem – comecei a fazer-lhe festinhas no cabelo
- O mister é que sabe em quem aposta, eu trabalho todos os dias para conseguir mas é difícil, os meus colegas são bons
- São opiniões – conversamos mais um bocado até que ele começou a bocejar constantemente. Ligamos ao Gaitán para o vir buscar - Olha tens de dizer ao teu amigo para dar o passo em frente com a Magda
- Ah? Não comprendi
- Sabes da história entre eles? O Gaitán e a minha amiga?
- Ahhh sim sei, já lhe disse para ele deixar os medos de lado, esquecer a distância e avançar! Ele gosta muito dela
- E ela dele por isso o moço que se faça à vida - riu-se e o Osvaldo ligou a avisar que já tinha chegado, ele levantou-se e acompanhei-o até a porta
- Obrigado por me aturares e cuidares de mim
- Não tens de quê, mas agora toma juízo
- Sim chefe! O meu carro fica aí, por favor toma conta dele
- Deixa as chaves para eu ir dar uma volta
- Nem penses, não quero o meu carro arranhado
- Aiiii que facada! – ele tentou aproximar-se para me dar um abraço e eu afastei-o – xau xau vai à tua vida! - deu-me um beijo na bochecha e sussorrou-me ao ouvido
- Desculpa por tudo! Gosto muito de ti miúda! – virou costas e foi embora.
Fechei a porta e voltei para a cama, adormecendo rápidamente.