Quando
chegámos ao aeroporto, demos logo de caras com o Lisandro que estava na entrada
à nossa espera. Dirigimo-nos para a zona de chegadas onde nos informaram que o
voo estava um pouco atrasado. Aproveitamos, então, para ir ao café que lá tem.
- Ainda não me explicaste como
arranjaste o número do irmão do Nico – disse eu
- Tenho os meus truques.
- Andas a mexer no que não é teu? Isso
não se faz, Lisandro Ezequiel
- Se assim não fosse, não havia surpresa
para ninguém. Por favor não me chames isso.
- Mas é o teu nome
- Ele não desconfia de nada? – perguntou a
Magda
- O Nico? Não, ainda na segunda ele
falou com o irmão ao telefone e não suspeitou de nada.
- Fizeste um bom trabalho, obrigada
- Não o elogies senão não se cala com
isso –
disse eu fazendo careta ao Licha
- Que engraçadinha que estamos
- Sempre meu amigo – conversamos mais
um pouco até anunciarem que o voo tinha chegado.
O
Germán chegou ao pé de nós, abraçou o Lisandro e este apresentou-nos a ele. O
irmão do Nico era igualzinho a ele, só que um bocadinho mais gordo.
- Muchas gracias por invitarme para el
cumpleaños de mi hermano. Creo que él vá adorar la sorpresa – disse o Germán à
Magda
- Espero que sí. Él me dice que gustaría
mucho tener la família aqui en esto dia muy especial. Muchas gracias por
ayudarme com la sorpresa - Combinamos tudo direito para o dia seguinte: passaríamos
em casa do Licha para ir buscar o irmão do Gaitán que vai passar lá a noite,
uma vez que o primeiro já estaria em estágio para o jogo, e depois iríamos ver
o jogo do Benfica. Passava pouco das nove da manhã quando a minha amiga me
acordou. Coitada ela mal dormiu com o nervosismo.
- Carolina levanta-te, já estamos
atrasadas!!
- Calma Magda, são nove da manhã, temos
imenso tempo.
-
Não consigo, estou muito stressada. Quero que seja tudo perfeito.
- E vai ser, confia na tua amiga. Agora
se queres aliviar o stress que tal prepares um super pequeno-almoço para nós as
duas?
- Ganda lata!!! A aproveitares-te das
fragilidades da tua amiga, isso não se faz. Mas pronto, hoje é um dia especial,
por isso, eu faço. Mas levanta-te - quando terminava a frase atirou-me com
a almofada à cara e, assim, começamos uma mini guerra de almofadas.
Depois
de finalmente me ter levantado, tomei o pequeno-almoço com a Magda enquanto
víamos televisão, em seguida ela foi tomar banho e eu fiquei a arrumar o resto
da casa e depois fui tomar banho para sairmos de casa. Tal como combinado,
fomos buscar o Guido, deixamos o carro nas garagens do estádio com uma credencial
que o Licha nos deixou e fomos almoçar ao Colombo, como ninguém o conhecia o
almoço foi descansado e sem interrupções com os fãs a pedir autografos ou
fotos.
- O Nico, joga à bola desde pequeno, não
é? –
perguntou a Magda
- Sim, desde pequenito que ele andava
sempre com a bola atrás dele, onde fosse a bola ia com ele.
- E tu não quiseste ser jogador?
- Não, não tinha tanto jeito mas jogava
com ele e os nossos amigos do bairro onde morávamos
- Deve ser um orgulho enorme para vocês ver
o crescimento dele como profissional?
- Com certeza, ele trabalhou bastante
para chegar até aqui.
- Eu sei, tenho acompanhado o trabalho
dele desde que chegou cá e também é um orgulho muito grande para mim vê-lo
crescer de dia para dia como profissional
- Agradeço pelo carinho que demonstras
por ele.
- Não tem de quê, é com muito gosto que
o faço –
conversamos um pouco mais e depois fomos para as imediações do estádio. Quando
íamos a sair do Colombo vimos o Pedro com a Filipa
- Magda, está ali o Pedro com a Pipa
- Onde? – apontei –estão muito amiguinhos
- Vês o que te disse? Não tenho razão?
- Deixa-os ser feliz e vamos masé ver o
nosso glorioso – agarrou-me
a mão e lá fomos. Ficamos na bancada Coca-cola, piso 0, mesmo atrás da baliza
para o Nico não saber onde iríamos ficar e não calhar de ver o irmão. O Benfica
fez um belo jogo, ganhou 6-0 ao Estoril com golos do Jonas Pistolas (dois), de
Luisão, Lima, Pizzi e do meu menino Toto Salvio, tenho tanto orgulho nele,
porra!
No
final do jogo, mandei mensagem ao Licha a avisar que nos dirigíamos para as
garagens mais precisamente onde os familiares e os vips saem. Quando lá
chegámos, ele estava cá fora à nossa espera, entramos com ele e fomos para uma
sala de convívio, onde estavam lá alguns familiares dos jogadores e outras
pessoas. A Magali estava lá com o Valu, o Ezequiel Costa e a irmã, quando a vi
fiquei muito feliz pois iria ter o prazer de a conhecer finalmente, sei que já
tive essa oportunidade, mas não me lembro. Ela aproximou-se e disse:
- Olá – cumprimentou o Licha
– tu és a Carolina, não és? – o meu
coração disparou, ela lembra-se de mim!!!! Respirei fundo
- Sim, ainda se lembra de mim?
- Primeiro trata-me por tu, e sim
lembro-me. O Salvio contou-me o que se passou contigo, fico feliz de saber que
estás recuperada –
sorriu e eu retribuí com um sorriso envergonhado
- Muito obrigada, não sabe… não sabes
como é importante para mim ouvir isso vindo de ti. Muito obrigada do fundo do
coração.
- Ora essa, guapita – voltou para
junto dos familiares que já iam embora pois eles não iam à festa do Nico.
- Vou ao balneário buscar as minhas
coisas e já venho –
disse o Lisandro
- Diz aos outros para se despacharem,
por favor!
- Vou tentar – e lá foi
- Aposto que vão ser os últimos – disse a Magda e
o Germán riu-se
- Manda mensagem ao Osvaldo a dizer para
se despachar que estás cá fora à espera dele e vais ver que ele vem logo
- Vou mandar – e assim o fez. Passado
um pouco começaram a sair os jogadores, um a um ou dois a dois eles iam saindo.
O telefone da minha amiga toca
De: Nico
- Estou a sair **
- Parece que ele vem aí
- Estás nervosa?
- Numa pilha de nervos, ele vai me matar.
- Vai nada, vai adorar, não vai Germán?
- Sim, ele vai gostar muito da surpresa.
É um bonito gesto da tua parte, ele nunca vai esquecer – estávamos os
três especados a olhar para a porta à espera que o moço aparecesse, veio a
frente o Licha com a Gopro para filmar o momento, seguido do Toto, Maxi e
finalmente entrou o Gaitán que mal viu o irmão ficou boquiaberto,
aproximaram-se um do outro, deram um abraço como se não se vissem à anos e o
aniversariante diz:
- Que fazes aqui? Não avisaste que
vinhas.
- Era surpresa e não podia perder a
festa do meu irmão
- Chegaste hoje?
- Não, cheguei ontem
- Onde ficaste a dormir? Num hotel?
- Em casa do Lisandro – Nico olhou para
ele
- Tu é que trataste disto?
- Eu não, a responsável está bem à tua
frente –
apontou para a Magda, que lhe sorriu, ele retribuiu o sorriso, chegou ao pé
dela e deu-lhe um abraço inesperado
- Obrigado por tudo
- Não tens que agradecer foi com todo o
gosto que o fiz. Agora tens que aproveitar para passar tempo com ele.
- Eu sei e vou fazê-lo, mas hoje é mais para
usufruir da tua companhia.
- Hoje temos é de celebrar o teu
aniversário como deve ser. Vamos embora? – perguntou a Magda olhando para
todos.
- Se o abraço já foi cobrado, sim
podemos ir -
ninguém tinha percebido o que a Carolina queria dizer, mas eu e ela partimo-nos
a rir.
- Pronto, pronto, vamos lá – respondeu o
Maxi – alguém precisa de boleia? Tenho
lugar no meu carro.
- Eu preciso – disse o Licha
- Vens comigo no carro? – perguntou o Nico
à Magda
- Mas eu trouxe carro.
- Eu levo o carro – repostei logo
- Nem penses, ainda não estás em
condições de conduzir, Carol.
- Eu vou com ela no carro – disse o Lisandro
- Então sendo assim vou contigo – disse a minha
amiga para o Osvaldo
- O Ezequiel vai comigo, o Toto vai com
a Magali, a Magda contigo e o Germán? Vai connosco ou…
- Vai comigo – respondeu logo
o Maxi – assim vamos conversando um
pouco
- OK encontramo-nos na minha casa – avisou o Nico. Cada
um foi para o respetivo carro.
- Eu escolho a música – disse mal entramos
no carro
- Está bem, mas para já não ponhas muito
alto que vou ter que parar para tirar fotos e dar autógrafos - disse o Licha
- Eu sei – mal começamos a
sair com o carro, parou logo, começou a dar os típicos autógrafos, fotos,
receber cartas e mensagens de apoio. Uma rapariga aproxima-se, pede para tirar
uma foto com ele e no fim pergunta
- É a tua namorada? – ele olhou para
mim e começamos a rir
- Não, é minha prima
- Ainda bem que não é tua namorada, aqui
está o meu número, liga-me – piscou o olho e deu-lhe um papel com o
número dela. Eu não resisti e comecei a rir
- Não digas nada por favor – olhei para o outro
lado ainda a rir enquanto ele acabava o seu momento de fama. Ao final de alguns
minutos lá seguimos viagem – já viste o
que eu sofro?
- Adorei.” Liga-me” - rimo-nos – isto acontece muitas vezes? É que das
vezes que vim às garagens nunca vi uma cena destas
- Normalmente escrevem nas cartas que me
amam e que sou lindo, e sim algumas deixam número para eu ligar
- Ai não posso. Há raparigas mesmo
loucas
- Nem imaginas o quanto, oh prima
- Primaço, vou aumentar o volume que
adoro esta música –
estava a tocar a música “Cheerleader” do Omi, quando chegou ao refrão ele
começou a cantar olhando para mim
- Oh I think that I found myself a cheerleader, She is always right there
when I need her…
- Do you need me? Do you think I'm pretty? – fiz-lhe uma careta
- Yeah, yeah! you are so pretty
- Não vale mentir, Lisandro Ezequiel
- Não estou a mentir, Carolina Maria
- Não me chamo Maria, está é atento à
estrada –
fomos até casa do Osvaldo que ficava no lado de Almada sempre a conversar ou a
cantar.
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(Magda)
- Vais ser simpático para os fãs, não
vais? –
disse eu quando entrei no carro
- Sim mas só porque estou bem disposto –
piscou
o olho e arrancamos, mal chegámos cá fora na zona onde os adeptos costumam
estar, muitos se aproximaram e gritavam “Nico...Nico…Niico”, ele parou o carro
e abriu o vidro. Muitos fãs pediram foto, outros autógrafos, uns só lhe davam
os parabéns pelo excelente jogo, até que vem uma rapariga a correr e gritar
“Nico, meu amor, não vás embora. Preciso falar contigo”, começou a empurrar os
que estavam à frente dela, aproximou-se dele agarrou-lhe o braço e disse
- Meu amor, eu amo-te, és tudo para mim!
Não vás embora do Benfica senão eu morro! - começou a puxá-lo para lhe tentar
dar um abraço e ele muito calmo com ajuda do outro braço empurrava a rapariga
dizia:
- Tem calma, tem calma por favor. Eu não
vou a lado nenhum por enquanto. – ela olhou para mim e começou a gritar
- Quem é essa? – o olhar dela
mostrava raiva, por momentos fiquei um pouco receosa – Quem é essa vaca? – o Nico olhou para mim, empurrou-a até que ela
largasse o carro, fechou o vidro e arrancou
logo. A rapariga ainda veio a correr atrás do carro, atirou uma garrafa e mal o
fez dois seguranças agarraram nela
- Desculpa – disse ele
embaraçado com o que tinha acontecido
Eu
estava a olhar para ele com uma cara muito séria, o que o estava a deixar
preocupado. Mas não aguentei mais e desmanchei-me a rir.
- Ó Meu Deus não acredito que isto
acabou de acontecer. As pessoas não têm noção do ridículo.
- Não estava nada à espera disto,
desculpa a sério
- Não tens culpa de nada, a rapariga é
que estava super alterada!
- Mas por momentos temi que ela fosse
fazer alguma coisa perigosa, sei lá.
- Pois, isso também me passou pela
cabeça. Mas pronto, agora rimo-nos deste episódio. Numa próxima, não me posso
esquecer que tens admiradora muito possessiva - rimo-nos
- Não digas nada, é com cada uma que
aturo. E quando mandam cartas de amor? Aí é que me rio.
- Imagino, mas olha muitos parabéns pelo
jogaço, sempre o melhor em campo e como não podiam faltar as tuas assistências magníficas
– pisquei
o olho
- Muito obrigada, só fiz o meu trabalho,
assistir os meus colegas faz parte. E se soubesse do que me preparaste ainda
tinha marcado um golo – sorriu
- Se soubesses não teria piada mas
deixas o golo para o próximo jogo, OK?
- OK! Muito obrigado por tudo, Magda!
- Não tens que agradecer, como já te
disse à pouco. Tens é que te divertir na tua festa.
- E vou fazê-lo pois tenho a melhor
companhia – e
lá fomos até casa dele
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Chegámos
quase todos ao mesmo tempo, o Licha estacionou o carro em frente da casa do
Nico enquanto este entrava com o carro na garagem. Entramos em casa dele que era
enorme, ele explicou onde ficava a cozinha, casa banho e os quartos. Os homens
foram para o jardim tratar do churrasco enquanto as meninas ficaram na cozinha
a colocar os aperitivos nos pratos e a tirar as bebidas do frigorífico. O Gaitán
era o DJ de serviço, colocou a música a dar e de repente começou a tocar uma
música horrível
- O que é isto? – perguntei eu
- Cúmbia – respondeu o Nico
- Isto é pior que o nosso pimba
- Mas olha que ali o Lisandro está a
sentir a música –
disse a Magda apontando para ele. Ele estava a cantar como se tivesse mesmo a
sentir o que estava dizer, peguei no telemóvel e comecei a filmar
- Não posso perder este momento épico – começaram todos
a rir até que ele se apercebeu que eu estava a filmar e veio atrás de mim para
me tirar o telemóvel para apagar aquilo
- Apaga isso, por favor!
- Nada disso, vou partilhar com o mundo
as figurinhas do Licha
- Não faças isso, tenho uma imagem a
manter
- Já foste – começou a correr
atrás de mim enquanto eu fugia, agarrou-me pela cintura e tirou-me o tele da
mão
- Vou me certificar que isto não chega às
redes sociais
- Não apagues, eu prometo que não partilho
com ninguém –
olhou para mim
- Prometes? – acenei que sim – vou confiar em ti
- Podes confiar, só eu é que me vou rir
ao ver isto
- Muito engraçadinha
- Sempre – dei-lhe um beijo
na bochecha, tirei-lhe o telemóvel da mão, guardei-o no bolso das calças e
voltei para a sala.
-----------------------------------------
(Magda)
- Podes vir comigo lá fora? – perguntou-me o
Nico esticando a mão
- Posso - dei-lhe a mão e
fui com ele. Chegámos à beira do Maxi que estava a tratar do assado, como ele
tanto adora
- Maxi, tenho uma pessoa para te
apresentar
-Estava a ver que não – respondeu ele
- Magda este é o Maxi, Maxi esta é…
- A Magda, a menina que anda a mexer
contigo –
corei, não estava nada à espera de ouvir isto. Cumprimentamo-nos - desculpa se te sujei
- Não tem mal
- Já ouvi falar muito de ti
- Bem ou mal?
- Muito bem por acaso
- O Nico deve ter exagerado nas coisas
que disse –
olhei para ele que sorriu
- Não me parece. Mas diz-me, como estão
a correr os estudos?
- Muito bem, obrigada.
- O Zico disse que estavas a estudar
biologia, queres estudar os animais? - ri-me
- Porque é toda a gente associa biologia
a estudar animais?
- É o mais comum – disse o Gaitán
- Existem várias áreas, eu quero estudar
algo relacionado com a genética e transmissão de doenças!
- Em Portugal, há oportunidade para
isso?
- Existem poucos sítios e com o corte
nas bolsas de investigação mais difícil se torna
- Então estás a pensar em ir para o estrangeiro?
- Por agora estou a ver a oportunidade
de para o ano ir de erasmus. Mas sim, se surgir oportunidade porque não? – olhei para o
Nico que pareceu não gostar muito do que acabara de ouvir.
- Porque não te mudas para Lisboa como a
tua amiga? Acabas aqui o curso sempre há mais sítios onde possas arranjar
emprego
- Naaaa, prefiro ficar no Porto e acabar
lá o curso, depois logo se vê – conversamos mais um pouco até o assado
estar pronto e depois fomos para dentro para junto dos outros
-----------------------------------------
Enquanto
jantávamos, tive oportunidade de falar com o Salvio, não sabia o que lhe dizer,
pois não é todos os dias que estamos com o nosso ídolo a jantar mas
agradeci-lhe pelo gesto carinhoso que teve comigo nas redes sociais, dei-lhe os
parabéns pelo golo e pela excelente exibição no jogo deste tarde. Ele agradeceu
e perguntou como estava a minha recuperação. Falei também com a Magali, o
Germán e pouquíssimo com a Ana, a mulher do Maxi.
- Quando é que aqueles dois se entendem?
- perguntou-me
o Maxi, apontando para a minha amiga e o seu amigo
- Tão cedo não é
- Porquê? Eles adoram-se
- Conhecendo a minha amiga tão bem, enquanto
não tiver certeza do que sente por ele nada vai avançar
- Só eles é que ainda não entenderam o
que sentem um pelo outro
- São tonos
- Temos que dar um empurrãozinho, pode
ser que avancem
- É melhor não nos metermos nisso, ainda
levam a mal
- Tens razão, e tu e o Lisandro quando
se entendem?
- Eu e o Licha? Não há nada entre nós
- Acredita em mim que há, vê-se na forma
como falam e se olham
- Estou a ver que és casamenteiro, não é
Ana?
- Ainda não viste nada, ele vê casal em
tudo o que é par
- Estou a ver que sim - rimo-nos
- Vamos cantar os parabéns? - perguntou o
Gaitán, acenamos todos que sim, o Guido foi buscar o bolo, cantámos os parabéns
e a Ana cortou o bolo em fatias, distribuindo-as. Depois fomos dançar um pouco
ao som de um novo estilo para mim: reggaeton. Por acaso gostei é muito animado
e dá vontade de mexer. Ninguém conseguiu ficar parado.
Passado
um pouco fui à casa de banho e quando voltava para a sala reparei que a porta
do quarto estava entre-aberta e ouvi
- Aqui não, já te disse
- É só um beijinho – estas vozes
eram me familiares e para tirar as dúvidas fui espreitar. Não queria acreditar
no que os meus olhos viam, não pode ser verdade. Como é que eles poderam!!! Saí
a correr de lá e antes de voltar a entrar na sala encostei-me na parede, o
corpo todo tremia, deixei-me cair, agarrei-me aos joelhos e comecei a chorar. O
Germán passou por mim para ir à casa de banho, reparou no meu estado
- Está tudo bem? O que se passa? – tentei limpar as
lágrimas antes de levantar a cabeça mas não consegui
- Nada, está tudo bem. Isto já passa não
te preocupes
- Nada? Mas estás a chorar – pensei no que
iria responder e nada melhor que usar a desculpa do acidente
- Estou só com muitas dores nas pernas,
tenho que ir tomar o comprimido e isto já passa
- Tens a certeza que é só isso? Se precisares
de desabafar estou aqui para ouvir
- Obrigada mas é só mesmo as dores.
Obrigada mais uma vez - ajudou-me a levantar, limpei os olhos para tentar
disfarçar que estive a chorar e entrei na sala. Felizmente ninguém reparou no
meu estado e fiquei a conversar com a Ana e paizinho sobre como estavam os
filhos dele, se estavam adaptar bem nas escolas cá em Portugal uma vez que
falam espanhol. Eles explicaram como basicamente cresceram cá que falavam muito
bem português por isso a integração deles foi perfeita, combinamos que teríamos
que marcar um próximo encontro para eu os conhecer pessoalmente.
- Posso roubar a Carol por uns momentos?
–
perguntou o Licha
- Por nós estás à vontade – disse a Ana,
pedi licença e levantei-me
- O que queres?
- Ei lá que fria
- Não mereces outra coisa – evitava ao
máximo o contacto visual com ele
- O que é que eu fiz?
- Nada, nada
- Então porque estás assim comigo
- Aparece-me! Vais dizer o que queres ou
não?
- Quero convidar-te para amanhã ires ao
cinema comigo. Queres?
- Não
- Que facada. Podes olhar para mim, por
favor? –
olhei para ele, respirei fundo
- Não, não me apetece olhar mais para a
tua cara –
virei costas, voltei para junto do Maxi e esposa que estavam na companhia do
Germán – sabem da Magda?
- Está lá fora com o Nico
- Obrigada - dirigi-me até
lá
-----------------------------------------
(Magda)
Depois
de cantaremos os parabéns e dançarmos um pouco, perguntei ao Gaitán se queria
ir comigo lá fora e ele disse que sim.
- Estás a gostar da festa? – perguntei enquanto
nos sentávamos na relva junto à piscina
- Muito, tenho as pessoas mais
importantes aqui comigo – disse ele –
só faltava mesmo o resto da família
- Ainda bem que estás a gostar e que
estás feliz, estava com algum medo que não gostasses da surpresa, mas sabia que
era importante para ti teres a tua família aqui e consegui que o teu irmão
viesse, com a grande ajuda do Lisandro
- Muito obrigado – agarrou-me a mão
– não tens noção de como fiquei feliz
com a surpresa principalmente sabendo que foste tu que organizaste tudo. Já me
vais conhecendo bem – piscou o olho
- E tu não tens noção de como fico
contente de saber que estás feliz – ele sorriu – esse sorriso contagia-me – olhei para ele e logo a seguir desviei
o olhar envergonhada
- Magda, estou a gostar muito de te
conhecer, aos poucos e poucos, tens te tornado muito especial para mim. Uma boa
companheira, uma boa amiga, alguém que não quero perder.
- Ohhh tão querido! Também estou a
gostar imenso de conhecer este Nico, um rapaz brincalhão, amigo, companheiro,
alguém que eu possa confiar. Se já te admirava antes agora acho que admiro
mais. Obrigada.
- Obrigado de quê?
- Por me deixares conhecer-te assim
deste jeito.
- Não sejas totó
- Totó? Aí é? – acenou que sim – confias nesta Totó?
- Sim
- Então levanta-te – assim o fez – fechas os olhos e só abres quando disser
OK?
- OK, mas vê lá o que fazes.
- Não te preocupes – depois de ter
fechado os olhos, fui a correr buscar uma fatia de bolo e voltei para junto
dele
- Estás pronto? – acenou que sim,
peguei no pedaço de bolo e espalhei pela cara toda, ele abriu imediatamente os
olhos
- Vou me vingar disto – disse enquanto
limpava a cara
- Só se me apanhares – começamos a correr
no jardim, até que ele me apanhou, agarrou em mim e empurrou-me para dentro da
piscina
- Vou ficar doente e a culpa é tua! - rimo-nos – ao menos ajuda-me a sair daqui –
estendi a mão e enquanto ele agarrou puxei-o e ele caiu dentro da piscina – a vingança é um prato que se serve frio –
veio até mim, agarrou-me
- Magda, gosto muito de ti – com uma mão segurava-me
pela cintura e com a outra colocava o meu cabelo atrás da orelha – Quero que saibas que estou muito grato por
tudo - deu-me um beijo na testa
- Nico, eu preciso que saibas o que
sinto por ti -
olhei-o nos olhos – eu sinceramente não
sei o que sinto. Eu gosto muito de ti mas tenho medo de estar a confundir as coisas.
Sabes que antes de começarmos a falar, eu admirava muito o teu trabalho e
aquilo que demonstravas ser, e agora que tive a possibilidade de te poder
conhecer, vi realmente o verdadeiro Osvaldo. – fiz uma pausa – mas é como te digo tenho medo de estar
confundir os sentimentos e não te quero magoar nem me magoar a mim. Entendes?
- Entendo, teremos muito tempo para nos
conhecer e perceber o que realmente sentimos
- Obrigado, mas de uma coisa eu tenho a
certeza, gosto muito de ti, Nico! – ele encostou a testa dele junto da
minha, olhamos fixamente um para o outro, a nossa respiração ficava cada vez mais acelerada e os nossos
lábios lentamente iam-se aproximando
- Desculpem interromper, mas Magda
preciso mesmo de ir embora daqui – disse a Carolina aflita, olhei para ela
e estava mesmo chateada
- O que se passa?
- Estou à tua espera no carro – virou costas e
saiu
- Acho que tenho mesmo que ir embora - saímos da
piscina, torci as minhas roupas e fui me dirigindo para a porta
- Queres que vá buscar uma camisola
minha para não ires com essas roupas molhadas?
- Agora é que te lembras disso? – olhei para ele
a rir-me – não vale a pena quando chegar
a casa, tomo um banho de água quente e troco de roupa. Obrigada na mesma –
dei-lhe um beijo na bochecha, entrei na sala
- Acho que alguém foi ao banho – disse o Lisandro
- A piscina convidou-nos para dar um
mergulho – respondeu
o Nico enquanto me despedia dos outros
- Obrigada mais uma vez pelo convite – disse o Germán
- Não tens de quê, gostei muito de te
conhecer e espero aproveites ao máximo este tempo com o teu irmão – ouvi a buzina
do carro – tenho mesmo que ir. Boa noite
a todos.
- Boa noite – responderam em
coro. O Gaitán foi comigo até a porta deu-me um beijo na bochecha e entrei no
carro.
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