(Magda)
Fomos
o caminho todo até casa caladas, estava à espera que a minha amiga falasse
quando estivesse mais calma. Chegámos a casa, ela sentou-se no sofá enquanto
fui tomar banho para não correr o risco de ficar doente depois daquele banho na
piscina.
- Então já me vais contar o que se
passou? –
disse eu quando saí do banho
- Não estou com cabeça para isso - levantou-se,
olhou para mim – desculpa mas preciso de
dormir
- Quando estiveres preparada já sabes
- Obrigada – vestiu o
pijama, deitou-se e eu fiquei a ver um pouco de televisão até me dar o sono.
Nem
nove horas eram quando acordei, a Carol continuava a dormir, levantei-me de fininho
para não a acordar e fui à casa de banho. Quando saí estava a cantarolar a
música “El Taxi” do Pitbull com o Osmani Garcia
- Yo la
conocí en un taxi, en camino al club. Yo la conocí en un taxi, en camino al
club. Me lo paro el taxi, Me lo paro el taxi…
- Alguém acordou feliz – disse a
Carolina assustando-me
- Que susto! Podia estar mais feliz se
alguém não tivesse interrompido, não é?
- Eiii, que facada diretamente no
pâncreas! – fazendo
o gesto de dor – então já há avanços
nessa relação?
- Não, continuamos amigos
- Amigos que dão beijinhos?
- Nós não demos beijos
- Mas iam dar, não era?
- Talvez quem sabe. Já me vais contar o
que se passou para termos que vir embora daquela maneira?
- Acho que sim. Mas senta-te que vais ficar
chocada
- UI estou a ver que vem aí bomba - sentei-me
- Por favor, não contes isto a ninguém,
nem ao Osvaldito
- Vou postar no facebook
- Não sejas parva - deu-me um
pequeno estalo no braço e eu ri-me – sabes
quando eu fui à casa da banho? – acenei que sim – então quando eu saí de lá, vinha no corredor e ouvi umas vozes familiares
do quarto e decidi ir espreitar para ver quem era. Quando estava a chegar a
porta ouvi “dá-me só um beijinho” e outra pessoa dizia “já te disse que aqui
não “, fiquei ainda mais curiosa para saber quem era, até me passou pela cabeça
que fosses tu mas não. Como a porta estava um pouco aberta foi fácil de espreitar
– fez uma pausa – só de lembrar
disto
- Fogo, quem é que lá estava? – perguntei eu
super curiosa
- Não vais acreditar como eu ainda não
acredito no que vi
- Diz de uma vez…
- Então olhei entre a porta que estava semi-aberta,
vi o Lisandro agarrar a Magali pela cintura e ela com as mãos a volta do
pescoço dele – olhei
para ela boquiaberta – foi exatamente
essa a minha reacção.
- Como é que é possível? Nunca pensei
isso deles
- Achas que eu pensava isso deles? Foi
uma grande desilusão principalmente da parte dele. O Salvio é amigo dele,
abriu-lhe a porta de casa e recebeu-o de braços abertos e é este o
agradecimento dele? Foi horrível o que vi. Ele que não me apareça à frente nos
próximos tempos
- É mesmo mau da parte dos dois, tanto
dele como dela. Será que isto dura a algum tempo?
- Nem quero pensar nisso. E o pior é fazerem
aquilo na casa do Nico, com o Toto debaixo do mesmo tecto! Não têm respeito
nenhum. Valem zero –
começou a chorar
- Tem calma, amiga! – puxei-a para
junto de mim e abracei-a – eu imagino o
que deves estar a sentir, foi uma grande facada de uma pessoa que tu admiras
imenso. Ele parecia ser boa pessoa mas depois disto deixa a desejar. Agora só
tens que esquecer isto e continuar a apoiar o Salvio, ele sim é que merece o
teu apoio incondicional.
- É o que vou fazer – disse ela aos
soluços enquanto limpava a cara – mas
como vou olhar para a cara do Salvio sabendo disto? Devo contar-lhe?
- Devias contar mas ele não iria
acreditar em ti
- Eu sei, só me resta mesmo esquecer
isto tudo e que aquele parvalhão existe
- É assim mesmo, pensamento positivo.
- Que raiva! A minha vontade na altura
era entrar por aquele quarto, dar um estalo a cada um e sair porta fora!
- Eu ia gostar de ver isso para me rir
um bocadinho -
ri-me só de imaginar aquilo
- Ri-te ri-te que pode ser que o faça a
próxima vez que os vir à frente
- Mas que eu esteja presente por favor
- Senão eu filmo e depois mando-te - rimo-nos, finalmente
consegui um sorriso da minha amiga. Continuamos a conversar enquanto preparava
algo para o nosso pequeno-almoço e a Carol dava de comer ao HappyMeal. Passado
um pouco recebo uma mensagem
De: Nico
- Bom dia. Como passaste a noite? Almoçamos
juntos? ** PS: muchas gracias por la maravillosa noche que me proporcionaste ;)
- O Nico convidou-me para almoçar, que
faço? –
disse eu para a Carol pois não a queria deixar sozinha
- Vai lá almoçar com ele e entendam-se
de uma vez
- E ficas sozinha a pensar no que não
deves? Nem penses. Vou convidá-lo para vir cá almoçar juntamente com o Guido
que achas?
- Parece-me muito bem, só não sei o que
tenho no frigorífico.
- Vamos ao continente num instante e
resolvemos o problema – peguei no telemóvel e respondi
Para: Nico
- Buenos
dias Nico, tuve una noche fantástica y dormí muy bien. Tengo una idea mejor, tú
y tu hermano vienen almuerzar aquí en casa. Yo hago alguna cosa para el
almuerzo (con la ayuda de Carolina) ** PS: ver tu sonrisa ya es suficiente (perdón,
por mi pésimo español)
De: Nico
- Gosto muito da ideia, quero ver se
sabes cozinhar jajaja ** o teu espanhol está bem melhor que nas primeiras vezes
;) PS: também gosto muito de te ver sorrir **
- Desafio aceite ;) tenho um bom
professor, por isso, tinha que estar melhor :b
- Não é melhor encomendar pizzas? Jajaja
o mérito é todo da aluna ;)
- Vais ter o melhor almoço da tua vida
;)
- Quero ver isso jajaja Envia-me a
morada por favor.
Assim o fiz, eu e a Carol vestimo-nos e fomos ao supermercado comprar algo para o almoço. A nossa primeira idéia era fazer francesinhas, mas tinha medo que o molho ficasse mal e como queria ficar bem diante do Gaitán optei por fazer macarrão gratinado, uma receita simples e que eu adoro comer. Marcavam 12h50 no meu relógio quando tocaram a campainha, eram eles. A Carolina abriu a porta.
- Podem entrar – disse ela
enquanto os cumprimentava – não é um
casarão como a tua mas é o que se arranja por momentos
- Não te preocupes com isso – disse o Guido – é pequena mas acolhedora é o que interessa
- Certeza que não é preciso encomendar
pizza? –
perguntou o Nico quando se aproximava para me cumprimentar
- Não, não é preciso. Já te disse que
vais adorar este manjar dos deuses - fiz-lhe uma careta
- Pelo menos cheira muito bem – comentou o
Germán
- Obrigada Guido, estou a ver que tu é que és
o irmão simpático –
rimo-nos. Enquanto terminava tudo, a Carol apresentou-lhes o HappyMeal e eles
adoraram-no. O Nico até pegou nele e esteve a fazer-lhe festinhas.
- Meninos, lavar as mãos e mesa
- Sim mamã
- Hoje estás abusar, Osvaldo Gaitán – foram lavar as mãos
e sentaram-se à mesa. Começamos por comer as entradas, fiz umas bruschettas
(pão, queijo, tomate)
- Pensei que tinham convidado o Lisandro
para vir também –
disse o Nico, olhei de imediato para a Carol que mudou a expressão facial
- Não falemos desse sujeito – respondeu ela.
O Gaitán olhou desconfiado para mim e eu mudei logo de assunto
- Estão a gostar das entradas?
- Sim, está muito bom – respondeu o
Guido
- Então vou buscar o próximo prato - levantei-me para
ir buscar a travessa com o macarrão, servi-os e comemos.
Durante
o almoço falamos sobre várias coisas: até quando o Germán iria ficar cá, que
seria até quarta, sobre o acidente, os meus estudos, o Benfica como é óbvio,
entre outros. Foi uma bela conversa. Também combinamos que depois de arrumarmos
a cozinha iríamos dar uma volta para o Germán e eu conhecermos Lisboa.
- Vamos ao Cristo Rei? – perguntou o
Guido enquanto eu e a minha amiga levávamos a louça
- Vamos a todos os sítios menos aí – disse logo a
Carol enquanto me ri só de lembrar da história caricata dela nesse sítio
- Oh Carol, não sejas assim vamos lá e
desta vez prometo que não cais - rimo-nos
- Olha que engraçadinha, vê se não te
cai o dentinho da frente – atirou-me com água e eu retribui
- Vá lá meninas, acabem lá com isso que
temos que aproveitar o pouco tempo que nos resta – disse o Gaitán,
pois eu ao final do dia tinha que voltar para o Porto. Terminamos tudo e fomos
no carro do Nico até ao Cristo Rei.
Quando
lá chegámos tiramos muitas fotos, apreciamos a vista e aproveitei um resto do
tempo com o Osvaldo enquanto que a minha amiga e o irmão dele andavam a explorar
aquilo.
- Então estás a pensar ir para o
estrangeiro? – perguntou
ele a medo
- Sim, surgiu a oportunidade de ir de
Erasmus e estou a estudar isso
- E já sabes para onde?
- Suécia ou República Checa
- Isso é longe… - desviou o olhar
- Sempre me podes ir lá fazer uma visita
–
voltou a olhar para mim, sorri e ele retribuiu
- Irei com todo o gosto - deu-me um
pequeno beijo na bochecha que corei de imediato
- Mas ainda não é certo eu ir,
provavelmente vais mais depressa tu embora de Portugal do que eu – só de me
lembrar desta hipótese me deu um arrepio
- Estou bem no Benfica
- Não vais ficar eternamente cá, sei que
precisas de evoluir na tua carreira apesar de eu querer que fiques até te reformares
- Não quero pensar muito nisso, estou
bem no Benfica e quero ajudar a minha equipa enquanto poder, depois logo se vê
- E vamos ser campeões este ano?
- Claro que sim e vais lá estar para
festejar comigo - piscou-me
o olho
- Obrigada mas não sei se posso
- Porquê?
- Posso ter algum exame ou acampamento
- E vais me deixar festejar sozinho? – fez beicinho
- Assim não resisto a esse pedido
- É isso que eu quero, que aceites
- Logo se vê – olhei em volta,
peguei no telemóvel e tirei foto aos bilhetes da nossa visita.
![]() |
| “na melhor companhia ❤ ” |
Ele
pegou no seu super samsung e disse
- Vamos tirar uma foto para postar no
meu instagram?
- Estás maluco? Queres que as tuas fãs
possessivas me ataquem? – ele riu-se
- Elas não te iriam fazer mal que eu não
deixo -
deu-me outro beijo na bochecha, levantou-se e pegou-me na mão que me fez
levantar do banco – vamos tentar tirar
uma foto artística – depois de várias tentativas falhadas decidiu só tirar
uma ao Cristo
![]() |
| “gracias mi Dios por poner gente increíble en mi vida ❤ ” |
- Eu sou uma dessas pessoas? – perguntei envergonhada
- Claro que és – agarrou-me pela
cintura sem eu contar – eu gostava que
continuasses presente – deu-me um ligeiro beijo nos lábios, um beijo pequeno,
simples, calmo mas cheio de significado. Afastei logo os nossos lábios, olhei-o
nos olhos, sorri e encostei a minha testa na dele
- Nico Gaitán, o que foste tu fazer!?
- O que queria ter feito ontem – sorriu e eu abracei-o
fortemente, desejava que aquele momento não terminasse, que se prolongasse por
muito tempo, que o tempo parasse ali bem naquele segundo e que tudo o resto
desaparecesse. Ele é tão especial que nem sei explicar o que sinto, só sei
dizer que me faz bem, me faz feliz.
- Interrompemos alguma coisa? – perguntou a Carol
- Sempre tão pertinente menina Carolina
– olhei
para ela com um sorriso de orelha a orelha que aposto que ela percebera o que
acabara de acontecer
- Guido, eu disse-te que devíamos ter
continuado no café –
olhei para o relógio
- Ainda bem que apareceram está na hora
de irmos embora se é que queremos ir comer um pastel de Belém – fomos embora
dali, sei que aquele lugar será sempre muito especial para mim e para ele
também.
Fomos
a Belém comer os pastéis, demos uma voltinha, depois os meninos deixaram-nos em
casa. A despedida demorou um pouco, nenhum de nós queria ir embora, a Carol foi
subindo e eu fiquei para dar um último adeus ao Nico
- Gostei muito de te conhecer, espero
voltar a ver-te –
disse eu ao Guido
- Também gostei muito de te conhecer,
uma vez mais obrigado pelo convite e agora tens de ir tu lá à Argentina numa
próxima
- Quem me dera ir, é um país que gostava
de conhecer
- Zico, já sabes o que lhe oferecer – piscou o olho
ao irmão e entrou no carro
- E nós vamos falando por mensagens e
quando poder volto cá ou tu vais lá – disse eu dando-lhe um beijo na bochecha
- Espero que seja para breve – abraçou-me e mesmo
antes de me largar sussurrou-me ao ouvido –
I've had the time of my life – corei, deu-me um beijo na bochecha e entrou
no carro.
Corri
para casa da minha amiga para lhe contar as novidades, basicamente não lhe
precisei dizer nada porque ela suspeitou logo mal viu o meu sorriso, ela disse que
ficava muito feliz por mim e que agora tinha que me entender de vez com ele, ao
qual respondi que isso teria muito tempo. Arrumei as últimas coisas, coloquei-as
no carro
- Ficas bem sem mim? – perguntei eu
- Farei por isso - deu-me um abraço
– obrigada por me aturares e faz boa
viagem
- Eu depois cobro com juros – entrei no carro
e fiz-me à estrada. Parei na primeira área de serviço que encontrei para
colocar gasolina antes que ficasse pelo caminho e aproveitei para mandar uma
mensagem ao Osvaldo
Para: Nico
- I've never felt this way before, yes i swear it's the truth and i owe
it all to you :) thank you so
much ❤ **
Caros leitores, peço desculpa se feri a vossa susceptibilidade mas isto é tudo ficção. Não se zanguem comigo ;)


Sem comentários:
Enviar um comentário