sexta-feira, 5 de junho de 2015

18º Capítulo - Sempre voltas segunda?

(Carolina)

Mal cheguei ao hospital, pedi logo para me deitar estava cansada, foi um dia muito desgastante e complicado, mas gostei imenso de estar com os meus amigos, o Lisandro e Nico. Aliás, falei muito com o primeiro, ele é mesmo engraçado. Quando me vieram cá deixar, eu e ele trocamos os números de telefone, mas nunca terei coragem de lhe enviar mensagem! Deitei-me e adormeci. Acordei super bem-disposta e com vontade de fazer fisioterapia, estou com a pica toda porém só tenho sessão na parte da tarde, por isso, tenho que guardar esta minha energia para mais tarde. Estou eu a ver televisão quando ouço
- Pensei que só ia ao funeral – disse o doutor Francisco
- É tudo saudades minhas?
- Fiquei preocupado, mas estou a ver que o passeio lhe fez muito bem
- Faz sempre muito bem estar com as pessoas que mais gostamos
- Gosto de a ver assim, espero que esteja pronta para a sessão de hoje. Já avisei o fisioterapeuta para abusar nos exercícios.
- Estou pronta para isso! Já sabe se me vai dar alta amanhã? Eu sei que me gosta de cá ter mas estou um bocadinho farta
- Não sei se merece - riu-se – logo digo-lhe o veredicto final – saiu do quarto
A meio da tarde fui para a fisioterapia e foi exatamente como o médico avisou, super puxada e exigente, consegui fazer os exercícios todos, uns com mais facilidade do que outros mas o que importa é que consegui. Não vejo o dia de andar por aí a correr e a saltar, que chegue rápido esse dia. Mais tarde, as boas notícias chegavam e confirmava-se a minha alta, combinamos que viria todos os dias de manhã à fisioterapia e uma vez por semana teria consulta com o psicólogo. Liguei logo à Magda a contar a novidade da minha alta e que eu e o Licha trocamos os números de telemóvel. Ela gostou de saber esta última parte, ao que parece precisa de falar com ele, mas não me quis dar pormenores. Por fim, desejei-lhe boa sorte para o exame que ia ter e desliguei. Quando estava quase adormecer, tarefa difícil pois estava ansiosa que chegasse a hora de sair dali, senti o meu telefone a vibrar

De: Pedro
- Olá Carolina, como estás? Estás melhor? Beijinho do Lisboeta

Para: Pedro
- Estou bem e tu? Sim amanhã vou ter alta, finalmente :D uma pergunta: ainda tenho emprego ou já me despediram?

De: Pedro
- Poderia estar melhor… isso são boas notícias, e a fisioterapia está correr bem? Sim, o teu lugar está à tua espera ;)

- O que se passa? Está a correr muito bem! Fixe, mal consiga vou aí a Lisboa falar com o chefe
- Queres mesmo saber?
- Senão não perguntava
- Sinto a tua falta… tenho saudades das nossas conversas sem sentido, saudades dos nossos momentos, das tuas festinhas no meu cabelo, de te ver mal humorada, de te ver sorrir, de te ouvir cantar enquanto cozinhavas, de te ver ralhar com o Happy Meal quando ele fazia xixi pela casa, tenho saudades tuas! Até tenho saudades de ter ataques de ciúmes teus por causa do Lisandro! Fazes-me tanta falta, és a minha nortenha preferida!
- Não sei o que te diga, Pedro! Sabes que eu não me lembro de nada! Como está o meu bebé? Está aí contigo? Ciúmes do Lisandro? Explica por favor…
- Eu sei e estou disposto a reconquistar-te ;) sim, está bem e está aqui comigo. Eu venho todos os dias aqui a tua casa dar-lhe de comer e tratar dele, com isso não te precisas de preocupar! Eram ciúmes parvos, eu achava que ele andava a fazer-se a ti
- Desculpa, fazer-te sofrer :( obrigada por tomares conta do meu baby ;) ahahah o Lisandro interessado em mim?? Bela piada, deve ter raparigas bem melhores que eu para andar atrás. Vou ter que ir dormir, a medicação está a começar a fazer efeito. Boa noite.
- Não tens culpa de nada, por isso não tens que pedir desculpa ;) faço isto com todo o gosto ;) não digas asneiras, tu és linda e uma pessoa maravilhosa claro que um rapaz como ele poderia interessar-se em ti. Boa noite nortenha. Beijinho
Li a última mensagem e acabei por adormecer.

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Pedro depois de falar com a Carolina

Esta troca de mensagens com a Carolina deixou-me feliz, saber que ela está bem e a recuperar deixa-me mesmo satisfeito, só quero é que ela esteja bem. Custa-me imenso saber que ela não nutre qualquer sentimento por mim mas como eu digo, estou disposto a reconquistá-la mesmo correndo o risco de ela não me perdoar pelo que fiz noutro dia.

(recordação)
          Quando voltei para Lisboa depois de saber que a Carol não se lembrava de nós, combinei com os colegas do trabalho e fomos todos sair. A Filipa, a minha ex-namorada, que nesses últimos dias andava sempre atrás de mim, parecia uma lapa, também foi connosco. Ao fim de beber alguns copos, já não estava em mim, comecei a chorar e saí porta fora, do bar onde estávamos. Ela veio atrás de mim para me dar um ombro amigo e acabou por se aproveitar do meu estado e beijou-me, acabando eu por retribuir. Após alguns segundos caí em mim, afastei-a e disse que aquilo não podia ter acontecido, que era um erro, para ela não confundir as coisas e me deixar em paz. Fui buscar as minhas coisas, apanhei um táxi e fui para casa. Chorei até adormecer só de pensar na burrice que tinha acabado de fazer.

Sei que a Carol nunca me vai perdoar por isto, mas eu e a Pipa combinamos que não contaríamos a ninguém, morria connosco. Não sei se hei-de acreditar nela ou não, pois tenho medo que quando a minha nortenha voltar ela corra para lhe contar, vou ter que confiar. Depois desta asneira ter acontecido eu e ela temos estado mais próximos, é com ela que tenho estado, andado a desabafar sobre como me sinto e o que pretendo fazer. Parece que voltamos a ser amigos como éramos antes, estou a gostar desta Filipa, amiga e compreensiva, em vez da outra chata. Só quero que a Carolina volte logo para cá para poder passar algum tempo com ela e tentar recuperar o que perdemos.

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Passadas duas semanas, já andava só de muletas e havia vezes que já tentava andar sem o auxílio delas. Durante este tempo, fui estando com os amigos sempre que eles podiam, falei com o Pedro, tratava do que podia para os escuteiros, voltei a ver o meu Benfica jogar, ver os meus meninos brilhar. E quando o médico me disse que podia deixar a cadeira de rodas, liguei ao meu chefe, o Pedro deu-me o contacto, e combinei que na próxima segunda voltaria ao trabalho sendo que ainda não poderia fazer todas as tarefas, principalmente as mais pesadas, ele compreendeu e aceitou. Eu e o Lisandro também fomos trocando algumas mensagens. E hoje, sexta-feira e véspera de jogo, estava eu já na cama quando me mandou uma mensagem.

De: Lichito
- Olá como estás? Sempre voltas para cá na segunda? Envio-te um beijinho enorme

Para: Lichito
- Estou bem e tu? O treino correu bem? Sim :p beijinho

- Estou muito bem, e o treino correu muito bem, graças a deus! Então temos que marcar um almoço a quatro
- Tenho que conferenciar com a minha amiga e depois conjugar com a vossa disponibilidade
- Já agora, diz a tua amiga que tenho boas notícias para ela
- Conseguiste o que ela te pediu? Andas a trabalhar bem :p
- Sim, eu gosto de ajudar os outros ao contrário do que julgas
- Ei alguém ficou ofendido! Peço desculpa…
- Estou a brincar contigo! Para a semana também vens à festa, certo?
- Sim, o Gaitán convidou.
- Então já não vou :b
- Não vás, quem perde és tu :p
- Ei pensei que ias pedir para eu ir
- Naaaaa, eu só peço para que amanhã jogues :)
- Ohhh sempre tão querida! Depois falámos, beijinho grande
- Boa sorte para amanhã, vençam por nós! Ahhh e diz ao mister que ou te põe a jogar ou chateio-me a sério com ele xD Beijinho
Passei o sábado na quinta de Santo Inácio com os lobitos, aproveitamos que estava bom tempo para sair da sede. No final do dia, fui ter a casa da Magda para vermos o jogo do Benfica, jogou com o Moreirense cá no norte e ganhamos 3-1, golos de Luisão, Eliseu e Jonas. Sendo o jogo cá no norte era fácil termos ido ao estádio como já nos tínhamos comprometido em ir aos escuteiros, mas para a semana já vamos ver o jogo ao estádio da Luz.
- Foi um bom jogo, porque é que não fomos ver, fogo – disse eu
- Já tínhamos dito que íamos aos escuteiros não podíamos voltar atrás e também para a semana já vamos ver o jogo – respondeu a Magda
- Sim é verdade. O Licha já falou contigo?
- Oui, mal me mandaste mensagem liguei-lhe a combinar tudo
- Então já tens tudo preparado?
- Mais ou menos, combinamos que quinta voltaria a ligar para tratar dos últimos pormenores. Só espero que o Osvaldo goste
- Se ele não gostar quem lhe bate sou eu - rimo-nos
- Não é preciso tanta agressividade, lá no fundo eu sei que ele vai adorar!
- Isso é que é confiança! Eu também acredito que vá gostar. E já sabes como lhe vais dar os parabéns na segunda? Só lhe vais ligar ou mandar mensagem?
- Devo mandar mensagem, ele se depois quiser que me ligue…
- Ahaha fazes bem, o interesse tem de partir dele. Lembra-me para lhe dar os parabéns também. Olha lá e o que é que lhe vou oferecer no sábado? Tens que me ajudar
- Sexta quando for ter contigo a Lisboa tratamos disso
- Combinado – comecei a cantarolar a música “tá combinado, o bicho vai pegar…” e começamos logo a rir, há imenso tempo que não fazíamos isto. Fiquei mais um pouco e depois ela deixou-me em casa.
O fim-de-semana passou a correr e já estava na hora de voltar a Lisboa, a minha mãe estava com medo de me deixar ir pois como não me lembrava de nada nem de ninguém, tinha medo que a adaptação corresse mal mas lá aceitou. Combinei com o Pedro para me ir buscar à central de camionagem para me levar a casa e apresentar as redondezas. Quando cheguei a minha casa, fui logo ter com o meu happymeal, estava cheia de saudades dele, ele foi sempre o meu fiel companheiro. Como não tinha nada no frigorífico para cozinhar, convidei o lisboeta para irmos jantar ao Colombo que ficava ali perto e assim sempre podíamos conversar para eu o conhecer melhor e lá fomos. Comecei por lhe perguntar como era o nosso trabalho e ele explicou tudo direitinho, o que fazíamos, como eram os nossos colegas, como era o ambiente.
- E sobre ti, o que posso ficar a saber?
- Que queres saber? É mais fácil fazeres perguntas e eu respondo
- Não és do Sporting pois não? – ele riu-se
- Não, nada disso. Sou do maior de Portugal
- Ufa, estava com medo. Costumas ir ver os jogos?
- Sim, eu faço parte da claque. Um dos jogos que foste comigo conheceste o Salvio e Magali. Ah e a Magda conheceu o Nico
- Então foi aí que eles começaram a falar.
- Sim foi. Há mais perguntas?
- Claro que há – olhei para ele e sorri há algum filme ou música que nos tenha marcado?
- Sim. O filme diria o “if i stay” foi o primeiro filme que vimos juntos, ainda éramos amigos nessa altura mas depois do que te aconteceu não diria filme melhor que nos marcasse, é que a rapariga também teve um acidente e teve que lutar pela vida.
- Porra, até parece que foi um presságio
- Não digas asneiras. E a música, bem não faz nada o meu estilo, mas sempre que vamos no carro para algum lado passa esta música no rádio e tu gostas imenso.
- Qual? Aposto que é alguma de kizomba
- Sim, é a “quem será “ dos B4 ou lá como se chama
- Eu adoro essa música
- Sim, sempre que ela tocava punhas a música nas alturas e cantavas sem medo de desafinar ou das vergonhas que passavas. Eu ria-me imenso disso
- Ei, estás a dizer que canto mal? – fiz cara de chateada
- Não, nada disso mas era engraçado ver-te cantar
- Pois pois tenta agora redimir-te – fiz uma careta – só trabalhas ou também estudas?
- Voltei aos estudos agora no segundo semestre
- Isso é muito bom, que curso estás a tirar?
- Gestão desportiva, deixei por um ano. Antes de teres o acidente andavas a tentar convencer-me disso e com esta situação decidi dedicar-me e terminar o raio do curso.
- Fazes muito bem, face à situação do nosso país é uma mais valia termos um curso superior mesmo que isso não seja sinónimo de emprego.
- Sim, tens razão. Tenho muitos amigos que têm curso e estão desempregados ou estão a imigrar.
- Infelizmente é a realidade do nosso país. Mas tens prespectivas de emprego nessa área?
- Sim, quer dizer o Rui Costa, o do Benfica, já me disse que quando terminasse o curso para falar com ele que me arranja um trabalhinho mas não é certo. Primeiro quero acabar e depois logo se vê.
- Sim é o melhor. Mas tu dás-te bem com o Rui Costa? Estou a ver que tens muitos conhecimentos no Benfica
- O meu tio trabalha lá e então todos me conhecem desde pequeno.
- Que sorte – continuamos a conversar durante mais um pouco, depois levou-me a casa, organizei as coisas todas para o dia seguinte e mal me deitei adormeci.

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