(Carolina)
Num ápice o fim-de-semana passou.
Fui aos escuteiros, saí com os meus amigos (Magda, Olívia e Tomás), o Benfica
ganhou, mais um passo para conquistar o campeonato e voltei para Lisboa. Hoje,
terça-feira, mais um dia de trabalho espera por mim e a minha vontade é que
passe a voar. A meio da manhã o Pedro veio perguntar se podíamos almoçar juntos
e eu aceitei, até quero ver o que ele me quer dizer. Se pensa que vou voltar
para ele está muito enganadinho.
Marcava 12h30 no relógio, quando
fechei a caixa, fui ao balneário pegar na
carteira para depois ir ter com o lisboeta. Subimos até à praça de alimentação,
que, como sempre, estava cheia. Cada um foi buscar o que lhe apetecia e
sentamo-nos.
- Obrigado por almoçares comigo – disse ele
- De nada
- Eu queria falar contigo sobre isto
antes, mas não sabia como dizê-lo ou se estavas disposta a falar comigo
- Falar sobre o quê? O passado?
- Não, sobre a gravidez da Filipa
- Ahhh como estás a lidar com isso?
- Opah não te sei dizer, é complicado
para mim saber que posso ser pai com esta idade mas se for estou aqui para
assumir as minhas responsabilidades e dar o melhor de mim.
- Aposto que darás um bom pai
- Obrigado, espero ser tão bom pai
como o meu foi
- Vais ser e pelo pouco que conheci, o
teu pai parece ser mesmo boa pessoa
- É sim, esteve sempre lá para me
ajudar, apoiar e dar o ombro amigo
- Tiveste um bom exemplo por isso...
- O problema é mesmo esta dúvida, se
sou ou não o pai. Não me quero apegar a uma criança que pode não ser minha mas
também não me quero afastar
- Pois isso é mais chato mas tens que
arranjar um meio-termo. Neste caso, os três têm que arranjar um meio-termo – fiz uma pausa
– quando é que a Pipa faz o exame?
- Só pode daqui a duas semanas para
não correr riscos
- Até lá o que tens a fazer é de vez
enquando perguntares como ela está e assim
- É o que tenho feito
- Então não tens que te preocupar com
mais nada –
sorri
- E tu como tens estado?
- Bem
- Como reagiste quando o soubeste?
- Para minha surpresa até reagi bem,
não sei se sabes mas fui das primeiras pessoas a saber da gravidez e
aconselhei-a a pensar bem se queria levar as coisas para a frente e depois falar
convosco –
bebi um pouco de água – claro que no
fundo fiquei triste por saber que podes ser o pai daquela criança mas olha a
vida continua
- Eu não queria nada que as coisas
tivessem corrido assim
- Pois mas já está feito
- Eu só me imaginava a ser pai daqui
4/5 anos e que tu fosses… - não o deixei terminar
- Não continues a frase por favor! Não
estragues tudo
- Desculpa – desviou o
olhar
- Pedro, se as coisas assim
aconteceram é por tinha que ser. Faz tudo parte do passado e temos que seguir
em frente, tens que seguir em frente. Arranjar uma miúda que te mereça porque
tu és um amor de rapaz – sorri e ele retribuiu – e quanto a nós ficamos amigos, o que é mais importante
- Obrigado a sério! Mesmo depois de
tudo continuas a ser incrível, ajudar-me e com vontade de continuarmos amigos
- Não fomos sempre amigos? – acenou que
sim – então pronto não tens que
agradecer por nada, aposto que farias o mesmo
- Creio que sim – sorrimos um para
o outro, ficamos a conversar mais um pouco e depois voltamos ao trabalho.
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(Magda)
Chegou finalmente o dia, o dia de
voltar a estar com o Gaitán. Estou cheia de saudades dele, saudades de falar
com ele, brincar com ele, de nos divertirmos, de aproveitar cada minuto com
ele, saudades de só ficar a olhar para ele e sorrir. Combinei com ele para
estar na porta da faculdade à 13h e assim foi. Lá estava ele, dentro do seu
carro, tal e qual como a primeira vez que o fez, as borboletas no meu estômago
deixavam-me igualmente nervosa.
- Hola chico – disse eu
quando me aproximei da janela dele, ele sorriu deu-me um beijo na bochecha
- Hola ninã – sorri, dei a
volta e entrei no carro – donde vamos?
- Vamos estacionar o carro e depois
vamos até ao Jardim Botânico – indiquei o caminho e lá fomos.
Depois de arranjar estacionamento,
fomos a pé de mãos dadas até ao jardim. Fomos o caminho calados, o que me
deixou preocupada, “será que se passa alguma coisa com ele ou com a família
dele?” Pensei eu. Encontramos lá um banquinho livre e sentamo-nos.
-
Preciso falar contigo – disse ele desviando
logo o olhar
- O que se passa? Está tudo bem?
- Não sei por onde começar…
- Pelo início, deve ajudar – ri-me para
ver se aliviava um pouco o ambiente
- Não sei se sabes mas antes de ti
tive uma namorda… -
olhou para mim e eu pensei “porque raio está ele a falar nisto?”
- Sim sei, mas já foi há algum tempo
não foi?
- Foi, foi à cerca de ano e meio que
acabamos
- E queres falar disso agora?
- Si
- Nico, como te disse anteriormente,
não és obrigado a falar de coisas passadas.
- Si pero quero-te explicar tudo
- Ok… - olhei para
ele e pensei “isto vai ser estranho”
- Eu e ela namoramos cerca de três
anos, ela chegou a vir uns tempos comigo para Portugal
- Ah sim, eu vi umas fotos vossas na
altura, só nunca se soube porque acabaram mas também só contas se quiseres
- Nem eu soube porque realmente
acabamos –
começou a olhar para o chão
- Ah? Não houve justificação?
- No, ela veio cá passar uns tempos
como te disse à pouco e do nada decide ir embora, disse que a relação entre nós
não ia da certo, que tinha que ir embora para o bem dos dois. Foi tudo muito
confuso, ela apanhou o primeiro avião e nunca mais quis falar comigo
- O quê? Deixa-te assim do nada? Ela é
maluca
- Sim deixou, eu passei uns tempos
mal. Gostava muito dela e ela desaparecer assim do nada não foi bonito.
- Mas procuraste-a lá na Argentina?
- Si, claro pero ela não queria falar
comigo nem me ver
- Que criança! E até hoje nunca mais
te falou?
- Pois…bem…era aí que queria chegar
- Não entendi
- Ela não falou comigo até à Páscoa – ele olhou
para mim e eu lembrei-me logo daquele momento em que o telemóvel dele tocou e
ele ficou com uma cara estranha
- Ok – foi a única
coisa que consegui dizer, sentia que não estava preparada para o que ele me ia
contar a seguir. Pegou no telefone dele
- Ela mandou-me esta mensagem – deu-mo para a
mão e eu li a mensagem
- Foi por causa disto que ficaste
esquisito na mesa nesse dia? – devolvi-lhe o tele
- Sim, esta mensagem mexeu com o meu
sistema nervoso. Não queria acreditar que a tipa teve a lata de mandar uma
mensagem ano e meio depois, que depois de tudo o que me fez passar que mandava
uma simples sms de Feliz Páscoa.
- Respondeste?
- Si, “Feliz Páscoa”
- Ok
- E desde então temos trocado
mensagens –
olhou para mim e eu continuava sem reação ao que estava a ouvir – falamos sobre o passado, o porquê de ela
tomar aquela decisão, do presente, como cada um de nós está e como teria sido o
futuro se estivéssemos juntos – eu continuava ali a ouvir aquilo tudo sem
pestanejar, sabia exatamente o que ele me iria dizer a seguir mas não conseguia
reagir. Era mais forte que eu – e acho
que isto tudo mexeu comigo – olhou para o chão – tenho dúvidas se o que sinto por ti é mesmo forte e por isso queria
pedir um tempo para pensar, colocar as ideias no lugar – olhou para mim – desculpa Magda, não queria que nada disto
fosse assim! – agarrou a minha mão –
perdón chinita!
- Ok se é mesmo isso que queres,
respeito a tua decisão!
- Só tens a dizer isso?
- Querias que dissesse o quê? Não
mando no que sentes, só me posso limitar a aceitar a tua decisão e dar-te o
tempo que precisas –
fiz uma pausa – e se calhar até é melhor
assim
- Ah? Melhor assim?
- Sim, eu em Agosto vou de Erasmus e é
mais fácil separarmo-nos já como estamos no início
- O quê? – ele olhava
para mim perplexo, levantei-me, peguei na minha mochila e disse
- Bem, agora tenho que ir! Sê feliz – sorri ironicamente,
virei costas e saí dali
Podia perfeitamente apanhar o bus que passa ali à porta,
mas não me apetecia nada ver ninguém. Queria estar sozinha, pensar no que
acabara de acontecer. Peguei no mp3, coloquei aquilo no máximo e caminhei até a
casa. Durante o caminho os pensamentos eram imensos, Como é que ele me foi
fazer isto? Como é que eu fui acreditar que isto algum dia poderia correr bem?
Somos de mundos diferentes, isto nunca terminaria bem. Porra, estou irritada
comigo própria!!! Como me deixei apaixonar por ele? Porque raio fui dar ouvidos
ao meu coração? Mas fogo, eu gosto dele, ele foi sempre tão querido comigo, ele
fazia-me feliz, ele fazia-me sentir segura, bem! “Pára Magda!!!” gritei para
mim mesma quando começou a surgir em pensamento aqueles momentos bonitos que
passamos juntos. Abanei a cabeça para tentar abstrair, concentrei-me na música
e comecei a cantarolar
“Y si
me dices que tú te vas quedo solito y eso es mejor que estar con alguien que no
te quiere yo se que otra me da el valor. Si tú no estás yo no voy a llorar por
ti mientras te voy olvidando yo sigo rumbeando mi vida voy a vivir…”
Era mesmo isso que eu vou fazer, não
vou chorar por ele, vou esquecer que ele existe, vou seguir com a minha vida,
vou-me divertir com os meus amigos, que são mais importantes. Entrei em casa,
pousei a mochila, fui à cozinha buscar algo para comer, sentei-me no sofá e
passei o resto da tarde a ver séries. Comi só sopa ao jantar porque hoje é dia
de ir à zumba, troquei de roupa e fui. Descarreguei todas as minhas energias,
saí de lá exausta, só queria mesmo tomar um banho e deitar-me. Foi mesmo isso
que fiz.
Acordei à hora habitual, arranjei-me
e fui para a faculdade. Na hora de almoço a Carol mandou mensagem.
De: Carol
- Hei miga, como correu ontem? Tiveram
juízo? :p
Para: Carol
- Se puderes liga…
Nem um minuto passou e estava a
ligar-me, afastei-me dos meus colegas para falar à vontade.
- Estou?!
- Então que se passa?
- Acabamos – disse
calmamente
- Vocês o quê? – começou a
tossir – até me entalei
- Foi o que ouviste
. Estás a gozar?
- Achas que ia estar a brincar com
isto?
- Não mas o que se passou?
- Ele gosta da ex
- Oh não gosta nada
- Estou-te a dizer
- Explica lá isso melhor que não está
a fazer sentido –
contei-lhe o que ele me disse – o gajo
está parvo? Ai ele vai-me ouvir se pensa que brinca com os sentimentos da minha
amiga
- Não lhe vais dizer nada, ouviste?
- Porquê? Sabes como sou…
- Porque te estou a pedir, foi o
melhor para os dois. Isto nunca deveria ter começado
- Só podes estar a gozar, né?
- Não, eu e ele não temos nada em
comum, ele é mais velho que eu e quer outro tipo de coisas. E além do mais eu
vou de Erasmus.
- Tu disseste-lhe isso?
- Disse
- E o que disse ele?
- Nada
- Ok – fez-se
silêncio por um pouco – Magda, como é
que tu estás? – primeira coisa que me veio a mente para dizer foi “estou
triste, magoada, desanimada, desapontada, desiludida” mas respirei fundo
- Estou bem
- Não precisas mentir aqui à tua
amiga, sei que isso mexeu contigo
- Mexeu ontem, hoje é me igual
- Fingindo que acredito
- É verdade, ele não merece que sinta
coisas por ele
- Está bem está bem! Olha vou passar o
fim-de-semana ao Porto, sábado à noite vamos sair e não vale dizer que não, ok?
- Ok vamos onde?
- Depois vê-se isso
- És sempre a mesma – rimo-nos – mas amanhã diz-me algo para avisar os
meus pais, sabes como eles são
- Basta dizeres que vais sair comigo e
está tudo bem
- Claro claro
- Estás comigo, estás com Deus – soltei uma
gargalhada
- Tu és o diabo em pessoa
- Tens razão de queixa é por isso
- Por acaso não, é a tua sorte
- Bem me parecia
- Olha vai masé trabalhar que eu vou
para as aulinhas, depois falamos
- Está bem. Já sabes se precisares, é
marcares o meu número
- I know, thanks!
- Cinco euros
- Sim, sim. Até logo
- Até logo – desliguei, voltei
para junto dos meus colegas e fomos para as aulas.
Sábado quando os escuteiros
terminaram cada uma de nós (eu, Carol e Olívia) foi a casa tomar banho e trocar
de roupa, O meu pai ofereceu-se para nos ir levar para não levarmos carro e não
nos preocuparmos com estacionamento na zona dos Aliados. Jantamos no Alma
Portuense, onde conversamos e rimo-nos imenso. Decidimos ir até aos bares nas
galerias, mas primeiro fomos buscar uma caipirinha, como já era normal. Depois entramos num bar que estava a tocar música
brasileira. Conhecíamos mais de metade das músicas que estavam a passar, o que
ajudava para dançar, as que não conhecíamos nós inventávamos. A Carolina
decidiu ir buscar três shots apesar de eu dizer que não queria ela lá insistiu
e acabei por beber aquilo.
- Arrrrrdeeeee – disse depois
de beber e elas riram-se
- És sempre a mesma – respondeu a
Carol
- Sabes que eu não gosto disto, faz-me
arder a garganta
- Já tinhas provado?
- Não
- Então como sabias que te iria arder
a garganta?–
rimo-nos
- Vou buscar caipirinhas para todas – disse a
Olívia
- Tu estás maluca? Eu não quero ficar
bêbeda
- Não é com uma caipirinha que vais
ficar por isso –
virou costas e foi ao balcão – tomem –
deu-nos as bebidas para a mão
- Não vou beber isto tudo sozinha
- Eu bebo por ti se for preciso – repostou a
Carol
- Nem penses que te levo ao colo para
casa
- Já sabes que mais depressa vais tu
ao meu colo
- Pois nisso tens razão
- Vamos fazer um brinde – sugeriu a
Olívia – um brinde a nós, um brinde à
nossa amizade – brindamos e bebemos
Voltamos para a pista de dança, que
começava a passar Kizomba, onda mais da Carolina que conhecia tudo o que
passava e nos ia ensinando. Mais a meio da noite entrou um grupo de rapazes,
que a minha amiga os achou piada, principalmente a um deles. Ele é um pouco mais alto que ela, moreno, olhos castanhos, com alguma barba mas aparada, é mesmo o típico
rapaz que ela gosta. Eles ficaram bastante tempo a trocar olhares, eu e a
Olívia ainda tentámos incentivá-la para ir ter com ele mas ela disse sempre que
se ele quisesse que viesse ter com ela, e assim foi. O rapaz lá ganhou coragem,
ou motivado pelos colegas, e veio ter com ela.
- Desculpa estar a interromper – começou por
dizer – mas gostavas de dançar comigo? –
a Carol olhou para mim e a Oli que sorrimos como quem diz “vai”
- Sim – ele estendeu
a mão, ela agarrou – já volto –
virou costas e foi com o rapaz
Eu e a Olívia continuamos a dançar
enquanto observávamos os outros dois que estavam a dançar bem agarradinhos e
bem animados. Passado um bom bocado, ela cumprimentou-o com dois beijinhos e
veio ter connosco.
- Então como correu? – perguntei
- Correu bem, ele dança bem
- Como se chama? Que idade tem?
Trocaram de números? – perguntou a Oli
- Ei tenham lá calma!! Tanta pergunta
a esta hora, o meu cérebro não assimila tudo – rimo-nos – mas eu não sei como se chama, nem que
idade tem, nem sequer o que faz na vida.
- O quê? – perguntei eu
toda escandalizada
- Combinamos que não iriamos ficar a
saber desses pormenores. Ficamos só a dançar e a divertirmo-nos
- Opah só tu para fazeres uma cena
destas
- Já me devias conhecer melhor
- E se se cruzarem um dia destes na
rua que vais fazer? –
perguntou a Olívia
- Se isso acontecer, digo olá, se ele
responder ok passamos às apresentações, senão xau aí – soltei uma
gargalhada
- És maluca, tenho dito – disse-lhe
- Tu gostas de mim assim – abraçou-me
- Vamos embora? – questionou a
Olívia que já bocejava
- Ei já? Mas é tão cedo – resmungou a
Carol
- Cedo? São 4h30 da manhã
- Pronto tá bem, vamos embora – pousamos os
copos, saímos dali e fomos apanhar um táxi para minha casa onde iriamos ficar a
dormir para não estarmos a pagar um balúrdio em viagens.
No dia seguinte, por volta das
11h30, fui com o meu pai levá-las a casa e depois voltei
para tomar banho e almoçar. A meio da tarde enquanto estudava decidi postar a
seguinte foto no instagram.
![]() |
| “Com elas sou feliz <3 #friends” |

Por onde hei de começar? Ora bem, eu lia esta fic, mas depois deixei de acompanhar pela confusão que andava a minha vida... Estive afastada dos blogs uns 3 meses e só agora vi o comentário no meu, sorry!!
ResponderEliminarEnfim, portanto, li esta historia do inicio ao fim e estou tipo: OMG, AMO! AMO! AMO! E agora que li os capítulos todos publicados, mal consigo esperar pelo próximo, por isso, quero mais rapidinho... pleaseeee...
1) adoro a relação da Carol com o Licha, adoroooo <3
2) não gostei do fim da relação da Magda, mesmo! Espero que eles voltem e só sirva para fortificar o amor deles
3) já disse que adoro a história? não interessa, digo agora: ADORO!
Prometo que vou seguir mais regularmente a partir de agora...
Beijinhos,
Rita B.
PS: tenho um comunicado importante no meu blog: http://lovesomeonefic.blogspot.pt/ lê, por favor, e diz algo
Olá
ResponderEliminarGostei muito, por isso quero muito o próximo :)
Beijinhos
Catarina