quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

34º Capitulo - Essa página já está virada...

(Carolina)

            Sete da manhã, o meu despertador toca e a minha vontade de sair da cama é zero. Não tinha saudades nenhumas de me levantar a esta hora para ir trabalhar mas lá terá que ser. Levantei-me, fiz as coisas habituais e saí de casa. Quando cheguei ao local de trabalho, alguns dos meus colegas já estavam prontos e estavam sentados nos sofás que temosàa porta dos balneários.
- Bom dia alegria – disse eu toda sorridente
- Alguém acordou bem-disposta – disse o Alex, um dos rapazes que repõe as coisas nas prateleiras
- As mini férias serviram para repor energias
- Ainda bem assim podes trabalhar por todos nós – rimo-nos
- Naaa, não me parece – entrei no balneário – Olá Pipa, como estás?
- Bom dia, estou bem e tu? Como correram as férias?
- Estou bem, correram bem mas soube a pouco e tu, novidades?
- Sim mas ao almoço podemos falar melhor? – entendi que ela não queria falar ali, ainda ninguém sabia do que se passava
- Claro, à hora do costume já sabes
- Ok e a que se deve essa alegria toda?
- Nada, só estou bem com a vida e esta semana fez-me muito bem – sorri
- Ainda bem – fomos para o nosso posto enquanto conversávamos
            Na hora de almoço como combinado, encontramo-nos e fomos comer. Cada uma foi buscar o que lhe apetecia, depois arranjamos mesa e sentamo-nos para falar.
- Já contei tudo ao Pedro e ao Afonso – disse a Filipa
- A sério? E como reagiram?
- Ficaram chocados com a hipótese de serem pais já com esta idade mas disseram que assumiriam todas as responsabilidades apesar de não termos qualquer relação
- Grande atitude da parte deles, se fossem outros fugiam com o rabo à seringa – ela riu-se – e a questão de não saberes quem é o pai?
- Isso… bem isso foi o mais difícil, nenhum deles reagiu bem
- O que já se esperava, né?
- Sim, agora tenho que ir a uma obstetra perguntar como posso fazer o teste, se isso interfere com a saúde do bebé
- Não conheço nenhuma aqui em Lisboa para te ajudar
- Obrigada mas não é preciso, a minha mãe conhece uma e já marcou uma consulta para sexta ao final do dia para não ter que faltar.
- Ainda bem e tu como estás a lidar com isto tudo? – colocou a mão esquerda na barriga fazendo uma pequena festa
- Ainda é tudo muito confuso, há horas que penso que o melhor a fazer é abortar mas há outras que penso “não, esta criança não tem culpa dos meus erros” – olhou para a barriga – vou levar isto até ao fim e sei que vai correr bem – sorriu
- Já sabes que podes contar comigo para o que for preciso, apesar de não sermos propriamente amigas, né? – olhei para ela que riu – estou aqui para ajudar
- Obrigada Carolina não sei como agradecer – fez uma pausa – não sei se é o melhor momento mas eu gostava de te pedir desculpa por tudo o que te fiz passar, sei que fui uma besta e não te devia ter dito as coisas daquela maneira mas estava tão chateada por vos ver juntos que descarreguei tudo em ti – olhou para mim – eu aproveitei-me da fragilidade do Pedro em prol de algo que queria a algum tempo… - tentei interrompê-la mas em vão – deixa-me terminar por favor, eu achei que o que sentia por ele já tinha passado mas voltar a estar com ele, voltar a conviver com ele todos os dias despertou tudo o que estava aqui guardado e à primeira oportunidade pronto, envolvemo-nos e estraguei a vossa relação, estraguei a minha relação com ele e estraguei a minha vida, basicamente estraguei tudo!
- Não digas asneiras, são os dois culpados! Se aconteceu foi porque ambos quiseram, não o culpo só a ele nem só a ti, para mim erraram os dois, porém já não quero saber disso – sorri para aliviar o ambiente – se me senti magoada, traída? Claro que me senti mas agora só tenho que seguir em frente, esquecer tudo e ser feliz – olhei para ela – e não estragaste a tua vida, só ganhaste um presentinho para te vir dar muitas alegrias, independentemente de tudo, é assim que tens que pensar.
- Obrigada Carol por tudo mesmo
- Não tens de quê– sorri, ela retribuiu, conversamos mais um pouco e fomos trabalhar.
            O tempo parece que passa a voar, já é quarta-feira, dia da palestra dos rapazes lá no Seixal, estou mortinha para saber como correu aquilo, adorava ser uma mosca para os ver a falar. Como estava na minha hora de almoço mandei mensagem ao Licha.

Para: Lisandro
- Boa sorte para logo, não te engasgues :p

De: Lisandro
- Obrigado miss simpatia

- Ao menos sou miss em alguma categoria :p
- Sempre com resposta na ponta da língua
- Por isso é que me adoras ;)
- Convencida
- Realista, mi amigo
- Pronto ganhaste
- Ganho sempre :p logo queres jantar com a tua amiga?
- Vou jantar com outra
- Facada no pâncreas
- Vou jantar com o Salvio, tona
- Depois quero saber de tudo :) vou trabalhar , kiss kiss
ps: agora a sério, boa sorte ;)
- Muchas gracias y buen trabajo

            Guardei o telemóvel e fui fazer o meu serviço.

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(Lisandro)

            À medida que a hora da apresentação se ia aproximando começava a ficar mais nervoso, não queria nada fazer má figura em frente aos mais novos. No fundo, eles vêm-nos como exemplos a seguir e sonham um dia estar no nosso lugar. Entramos no auditório acompanhados do Rui Costa, outro grande exemplo, a sala apesar de não ser muito grande estava cheia parecia que tinham convidado todas as escolas dali da zona para nos ouvirem, mas eram só os escalões mais novos (juniores, juvenis e iniciados). O Rui fez questão de nos apresentar, como eles não soubessem quem nós somos e depois chegou a minha vez de falar.
- Boa tarde – todos responderam em coro “boa tarde” – antes de mais, quero vos agradecer por terem vindo, de certeza que devem ter coisas mais interessantes para fazer do que ouvir estes três – apontei para mim, Salvio e Nico e todos na sala se riram – bem, nós estamos aqui para falar um pouco o nosso percurso até chegarmos aqui ou melhor até nos tornarmos jogadores profissionais – fiz uma pausa – cada um de nós teve um percurso diferente, como vão reparar. Podem interromper sempre que quiserem para tirar dúvidas ou fazer perguntas, ok? – olhei em volta e todos acenavam que sim – Bem, desde pequeno que sempre quis ser jogador de futebol, desde o primeiro dia que o meu pai me deu uma bola, depois comecei a jogar com os outros chicos no meu bairro. Aos 17/18 anos comecei a jogar profissionalmente num clube lá na Argentina, o Chacarita Juniors depois fui para o Arsenal de Sarandi onde ganhei o Campeonato Argentino e a Supercopa Argentina, até que o Benfica me contratou para substituir o Garay mas acabei por ser emprestado ao Getafe e depois regressei
- O Lisandro sempre foi defesa central? – perguntou um dos miúdos
- No, comecei a jogar como avançado e por volta dos meus 12/13 anos o meu treinador explicou-me mais ao menos como se jogava como defesa e a partir daí sempre joguei como central
- Qual das duas posições preferes?
- Defesa sem dúvida, apesar de muitas vezes subir para ajudar a equipa
- Sempre viveste com os teus pais até vir para a Europa? – perguntou outro rapaz
- No, quando fui para Chacarita, fui viver sozinho para Buenos Aires
- E tu sabias cozinhar?
- Todos sabem fazer omeletes – rimo-nos – na verdade não sabia cozinhar mas tive que aprender senão passava fome
- E em relação à roupa?
- Juntava tudo e quando fosse a casa a minha mãe lavava, não queria correr o risco de estragar a roupa
- Na Argentina não há centros de treinos como o Seixal?
- No, só mesmo os grandes clubes é que têm mas nenhum tem uma infraestrutura como esta – ficaram todos espantados a olhar para nós mais alguma pergunta? Senão passo a palavra ao meu colega – apontei para o Nico enquanto todos acenavam que não
- Bem, obrigado mais uma vez por terem vindo – começou por dizer – ao contrário aqui do Lichi, estive um tempo sem jogar, o mister que me treinava não me colocava a jogar
- Esse treinador deve ser mesmo burro – comentou um dos miúdos e começamos a rir
- Era opção dele, não podia fazer nada só treinar e esperar que me deixasse jogar – fez uma pausa – por causa disto é que pensei em desistir do futebol
- Ainda bem que não o fizeste – disse o miúdo mais pequenito desta sala – mas já agora porque não desististe?
- Porque quando disse à minha mãe que o ia fazer, ela disse então tinha de continuar com os estudos e como eu não gostava de o fazer disse logo que continuava no futebol – rimo-nos – mas o conselho que vos quero dar é que continuem a estudar e que se apliquem na escola porque hoje em dia é muito importante. Estou arrependido por não ter prosseguido os estudos e dedicar-me só ao futebol.
- Sempre jogaste no Boca Juniors? – perguntou outro rapaz
- Sim sempre, desde chiquito até o Benfica me contratar
- Gostavas de lá voltar?
- Si, gostava de terminar lá a minha carreira se for possível é claro
- Como foi jogar com o teu ídolo? Como foi partilhar o balneário com o Riquelme? – voltou a perguntar o pequenito
- Foi a melhor sensação do mundo, tê-lo todos os dias ali a ensinar-me foi ótimo. Cresci imenso
- É verdade que em Junho vais embora?
- Não quero pensar nisso, estou aqui no Benfica, estou bem e quero ajudar a equipa a ganhar títulos, é isso que me interessa – pela reação dos miúdos, não era a resposta que queriam ouvir mas o futebol é mesmo assim hoje estamos aqui, amanhã podemos estar do outro lado do mundo – mais alguma questão?
- Tens namorada? – perguntou o rapaz mulatinho que estava na primeira fila e o Gaitán riu-se, aposto que não sabia o que responder. Se dizia a verdade sujeitava-se a mil perguntas (quem ela é? Onde a conheceu? Se apoia a carreira dele, etc) ou dizia que não e acabava o assunto por ali. Olhou para mim como quem diz “salva-me” e eu limitei-me a sorrir como incentivo.
- Sim, tenho namorada – o burburinho instalou-se na sala, o Rui Costa pediu silêncio para continuarmos. É a vez do Toto falar
- Boa tarde – disse ele
- Boa tarde – respondeu toda a sala
- Isto de me deixarem para o fim para falar não tem jeito nenhum – rimo-nos – é que o meu percurso foi mais facilitado que o deles. Quando comecei a jogar, em pequeno, foi nas escolinhas do Lanus e aí continuei até vir para a Europa. O clube era pertinho de casa, tinha a minha mãe para me fazer as refeições e lavar a roupa, e nunca tive problemas com o mister. Que mais vos posso dizer? – ficou a olhar em volta – se calhar o que me diferencia são as constantes lesões, ou partir o tornozelo ou braço ou romper o ligamento no joelho
- Como é que te sentiste quando foste campeão e não pudeste festejar com a equipa? – perguntou um rapazinho
- Foi um misto, estava muito feliz pela conquista, por ser a recompensa do nosso trabalho durante o ano todo, era aquilo que mais queríamos mas por outro lado estava muito triste porque sabia que não poderia ajudar a equipa nos últimos jogos, nas últimas finais que ainda iam ser disputadas. E as dores também não ajudaram nada
- Quando é que vão parar as lesões? – perguntaram
- Por mim não tinha mais nenhuma mas faz parte do nosso trabalho. Umas mais graves que outras mas faz parte, não conheço nenhum jogador que nunca tivesse uma única lesão. Às vezes chamamos lesão a simples queixas musculares mas para precaução ficamos um ou dois jogos sem jogar para não agravar nada e não termos uma paragem maior
- É pior ficar de fora por lesão ou ficar no banco?
- Lesão porque no banco ao menos sabemos que ainda há uma possibilidade de entrar e ajudar a equipa por lesão não há nenhuma – rimo-nos
- Salvio, como é ganhar uma liga europa? – perguntou outro rapaz
- É incrível! Nós, sul-americanos, sempre sonhamos vir para Europa jogar a Liga dos Campeões, sonhamos jogar nos melhores clubes do mundo ou jogar na Liga Europa que também é uma grande competição, muito competitiva e é um orgulho enorme erguer aquele troféu, foi a recompensa pelo nosso trabalho. Sabe sempre bem sermos campeões – sorrimos e as conversas paralelas começaram a surgir
- Alguém tem mais alguma pergunta? – perguntou o Rui Costa e todos acenaram que não – então quero agradecer aos três por terem vindo cá, na vossa folga, e contar um pouco da vossa experiência, da vossa história. Creio que foi enriquecedor para todos estes jovens ouvirem o vosso testemunho, para eles verem que nem sempre é fácil chegar a onde nós chegamos, que tem que haver muito trabalho, empenho e dedicação. Muito obrigado! – todos se levantaram, bateram palmas e nós agradecemos.
            Alguns miúdos foram saindo, outros vinham ter connosco para pedir foto ou autógrafo. Quando todos já tinham saído, despedimo-nos do Rui e fomos embora. No parque de estacionamento, eu e o Salvio agradecemos ao Nico pela ajuda neste desafio, foi bom para os rapazes terem vários pontos de vista. Depois de ele ir embora, nós combinamos que mais tarde ia ter a casa do Salvio para depois irmos jantar e cada um foi à sua vida. Antes de arrancar mandei mensagem à Carol

Para: Carolina
- Já terminou, continuo vivo :)

De: Carolina
- Ohhh que pena! Vou ter que te aturar por mais uns tempos…

- :(
- I’m joking :p correu bem?
- Sim acho que eles gostaram
- Isso é o que interessa! E agora vais jantar com o Salvio? Manda-lhe um beijinho meu
- Para ele há beijos para mim só piadinhas…
- Já sabes o que a casa gasta :p
- Fica lá com o Toto…
- Quero o meu amigo ;)
- Ahora olvide :p
- Olha tá bem, bom jantar!!!!
Ps: kiss for you
- mañana cenas conmigo?
ps: besito
- 18h30 em minha casa e só te deixo ir embora na sexta ;)
- Ok
            Na hora combinada estava em casa do Eduardo para o ir buscar, fomos jantar a um dos restaurantes ali na Margem Sul. Depois de nos sentarmos e pedirmos o que queríamos, tomei a iniciativa de falar do assunto pendente
- Antes de tudo, quero-te agradecer por teres aceitado jantar comigo para conversarmos
- No tens que agradecer, tínhamos que o fazer – respondeu ele
- Mas depois de tudo o que se passou podias não querer
- Claro que quero, sabes que a nossa amizade era importante para mim – sorri ao ouvir, significava que ele estava mesmo disposto a dar uma segunda oportunidade
- Para mim também e foi umas das razões que me levou a contar-te tudo
- Pois mas sabes que preferia que me tivesses dito logo de início e não esperares que terceiros descobrissem
- Sim, eu sei e peço desculpa por isso – olhei para o prato cabisbaixo
- Essa página já está virada agora temos que pensar no futuro – olhei para ele que sorria – não estou a dizer com isto que agora vamos ser os melhores amigos desta vida. Estou a dizer que neste momento vamos começar do início, isto é, falamos nos treinos, podemos ir sair de vez enquando como faço com o Nico, jogamos umas partidas de play. Vamos vendo como as coisas correm, vamos deixar o tempo falar por si
- Si, es lo mejor
- Não peças para confiar em ti, porque neste momento eu não consigo. É tudo muito cedo para tal
- Si, yo entendo e não ia pedir nada disso, vou te dar o teu espaço e vou tentar reconquistar a tua confiança
- Obrigado por compreenderes e aceitares
- Oh no es nada, tú hacias lo mismo por eso – o empregado veio com a comida e fomos conversando.
            Falamos sobre a palestra, sobre como estavam as coisas com a Magali, ele só me disse que já tinham feito as pazes, e falamos sobre futebol, o Benfica e o campeonato Argentino.
- Afinal o que é que tu e a Carolina têm um com o outro? – perguntou-me
- Somos só amigos
- Vais-me dizer que vocês ainda não se envolveram? As faíscas saltam quando se olham – soltei uma gargalhada
- Nooo porque estaria a mentir
- E ainda me dizes que são só amigos?
- E somos pero temos algo especial apesar de não sentirmos nada mais do que uma bonita amizade. Aproveitamos que estamos os dois solteiros para nos divertirmos – ele riu-se
- Desde que não se magoem com isso no final
- Si, nós combinamos que mal achemos que os sentimentos estão a mudar ou apareça alguém na nossa vida, que falamos
- Fazem bem – falamos mais um pouco, paguei a conta, levei-o a casa e depois fui para minha para descansar que amanhã é dia de mais um treino.

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(Carolina)
           
            O dia hoje no trabalho passou a correr, já não me lembrava de ter um dia assim que entrava e que passado “dois minutos” estava a sair. Como tinha um tempinho até o Licha chegar a minha casa liguei à Magda.
- Alô
- Oi tudo bem? – perguntou ela
- Tudo bem e contigo?
- Tirando que já não me lembro de ter uma conversa decente com o Osvaldo, está tudo bem
- Hein? Explica-te
- As nossas conversas ultimamente têm sido “Olá tudo bem? Tudo e contigo? Como correu o dia? Bem e o teu? Também. Ainda bem, vou dormir. Boa noite”
- O homem está parvo?
- Eu compreendo a parte dele, são os jogos, são os treinos, foi aquela palestra. Deve à noite querer dormir para descansar
- E durante a tarde não sabe mandar mensagem?
- Aí estou em aulas e sabes que raramente estou com o telemóvel
- A mesma de sempre
- Fico um bocado triste por não conseguir falar mais tempo com ele, mas entendo a parte dele e respeito isso
- Têm que arranjar um meio-termo e falarem tipo às 6/7 horas
- Sim, eu ia-lhe ligar agora se a senhorita não me tivesse ligado
- Ei agora a culpa é minha? Xau ai
- Estou a brincar contigo
- Pois pois
- Olha e novidades?
- O estúpido vem cá hoje para me contar como correu o jantar ontem
- Vou acreditar que seja só por isso
- Já não pode vir visitar a sua querida amiga?
- Pode e deve mas tenham juízo
- Já sabes que sim
- Depois quero saber tudo, se eles se entenderam ou se voltaram a discutir
- Até os mato se não fizeram as pazes
- Ahahahah quero ver isso
- Não duvides, fecho-os num quarto sem água, sem comida, sem nada até se entenderem
- Ia ser bonito de ver
- Depois não me perdoariam
- Pensa noutra solução – a campainha tocou
- O cromo chegou – levantei-me para ir abrir a porta de lá debaixo
- Vai lá que vou tentar apanhar o outro para falar
- ok ok. Hasta
- Até amanhã – desliguei, abri a porta de casa e lá estava aquele metro e oitenta e oito sexy a minha frente.
Não resisti, puxei-o pela camisola para junto de mim e beijei-o, ele retribuiu, colocou as mãos na minha cintura. Os beijos iam-se intensificando à medida que íamos caminhando para dentro de casa, sem me afastar muito, fechei a porta e voltei a beijá-lo. A tensão entre nós era enorme, o ambiente era caliente! Delicadamente ele começou-me a tirar a camisola entre beijos e carícias, depois tirei a dele e assim que ficou de tronco nu, petrifiquei ao apreciar aqueles abdominais. Aquilo sim, hipnotiza qualquer uma! Percorri com a minha mão cada centímetro da barriga dele, olhei para ele que sorria, beijei-o suavemente, com uma mão juntou-me a ele e com outra colocou o cabelo atrás da orelha, começou-me a beijar o pescoço, a orelha, a bochecha, o nariz até que quando chegou aos lábios deixamos todo o desejo, toda aquela química, toda aquela atração entre nós falar mais altos, foram beijos sucessivos, cada vez mais intensos, cada vez mais escaldantes. Fomos entre beijos, amassos, carícias até à cama, deitou-me sobre ela, tirou as calças e deitou-se sobre mim. Apesar de o desejo ser imenso, as hormonas já estarem todas descontroladas, estava na altura certa de colocar a minha vingança em prática, consegui mudar as nossas posições e ficar por cima dele. Dei-lhe um beijo leve nos lábios
- Isto foi só para abrir o apetite – saí de cima dele
- Ah?
- A vingança é um prato que se serve frio meu caro – fiz-lhe uma careta
- A sério? Isto não se faz
- Temos pena – atirei-lhe a t-shirt que estava no chão enquanto ele vestia as calças, vesti a minha camisola e sentei-me no sofá colocando os pés em cima
- Isto foi vingança de quê? – perguntou enquanto se sentava ao meu lado
- Da última vez que estiveste aqui e eu pensei que me ias beijar mas deixaste-me na mão
- Já não me lembrava disso
- Mas eu lembro-me muito bem
- Não era para ficares tão chateada, era só uma brincadeira
- Isto também foi uma brincadeira – fiz-lhe uma careta, ele puxou-me pelas pernas para junto dele, agarrou-me a cara com uma mão
- Tu irritas-me miúda – deu-me um beijo nos lábios e eu soltei uma gargalhada – estás-te a rir? – acenei que sim e ele começou a fazer-me cócegas
- É tão divertido brincar contigo
- Eu digo-te o divertido
- Sabes o que é divertido?
- O quê?
- Vires-me ajudar a fazer o jantar – levantei-me, puxei-o por uma mão e fomos para a cozinha.

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(Magda)

            Depois de falar com a minha amiga e ir arrumar umas coisas, sentei-me no sofá com o portátil e mandei mensagem ao Nico

Para: Nico
- Vai ao skype :p

            Nem passados dois minutos estava-me a ligar, coloquei os fones e atendi
- Bons olhos o vejam
- Pérdon chinita, pero esta semana está a ser de doidos
- Muito trabalho?
- Sim, esta altura do ano é o caos. Jogos atrás de jogos, treinos todos os dias e para ajudar foi a palestra de ontem na minha tarde livre
- Como correu?
- Correu bem, estava com algum receio de falar para muita gente mas depois o discurso fluiu
- Fizeram-te muitas perguntas?
- Sim e algumas é que eram escusadas
- Ui o que perguntaram?
- Se eu tinha namorada
- Que respondeste?
- O que achas?
- Que não, como é óbvio
- Achas mesmo isso?
- Não, estou a brincar. Mas disseste que tinhas?
- Sim, não disse mentira nenhuma
- E não choveram perguntas? Quem é sortuda? – fiz-lhe uma careta
- Noooo – riu-se - nenhuma pergunta, o que me surpreendeu
- Também estavas ali para falar da tua vida profissional não da pessoal
- Exato. E tu como andas? Como vai a faculdade?
- Vai bem, ontem tive um jantar com os meus colegas de curso
- Foi divertido? Gostaste?
- Sim, foi mais divertido que estava à espera. Como foram algumas pessoas que não conhecia tinha receio que ficasse um ambiente constrangedor mas não, demo-nos todos bem e rimos bastante
- Ainda bem, assim sempre te distrais das aulas chatas
- Sim e tenho a oportunidade de conhecer pessoas novas
- Olha para a semana vou aí a cima
- Fico à sua espera, tenho saudades tuas!
- Terça ou quarta estamos juntos, ok?
- Ok... – “ok?? até parece que não tem saudades” pensei
- Olha vou jantar para depois jogar um pouco e ir dormir
- Está bem, porta-te bem
- Tu também, beijinho
- Xau – desliguei, fiquei pelo pc até à hora do jantar, a cuscar as redes sociais e a preparar algumas coisas para os escuteiros.

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(Carolina)

            Enquanto jantamos, o Lichi contou-me como tinha corrido bem o jantar com o Salvio, que se tinham entendido, que para já não iam ficar amigos como antes mas iriam construir a amizade. Fiquei super feliz ao saber disso, finalmente as coisas começavam a correr bem e a endireitar-se. Quando terminamos, arrumamos tudo e depois sentamo-nos no sofá a ver tv. Pus-me a fazer zapping para ver o que estava a dar de interessante, parei no canal Hollywood, reconheci o filme e comecei a rir.
- Estás-te a rir de quê? – perguntou ele
- Não sabes que filme é este?
- No
- OMD, é o “Amigos Coloridos” nunca viste? – ele acenou com a cabeça negativamente – então vamos vê-lo – puxei o filme atrás e ficamos a ver
             Depois da primeira cena em que o casal principal se envolve, o Lisandro coloca o braço direito à volta dos meus ombros e puxa-me para junto dele. Olhei para ele, ele sorriu e deu-me um beijo na testa, e eu encostei a cabeça no ombro dele.
- No final do filme fazes as pazes comigo? – olhei para ele que me sorria atrevidamente
- Vou pensar no teu caso – deitei a cabeça no colo e coloquei as pernas em cima do sofá.
- Então vai para o chão – empurrou-me e antes que desse com o cu no chão, agarrei-me a ele e ele veio junto comigo. Caiu em cima de mim, estávamos olhos nos olhos e as faíscas já eram imensas, no segundo a seguir a minha respiração foi travada por um beijo dele que gerou outro beijo, e outros cada vez mais intensos. Até que fomos parar à cama, deixamos que o desejo entre nós falasse mais alto e acabamos por adormecer quando o cansaço era grande.
- Carolina? – chamava-me calmamente o Licha, abri um olho e já haviam demasiados raios de sol na casa. Virei-me para ele que continuava em tronco nu e sorri automaticamente ao ver aquele corpinho logo de manhã – tens que acordar, já são oito e um quarto – ao ouvir aquilo saltei
. São o quê? – peguei no telemóvel e marcava 8h15 – não me acordaste mais cedo porquê? Tenho que ir trabalhar – levantei-me ainda meia desorientada
- Só acordei agora, nenhum de nós meteu despertador
- Txiii pois foi e agora tenho que ser super rápida
- Vai tomar banho, enquanto preparo algo para comeres
- Obrigada – peguei em algo para vestir e fui para a casa de banho.
            Tomei um duche, vesti-me, tomei o pequeno-almoço, e depois de ter tudo pronto o Lisandro deixou-me no Colombo para não chegar tarde, apesar de não ser muito longe de casa. Despedi-me dele e fui trabalhar. Mais uma vez o dia passou a correr para minha felicidade , quando chegou a minha hora, fui ao balneário trocar de roupa e fui direta apanhar a camioneta para o Porto.

            

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