terça-feira, 1 de dezembro de 2015

33º Capitulo - Posso falar contigo?

(Magda)

Como era um pouco cedo para jantar quando chegamos a casa do Nico, sentei-me no sofá a ver televisão, ele foi arrumar umas coisas e vestir algo mais confortável
- Também queres trocar de roupa? – perguntou ele
- Só se me emprestares os teus calções do Benfica – respondi na brincadeira
- Já vou buscar – virou costas
- Estou a brincar, não é preciso
- Agora vou buscar na mesma – foi ao quarto e voltou com os calções vermelhos na mão – toma
- Não era preciso mas pronto – fui à casa de banho – que tal estou?
- Quase pronta para entrar em campo
- Ia fazer melhor figura que muitos profissionais que aí andam
- Ui estou para ver isso
- Estás a desafiar-me?
- Si
- Então depois marcamos um joguinho para tu veres os meus dotes
- Fico à espera
- Mas agora a sério, como me ficam os calções? Gigantes?
- Um pouco mas continuas linda
- Tão simpático este rapaz - sentei-me ao lado dele
- Depois do jantar que queres fazer?
- Podes escolher que eu deixo
- Certeza?
- Claro que sim
- Então vamos jogar FIFA – fez-me uma careta
- Mas eu não sei jogar
- Eu ensino-te
- Ohhh assim vais ganhar sempre
- Eu deixo-te ganhar uma vez, vá
- Não preciso da tua boa vontade, eu safo-me sozinha – cruzei os braços como forma de amuo, ele agarrou-se a mim e começou a dar-me beijinhos. Passado um pouco, não resisti e sorri.
            Ficamos mais algum tempo ali pois estava a dar o episódio de um série que eu gosto imenso “Suburgatory”, basicamente é sobre a vida de uma rapariga que se muda com o pai para os subúrbios de Nova York, onde as pessoas dão imensa importância ao superficial e onde toda a gente parece ter vindo da mesma “fábrica” de tão idênticos que são. É muito divertida e adoro os comentários irónicos da Tessa (protagonista). Quando acabou fomos fazer o jantar, comemos, arrumamos a cozinha e fomos para a sala para jogar. Ele montou a playstation, explicou-me como aquilo se jogava, qual era o botão para correr, passar, chutar, fintar, e quando finalmente atinei, fomos jogar. Ele escolheu o Benfica e eu o Porto
- Olha o Herrera – disse quando consegui roubar-lhe a bola
- Conheces?
- Claro que sim, ele joga mesmo bem.
- Hmmm
- Olha para isto, já viste ele a fintar? É o melhor
- Pensei que eu é que era o teu jogador preferido
- E és mas temos que admitir que ele é bom
- Não disse que não
- Isso é tudo ciúmes?
- Nooo
- Disfarça agora
- E vai o quinto golo? – olhei para ele – gooooooolllllllllll
- Porra, assim não vale. Tu dominas isto
- Levaste uma abada
- Estou a jogar com o Porto estavas a espera do quê? – fiz-lhe uma careta e ele soltou uma gargalhada
- Adoro esse teu “amor” pelo Porto
- Amor? Eu não gosto deles e nunca vou gostar!
- Eu sinto o mesmo pelo River
- O eterno rival do Boca, né?
- Siii – apanhei-o distraído
- Golooooooo! Toma lá
- O golo de honra
- Já estou uma expert nisto – rimo-nos e continuamos a jogar.
            Antes de desligarmos para irmos dormir, pedi-lhe para tirarmos uma foto e postei no instagram

“Euzinha levando uma coça xD”

- Tens a certeza que não te importas de dormir comigo? – perguntou ele quando se ia deitar ao meu lado na cama
- Já te disse que não
- Ok só não quero que te sintas mal
- Se me sentisse desconfortável dizia – encostei-me a ele e pousei a cabeça no seu peito – e no final de contas já dormi com outros rapazes
- Ahhh? Isso quer dizer que tu já não és … – olhou para mim
- Não sou o quê?
- Virgem
- Porquê? Até parece que tu és? - fiquei a olhar muito séria para ele, mas nao consegui aguentar muito tempo e desmanchei-me a rir ao ver a sua cara de incredulidade - eu sou virgem mas nos escuteiros já partilhei a tenda com rapazes e não houve qualquer problema.
- Ok, agora entendi. Sobre a tua pergunta… - interrompi-o
- Nico, eu não estou à espera que ainda sejas virgem e sobre o teu passado não te vou estar a fazer perguntas, tu quando quiseres falar e se achares que queres partilhar, então estarei aqui para te ouvir.
- Sabes que te adoro, chinita?
- Claro que sim – disse assertivamente
- Convencida - com calma colocou o seu braço a minha volta, ficando com as minhas costas junto a ele e demos as mãos –  diz-me e assim já dormiste?
- Assim será a primeira vez – deu-me um beijo na bochecha, eu sorri, ficamos a conversar mais um pouco até eu adormecer

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(Carolina)

            Quando cheguei a casa a primeira coisa que fiz foi ir ao frigorífico ver se tinha alguma coisa para o jantar.
- Bolas – fechei a porta do frigorífico
- Que foi? – perguntou o Licha
- Estamos com um pequeno problema, não fui às compras ontem e não há nada para comer
- Encomenda-se comida
- Não me apetece pizza
- Ninguém falou em pizza
- Então?
- Conheço um restaurante chinês que leva a casa
- Achas que vou comer comida chinesa? Comer perninhas de rã? Que nojo! – ele riu-se
- Eu nunca comi isso e já fui lá várias vezes. Confias em mim?
- Não sei
- Anda lá, vais gostar
- Ok pede lá mas ai de ti que depois tenha que pedir uma pizza
- Não vais ter que o fazer. Dá-me só a morada para depois dizer ao senhor – apontei num papel, ele ligou, fez a encomenda, enquanto esperamos pusemos a mesa e vimos tv.
            Passado um pouco, mais de meia hora, os senhores vieram entregar a comida, eu paguei e fomos para a mesa.
- O que é me vais dar para comer? – perguntei eu ao olhar para aquilo
- Pedi arroz chinês, frango frito com amêndoas e frango com molho de laranja
- Arroz xauxau – ele riu-se – mas os chineses comem frango na terra deles?
- Comem trenga, são pessoas normais como nós
- I know, vamos lá provar isto – gostei imenso do frango frito, o resto também era bom mas o frango com as amêndoas estava delicioso
- Estou a ver que gostaste
- Tenho que admitir que não é assim tão mau como achava
- Vês eu disse-te
- Tinhas razão, sim senhora agora, como prémio vais lavar a louça – bati palmas
- Eiiii isso não é justo, eu sou o convidado
- Na minha terra os convidados ajudam
- Não me convides mais para vir a tua casa, então
- Vais morrer por lavar uns pratinhos? – acenou que sim – és mesmo rapaz, morre por fazer alguma coisa – levantei-me – vou lavar isto senão ninguém o faz
- Estava a brincar, eu lavo
- Agora não quero – peguei nos pratos, pousei na banca e quando me virei ele pegou em mim pela cintura e sentou-me na mesa
- Ficas aqui enquanto lavo a louça e não vale reclamar – deu-me um beijo na testa
- Já te disse que és um estúpido?
- Hoje ainda não – fez-me uma careta e começou a lavar a louça enquanto conversávamos.
            Depois de ele terminar, sentamo-nos no sofá para escolher um filme para ver, enquanto isso ele pegou no HappyMeal e pôs-se a brincar com ele, fez-lhe festas até que o coelho decidiu fazer xixi em cima dele e eu só me ri
- Não te rias não tem piada nenhuma, ainda por cima não tenho outra camisola para vestir – ele levantou-se pousando o Happy no chão
- Tudo se arranja, tira essa para eu lavar e amanhã já a podes vestir – ele tirou-a
- Isto foi um pretexto para me veres de tronco nu? – perguntou ele agarrando-me pela cintura
- Se eu quisesse já a tinha tirado – empurrei-o
- Isso é que é confiança
- Estou enganada? – olhei para ele que se preparava para me agarrar novamente – ficas aí no sofázinho a escolher o raio do filme para vermos enquanto lavo isto – primeiro fui lhe buscar uma t-shirt para ele vestir, depois fui lavar a dele e quando voltei a sentar-me ele já tinha escolhido o filme – a sério que escolheste este filme?
- Não gostas?
- Eu adoro, já vi imensas vezes apesar de achar algumas coisas absurdas
- Também gosto bastante, então quando Angelina Jolie aparece nua
- Ela é bem sexy e aquela tatuagem nas costas mata-me
- Isso é bom ou mau?
- Bom, adoro a tatuagem dela, acho que lhe dá um toque mesmo sensual
- Ahhh vamos masé ver o filme – liguei o portátil à tv, fui buscar uma manta para nos tapar, pois estava frio, encostei-me a ele e coloquei o filme “Wanted” a dar.
            Durante o filme fomos comentando o que mais gostávamos e menos, basicamente achávamos os dois o mesmo que alguns efeitos estavam exagerados e mal feitos. Quando o filme acabou, arrumamos tudo e fomos para cama.
- Estás a vestir o pijama para me dares trabalho a tirá-lo? – perguntou ele
- Hoje ninguém vai ficar despido nesta casa
- Ohhhh
- Oh nada, combinamos que hoje ficavas cá só para me fazeres companhia – ele aproximou-se – como amigo não inventes
- Eu sei, estou a pegar contigo toto – deitamo-nos na cama
- Espero que os outros dois aproveitem bem
- Nem acredito que planeaste isto tudo só para eles passarem mais tempo juntos
- Eles merecem e ela amanhã já vai embora por isso
- És mesmo boa amiga – puxou-me para junto dele, pousei a cabeça na barriga dele e enquanto ele me fazia festas na cabeça, eu dava uma vista de olhos nas redes sociais
- Olha para esta foto – mostrei-lhe a foto da minha amiga – ele já a despiu e tudo – rimo-nos
- Mas ele está muito vestido
- Pois deve estar com frio como sempre – peguei a deixa e comentei a foto “e ele sempre com frio xD”
- És demais
- I know i know mas vamos dormir que eu já tenho sono
- A señorita é que manda – ficamos em conchinha e pouco depois adormeci
            Acordei com o meu telemóvel a tocar, era a minha amiga a perguntar se já estávamos acordados porque daqui a 45 minutos ia passar para nos buscar. Olhei para as horas e já passava das dez e o outro continuava a dormir tranquilamente, levantei-me devagar para ele não dar fé, preparei umas torradas e café com leite, coloquei tudo num tabuleiro. Pousei-o no chão e saltei para cima dele.
- Lisandro Ezequiel, está na hora do senhor acordar! – ele abriu um olho mas imediatamente voltou a fechar, tapou-se e eu destapei – anda lá, aqui a tua amiga preparou o pequeno-almoço para o menino e tudo – olhou para mim e num piscar de olhos as nossas posições mudaram. Eu deitada na cama, ele por cima de mim fazendo-me cócegas até eu não aguentar mais, depois prendeu-me os braços contra a cama com as suas mãos de maneira a não conseguir tirar. Começou a dar-me beijos no pescoço, pequenas mordidelas que faziam cócegas e parou a olhar para mim, parecia que estávamos a jogar ao jogo do “sério”. Ele começou a aproximar os lábios dos meus mantendo sempre o olhar fixo, aquele olhar sedutor, intenso, desafiador. Se ele soubesse a vontade que eu tinha de o beijar, de o agarrar, de me perder naqueles abdominais, de deixar o “amiga” de lado, acho que não se punha com estes joguinhos.
- Pronto, a minha vingança terminou – ao ouvir aquilo pensei “mas o gajo está a brincar comigo? Está a testar o meu limite? Ai que estúpido!!! Ele vai ver o que é bom para a tosse”. Ele saiu de cima de mim, sentei-me, ele pegou no tabuleiro, colocou-o em cima da cama, deu-me uma caneca e ficou com outra. Disse-lhe que a Magda tinha ligado a avisar que nos ia buscar, combinamos que enquanto eu ia tomar banho e arranjar-me ele ia arrumar as coisas assim não perdíamos muito tempo.
            O casal chegou à hora prevista, entraram em minha casa para ela tomar banho e trocar de roupa e depois fomos a casa do Licha para ele fazer o mesmo. Hoje íamos todos almoçar a casa do Maxi, almoço de Páscoa entre amigos. A Magda estava um bocado receosa de ir por causa da última conversa com a Anna não ter corrido da melhor maneira, não queria que ela começasse com o mesmo discurso, uma vez que iam lá estar os dois. Eu aconselhei-a a ter calma e deixar as coisas rolarem, para aproveitar bem o tempo para estar com o Nico e brincar com as crianças que pelo que contou adoraram-na. Quando lá chegamos quem nos abriu a porta foram o Maxi e Anna e imediatamente vieram os filhos a correr, os rapazes agarram-se ao Gaitán e a Belém abraçou a minha amiga. Fizeram-se as apresentações pois eles não me conheciam nem eu a eles, o Tiago agarrou-me na mão
- Vem brincar connosco, o tio Salvio está lá fora à nossa espera – mal ouvi isto, olhei para o Lisandro que estava um pouco desnorteado e sussurrei-lhe
- Se quiseres ir embora, vou contigo – os pombinhos como sabiam da situação
- Vamos lá brincar – disse o Gaitán piscando-nos o olho – eles já lá vão ter
- Não demorem muito para começarmos o jogo, tá bem? – perguntou o Tiago
- Dois minutos e estou lá fora – respondi e eles foram – Lisandro queres ir embora?
- Nooo, não vou fugir. Já somos adultos e temos que saber lidar com esta situação, temos amigos em comum e não podemos deixar de estar com eles por causa disto – abracei-o
- É assim mesmo, meu amigo! – ele abraçou-me com força – tamu juntos – olhei para ele piscando o olho, ele sorriu
- Obrigada por estares sempre aqui, és mesmo incrível – deu-me um beijo na bochecha – gracias bombona, gosto muito de ti
- Já te disse que és um estúpido muito fofo? – ele soltou uma gargalhada
- Siii, todos los dias – rimo-nos e fomos ter com os outros ao jardim.
            Quando o vi, congelei, não sabia o que esperar daquele encontro, podia correr tudo bem ou tudo muito mal. Vou rezar para que ambos sejam adultos e não se passem. Respirei fundo, sorri e fui cumprimentá-lo, logo atrás de mim veio o Licha. Estavam frente a frente pela primeira vez fora do local de trabalho, olharam-se e após algum silêncio cumprimentaram-se com um aperto de mão e eu pude respirar de alívio.
- Então quais são as equipas? – perguntei eu
- Tu, a tia e a Belém contra nós rapazes – respondeu o Tiago
- Assim não é justo
- É o que estou a tentar dizer – repostou a Magda
- O tio Licha joga convosco – disse o puto
- Na, nada disso. Ficamos com o Nico
- Ok mas a bola começa nossa – pegou na bola e começou o jogo
            O jogo correu bem, foi super divertido, os gémeos estão sempre a fazer palhaçadas, todos estavam descontraídos, até os rapazes estavam a dar-se bem e isso deixo-me feliz, ver os meus dois “meninos” bem foi tão agradável, senti que a amizade deles podia voltar ao normal, senti que eles por momentos tinham esquecido tudo e eram aqueles amigos de antes. Mas nem tudo foi bom porque quem ganhou o jogo foi os rapazes depois de tanta batotice, e eu nem a feijões gosto de perder. Todas nós estávamos chateadas, então combinamos que íamos ter com a Anna à cozinha para ajudá-la no que fosse preciso e eles que ficassem sozinhos. Estava a passar a porta quando ouço
- Carolina? Posso falar contigo? – olhei para trás, era o Toto e voltei olhar para a Magda
- Fala com ele – sussurrou-me – vamos Belém – seguiram e eu sentei-me nas cadeiras que tinha junto à porta, com ele
- Precisa de alguma coisa? – perguntei-lhe
- Primeiro trata-me por tu e segundo só queria falar contigo porque o Nico contou-me o que fizeste por mim – engoli a seco e pensei “que raio o Osvaldo lhe foi dizer? Ele nem sequer me disse que falou com o Salvio! Ai onde ele me meteu, respira fundo”
- O que é que ele te disse?
- Disse que tu te chateaste com o Lisandro por minha causa, que insiste com ele para me contares a verdade – olhou para mim, eu estava super envergonhada – eu queria agradecer-te por isso, por quereres ajudar.
- Não tens que agradecer, eu na verdade não ajudei em nada pelo contrário – olhei para o chão – eu estraguei a vossa amizade, eu estraguei o teu casamento, eu estraguei tudo – não consegui controlar e as lágrimas começaram a cair – desculpa por ser tão teimosa, por eu achar que o mais correto seja a verdade, por eu ser uma intrometida, por eu me preocupar de mais com os outros, por eu ser uma grande estúpida e estragar a tua vida. Desculpa-me por favor! – eu não conseguia parar de chorar, este assunto mexe demasiado comigo e ele agarrou-me a mão para me tentar acalmar
- Carol … - não o deixei terminar
- Por favor deixa-me acabar – tentei acalmar-me – se havia pessoa que eu não queria que saísse magoada eras tu, eu só queria que tu soubesses de tudo, que fossem honestos contigo: tu mereces isso! És um grande jogador, um pai maravilhoso, um marido exemplar, um bom filho, excelente irmão, és um amigo espetacular, és um exemplo para todos, és um exemplo para mim todos os santos dias, não tens noção do orgulho que tenho em ti e eu só fiz asneiras, estraguei a tua vida! Não me perdoo por isso! – coloquei as mãos à frente da cara e desatei a chorar, só queria desaparecer dali
- Tu não fizeste nada de mal, não tens que pedir desculpa por nada! Eu no teu lugar fazia exatamente o mesmo, agiria igual porque eu preservo muito a lealdade e honestidade – fez uma pausa e por momentos as lágrimas pararam – e foi isso mesmo que tu exigiste, por isso é que te queria agradecer – não sei onde arranjei forças para sacar um sorriso, aquelas palavras valiam ouro para mim – não tens que te sentir culpada de nada – olhou para mim e sorriu – e se ficas mais descansada eu e a Magali já conversamos e estamos bem apesar de ela continuar em Madrid
- A sério? – ele acenou que sim e com o instinto abracei-o, não havia noticia melhor para me animar, foi tão bom ouvir que eles se entenderam, que o casamento não está em risco, que a família Salvio-Aravena não ia terminar. Quando caí em mim, soltei-o – desculpa não devia ter feito isto – ele sorriu
- Até que soube bem – rimo-nos
- E sobre o vosso castigo, já trataram de alguma coisa?
- No
- Quando têm que apresentar isso aos mais novos?
- Quarta mas ainda não falamos
- Acho que está na altura – com o olhar apontei na direção do Licha que estava sentado no jardim a brincar com o Tomás
- Achas boa ideia?
- Senão tentares não saberás – pisquei-lhe o olho, ele sorriu e levantou-se mas quando se dirigia na direção dele aparece a Belém
- O almoço está pronto, vamos para a mesa – gritou ela, ele olhou para mim e nós rimo-nos
- Tio, estás a rir do quê? – perguntou o Tiago
- A Carolina contou uma piada
- Quero ouvir, eu gosto de piadas – soltei uma gargalhada, o puto é mesmo engraçado
- Numa feira em Lisboa, há um bicho muito feio que anda sempre com um leitãozinho, um porquinho pequenino sabes? – ele acenou que sim, eu peguei nele coloquei-o no ombro e comecei a dizer – olha um leitãozinho, alguém quer comprar um leitãozinho – enquanto lhe fazia cócegas – ele é tão saboroso e dá um bom presuntinho – ele ria-se, quando estávamos na sala pousei-o no chão – toca a ir lavar as mãos leitãozinho – dei-lhe uma palmada no rabo e ele foi num pé e voltou noutro. Sentamo-nos pela seguinte disposição.


- Como correu o trabalho na sexta, Carol? – perguntou-me a Anna
- Mas ela está de férias desde quarta – disse o Lisandro e imediatamente dei-lhe uma cotovelada para se calar – auuu
- Tá calado estúpido – disse-lhe entre dentes
- Mas tiveste de férias ou a trabalhar? – perguntou a mulher do Maxi e olhei para a minha amiga para me ajudar
- Estive em casa quarta e quinta, na sexta trabalhei de manhã e de tarde fiquei em casa
- Assim fomos passear e aproveitamos, como só fico cá até ao fim do dia de hoje - disse a Magda
- Fazem bem aproveitar o pouco tempo juntas – disse a Anna, eu só pensava “ufa safei-me desta mas o Licha vai-me ouvir” – gostaram do jantar?
- Sim, estava tudo ótimo e todas eram bastante simpáticas – respondeu a Magda
- Estava tudo delicioso e a decoração fantástica como já tinha dito no jantar mas houve algumas das esposas e namoradas que me surpreenderam
- A sério? Mas pela positiva ou negativa? – perguntou a Anna
- Positivamente, por exemplo sempre achei a Susana um pouco arrogante e foi das que mais gostei de falar, ela e a Karina. A mulher do Artur é mesmo simpática, divertida e querida.
- Karina é um amor de pessoa
- A Gabriela também é muito afável e nunca fui muito à bola com ela – disse a minha amiga e continuamos a conversar enquanto almoçávamos.

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(Nico)

            Estávamos na sobremesa quando senti o meu telemóvel a tocar, tirei do bolso para ver o que era, poderia ser algo da minha família. Era uma notificação de mensagem no whatsapp, abri e tinha a seguinte mensagem

De: Rocio
- Este es un momento en el que todos debemos recordar cosas tan importantes como la amistad, la humildad, la bondad y hermandad. Cosas como la familia o los amigos, merecen que se celebre en todo momento, ya que es importante recordar que la Pascua es más que la fe en la palabra de Dios y en la resurrección de Jesús. Celebre la bondad, el amor y la humildad en todo momento de esta Pascua que tienen para ofrecer. Pascua es sinónimo de renacimiento, renovación, y es el momento más propicio para reflexionar y hacer resucitar los sentimientos más nobles. favoreciendo un cambio de actitud que vá de encuentro de un mundo mejor. ¡Feliz Pascua! Beso enorme :)

            Depois de ler esta mensagem fixei perplexo, não estava nada à espera de receber isto, fiquei mesmo sem saber o que fazer, o que dizer.
- Está tudo bem? – perguntou-me a Magda
- Ah… - olhei para ela – si si
- Certeza? Ficaste muito estranho depois que o telemóvel tocou
- Mas está tudo bem a sério – sorri para tentar disfarçar e dei-lhe um beijo na testa
- Espero bem que sim – sorriu e continuei a conversar com os rapazes.
            Passado algum tempo as meninas levantaram e começaram a levar a louça para a cozinha e nós ajudamos para ser mais rápido. Eu, Maxi, Toto e Licha sentamo-nos na mesa a conversar enquanto as meninas e as crianças foram para o sofá. Aproveitei que os outros dois rapazes estavam a conversar e a entenderem-se, dei sinal ao Maxi e fomos para o jardim falar.
- O que se passa Zurdo? – perguntou ele – e não digas nada
- Isto – dei-lhe o telemóvel para a mão e ele leu a mensagem
- O que tem? É só uma mensagem
- Só uma mensagem? É uma mensagem da Rocio, que há mais de um ano que não me manda nada! Mais de um ano em silêncio e depois manda-me esta mensagem? Joder!! – meti as mãos à cabeça – não sei o que pensar, não sei o que dizer, se hei de responder ou não. Ela bloqueou-me o cérebro, Maxi!
- Calma, Nico! É só uma mensagem de “¡Feliz Pascua!” não há mal nenhum, agradeces e desejas boa pascoa para ela também, simples.
- Simples? Tu sabes perfeitamente o quanto sofri por ela, o quanto eu amei aquela rapariga, o quanto me dediquei a essa relação e do dia para a noite ela deixa-me como se tivesse sido uma coisa de uma noite só!
- Eu sei mas isso faz parte do passado e agora estás muito bem com a Magda, não estás?
- Estou muito feliz com ela e cada vez gosto mais dela
- Então pronto agarra-te a isso – sorri - Posso fazer uma pergunta?
- Si
- Já contaste esta história à Magda?
- No
- Estás a espera do quê?
- Do momento certo
- Momento certo é agora enquanto se estão a conhecer, no início para ganharem confiança e fortalecerem a relação. E ela precisa saber o que já sofreste para nem sequer pensar em fazer o mesmo
- Yo sé mas ainda não me sinto confortável
- Não adies muito mais, ainda corres o risco de ela saber por terceiros e isso vai ser mau
- Gracias por me ayudares sempre
- Não tens que agradecer, já sabes que estou aqui para te ajudar – apertamos as mãos – e agora responde a essa tipa para ela ver que és indiferente ao que se passou, que és superior – peguei no telemóvel

Para: Rocio
- ¡Feliz Pascua!

            Guardei o telefone, fomos para dentro, o Lisandro e Salvio continuavam a conversar civilizadamente o que me agradava imenso, sinal que se tinham entendido, as meninas continuavam a brincar com os miúdos.
- Resolveram tudo? – perguntei aos rapazes pousando a mão em cima do ombro do Licha
- Acho que sim, pelo menos o nosso castigo já está tratado
- Os miúdos vão adorar, olha tu podias aparecer que dizes? – perguntou-me o Toto
- Para falar? – acenaram que sim – dizer o quê?
- Falavas do teu percurso para chegar à primeira liga na Argentina, tu tiveste muito tempo sem jogar em miúdo, não é verdade?
- Si, 6/7 anos
- Perfeito, assim são três visões diferentes, três percursos distintos. Que achas Licha?
- Acho muito bem – respondeu ele
- Perfeito, quarta contamos contigo – levantou-se – Maxi e Anna, muito obrigada pelo almoço e por me receberem em vossa casa mas tenho que ir, vou buscar o Eze ao aeroporto que vem passar cá uns dias
- Já sabes que és sempre bem-vindo, tu e a tua família – disse a Anna cumprimentando-o – para a próxima juntamos toda a gente
- Combinado mas desta vez é lá em casa – respondeu ele, despediu-se de todos e dirigiu-se para a porta mas voltou para trás – Carol? – ela olhou – depois mando pelo Lisandro dois bilhetes para o próximo jogo na Luz, faço questão que estejas lá – piscou-lhe o olho e nem a deixou responder virou costas, ela levantou-se, foi a correr até ele
- Espera – gritou ela, ele olhou para trás e ela abraçou-o - Obrigada, obrigada, obrigada Salvio!
- De nada – sorriu e foi embora
- Alguém ganhou o dia – disse a Magda
- Não sabes o quanto
- Não está na altura de irmos? – perguntei – alguém tem que fazer a mala e fazer uma viagem para o Porto
- É verdade, já me esquecia disso – resmungou a chinita
            Levantamo-nos, despedimo-nos da família Pereira e fomos para casa da Carol para a Magda fazer a mala e eu me despedir dela. Quando chegou a casa rapidamente fez a mala pois só lhe faltava colocar umas últimas coisas.
- Estou pronta – disse ela
- Faz boa viagem e vai dando noticias, sabes que não fico descansada até me ligares do telefone do teu pai – avisou a Carolina, abraçaram-se – vou ter saudades tuas mas sábado já estou no Porto
- Vais? Mas não vais ver o jogo?
- Sem ti? Estás é doida e além do mais tenho que ir aos escuteiros
- Ohhh tão querida, também vou ter saudades destes dias. E obrigada por me receberes aqui
- Já sabes, a porta está sempre aberta
- Sr. Lisandro, toma conta dela! – apontou para a amiga e cumprimentou-o – ela é mais maluca que tu como já reparaste
- Yo sé – respondeu ele
- Vamos? – perguntei e ela acenou que sim – quando for para descer dou-te um toque – avisei o Licha.
Peguei na mala dela, descemos, colocamos as coisas dela na bagageira do carro dela e depois ela encostou-se à porta do carro, eu agarrei-a pela cintura e dei-lhe um ligeiro beijo
- Vou ter saudades
- Também vou mas vai passar depressa – respondeu ela
- Yo sé e também vamos falando
- Sim, quero saber de tudo. Como andam os treinos, como correu a palestra, como anda o Licha e a minha amiga, como ficaram as coisas entre o Lisandro e Salvio. Ah e claro, quero saber como tu andas – abraçou-me
- Falamos por mensagens, skype, cartas, sinais de fumos, é só escolheres – rimo-nos
- Porta-te bem – deu-me um beijinho mas eu não resisti e dei-lhe um beijo mais intenso, demorado, apaixonado, caliente que ficamos ambos sem folego.
- Faz boa viagem e porta-te bem – ela entrou no carro e seguiu viagem.
            Dei um toque ao Lisandro para ele descer para irmos para casa e enquanto esperava publiquei a seguinte foto no instagram

“Eres a quien quiero en las noches soñandote
Levantarme en las mañanas abrazándote <3”
  
          Passado segundos o meu amigo chegou e fomos embora.

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