quinta-feira, 22 de outubro de 2015

27º Capitulo - "Salvio?! Onde vais?"

(Lisandro)

Acordei, tratei da minha higiene pessoal, peguei num iogurte líquido e saí de casa. A caminho do centro de treinos comecei a pensar como iria contar ao Salvio o que se tinha passado, a imaginar mil e uma maneiras dele reagir. Estes pensamentos começaram cada vez mais a perturbar a minha concentração que até ia provocando um acidente. Quando cheguei ao Seixal, fui diretamente para o balneário onde já estavam alguns colegas que os cumprimentei, vesti o equipamento de treino.
- Terra chama Lisandro! – gritou o Eliseu dando me um toque no braço, olhei para ele – onde estás com a cabeça? Estou farto de te chamar
- Desculpa…
- Quem é a miúda que te anda a tirar o sono? - rimo-nos
- Miúda!?
- Não me vais dizer que é um rapaz, pois não?
- Nooo, não! Estou só com um problema
- Posso ajudar em alguma coisa?
- Não, isto resolve-se mas obrigado por perguntares
- Vamos para o treino? – perguntou o Almeida, acenamos que sim e fomos todos juntos.
Durante o treino, evitei ao máximo falar com o Toto, tentava não ficar nos mesmos grupos que ele e assim evitava a conversa. Foi dos piores treinos da minha vida passei o tempo todo desconcentrado, a cometer erros infantis. O mister teve que me chamar algumas vezes a atenção, o que não acontece frequentemente.
- O que se passa contigo? – perguntou o Nico quando saímos do treino
- Depois eu explico-te, OK?
- Estás me a deixar preocupado
- Não precisas, só não quero falar agora – sorri
- Já sabes que podes contar comigo para tudo
- Eu sei e agradeço por isso – sorri – logo vais estar com a Magda?
- Sim, ela está a fazer um piquenique com os amigos e combinei ir ter com ela. Como volta hoje para o Porto tenho de aproveitar todos os momentos.
- Tens que a convencer a vir para Lisboa, fica junto da amiga
- Quem me dera que ela viesse mas não a quero pressionar a nada. Eu respeito o espaço dela como ela respeita o meu
- Eu compreendo e fazem bem em respeitar o espaço um do outro é sinal que gostam realmente um do outro
- Tu sabes que gosto muito dela
- Gostas de quem? – perguntou o Fejsa agrrando-se ao Gaitán
- Não conheces
- Está na altura de a trazeres a Portugal
- Mas ela é portuguesa
- Então temos que combinar um jantar todos juntos, um jantar de casais
- Eiiii e eu fico de fora – repostei eu e eles riram-se
- Convidas a Carol – sugeriu o Nico
- Eu e ela somos só amigos
- Só porque ela não quer, não é? – perguntou o Fejsa
- Ah? O quê? Naaa, nada disso! Eu só gosto dela como amigo
- Cheira-me que não seja só isso – continuamos a conversar mais um pouco, depois fomos tomar banho e no fim encontramo-nos todos no refeitório.
Estava a petiscar qualquer coisa para repor as energias, quando o Salvio junta-se a mim e combinamos que cada um ia no seu carro e encontravamo-nos em minha casa para almoçar. Ele mal terminou levantou-se e saiu porque ainda queria passar em casa, eu alguns minutos depois fui também embora. Antes de arrancar com o carro mandei uma mensagem

Para: Carolina
- Buenos dias, como estás? Dentro de momentos vou conversar com o Toto, seja o que deus quiser.

De: Carolina
- Bom dia, estou bem e tu? Força nisso! fico a espera de novidades! Já sabes que estou aqui para tudo!
PS: eu guardo uma fatia de bolo para ti jajajaja

- Um pouco nervoso. Obrigado por tudo, a sério, agradeço de coração!
PS: logo vou busca-la jajajaja

- Não tens que agradecer :) depois cobro com juros jajajaja
PS: estás-te a fazer de convidado?

- sempre tão querida :)
PS: sim mas só se quiseres

- fico a espera da sua visita na minha mansão, pelas 19h30

- Lá estarei :)

Sai do caixa rapidamente pois não estava ninguém para tirar foto ou dar autógrafo. Quando cheguei a casa, pus a mesa, coloquei o almoço no forno para aquecer e preparei uma salada. Passado nem meia hora o meu amigo tocou à campainha. Sentamo-nos para almoçar e fomos conversando.
- Estavas muito desconcentrado hoje no treino, ouvi várias vezes o mister a chamar-te – disse ele
- Não estava nos meus dias
- É a tal rapariga, a Carolina, que anda a mexer contigo?
- Porque é que hoje toda a gente me pergunta isso?
- Se calhar andas a dar muito nas vistas
- Mas eu só gosto dela como amigo, é difícil de entender?
- Não te enganes a ti próprio, amigo
- Juro que estou a ser o mais sincero em relação ao que sinto por ela
- Vais me dizer que estar com ela não mexe contigo?
- Admito que a Carol é muito gira e que não me importava de ter algo com ela mas eu só sinto uma grande amizade por ela
- Os teus olhos até brilham quando falas nela, não enganas ninguém - riu-se
- Ohhh já disse que isso não é verdade, agora acredita no que quiseres
- Estou a pegar contigo mas só quero que saibas que se sentires algo por ela eu apoiar-te-ei, segundo o que dizes ela parece ser uma boa rapariga, uma miúda cinco estrelas
- Não tens noção como ela é incrível! Ela é mesmo boa amiga e por mais que não concorde com as decisões que tomem ela apoia os amigos, isso é de valor! Tem sido um grande apoio
- Só é incrivel porque sou o ídolo dela, eu dei-lhe os ensinamentos - rimo-nos
- Não és nada convencido
- Estou a brincar contigo! Mas passasse alguma coisa na tua vida? – bebeu um pouco de água – para dizeres que ela tem sido um grande apoio
- Pois… - fiz uma pausa – passasse algo e foi por isso que te convidei para vires cá. Queria falar contigo em privado, sem ninguém para interromper
- Estás me a deixar preocupado, que se passa?
- Não sei como contar isto, ou melhor não sei como começar
- Começa pelo início, será mais fácil
- OK – respirei fundo, os nervos começavam a dominar – antes de eu vir para o Benfica, eu fui de férias para Madrid como sabes
- Sim, tu contaste
- Um dos dias fui sair com os meus amigos à noite, no bar onde fomos estava lá um grupo de raparigas bem giras e um dos que estava comigo meteu na cabeça que tinha que conquistar uma menina daquele grupo. Juntamo-nos a elas, cada um ficou a falar com uma das raparigas e eu não fui excepção, não conhecia aquela rapariga de lado nenhum e começamos a conversar. Copo puxa copo e mais tarde eu beijei-a, ela pegou nas coisas dela e foi-se embora.
- Beijas assim tão mal? – desatei a rir, coisa que imaginaria impossível visto o nível elevado dos meus nervos
- Bela conclusão
- Qual o problema? A rapariga era a Carolina?
- Não
- Então? Não estou a perceber o problema
- Mais tarde descobri que a rapariga é casada e tem um filho
- Eiiii mas como descobriste isso?
- Da pior forma, ela é esposa de um grande amigo meu
- E tu não a conhecias?
- Ele só depois desse episódio infeliz é que se tornou meu amigo
- Ah? Isso não faz sentido!
- Faz – olhei para o prato, desviando o olhar dele, respirei fundo – porque quando cheguei a Lisboa e tu me levaste a tua casa, descobri que a rapariga que tinha beijado naquela noite era a tua mulher, era a Magali – olhei para ele, que se levantou, pegou nas coisas dele – Salvio?! Onde vais? – saiu de minha casa sem dar qualquer explicação, sem reagir, sem dizer nada! Não sabia o que pensar sobre aquilo, se era bom, se era mau! Só sabia que o melhor era deixá-lo pensar sobre o assunto, dar-lhe tempo e espaço para ele reflectir sobre o que lhe acabara de contar.
Levantei a mesa, arrumei a cozinha e sentei-me a ver televisão, como não conseguia abstrair-me do que se passará, liguei a PlayStation e pus-me a jogar pes. Nem dei pelo tempo passar até que as 18h39 recebo uma chamada da Magali
- Sabes o que se passa com o Toto? Ele veio a casa, pegou numa muda de roupa e saiu sem dizer nada
- Precisa de estar sozinho
- Mas porquê? O que se passa? Estou muito preocupada com ele! O que vou dizer ao Valu quando perguntar pelo pai?
- Dizes que veio dormir a minha casa
- Mas podes me dizer o que se passa?
- Não queria ser eu a dizer
- Não me digas que lhe contaste tudo?
- Só contei do primeiro beijo, mas está descansada que eu disse a verdade! Que fui eu te beijei e que tu foste logo embora
- Não tinhas nada que contar, prometemos que nunca contariamos! – disse ela exaltada
- Eu sei mas houve pessoas próximas que descobriram e eu não quis continuar com esta mentira ao meu amigo!
- Se fosse teu amigo, continuavas calado!
- Preferias que terceiros lhe fossem contar?
- Não
- Eu resolvi o problema, contei tudo e não me arrependo de nada! Tirei um peso de cima de mim
- Fizeste o melhor para ti e não pensaste na minha família! – desligou a chamada
Não fiquei chateado com atitude da Magali pois compreendia a situação dela mas continuo a achar que fiz o melhor, contar-lhe toda a verdade e cortar o mal pela raiz. Sabia que teria que lutar para conquistar a confiança do meu amigo e estou disposto a isso por mais difícil que seja. Depois disto, peguei nas minhas coisas e fui ter com a Carol, tal como combinado. Eram 19h35 quando cheguei lá, ela tinha chá e bolo como prometeu. Sentamo-nos no sofá e contei como correu a conversa com o Salvio
- Só tens que lhe dar tempo agora – disse ela
- Eu sei, o pior vai ser no local do trabalho
- Aí têm que ser ambos adultos e pôr os problemas de lado
- Sim eu sei, mas vai ser complicado
- Vai mas vocês vão dar a volta a isso tudo! Eu sei que sim! - piscou o olho
- Como correu o Picnic?
- Correu muito bem, festejamos o aniversário do meu amigo de maneira diferente
- Aposto que onde quer que ele esteja está muito feliz pelo gesto que vocês tiveram
- Espero que sim ainda por cima a Magda deixou-me a chorar por causa dele
- Alguém filmou isso? Quero ver isso!
- Não, ninguém filmou! O gelo está a derreter
- Eu dou este efeito nas pessoas – ri-me
- Que parvo – ela ia-me a dar um estalo no braço mas agarrei-lhe a mão e puxei-a para mim, prendendo-a entre o meu peito e braços, comecei a fazer-lhe cócegas até ela não aguentar mais de tanto se rir – isso foi golpe baixo
- Para aprenderes a não te meteres comigo
- Tu gostas mais de mim que chocolate
- Pouco convencida a menina
- É de muito lidar contigo
- Ao menos ensino-te alguma coisa, menos mal
- Podiam ser coisas melhores - fez-me uma careta e continuamos a falar mais um pouco
- Obrigado por tudo Carolina, a sério, és incrível!
- Amizade não se agradece – quando me ia a despedir dela com dois beijinhos, ela abraçou-me e eu retribui apertando-a com força. Este abraço sabia bem, era reconfortante, carinhoso. – estou aqui para tudo – sussurrou ela ao meu ouvido
- Também estou aqui para tudo - dei-lhe um beijo na testa e fui embora.
Quando cheguei a casa, comi alguma coisa e depois fui-me deitar, custou um pouco adormecer pois os pensamentos eram imensos mas lá consegui. Acordei cedo para mais um treino, fiz as coisas habituais e saí. No fim, estávamos todos no balneário, fui ter com o Toto com intenção de lhe dizer que a Magali estava preocupada com ele
- Salvio, podemos falar?
- Não quero falar contigo – virou costas
- Mas Salvio - pus-lhe a mão no ombro, ele virou-se rapidamente e deu-me um soco. O Nico meteu-se de imediato no meio dos dois e acabou por levar o segundo soco dirigido a mim, depois disto o resto da equipa separou-nos logo.
O Luisão levou o Toto dali para fora enquanto o Fejsa foi buscar gelo para colocar no olho do Gaitán e no meu lábio. O ambiente no balneário estava um pouco perturbador pois estava tudo a perguntar o que se passara, eu só respondia que não era nada e que tudo se ia resolver.
- Oh Nico, coitado de ti. Sem culpa de nada levaste aí um belo gancho – disse o Almeida e todos nos rimos
- Maldita a hora que decidi meter-me no meio! Licha, vais pagar isto com juros! – disse ele meio a rir
- Podemos ir lá para fora falar?
- Vamos – levantamo-nos e fomos – o que se passou entre vocês? O que foi esta cena?
- Isto é sobre aquele problema que te falei – expliquei-lhe tudo direito
- É complicado não sei o que te dizer sinceramente
- Eu sei que fiz asneira mas eu nem sequer sabia quem ela era
- Pois no meio disto tudo ela é que agiu mal mas olha já está feito, já contaste a verdade agora dar tempo ao tempo e as coisas vão-se compondo
- Sim, eu sei. Não quero estragar a família deles, não quero nada com ela! Nem sequer me sinto atraído por ela!
- Estás atraído por outra pessoa, não é? – sorriu – mas falando de coisas sérias, sabes que isto vai dar castigo para os dois, não sabes?
- Sim, eu não me importo de ficar com o castigo dos dois
- Não exageres, porque foi ele que não soube ter cabeça fria e explodiu no local errado
- Vamos ver o que acontece, não quero sofrer por antecipação
- É melhor, porque não me contaste isto antes?
- Porque prometi a Magali que morria connosco mas houve uma pessoa que descobriu e não queria que ele soubesse por terceiros
- Quem foi? Conheço?
- Conheces
- Alguém da equipa?
- Não, foi a Carolina, a amiga da Magda
- O quê? Então foi por isso que te fui buscar no outro dia a casa dela de madrugada?
- Sim, foi quando ela me confrontou com isto
- Se ela sabe quer dizer que a amiga também sabe! E não me disse nada…
- Provavelmente sabe mas não te zangues com ela
- Não te preocupes com isso, preferia saber da tua boca como aconteceu
- Estás zangado comigo por saberes das coisas desta maneira?
- Não vou mentir, fiquei um pouco sentido mas se prometeste levar isto para a cova compreendo a tua decisão
- Desculpa por teres levado um soco por minha causa, não queria que nada disto tivesse acontecido
- Na boa, deixa lá isso já passou – conversamos mais um pouco até o Maxi nos vir chamar avisando que todos já se tinham ido embora. Fomos tomar banho e depois fomos embora.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

26º Capitulo - Vamos fazer um brinde

(Magda)

Como o meu pai não poderia ir ver o jogo, convidei os meus dois amigos para irem comigo e eles aceitaram. Passava pouco das seis da manhã quando a Olivia chegou a minha casa, fomos buscar o Tomás e seguimos viagem. Fomos diretos para casa da Carolina, deixamos as nossas coisas e depois fomos passear até à zona do Rossio, estacionamos o carro numa rua lá perto e andamos a pé, mas antes paramos no Starbucks para tomar alguma coisa.
- Devíamos ter ficado em casa a dormir – resmungou o Tomás
- Sempre a queixar-se – respondi eu
- Não sejas assim acordaram cedo – disse a Carolina
- Ele veio a viagem toda a resmungar. Ou porque a música estava alta ou porque estava frio ou calor. Já não o podia aturá-lo
- Olivia, como aguentaste uma viagem até aqui?
- Não foi fácil, mas quando na Mealhada troquei com a Magda para ela conduzir adormeci no banco de trás e não os ouvi mais
- Sorte a tua - riram-se
- Que ricas amigas que eu tenho não haja dúvida
- Ohhhh – disseram em coro e abraçaram-se a mim – gostamos muito de ti
- Graxa agora não resulta
- Vamos masé passear que estás a precisar – disse o Tomás.
Levantamo-nos, saímos dali e começamos a nossa visita: primeiro fomos ver o Teatro D.Maria II e a Praça do Rossio, descemos pela Rua Augusta até à Praça do Comércio, de seguida fomos até à Sé de Lisboa e subimos até ao Castelo de São Jorge, onde não entramos pois já estava na hora de almoço e teríamos que voltar para junto do carro para depois irmos para o estádio. Nesta última parte andamos um pouco perdidos pois nenhum de nós, nem mesmo a Carol sabia o caminho certo até lá. Como já era uma e meia da tarde quando regressamos à Praça do Rossio acabamos por almoçar no McDonald's de lá e depois fomos para o estádio.
- Não me acredito que vim ver um jogo destes tipos – disse o Tomás
- Vens para estar com os teus amigos
- Venho ver o coiso a jogar mal e o Maxi a dar cacetadas
- Já te disse que ele tem nome e tomará o Porto ter um jogador como o Nico
- Temos o Brahimi que é melhor
- Muito melhor não haja dúvida – respondeu a Carol
- Têm noção que eu não sei quem é quem, não têm? – perguntou a Olivia e rimo-nos
- Não tem problema, eu vou conversando contigo que isto não me interessa para nada – disse o Tomás
- Vai começar – disse eu a Carol e rimo-nos
- Que estão praí a inventar?
- Nada nada. Vamos masé entrar no estádio que hoje vamos ver o jogo em zona vip
- Tem comida?
- Já não estás a pedir de mais, Tomás? – acenou que não – bilhete de borla ainda quer comida de borla que lata
- Tenho que ocupar o tempo
- Vês o melhor do mundo a jogar
- Lol Carolina! – continuamos a conversar enquanto entravamos no estádio.
Era a primeira vês que ia para os camarotes, a zona onde os familiares e amigos ficam sempre, por momentos senti-me importante mas sabia que ia morrer de vergonha mal visse algumas das esposas dos jogadores ou mesmo eles. Mal entramos, tinha uma grande sala cheia de petiscos, bebidas, sofás, mesas, tudo muito requintado e confortável. Já lá estavam algumas pessoas, como o Luisão acompanhado da mulher e filhas, a mulher do Júlio César, a mulher do Jardel com o seu pequenito, a mulher do Lima, a mulher do Fejsa e a do Ola John, entre outros que não reconhecemos. Fomos diretos ao nosso lugar pois queríamos ver o aquecimento, tiramos logo imensas fotos para recordar aquele momento, o ambiente (era diferente do que se vivia perto da claque), a nós, a tudo basicamente. Quando entraram para o aquecimento levantamo-nos e batemos palmas, porque além de serem nossos amigos é o nosso clube e apoiamos incondicionalmente.
- Salvio, Licha e Nico titulares – disse a Carol enquanto lia no twitter
- Os três titulares?!? Não podia ser mais perfeito
- Algum deles podia marcar golo
- Aposto que o Nico vai fazer a assistência para um dos golos
- Óbvio senão fosse ele o rei das assistências - rimo-nos. Quando anunciaram o onze nos ecrãs do estádio, aproveitei e tirei uma foto no momento que o Gaitán apareceu e postei no instagram.

"sempre no apoio  #Benfica #rumoao34 #orgulho"
Vimos uma sombra aproximar-se de nós, olhamos para trás e era a Magali com o Valentino, mal a minha amiga os viu, a expressão alegre e bem disposta dela mudou completamente.
- Tem calma – disse eu agarrando na mão dela
- Eu estou calma! Só peço que não fale muito
- Hola ninas – disse a Mag, levantamo-nos para a cumprimentar – não sabia que vinham?
- Também foi uma surpresa para nós , principalmente vir para aqui – respondi eu
- É bom voltar a ver-vos – sorriu e retribuimos
- Também gostei muito de te ver – disse a Carol – e tu Valu dás-me um beijinho ou hoje não tenho direito? – ele riu-se aproximou-se dela todo envergonhado e deu-lhe um beijo rápido – ai que beijo bom. Vieste ver o pai jogar? – acenou que sim agarrando-se a mãe – e vai ser golo de quem?
- Do Benfica - rimo-nos só de ouvir a doçura dele em dizer aquilo
- Mas quem marca?
- O papá – virou costas todo envergonhado
- Ele hoje está muito envergonhado – disse a Magali
- Com o decorrer do jogo passa e anda aí a pular e a saltar
- Sim – pegou nele ao colo, olhou para o lado – olha quem vem aí, filho? – olhamos todos e era a Anna, mulher do Maxi que vinha com os três filhos mais velhos
- Hola – disse ela, cumprimentamo-nos uns aos outros – que bom ver-vos por aqui
- Obrigada. É recíproco – disse a Carol
- Já soube das novidades – eu corei logo e sorri – fico muito feliz por vocês
- Muito obrigada Anna.
- O que é que perdi? – perguntou a Magali, a mulher do Maxi contou o que se passou e ela deu-me os parabéns e disse que temos que sair mais vezes juntas. Eu agradeci e disse que teríamos que combinar outro jantar e elas concordaram.
Como o jogo ia começar sentamo-nos nos lugares, quando começou o hino ficamos todos de pé sem excepção de ninguém. Ouvir o Hino é sempre um momento emocionante, ouvir milhares de pessoas uníssono, bem ou mal, a cantar pelo meu Benfica deixa-me sempre arrepiada e sem palavras. Depois de tirarem a foto de grupo, como é habitual, o Lisandro e o Nico olharam na nossa direção, sorriram e nós retribuimos de imediato. O jogo correu pela normalidade, com domínio total do Benfica, um jogo de grande qualidade. Ganhamos por 3-1 com dois golos de Jonas assistência do Salvio e um de Lima e não poderia faltar a assistência do Gaitán. Fiquei mesmo feliz pelo resultado mas fiquei ainda mais feliz pela excelente exibição, a assistência e o prémio de melhor jogador.
- Viste o melhor a jogar? Não é melhor que Brahimi? – disse eu para o Tomás enquanto saíamos dali
- O Brahimi é melhor
- Vai-te lixar - dando-lhe um murro no braço e ele retribuiu - aleijaste-me parvalhão! – voltei a bater-lhe – Carol, olha o Tomás!
- Comportem-se meninos está tudo a olhar para vocês – olhei em volta e estavam algumas pessoas a olhar para nós e rimo-nos
- Posso ir tirar uma foto com o Luisão? – perguntou ele
- Vais lá e pedes, o máximo que podes levar é um não – disse a Carol, ele foi lá e tirou a foto com o capitão.
Enquanto isso eu e a minha amiga fomos nos despedir da Magali e da Anna que nos disseram para esperar assim desciamos com elas, não precisávamos de ir para a confusão junto dos adeptos, esperávamos por eles na porta de saída para os carros e assim fizemos. Mal chegámos lá os seguranças estranharam a nossa presença, mas elas avisaram-os de quem eramos e depois foram embora para não apanhar a confusão das fotos e autógrafos, principalmente estando com o miúdos, é sempre mais complicado. Passado um pouco os jogadores começaram a sair, primeiro os que não jogaram e depois conforme se iam despachando. Já sabíamos que as duas madames iam demorar e estávamos a comentar isso quando o Salvio saiu e a Carol ficou sem qualquer reacção.
- Olha é o Salvio não vais lá? – perguntou o Tomás
- Não…- abanou a cabeça – Salvio? – gritou ela e ele olhou de imediato para trás
- Hola – recuou, cumprimentaram-se
- Quero dar-te os parabéns pelo jogo de hoje, estiveste muito bem! Mas tirando hoje é todos os dias – ele sorriu
- Obrigada Carolina – ela sorriu instantaneamente, sabia que ela estava radiante por ele se lembrar do nome dela – Estão à espera do Lisandro e Nico?
- Sim, eles demoram?
- Cinco, dez minutos no máximo
- São piores que as meninas – disse eu e eles riram-se
- Muitos parabéns Salvio, pela excelente exibição e pelas assistências! Faltou só o golo mas da próxima marcas – sorriu e ele retribuiu
- Muito obrigada mais uma vez. Espero que sim, mas o importante é que conquistamos os três pontos
- Exato. Mas vá não te chateio mais que tens mais fãs lá fora à tua espera e deves querer ir para casa celebrar com a tua família. – cumprimentaram-se, ele foi embora – foi horrível Magda! Horrível!!! Senti-me tão mal!!! – agarrou-se a mim, encostando a cabeça ao meu ombro e os outros dois ficaram a olhar para mim sem entenderem nada do que se estava a passar
- Correu bem, ele não percebeu nada! E disseste-lhe aquilo que qualquer fã diria
- Eu sei but… - olhou para mim – tu entendes, certo? – acenei que sim e sorri
- Como é que ele sabe o teu nome? – perguntou a Olivia admirada
- Sempre a mesma, esta rapariga! Então já não te explicamos que tivemos o aniversário do Nico?
- Alguém falou em mim? – olhei para o meu lado esquerdo e lá estava ele sorridente juntamente com o Licha
- Viraste convencido? – perguntei eu – estou a ver que certas companhias te andam a fazer mal
- Isso era alguma boca para mim? – perguntou de imediato o Lisandro
- Entende como quiseres
- Alguém vá buscar pipocas, que estou adorar isto – disse a Carol
- Parva – disse eu dando-lhe um empurrão
- Estou a ver que trouxeram companhia – disse o Nico, dando-me um beijo na testa
- Não te lembras deles? Este é o Tomás – apontei para ele – Ela a Olivia – apontando para ela
- Claro que me lembro, não nos conhecemos pelas melhores razões mas lembro-me - cumprimentou-os e o Lisandro também o fez
- Onde vamos sair? – perguntou o Licha
- Tu não bebes – disse a Carol e eu em coro. Como é óbvio começamos a rir juntamente com o  Gaitán e mais uma vez os meus amigos ficaram sem entender
- Que engraçadinha! Hoje também só podemos beber água que amanhã temos treino! – Decidimos onde íamos, a Carolina tinha um monte de sugestões e acabamos por escolher uma.
- Vamos no meu carro até tua casa, Carol? – perguntou o Nico
- Mas estamos mais pessoas que lugares – respondi eu rapidamente
- Não há nenhum problema, moro já ali a beira do Colombo – disse a minha amiga
- Podemos ter problemas com a polícia
- Não sejas assim e entra no carro – resmungou o Tomás
Entramos todos no carro do Nico mas só até casa da minha amiga para ir buscar o carro. Antes de sairmos do estádio eles tiveram que distribuir os habituais autógrafos e tirar fotografias, eram poucos fãs que esperaram pela sáida deles, contudo estava lá a rapariga que se passou da outra vez por me ver  sentada ao lado do Gaitán.
- É verdade que namoras? – perguntou ela
- Não interessa – respondeu ele enquanto autografava uma camisola
- Diz-me, eu preciso de saber – disse ela aumentando o tom de voz – quem é ela? É aquela da outra vez? – ele olhou pelo retrovisor e viu na minha cara que não estava a gostar de ouvir aquilo
- Queres tirar foto ou não? Tenho que ir, estou com pressa – disse ele calmamente, sorrindo para apaziguar as coisas
- Sim quero - deu-lhe o telemóvel para mão e tiraram uma selfie – OMD ele tocou no meu telemóvel – gritava ela e todos nós começamos a rir. Como não estava mais ninguém para fotos e assim, ele fechou o vidro e arrancou.
- Peço desculpa pelo sucedido
- Quero ver mais cenas destas, por favor! Isto no Olival não acontece. – disse o Tomás ainda a rir-se e eu dei-lhe uma cotovelada para ele se calar
- Não tens que pedir desculpa, Osvaldo! É normal isto acontecer – disse a Carol muito descontraída
- Acho que vais ter problemas, Magda – disse o Licha
- Sei me defender sozinha – respondi dando-lhe uma palmadinha no ombro.
Quando chegámos à porta do prédio da minha amiga, ele parou ligando os quatro piscas pois eu e os meus amigos precisávamos de ir a casa buscar umas coisas e rapidamente voltamos a descer. Combinamos que a Olivia e Tomás iam no carro dela e eu e companhia íamos com o Nicolas. Depois de estacionar o carro num parque junto ao Cais do Sodré, o Gaitán pediu-me para esperar um pouco e deixamos os outros indo para o restaurante guardar mesa. Ele agarrou-me pela cintura e coloquei as minhas mãos sobre o peito dele.
- Tenho um pedido de desculpas para te fazer – disse ele
- Ah? Porquê?
- Aquela maluca!
- Oh esquece lá isso. Não tens que pedir desculpa já sabíamos que isto podia acontecer
- Mas ficas numa situação constrangedora e eu não quero isso
- Não vou negar que fiquei aborrecida. Claro que fiquei, quem é ela para querer saber da tua vida? Não tem nada a ver com o que fazes ou deixas de fazer! – disse eu um pouco chateada
- Tens razão mas vamos esquecer que isto se passou e aproveitar o pouco tempo juntos – sorrimos, tentava me afastar dele para irmos embora – nem um beijo tenho direito? - ri-me
- Claro que tens – nesse mesmo segundo ele beijou-me, um beijo intenso, longo e caloroso. Aproveitei para o abraçar – vamos?
- Só mais uma coisa – abriu a mala – eu queria ter-te dado isto mais cedo mas com a correria passou – pegou numa saca que lá tinha e deu-me – espero que gostes – abri e não queria acreditar, era a camisola dele, sorri mal vi e abracei-o com toda a força susurrando-lhe ao ouvido mil e uma vez obrigada – assim vais me esganar - soltei-o
- Desculpa! – voltei a olhar para a camisola – eu já não tenho palavras para te agradecer rapaz
- Não precisas, só quero que a estimes bem. Não é para todas
- Vou guardar muito bem – agarrei-me a ela – ainda tem o cheiro do teu perfume
- É para não te esqueceres de mim
- Nunca me esquecerei de ti – sorrimos um para o outro – não tens noção à quanto tempo espero por isto! Não tens mesmo noção!
- Ainda bem que pude finalmente realizar esse sonho
- Obrigada, obrigada! – voltei abraçar mas desta vez com menos força. Guardei a camisola no carro para não correr o risco de a perder, apesar de a minha vontade naquele momento era vesti-la e mostrar a toda a gente o orgulho que tenho nele. Por fim, fomos ter com os nossos amigos, jantamos e depois decidimos ir a um dos bares da zona.
Estávamos a conversar quando começou a tocar a música Dança Kuduro, eu e as minhas amigas começamos logo a dançar e os rapazes ficaram a olhar e a rir-se, as pessoas que lá estavam iam nos acompanhando e pouco depois o Lisandro juntou-se a nós, a Olivia foi buscar o Tomás que se recusava a ir mas ela lá o convenceu.
- Anda também – disse eu para o Nico
- Não sei dançar
- Aposto que desses pés só sai magia até na dança – puxei-o
- Acredita em mim, não sou bom nisto – veio para junto de nós dançar e ao fim de alguns passos era mesmo verdade, ele não tem mesmo jeito para isto mas até deu para rir um pouco das figurinhas dos três. – eu avisei
- Tens pés de chumbo, mas depois dou-te umas aulinhas rimo-nos e encostamo-nos a conversar com a Olívia e Tomás enquanto a Carol e o Licha continuavam a dançar

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(Carolina)

- Tu até tens jeito para isto – disse eu enquanto dançava
- Tenho jeito para muita coisa e uma delas é a dança
- Convencido - dei-lhe uma palmada no braço e ele riu-se
- Tenho uma coisa para te contar
- Estás à espera do quê?
- Combinei um almoço com o Toto amanhã em minha casa
- Vais-lhe contar?
- Sim, tenho que fazer isto
- Fazes bem, já sabes depois quero saber de tudo
- Curiosa - deu-me um beijo na bochecha
- Só quero saber para ajudar
- Eu sei tótó
- Sabes hoje quando vi o Salvio custou-me imenso falar com ele – fiquei um pouco triste, voltei o meu olhar para o chão e ele com as mãos fez com que voltasse olhar para ele
- Não te quero ver assim, tu não mereces! Eu fui um estúpido e culpo-me todos os dias pelo que fiz, fiz sofrer muita gente à minha volta e tu foste uma delas. Por favor não fiques triste, não deixes que isto afete a tua relação com ele porque afinal de contas ele é o teu ídolo e tu gostas muito dele – sorri – é assim que te quero ver a sorrir, até ficas mais gira e tudo – corei
- Ohhh não sejas parvo
- Só disse a verdade
- Eu poderia dizer que tu também és giro mas nem todos podem ser como eu - fiz-lhe uma careta
- Obrigadinha – ficou amuado, virou costas, agarrei na mão dele
- Espera – aproximei-me e abracei-o sussurrando-lhe ao ouvido – tu és lindo, lindo por favor e o mais importante és lindo por dentro. Tens um coração gigante! – ele abraçou-me com força fazendo me levantar os pés do chão
- Até que sabes ser querida – sorriu
- Não digas a ninguém, tenho uma reputação a manter - rimo-nos e fomos ter com o resto do pessoal

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(Magda)

Pouco depois da Carol e do Lisandro voltarem para a nossa beira fomos embora, estávamos todos cansados, tinha sido um longo dia e precisávamos de descansar. No regresso a casa, o Nico e o amigo já não nos precisaram dar boleia assim iam diretos para casa e fomos todos no carro da Olivia. Antes de irem embora, fui buscar a minha saca à mala do carro e combinei com o Gaitán para amanhã nos encontrarmos para estarmos um pouco juntos antes de ir embora para o Porto. Já estávamos em casa a ajeitar as coisas para dormir, quando a Olivia se lembrou
- Alguém se lembrou de comprar as coisas para o Picnic?
- Sim, eu comprei tudo na sexta antes de vir para casa – respondeu a Carolina – de manhã acordamos às nove e cozinhamos tudo para levar
- Ouviste Tomás? – repostei eu
- O quê?
- Vamos todos ajudar a cozinhar
- Mas eu não sei fazer nada
- Eu ajudo-te – respondeu a Olivia
- Obrigada – peguei no presente que o Nico me deu
- Gente, olhem o que eu recebi – tirei a camisola do saco
- Ele deu-te? – perguntou a Olivia e eu acenei que sim
- Boa amiga, mais um sonho cumprido – disse a Carol esticando a mão para me dar cinco
- Vende isso no eBay – sugeriu o Tomás
- Estás maluco – agarrei na camisola – vou guardar para sempre
- Tão exagerada – começamos outra vez na picardice
- Pronto meninos, vamos todos masé dormir que estamos cansados e amanhã temos que acordar cedo – disse a Olivia.
- Carol, podes-me só dizer o nome do sítio onde vamos para dizer ao Osvaldo? – ela assim o fez e eu enviei mensagem enquanto nos deitávamos

Para: Nico
- Boa noite, amanhã vamos ao Parque da Quinta das Conchas aparece depois do almoço ;) adivinha qual é o meu pijama hoje? :p

De: Nico
- Tenho que descobrir onde isso fica jajajaja deixa-me adivinhar: é uma camisola vermelha, mais precisamente do Benfica e por acaso tem o número 10 e o meu nome nas costas? Jajajaja dorme bem **

Para: Nico
- Google maps :p wow como adivinhaste? És muito inteligente ;) boa noite **

Pousei o telemóvel, virei para o outro lado e pouco depois adormecemos. Eram nove horas quando o despertador da Carol começou a tocar, acordou toda a gente com aquela música irritante, levantamo-nos e enquanto uns se vestiam e assim os outros tratavam do pequeno-almoço. Depois de tomar o pequeno-almoço, tratámos das coisas do Picnic: fritar rissóis, bolinhos de bacalhau, perninhas de caranguejo, croquetes, fazer um bolo para cantar os parabéns e um pão de ló porque o Tomás estava farto de pedir, etc.
Quando tínhamos tudo pronto, pegamos nas coisas e fomos até ao Parque da Quinta das Conchas que fica perto do aeroporto. Escolhemos um local para estender a toalha, pousamos as coisas, jogamos um pouco de cartas, como estávamos só os quatro passamos a manhã toda a jogar à sueca. Começamos a comer e depois como sobremesa decidimos cantar os parabéns ao André que hoje faria 21 anos.
- Antes de comermos gostaria de dizer umas palavras – disse eu
- Força – respondeu a Carol, fui à carteira buscar a folha onde tinha escrito um pequeno texto – vens preparada e tudo
- Sabem que não tenho muito jeito para estas coisas mas pronto aqui vai – fiz uma pausa – André, não tive a oportunidade de me despedir de ti em condições, não é que eu o quisesse fazer pois preferia que estivesses aqui connosco, a conversar, a brincar, a ser um parvo, a tirar me do sério como tu adoravas fazer! Mas eu queria que soubesses que apesar das nossas discussões, dos nossos conflitos, das nossas guerras meias parvas, eu gostava, quer dizer, eu gosto muito de ti! Tu sempre foste um bom amigo, um bom companheiro, tu eras o meu amigo! Tu és o meu melhor amigo! – fiz uma pausa para travar a lágrima que tentava cair - Onde quer que estejas neste momento – olhei para o céu - eu vou te sempre lembrar como um rapaz alegre, divertido, pronto ajudar, sempre acompanhado das suas filosofias. Nunca me esquecerei de ti! Até um dia, amigo! – fechei o papel, olhei para os meus amigos, voltei abrir a folha – PS: perdoa-me por não ter lutado, por não te ter ajudado mais a mudares de vida! Perdoa-me André – aí não controlei as lágrimas que começaram a cair, os meus amigos levantaram-se e abraçaram-me
- Claro que ele te perdoa porque afinal de contas tu não tiveste culpa de nada. Tu estavas sempre a dizer-lhe que aquilo não lhe fazia bem por isso como já te tinha dito: não te sintas culpada! – disse a Olivia
- Puseste-me a chorar, isso não se faz – disse a Carol limpando a cara e rimo-nos – ele será sempre nosso amigo
- Vamos fazer um brinde – pegamos nos copos e brindamos – ao André
- À nossa amizade – disse a Olivia e brindamos
- Agora já podemos comer? – perguntou o Tomás e começamos a rir
- Come lá rapaz – disse a Carol dando-lhe a faca para a mão
- Obrigado por trazerem pão de ló para mim
- Está bom?
- Delicioso - rimo-nos, cortamos uma fatia do bolo de aniversário que não passava de um simples bolo de cenoura com pepitas de chocolate.  
Continuamos a tarde a conversar, a relembrar de momentos passados com o nosso amigo André, de coisas que ele costumava dizer e fazer:
- Uma vez estamos a vir da praia, eu contei como curiosidade que a carne de porco para ser tenra, o animal tinha que ser morto em situação de stress ou ser injetado um químico e o meu amigo discordou, começando uma pequena discussão pois eu tinha a certeza do que estava dizer porque nos últimos dias de aulas eu tinha apresentado um trabalho sobre isso! A Carolina riu-se imenso com a nossa discussão apesar de eu não estar achar piada nenhuma ao facto de ele estar a duvidar de mim, mas hoje rio-me pois foi uma situação caricata - relatei eu.
- Estava a ver que vocês se iam matando por causa de um porco – disse a Carolina e desatamo-nos a rir.
Nesse momento chegou o Gaitán, que ficou a olhar para nós com cara de “o que eu acabei de perder”. Resumi o que tinha acabado de contar e, como óbvio ele riu-se:
- Tu e as tuas teorias de bióloga.
- Come masé o bolo e cala-te – levantamo-nos e fomos dar um passeio.
- Como é que estás? – perguntou o Nico
- Eu estou bem, porque perguntas isso?
- Pergunto se estás bem em relação a isto do teu amigo? Eu sei que te sentiste culpada pela morte dele, esses pensamentos já se foram embora – encolhi os ombros e baixei a cara
- Aos poucos vão desaparecendo mas é complicado não o ter cá, entendes? – acenou que sim – ele era um grande amigo, e como é obvio sinto muitas saudades dele apesar disso tenho que me lembrar das coisas boas que passamos juntos – sorri só de me lembrar de alguns desses momentos
- Além de sermos namorados sou teu amigo e quero que saibas que estou aqui para te ajudar – depois de ouvir isto, tomei a iniciativa, beijei-o. Primeiro dei-lhe um beijo breve e suave ao qual ele sorriu e depois ele agarrou-me pela cintura e voltei a dar-lhe um beijo desta vez um beijo prolongado, ofegante, apaixonado, carinhoso, mágico.
- Muito obrigada por tudo, Nico! – demos as mãos e continuamos a passear
Pouco depois das cinco voltamos para junto dos meus amigos, arrumamos tudo, despedi-me do Nico e fomos embora. Deixamos a Carol em casa, pegamos nas nossas malas e seguimos viagem até ao Porto.