quarta-feira, 4 de março de 2015

14º Capítulo - ela...ela apertou-me a mão

(Magda)

            Cheguei a casa, deixei as coisas na entrada e fui direta ao sofá. Senti-me como se tivesse meses sem estar em casa, uma questão para dizer “lar doce lar”. Peguei no telemóvel para tentar saber mais sobre o avião que teve que aterrar de emergência, não passou tudo de um susto, foi uma pequena avaria e ninguém se magoou. Pelo que li, o avião já estaria de novo a caminho da Argentina. Acabei por adormecer aqui mesmo até a minha mãe me chamar para jantar, ai que saudades da comida da mamã! Quando já estava na cama para dormir, fui dar uma espreitadela nas redes sociais e vi a foto que o Lisandro publicou com o Nico dizendo que já estavam em casa, deixou-me muito mais descansada.
            Passaram três dias e estávamos no natal. Como todos os anos, vou passá-lo em casa com a família, um natal simples e em boa companhia, não ligamos muito a esta festividade. Recebi roupa, dinheiro, uma gola e um livro sobre biologia celular e molecular. Faltava uma saca preta, que fiz questão de deixar para o fim, era a prenda que o Gaitán me tinha dado. Quando abri não queria acreditar no que os meus olhos estavam a ver!! Deu-me um relógio vermelho da swatch com a bandeira da Argentina. Meu Deus como eu adoro relógios!!! Ele acertou em cheio!!!

 

- Quem te deu isso? – perguntou o meu pai
- Foi o Nico.
- O boquinha de sapo tem bom gosto.
- Pai, pára de lhe chamar isso – disse em tom de chateada
- Mas ele parece um sapinho
- E tu pareces um australopiteco, queres que te comece a chamar isso????
- Não abuses continuamos com as picardias
- Desculpa, descontrolei-me um pouquinho.  
- E tu que lhe ofereceste? – perguntou a minha mãe
- Nada
- Nada?!? O rapaz dá-te um presente e tu não lhe dás nada?
- Eu não sabia que ele me ia dar!!
- Então vê se depois lhe compras alguma coisa.
- E o que lhe ofereço?
- Porque não lhe dás uma peça de roupa? Uma sweat, uma camisa – disse a minha tia
- Não era mau pensado, mas tenho que ver bem é que ele tem um estilo muito desportivo. Adora aquelas camisolas de carapuço
- Procuras uma gira e dás-lhe. Se quiseres posso-te ajudar.
- Aceito a ajuda, até estou a ter uma ideia, mas depois falo melhor contigo tia.
- Está bem, olha até aproveitamos e damos a nossa voltinha a pé.
- Combinado – os meus pensamentos recaíram sobre o que lhe oferecer, mas também pensava se lhe haveria de dar ou não um presente. Por um lado, acho que devia comprar não só para retribuir o gesto dele como eu própria tinha gosto em oferecer-lhe algo. Por outro, continuo chateada com a atitude dele no hospital, não consigo compreender a reação dele, mesmo que goste de mim, o que duvido, não tinha razões para o fazer. Deitei-me no sofá a ver um filme e acabei por adormecer.
            No dia seguinte, eu, Olívia e André decidimos ir visitar a Carolina e levamos uma moldura com fotos nossas, dos nossos melhores momentos, para ficar junto dela.
- Oh Carol, lembraste desta foto? – perguntou o André apontando para a imagem em que ambos tiraram no último aniversário dela – Estávamos tão lindos, ainda continuámos, mas isso são outros quinhentos
- És pouco convencido és – disse eu
- Realista minha cara – o André começou a mexer nos tubos que estavam ligados na Carolina
- Não mexas nisso, ainda vais fazer asneiras – disse Olívia
- Não vou nada! Só estou a ver como isto funciona – passado uns segundos começou uma das máquinas a apitar, entraram logo as enfermeiras para ver o que se passava e viram o André com o tubo na mão
- O menino está maluco? Quer matar a sua amiga? Saiam já daqui – disse a enfermeira tirando o tubo da mão do André e colocando de imediato no sítio.
- Nós avisamos-te que isto não ia dar bom resultado – disse a Olívia – agora não nos vão deixar voltar aqui.
- Pensei que não ia correr mal, desculpem
- Continuas o mesmo desastrado, parece que não aprendes. Reza para que esteja tudo bem com ela senão vais ouvir das boas – disse eu. Ele continuou a pedir desculpas enquanto víamos da parte de fora do quarto as enfermeiras a verificarem se estava tudo bem com a nossa amiga. Passado cinco minutos, uma delas veio cá fora
- Não passou tudo de um susto, mas não voltem a repetir a gracinha senão temos que proibir a vossa entrada aqui e acho que vocês não querem isso
- Pedimos desculpa senhora enfermeira, o nosso amigo gosta de mexer em tudo – respondeu a Olívia
- Peço desculpa, prometo que não volto a tocar em nada – disse o André bué arrependido
- Não me têm que pedir desculpa a mim mas sim à vossa amiga, ela é que sofre – fez uma pausa – bem já passou. Agora vou vos pedir para irem embora para a Carolina poder descansar nós pedimos desculpa mais uma vez e fomos embora
            Na passagem de ano, o André convidou-me a mim, Tomás, e Olívia para nos juntarmos a ele e aos amigos da faculdade. Fomos todos para os aliados ver o fogo-de-artifício, andar a passear pelas ruas do coração da cidade. Vimos gente bem alegre, eu e o Tomás fartamo-nos de rir com as figurinhas que alguns estavam a fazer e a dizer. Outros já nem se seguravam em pé, uns rapazes que estavam connosco também estavam assim. Realmente as pessoas não se sabem divertir nem têm noção do ridículo, mas enfim… Paramos na praça dos leões, quando vi o André a pegar no charro de um amigo
- André, o que estás a fazer com isso na mão?
- Também queres?
- Estás maluco? Isso faz tão mal à saúde.
- Experimentar não faz mal nenhum e posso não gostar
- Mas podes gostar e depois ficas um viciado
- Tem masé lá calminha
- Tu é que sabes mas depois não digas que não te avisamos
- André, devias ouvir a Magda ela tem razão isso não faz nada bem e o teu corpo pode reagir muito mal a isso – disse a Olívia calmamente, o André deu a primeira passa e engasgou-se. Começámo-nos todos a rir
- Oh moço deixa isso que além de não te fazer bem, não tens jeitinho nenhum – disse o Tomás em tom de brincadeira.
- Vamos? o meu pai chegou e está ali à nossa espera – despedi-me de todos até chegar ao André espero que penses bem no que estás a fazer
- Não te preocupes comigo, eu fico bem! - virei costas, juntamente com a Olívia e Tomás – preocupa-te masé com o argentino – preferi fazer de conta que não entendi o que ele tinha dito e segui caminho
            Na manhã desse dia, o Pedro veio visitar a Carolina que continuava sem dar sinais de melhoria. Como ele está em Lisboa é complicado vir cá, porém todos os dias liga ou manda mensagem a perguntar como ela está.

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Pedro enquanto estava no quarto da Carol

- Olá princesa – deu-lhe um beijo na testa e sentou-se ao lado dela – peço desculpa por não vir cá todos os dias, mas como deves saber voltei ao trabalho e morar em Lisboa não é fácil – olhou para ela e nada – O Sr. Jorge contratou uma rapariga para o teu lugar, ele ficou muito preocupado quando lhe contei o que se tinha passado e disse para não te preocupares que o lugar será novamente teu – começou a fazer-lhe festinhas na mão – O teu Happy Meal está muito bom de saúde, vou lá todos os dias dar-lhe de comer, ele tem muitas saudades tuas e de vez enquando tenho ficado a dormir lá, não te importas pois não? – não obteve qualquer resposta – A minha mãe, a dona Margarida, como tu lhe adoras chamar, mandou um grande beijinho e quer que recuperes rápido para ires lá a casa almoçar deu-lhe um beijo - Lembraste de eu te contar que deixei o curso de Gestão do Desporto em Julho por falta de tempo? Então decidi que vou voltar agora no segundo semestre. Falei com o Sr Jorge para alterar o meu horário para fazer tardes e noites e aproveito a manhã para assistir às aulas e como tenho possibilidade acabar tudo este ano, faço o primeiro semestre em Setembro – fez uma pausa à espera que ela lhe abraçasse e dissesse “boa, parabéns” mas nada aconteceu – espero que fiques orgulhosa de mim, vou dar o meu melhor. Tenho tantas saudades tuas, minha nortenha. – deu-lhe um beijo na mão – bem tenho que ir, ainda volto hoje para Lisboa que amanhã entro as 9h no trabalho. Vou tentar voltar cá no próximo domingo – deu-lhe um beijo no canto da boca e sussurrou-lhe ao ouvido – amo-te – e saiu.

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            Os dias passaram-se entre estudar para os exames da faculdade e as saídas com os amigos. Hoje é sábado, como não há escuteiros e joga o Benfica pedi às enfermeiras para levar o portátil comigo e assistir ao jogo com a Carolina, elas deixaram na condição de não fazer muito barulho para não perturbar ninguém.
- Vamos ver o jogo? – perguntei eu olhando para o relógio vendo que estava já na hora de começar. Liguei o portátil e coloquei tudo operacional – olha o Gaitán está de regresso ao onze, o estúpido não me disse nada – claro que estava contente pelo regresso dele aos relvados era sinal que estava recuperado e já podia fazer aquilo que tanto admiro nele, mas sinto-me triste por ele não me ter dito nada, nem uma simples mensagem de “olha besta, eu hoje vou jogar” – olha o Salvio e o Lisandro também estão, hoje estamos com sorte - o jogo começou, e aos doze minutos o Gaitán faz assistência para o Jonas marcar de cabeça. O Benfica até ao intervalo impôs muita velocidade e pressionou bastante o adversário, criando várias situações de perigo – hoje o Benfica voltou a brilhar, está a fazer uma boa primeira parte. E os nossos moços estão a fazer um bom trabalho, podiam era marcar – a segunda parte começou ao ritmo da primeira, e minutos depois o Benfica volta a marcar mas desta vez pelos pés do Lima, concluindo uma excelente jogada de toda a equipa – viste esta jogada de equipa? Isto sim é jogar à Benfica. Já tinha saudades destes momentos – o jogo continuou com o domínio total do Glorioso, em cada lance era perigo para a baliza adversária. Perto do fim, o Samaris recupera a bola no meio campo, faz um passe longo para o Salvio que recebe com o peito, passa ao Lima, este volta a passar ao 18 que cruza para o Nico finalizar – goloooooo – estava eu a levantar-me da cadeira para festejar o golo quando sinto um puxão no braço – Carol? – olhei para ela, que estava a sorrir e com uma lágrima no canto do olho. Agarrei na mão dela – Carol? Carol, estás ouvir? Fala comigo por favor – esperei que ela voltasse a reagir mas nada – Carolina, se me estás a ouvir aperta-me a mão – olhei para mão mas nada – por favor aperta – nesse instante voltou apertar – enfermeira, enfermeira – entrou uma a correr no quarto
- Menina, o que se passa?
- Ela…ela apertou-me a mão
- Tem a certeza disso?
- Sim, foi golo e quando saltei da cadeira ela puxou-me o braço
- Não terá sido impressão sua?
- Não. Antes de a chamar disse “se me estás ouvir aperta-me a mão” e ela voltou a fazê-lo. Isto é bom sinal não é?
- Sim mas não nos precipitemos, temos que fazer exames para perceber o que se passou
- Ela vai acordar não vai?
- Menina, tenha calma. Isto pode não passar de um ato involuntário, por os músculos estarem há muito tempo parados
- E acha que se fosse isso, quando perguntei aquilo ela voltava a fazê-lo?
- Não sei, o médico vem aí para examiná-la
- Eu não saio daqui sem saber o estado dela
- Vá para casa menina, e amanhã quando vier já terei novidades – a enfermeira lá me convenceu a vir embora. Liguei à mãe da minha amiga a contar o que se tinha passado, e como é óbvio a senhora ficou muito feliz de saber que a filha finalmente estaria a reagir. Combinei com ela que passaríamos lá amanhã para saber como a Carol estava.
            Fui para casa e não podia estar mais feliz, a minha amiga finalmente deu os primeiros sinais, o Benfica ganhou 3-0, o Gaitán voltou a jogar e marcou!!! Ai estou tão contente :D Depois do jantar com tanta felicidade não resisti, peguei no telemóvel e enviei a seguinte mensagem:
            Para: Nico
- Hola, se calhar já não te lembras de mim. Quero-te agradecer pelo presente de natal e para te felicitar pelo excelente jogo que fizeste, ainda bem que já estás a 100%, já tinha saudades de te ver brilhar ;) Parabéns pelo golo! Magda**
            Uns quinze minutos depois o meu telemóvel apita.
            De: Nico
- Claro que me lembro de ti, como poderia esquecer? Antes de mais muito obrigado pelo apoio ;) Depois tenho que te pedir desculpa por não ter enviado mensagens mas pensei que tivesses chateada comigo pelo que fiz no outro dia no hospital. Peço desculpas pelo que fiz, espero que me perdoes! Gostaste do presente? ** Ps: te echo de menos **

- Sim fiquei aborrecida contigo, e fiquei muito triste por nem sequer dizeres que vais voltar a jogar! Porém, estou demasiado feliz para não te perdoar, mas não abuses da sorte :b Acertaste em cheio, gostei imenso :D muchas gracias ;) ** ps: anda visitar o Porto :b

- Essa felicidade toda deve-se ao meu golo? :b ainda bem, estava com medo que já tivesses esse ;) ps: quem sabe se não é para breve? :b

- Ai que convencido! A Carolina, a minha amiga, hoje depois da jogada do Salvio para o teu golo puxou-me pelo braço, sorriu e apertou-me a mão :D sabes o que isso significa? Ela está a recuperar :D e claro que também estou feliz pelo teu golo, é sempre bom ver o meu ídolo marcar e fazer um excelente jogo, principalmente quando volta de uma lesão ;) adorei o pormenor da bandeira da argentina! ** ps: Vens mesmo?

- Isso é muito bom, tenho que dizer ao Toto que ele finalmente fez algo de jeito :b obrigada pelas palavras e pelo carinho ;) sabia que ias gostar :b ps: veremos **

- Oh coitado, ele direta ou indiretamente ajudou a minha amiga a recuperar e tenho que lhe agradecer isso, por favor dá-lhe o meu recado! Terás sempre o meu apoio enquanto fã ;) Vou dormir. Boa noite **

- Eu dou o recado ;) só enquanto fã? Boa noite ** hasta ;)

2 comentários:

  1. Olá

    Adorei , Adorei , Adorei ! E a Carol deu os primeiros sinais , tão bom , agora quero que ela acorde , abre o olho rapariga ... O Pedro é tão querido com ela , cada vez adoro mais esta fic *_*


    Quero o próximo !

    Beijinhos


    Catarina

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