(Carolina)
Hoje foi um dia demasiado cansativo,
nunca me senti assim, mas o que vale é que tenho a Magda comigo e poderá
cozinhar para mim. Será que tenho alguma coisa para comer em casa? Ó tona,
claro que tens ainda ontem foste às compras!
- Ias a algum lado sem mim? – dei um salto
quando senti a tocarem-me no braço – não
é preciso assustares, sou só eu – disse a Magda
- Ia distraída, aqui nos meus
pensamentos
- Deu para perceber
- Então correu bem o passeio? – dirigimo-nos
para a saída do Colombo
- Muito bem, finalmente percebi o que se
passava com a Belém
- Atão?
- Era por causa da Rocio
- Ah? Queria que essa feiosa fosse
namorada do Nico em vez de ti?
- Mais ou menos, pensou que se eu fosse
namorada dele, ela não podia continuar amiga da outra
- Coitadinha, tão inocente
- Mas já ficou tudo esclarecido
- Ainda bem
- Agora temos nós que esclarecer certas
coisas
- O quê?
- Achas bem aquele festival em casa do
Osvaldo? Não achas que abusaram um bocadinho?
- Sim abusamos um bocado mas sou- te
sincera nunca pensei que estivéssemos a fazer muito baralho, só quando vieste à
varanda é que demos conta
- Pois e não sei qual dos dois o pior. É
que o outro devia saber que tem que descansar para estar bem para jogar
- Acho que sou eu, fui eu que insisti
com ele para irmos para a piscina mas já me arrependo! Prejudiquei toda a gente
- Também não exageremos, é só que
fizeram muito barulho, ainda por cima numa casa que não é vossa
- Fizemos cagada, i know! O pequeno-almoço
ao menos compensou?
- Siiiiiiii, eu gostei muito!
- Ainda bem, missão cumprida – ia virar à
esquerda na porta do shopping como sempre faço quando vou a pé
- Vamos pelo outro lado, que tenho ali o
carro
- Tens o carro? O outro como veio para o
estádio?
- Viemos no meu carro, amanhã levo-o a
casa
- Significa que estou sozinha?
- Nop, vamos ter festa em casa dele
- Ele deixa-me ir?
- Sim e disse que desta vez podes fazer
barulho à vontade
- Vou levar isso à risca, vai ser party
all night –
rimo-nos
- És mesmo doida
- Amanhã então temos que ir às compras,
certo?
- Nop, a dona Rute já tratou de tudo
- A dona Rute também não quer ir lá para
casa? Mas tem que ser de borla
- Não me parece
- O que vou vestir? – entrámos no
carro para uma curta viagem até casa e fomos a falar sobre o que vestir
Quando chegamos a casa, fizemos o
jantar, comemos, arrumamos tudo e fomos para o sofá ver televisão.
- Não te contei – peguei o no
telemóvel – o Afonso deu sinais de vida
- A sério? Que disse?
- Pega, lê – dei-lhe o tele
para a mão
Afonso
– estou a ver que encontraste aí a felicidade (desculpa a demora)
Carolina
– já achei mais que isso (as aulas de dança correram bem? Ahahahah)
-
Então porque? (Ah? Aulas? Não entendi)
-
Coisas da vida (esqueceeee)
-
Queres falar?
-
Não é nada de grave e quem sabe com o tempo descobrirás :)
-
Parece-me bem
-
Estás preparado para sábado perder?
-
Ahahahahah isso é que é confiança
-
Tens que admitir que o Benfica tem melhor equipa que o Boavista
-
Isso não quer dizer nada, o Porto também tinha melhor equipa e não foi além de
um empate em casa
-
Tens razão mas eu confio no meu Benfica
-
Confiança em excesso é mau
-
Esta é moderada
-
Veremos quem ganha! No final do jogo, podes vir ter comigo?
-
Para que?
-
Foto
-
Poder posso falta saber se quero ahahahahah
-
Ahhhh está bem
-
Ó tono, senão quisesse não te respondia
-
Tona
-
Mas que? Isso é tudo saudades?
-
Nop, só quero a nossa foto
-
Tu e o raio da foto, já te disse que estamos horríveis
-
Mais uma razão para remediar o problema
-
Da minha parte é possível, já da tua não posso dizer o mesmo
-
:(
-
Brincadeirinha, relaxa
-
Tarde de mais, magoaste os meus sentimentos
-
Tens disso?
-
Dizem que sim
-
Olha que isso é perigoso
-
Tu não tens?
-
Só de vez enquando
-
Raramente não?
-
Vês como sabes ahahahahah Essa foto que postaste só mostra que não fazes nada
- Qual foto? – perguntou a
minha amiga
- Esta – fui ao
instagram dele e mostrei a foto
- Trabalha imenso – rimo-nos e ela
continuou a ler
-
O que tem? Cheguei a casa depois do treino e adormeci no sofá
-
Os cães são os únicos que se safam nessa foto
-
Já sei que sou feio, escusas estar sempre a bater no ceguinho
-
Ups o menino ficou ofendido
-
Já me começo a habituar a ser chamado de feio pela tua parte
-
É só para esse ego não aumentar
-
Achas-me convencido?
-
A little bit
-
Porque?
-
Não sei explicar, tens ar disso
-
És a primeira pessoa que me diz isso
-
Se calhar sou a única com coragem para te dizer, já pensaste nisso? Ahahahah
-
Porra, tu não dás hipótese
-
O que tiver a dizer, digo, não mando recados
-
Fazes muito bem, gosto de pessoas frontais
-
Eu sei que me adoras ahahah
-
Depois eu é que sou o convencido, está certo
- Coitado do moço, estás sempre a
chamar-lhe feio –
comentou a Magda
- É para ver se ele baixa a crista, já
te disse que o acho um convencido de primeira
- Eu acho que vais é acabar com a
auto-estima do rapaz – rimo-nos
-
Quando vens para Lisboa?
-
Sexta, devemos chegar ao final do dia
-
Muy bien, muy bien
-
También hablas español?
-
Siiiii, me gusta mucho. Tu también? O sólo lo esencial?
-
Esencial, me encanta más english
-
No me gusta ahahahah
-
Então falemos português xD
-
É melhor é melhor
-
Que música costumas ouvir?
(o
resto da conversa foi a falar de músicas favoritas, cantores de eleição,
bandas, também falamos de filmes que gostamos, séries que vimos, etc)
-
Cheguei a Lisboa
- Ainda não lhe respondeste?
- Não sei o que dizer
- Desejas uma boa estadia ou coisa do
género
- Ele que espere, amanhã no final do
jogo respondo
- Ok tu é que sabes
- Vamos dormir? - bocejei
- Si, si – levantamo-nos
do sofá e fomos para a cama
Marcavam 10h37 no relógio do meu
telemóvel quando abri os olhinhos e a minha amiga estava na cozinha a preparar
o pequeno-almoço
- Podes ficar aqui durante um mês? – comentei
- Ah?
- Ficas aqui em casa para me preparar o
pequeno-almoço todos os dias – sentei-me na cama – também podes servir na cama? – ri-me
- Não querias mais nada, não?
- Por acaso até queria
- Levanta masé o cu dessa cama e anda
para a mesa comer estas torradas maravilhosas – levantei-me
logo para me juntar a ela, o cheirinho deixava água na boca
- Confirma-se, quero-te aqui em casa
para sempre
- Só me queres cá para ser tua
empregada, não tens direito a nada
- Eiiiii sabes que não é só por isso
- Pois pois
- Mas tu preferes ir lá para o gelo da
Suécia
- Para combinar comigo
- Ya já que és uma pessoa fria
- Si, a cultura deles é assim
- Podias vir fazer Erasmus para Lisboa e
poupavas em estadia e viagens
- Acho que a isso não se chama Eramus
- Passa a chamar-se
- Ok ok, mas tu sabes que eu adoro
conhecer sítios novos, novas cidades, novas culturas. E são só seis meses,
aguentas bem sem mim
- Que remédio, vou ter que aguentar
- E se calhar ainda volto ao fim de um
mês
- Fazes isso e ponho-te no primeiro
avião de volta
- Eu sei que te queres ver livre de mim
mas assim tanto?
- Tenho que aproveitar a deixa
- Parva – bateu-me no
braço
- Também te gramo – levantei-me
para colocar a louça na banca – sempre
me ajudas a arrumar aqui a minha mansão?
- Já te disse que sim
- Gracias gracias – ela levantou-se
e começamos por arrumar a cozinha
Quando terminamos de arrumar o resto
da casa,o que foi rápido, já que ela não é muito grande, a Magda foi tomar
banho e eu fiquei a tratar do almoço para depois irmos para o estádio.
Almoçamos, fui tomar banho enquanto ela lavava a louça. Fizemos uma malinha
para levar pois vamos dormir novamente em casa do Osvaldo e quando terminamos
tudo, peguei nos bilhetes e saímos de casa rumo ao Estádio da Luz.
Pela primeira vez, íamos deixar o
carro na zona vip, o que dava um nervoso miudinho. Será que os seguranças nos
vão deixar passar sem qualquer problema? Será que as outras pessoas vão olhar
para nós de lado? Ai que vergonha!!!! Tudo correu bem, o segurança reconheceu a
Magda por ontem ter ido levar o Nico ao estádio. Lá dentro um segurança
disse-nos onde o argentino costuma deixar o dele, e a minha amiga estacionou
lá. O senhor também nos disse que se esperássemos cinco a dez minutos, os
jogadores estavam para chegar e assim podíamos vê-los
- Esperamos? – perguntei
- Si, temos tempo – ficamos ali e
passado pouco tempo os campeões chegaram
Os jogadores e a equipa técnica
foram saindo e como sempre as amélias foram das últimas. Primeiro passou o
Salvio que sorriu e disse olá, depois vieram os outros dois
- Que fazem aqui? – perguntou o
Lisandro
- Viemos ver o andor passar – respondi
- Sempre com resposta – deu-me um beijo
na bochecha
- Já sabes que sim – cumprimentei o
Nico – tenham juízo em campo
- É para ganhar – comentou o
Gaitán
- Acho muito bem – disse a Magda – ide embora antes que levem raspanete – deu
um beijinho no namorado, eles entraram e fomos embora dali
Antes de entrarmos no estádio, demos
uma volta pela megastore, ficamos a apreciar aquele ambiente maravilhoso dos
adeptos e quando as portas abriram fomos para o nosso lugar habitual, atrás do
banco de suplentes do Benfica. Entraram primeiro os guarda-redes para
aquecimento e depois a restante equipa.
- Está ali o teu amigo – comentou a minha
amiga
- Que amigo?
- O Afonso – apontou na
direção dele
- Deixa-o estar descansado
- Já lhe respondeste?
- Não, no final do jogo mando mensagem a
dizer que estou à espera dele para gozar com ele
- E se ele ganha?
- Não apareço lá, mas como ele não vai
ganhar
- Muita confiança
- Sempre
As equipas recolheram ao balneário,
houve o habitual voo da águia Vitória que deixa qualquer um fascinado e as
equipas entram em campo ao som do hino do glorioso. O onze do Benfica é: Júlio
César, Maxi, Luisão, Lisandro, Eliseu, Samaris, Pizzi, Salvio, Gaitán, Jonas e
Lima. O onze do Boavista é: Mika, Beckeles, Fábio Ervões, Carlos Santos, Cech,
Afonso, Tengarrinha, Mandiang, Owusu, Zé Manuel e Uchebo. Aos sete minutos
surgiu o Lima que depois de uma diagonal, o guarda-redes tirou a bola com os
pés que ainda sobrou para o Gaitán. Este picou por cima e bateu na trave.
- Fogo Nico, isso não se desperdiça – comentei
- Foram os nervos, da próxima ele marca
- Espero bem que sim
Pouco tempo depois outra excelente
jogada com o Lima que isola o Salvio que também tenta o chapéu, mas o Mika
conseguiu agarrar a bola. Está a ser um início de jogo muito forte do Benfica,
assim dá gosto de ver. Muitas jogadas de ataque mas a finalização ainda não
está afinada.
- Olha para os treinadores – disse a Magda,
olhei e rimo-nos
- Ambos a gesticular bastante para
dentro do campo, é assim mesmo
- GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO – gritou todo o
estádio, inclusive nós as duas que saltamos da cadeira
Maxi ganha a bola na zona central do
meio campo, picou para Lima e este cabeceia por cima do guardião, não dando
qualquer hipótese. Está feito o primeiro! Já rolava a bola quando o Samaris dá
uma carga de ombro no Afonso que cai fora das quatro linhas, entretanto rebola
para dentro do campo, foi mesmo à nossa frente
- Viste este palhaço? – perguntou a
minha amiga e eu só conseguia rir –
Levanta-te ó fiteiro
- Desculpa mas teve imensa piada – o árbitro
interrompe a partida para assistirem o Afonso, o que gera grande assobiadela
por parte dos benfiquistas
- Já não gosto dele! Vais-lhe dizer que
em vez de aulas de dança tem que ter aulas de teatro que aquilo foi mal
encenado –
rimo-nos
Pouco tempo depois na sequência de
um canto, a bola sobra para os pés do uruguaio que remata sem qualquer hipótese
de defesa
- GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO – gritaram
novamente os adeptos
- El mono assiste e marca – comentou a
Magda
- E a dedicar o golo ao bebé que vai
nascer, tão querido
O jogo foi para intervalo com a
equipa da casa a dominar claramente. Algum tempo de descanso e as equipas
regressam ao campo. Aos 54 minutos falta do Afonso dentro da grande área sobre
o Samaris que conseguiu furar a defensiva axadrezada. Penalti para o Benfica
que é convertido pelo Jonas
- GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO – mais uma vez, os
benfiquistas têm a felicidade de saltar das cadeiras
Passado dez minutos, uma espetacular
jogada de Salvio, da direita para o meio, liberta a bola para Pizzi mas este
tentou o cruzamento e foi para fora
- Estrábico de um raio, não sabe fazer
um cruzamento de jeito - resmunguei
- Não sei para que insiste em fazê-lo, é
isso e marcar cantos! Não acerta um
- A culpa é do treinador que diz que ele
sabe marcar! –
olhei para o mister – e para nossa
tristeza vai entrar o Talisca, ninguém merece
- Desde que tire o Pizzi – o árbitro
mostra a placa – o quê? Vai sair o Nico?
Estás a gozar com a minha cara?
- Isto só pode ser uma brincadeira
- Já não quero ver mais este jogo,
podemos ir embora?
- Não sejas assim, pelo menos o Osvaldo
recebe uma ovação –
todos os adeptos estavam de pé a gritar “Nico Nico Nico” e ela riu-se
- Coitado do meu polito, ele fica mesmo
sem jeito com estas demonstrações dos adeptos.
A dez minutos para o final da
partida, finalmente o Boavista consegue criar algum perigo. Uma arrancada do
Afonso pela esquerda consegue o cruzamento, porém o Zé Manuel não consegue
finalizar por milímetros. Noutra boa jogada dos axadrezados, o meu amigo foge
para o meio mas o Lisandro mais bruscamente tira a bola e o português fica no
chão a pedir assistência.
- Lisandro Ezequiel, o que foste tu
fazer?
- Tchiiii vai começar, mandem vir as
pipocas
- Goza goza. O moço está mesmo mal
- Não tenho pena nehuma, aquilo é tudo
fita, vais ver que de caminho está de pé
Até o árbitro dar o apito final, o
jogo foi calmo sem grandes lances. Assim que terminou os jogadores
cumprimentaram-se. O Licha foi pedir desculpa ao Afonso, o que me deixou mais
descansada, ainda deram um abracinho. Saíram todos para o balneário, nós
pegamos nas nossas coisas e fomos embora. Saímos na nossa porta mas tivemos que
ir até à porta ao lado, à zona vip, para podermos ir ter com os outros assim
não tínhamos que passar pelos adeptos.
- Já mandaste mensagem ao fiteiro? – perguntou-me a
Magda quando já estávamos sentadas na zona de espera
- Vou mandar agora
- Vou ter uma conversinha com ele
- Vais nada, não me envergonhes
- Ai vais ver então! Ele pensa que é
quem para fazer aquilo? Parvalhão
- Ohhh – peguei no
telemóvel
Carolina
– estou à tua espera na zona de espera das famílias, descobre onde é ;)
Afonso
– em vez de ser à procura do nemo, é à procura da Carol
-
Carol? Mas andei contigo na escola?
-
Carolina, peço perdão
-
Despacha-te
-
Sim, chefe
- O teu amigo disse que já vem
- Ele não é meu amigo – resmungou a
Magda
- Tanto amor – nesse momento
senti alguém a tocar-me no ombor, virei-me –
que susto
- Já sei que sou feio – respondeu o
Afonso
- Ainda bem – cumprimentei-o
com dois beijinhos – esta é a Magda,
Magda este é
- O fiteiro, eu sei – ele ia-lhe a
dar dois beijinhos mas ela friamente esticou o braço para um aperto de mão
- Ah? Tenho um novo nome e não sei
- Explicas tu ou queres que explique eu?
- Eu explico, eu explico – disse
imediatamente – sabes aquele lance que
te arrastaste para dentro do campo? – ele acenou que sim – nós não gostamos nada, foi mesmo de mau
- Então estava ali cheio de dores e o
árbitro não interrompia
- Mas podias muito bem esperar fora, não
era preciso rebolar para dentro de campo – repostou a Magda
- Tens razão, peço desculpa
- Não é só a mim que tens que pedir
desculpa, mas sim a toda uma nação benfiquista
- Ei que exagero
- Ela tem razão – disse – sabes
que depois disso começaste a ser assobiado e se eu o soubesse fazer também me
juntava a eles
- Também eu – respondeu logo
a minha amiga
- Pronto pronto já percebi que estive
mal, irei pedir desculpa nas minhas redes sociais
- Acho bem!
- Afonso, dentro de cinco minutos temos
que ir embora –
veio um senhor do Boavista informá-lo
- Ok, já vou então – tirou o
telemóvel da mochila – vamos tirar a
nossa foto? Não me esqueci
- Bolas – aproximei-me
dele e tiramos umas quatro ou cinco fotos para ter a certeza que alguma ficaria
minimamente bem – se partilhas isso em
algum lado mato-te
- Está descansada – nesse momento,
as duas amélias chegaram ao pé de nós. O Osvaldo deu um beijo na boca da sua
namorada e o Lisandro deu-me um beijo no canto na boca, para minha surpresa. Vi
logo na cara do boavisteiro que não estava à espera de ver aquilo – bem tenho que ir – cumprimentou os
rapazes e saiu dali
- Hoje estava difícil saírem dos
balneários –
comentou a Magda
- Estávamos a apresentar as instalações
aqui ao Lucas –
respondeu o Nico
- Ao menos apresentavam o rapaz
- Lucas é a Magda e a Carolina – apresentou o
Licha e cumprimentamo-nos
- Já podemos ir embora? – perguntei - Tenho fome
- Sim, também estou – respondeu a
Magda
- Vens comigo? – perguntou-me o Lisandro
quando íamos para o carro
- Sim, assim o casal vai à vontade
- Sabes que não incomodas – disse o Nicolas
- WOW que querido!!!! Merecem cinco
minutos sozinhos, já me vão aturar a seguir – ri-me
- Gracias
Entramos nos respetivos carros,
liguei logo o rádio para ver que música o senhor Licha andava a ouvir.
Chino&Nacho começou logo a tocar com a música Ninã Bonita e juntei-me a
eles
- Lo que siento por ti es ternura y
pasión tú me has hecho sentir que hay en mi corazón tanto amoooor tanto amoor
- Yo nací para ti y tú también para mí y
ahora sé que morir es tratar de vivir sin tu amoor sin tu amoor – cantarolou o Lisandro, olhamos um para
o outro e rimo-nos.
O
refrão cantamos os três
Mi niña bonita mi dulce princesa
Me siento en las nubes cuando tú me besas
Y siento que vuelo más alto que el cielo
Si tengo de cerca el olor de tú pelo
Mi niña bonita brillante lucero
Te queda pequeña la frase Te Quiero
Por eso mis labios te dicen te amo
Cuando estamos juntos más nos enamoramos
Aquí hay amoor
Aquí hay amoor
Aquí hay amoor
amor
Aquí hay amoor
amor
Aquí hay hay hay
hay hay hay amor
Passamos a
habitual zona dos adeptos, onde o argentino parou para tirar fotos e dar alguns
autógrafos.
- Ó Lisandro, quem é a namorada do Nico?
–
perguntou um adepto - Ela é bem gira – olhou
para mim e rimo-nos
- Só ele te pode responder
- Mas é portuguesa?
- Não, é sueca – respondi
- Bem me parecia que não era portuguesa!
Esta é a tua?
- Minha? – perguntou o
Licha
- Tua namorada – voltou a olhar para
mim
- Não, é a amiga
- Chama-lhe amiga, chama – desatei a rir – não chateio mais – foi-se embora e
nós arrancamos dali
Chegamos em quinze minutos a casa do
Gaitán, estacionamos, pousamos as coisas e fomos jantar, estávamos todos com
fome. Quando terminamos, levamos a louça toda para a cozinha, colocamos as
coisas na máquina de lavar para a dona Rute não ter muito trabalho depois.
Fomos para a sala, eu e a minha amiga estávamos num canto a conversar e os
rapazes a jogar playstation.
- Não se cansam de jogar aquilo, é
impressionante –
comentou a minha amiga
- Já vais ver o que vou fazer – levantei-me,
desliguei a televisão
- Nooo – gritaram em
coro
- Chega!!! Vocês passam a vida nisto,
todos os santos dias! Vieram de um jogo de futebol e o que fazem? Jogam
futebol! Eu não vim para aqui para ficar olhar para as vossas excelências, vim
para me divertir convosco – olho para o Lucas – e o Lucas não deve estar a perceber nada do que estou para aqui a
dizer mas deve concordar comigo, pois não veio a Portugal para jogar play.
Aposto que na Argentina também tem disso, não é? – voltei a olhar para ele
que se ria – por isso pousem já esses
comandos e vamos fazer algo mais interessante
- É isso mesmo – a minha amiga
levantou-se, tirou o comando da mão do Nico e puxou-o do sofá, e eu fiz o mesmo
ao Licha
- O que querem fazer? – perguntou o
dono da casa
- Tens cartas? – perguntei
- Si
- Então vai buscar – tirei as
decorações da mesa, fui buscar uma toalha, lá encontrei uma nas gavetas
- Está aqui, que vamos jogar?
- Todos sabem jogar poker, certo?
- Eu não – respondeu a
Magda
- Eu explico-te já as regras. Como não
temos fichas, vamos fazer o seguinte: quem perder tem que beber um shot de
vodka
- Estou lixada! – rimo-nos – pode ser com sumo? Senão vou ficar logo
bêbeda de tanto perder
- Que pessimista!!! – comentou o
Lisandro
Expliquei as regras do poker, ou
melhor as sequências possíveis que podia fazer para ter jogo e possibilidades
para ganhar. Como foi de esperar nas três primeiras jogadas ela perdeu mas
depois foi o Lucas que começou a beber e como o moço já estava demasiado
animado decidimos mudar de jogo. O segundo jogo era aquele de colar uma
personagem na testa e a pessoa tinha que adivinhar quem era, senão acertava
bebia um shot. Foi tão divertido, ver as figurinhas que cada um ia fazendo para
descobrir, rimo-nos até a barriga doer. Quando me levantei para ir ao wc,
reparei que o Lucas já estava a dormir.
- Nico, arranja-me uma caneta
- O que vais fazer? – perguntou o
irmão do dorminhoco
- Vou riscar a cara
- Faz bonequinhos – sugeriu a Magda
- Escreve na testa Jaz e põe um coração,
que depois tiro foto e mando à rapariga – pediu o Lisandro, o Nico deu-me
a caneta
- Espero que não se mexa – comecei a
riscar devagarinho para que ele não acordasse, passado algum tempo consegui
terminar – está pronto
- Vou tirar foto – ele tirou e
mandou pelo whatsapp à amiga. Enquanto isso eu e a minha amiga continuamos a
fazer desenhos na cara do rapaz – já não
chega?
- Agora deixa terminar este – eu e a Magda
terminamos a nossa obra de arte e depois fomos com os outros dois para o jardim
Aqui preferimos ficar mais por
“casais” para também termos um tempinho a sós. Estava deitada agarrada ao
Lisandro numa das espreguiçadeiras junto à piscina a conversar, e a minha amiga
estava sentada no colo do argentino no sofá do alpendre.
- O que tanto falavas com o outro? – perguntou o
Licha
- Qual outro?
- O tipo do Boavista
- Ahhhh esse cromo. É o Afonso.
Estava-lhe a dizer que não gostei da atitude dele no jogo
- O que ele fez?
- Quando ele rebolou literalmente para
dentro do campo para o árbitro o assistir e quando o jogo foi interrompido ele
levantou-se logo. Detesto quando fazem isso
- O típico de quem joga em equipas
pequenas
- Pois, mas também te vou dizer que não
gostei nada daquela tua entrada nele, parecia que ias tirar as pernas ao rapaz
- Aquilo não foi nada, foi mais o
impacto ao cair no chão
- Pois pois, eu bem vi o teu sorrisinho
depois da falta
- Não viste nada, xiu! – deu-me um beijo
na bochecha – mas vocês estavam
todos felizes e contentes quando eu e o
Gaitán chegamos
- Ciúmes, Lisandro Ezequiel?!?
- Claro que não. Não tenho razões para
tal
- Mentes tão mal
- Ai minto? – acenei que sim
e começou a fazer-me cócegas que só terminou quando fomos parar à relva.
Ele ficou por cima de mim, ficamos
momentos em silêncio a olhar um para o outro até que fomos interrompidos
- Pombinhos, se querem fazer poucas
vergonhas ide para um lugar privado – comentou a Magda
- Grande ideia – respondi, olhei
para o Eze que se ria
- É só para avisar que nós vamos dormir
–
avisou o Nico
- Na tua terra chama-se dormir? Na minha
tem outro nome –
levantamo-nos
- Carolina! – resmungou a
“sueca”
- Também te adoro – abracei-a
- Amigas assim quem precisa de inimigos
- Osvaldo, cuidado isto já é o sono a
falar mais alto misturado com um bocadinho de álcool no sangue – desatamos a
rir, fomos os quatro para dentro – este
vai ficar aqui? – apontei para o Lucas
- Si, vou só buscar uma manta para ele
não ter frio durante a noite – disse o dono da casa
- É melhor, senão fica doente – respondeu a
Magda – ó Carol, podias tu dormir aqui e
os manos dormiam no quarto – sugeriu a minha amiga
- Estás doida? Eu preciso que alguém me
aqueça –
olhei para o argentino, pisquei o olho e rimo-nos.
O Nico foi buscar a manta, cobrimos
o rapaz e fomos para os respetivos quartos.

Sem comentários:
Enviar um comentário