segunda-feira, 10 de outubro de 2016

42º Capítulo - tardes difíceis...

(Carolina)

            Hoje foi um dia demasiado cansativo, nunca me senti assim, mas o que vale é que tenho a Magda comigo e poderá cozinhar para mim. Será que tenho alguma coisa para comer em casa? Ó tona, claro que tens ainda ontem foste às compras!
- Ias a algum lado sem mim? – dei um salto quando senti a tocarem-me no braço – não é preciso assustares, sou só eu – disse a Magda
- Ia distraída, aqui nos meus pensamentos
- Deu para perceber
- Então correu bem o passeio? – dirigimo-nos para a saída do Colombo
- Muito bem, finalmente percebi o que se passava com a Belém
- Atão?
- Era por causa da Rocio
- Ah? Queria que essa feiosa fosse namorada do Nico em vez de ti?
- Mais ou menos, pensou que se eu fosse namorada dele, ela não podia continuar amiga da outra
- Coitadinha, tão inocente
- Mas já ficou tudo esclarecido
- Ainda bem
- Agora temos nós que esclarecer certas coisas
- O quê?
- Achas bem aquele festival em casa do Osvaldo? Não achas que abusaram um bocadinho?
- Sim abusamos um bocado mas sou- te sincera nunca pensei que estivéssemos a fazer muito baralho, só quando vieste à varanda é que demos conta
- Pois e não sei qual dos dois o pior. É que o outro devia saber que tem que descansar para estar bem para jogar
- Acho que sou eu, fui eu que insisti com ele para irmos para a piscina mas já me arrependo! Prejudiquei toda a gente
- Também não exageremos, é só que fizeram muito barulho, ainda por cima numa casa que não é vossa
- Fizemos cagada, i know! O pequeno-almoço ao menos compensou?
- Siiiiiiii, eu gostei muito!
- Ainda bem, missão cumprida – ia virar à esquerda na porta do shopping como sempre faço quando vou a pé
- Vamos pelo outro lado, que tenho ali o carro
- Tens o carro? O outro como veio para o estádio?
- Viemos no meu carro, amanhã levo-o a casa
- Significa que estou sozinha?
- Nop, vamos ter festa em casa dele
- Ele deixa-me ir?
- Sim e disse que desta vez podes fazer barulho à vontade
- Vou levar isso à risca, vai ser party all night – rimo-nos
- És mesmo doida
- Amanhã então temos que ir às compras, certo?
- Nop, a dona Rute já tratou de tudo
- A dona Rute também não quer ir lá para casa? Mas tem que ser de borla
- Não me parece
- O que vou vestir? – entrámos no carro para uma curta viagem até casa e fomos a falar sobre o que vestir
            Quando chegamos a casa, fizemos o jantar, comemos, arrumamos tudo e fomos para o sofá ver televisão.
- Não te contei – peguei o no telemóvel – o Afonso deu sinais de vida
- A sério? Que disse?
- Pega, lê – dei-lhe o tele para a mão

Afonso – estou a ver que encontraste aí a felicidade (desculpa a demora)
Carolina – já achei mais que isso (as aulas de dança correram bem? Ahahahah)
- Então porque? (Ah? Aulas? Não entendi)
- Coisas da vida (esqueceeee)
- Queres falar?
- Não é nada de grave e quem sabe com o tempo descobrirás :)
- Parece-me bem
- Estás preparado para sábado perder?
- Ahahahahah isso é que é confiança
- Tens que admitir que o Benfica tem melhor equipa que o Boavista
- Isso não quer dizer nada, o Porto também tinha melhor equipa e não foi além de um empate em casa
- Tens razão mas eu confio no meu Benfica
- Confiança em excesso é mau
- Esta é moderada
- Veremos quem ganha! No final do jogo, podes vir ter comigo?
- Para que?
- Foto
- Poder posso falta saber se quero ahahahahah
- Ahhhh está bem
- Ó tono, senão quisesse não te respondia
- Tona
- Mas que? Isso é tudo saudades?
- Nop, só quero a nossa foto
- Tu e o raio da foto, já te disse que estamos horríveis
- Mais uma razão para remediar o problema
- Da minha parte é possível, já da tua não posso dizer o mesmo
- :(
- Brincadeirinha, relaxa
- Tarde de mais, magoaste os meus sentimentos
- Tens disso?
- Dizem que sim
- Olha que isso é perigoso
- Tu não tens?
- Só de vez enquando
- Raramente não?
- Vês como sabes ahahahahah Essa foto que postaste só mostra que não fazes nada

- Qual foto? – perguntou a minha amiga
- Esta – fui ao instagram dele e mostrei a foto

 
“Tardes difíceis...”

- Trabalha imenso – rimo-nos e ela continuou a ler

- O que tem? Cheguei a casa depois do treino e adormeci no sofá
- Os cães são os únicos que se safam nessa foto
- Já sei que sou feio, escusas estar sempre a bater no ceguinho
- Ups o menino ficou ofendido
- Já me começo a habituar a ser chamado de feio pela tua parte
- É só para esse ego não aumentar
- Achas-me convencido?
- A little bit
- Porque?
- Não sei explicar, tens ar disso
- És a primeira pessoa que me diz isso
- Se calhar sou a única com coragem para te dizer, já pensaste nisso? Ahahahah
- Porra, tu não dás hipótese
- O que tiver a dizer, digo, não mando recados
- Fazes muito bem, gosto de pessoas frontais
- Eu sei que me adoras ahahah
- Depois eu é que sou o convencido, está certo

- Coitado do moço, estás sempre a chamar-lhe feio – comentou a Magda
- É para ver se ele baixa a crista, já te disse que o acho um convencido de primeira
- Eu acho que vais é acabar com a auto-estima do rapaz – rimo-nos

- Quando vens para Lisboa?
- Sexta, devemos chegar ao final do dia
- Muy bien, muy bien
- También hablas español?
- Siiiii, me gusta mucho. Tu también? O sólo lo esencial?
- Esencial, me encanta más english
- No me gusta ahahahah
- Então falemos português xD
- É melhor é melhor
- Que música costumas ouvir?
(o resto da conversa foi a falar de músicas favoritas, cantores de eleição, bandas, também falamos de filmes que gostamos, séries que vimos, etc)
- Cheguei a Lisboa

- Ainda não lhe respondeste?
- Não sei o que dizer
- Desejas uma boa estadia ou coisa do género
- Ele que espere, amanhã no final do jogo respondo
- Ok tu é que sabes
- Vamos dormir? - bocejei
- Si, si – levantamo-nos do sofá e fomos para a cama
            Marcavam 10h37 no relógio do meu telemóvel quando abri os olhinhos e a minha amiga estava na cozinha a preparar o pequeno-almoço
- Podes ficar aqui durante um mês? – comentei
- Ah?
- Ficas aqui em casa para me preparar o pequeno-almoço todos os dias – sentei-me na cama – também podes servir na cama? – ri-me
- Não querias mais nada, não?
- Por acaso até queria
- Levanta masé o cu dessa cama e anda para a mesa comer estas torradas maravilhosas – levantei-me logo para me juntar a ela, o cheirinho deixava água na boca
- Confirma-se, quero-te aqui em casa para sempre
- Só me queres cá para ser tua empregada, não tens direito a nada
- Eiiiii sabes que não é só por isso
- Pois pois
- Mas tu preferes ir lá para o gelo da Suécia
- Para combinar comigo
- Ya já que és uma pessoa fria
- Si, a cultura deles é assim
- Podias vir fazer Erasmus para Lisboa e poupavas em estadia e viagens
- Acho que a isso não se chama Eramus
- Passa a chamar-se
- Ok ok, mas tu sabes que eu adoro conhecer sítios novos, novas cidades, novas culturas. E são só seis meses, aguentas bem sem mim
- Que remédio, vou ter que aguentar
- E se calhar ainda volto ao fim de um mês
- Fazes isso e ponho-te no primeiro avião de volta
- Eu sei que te queres ver livre de mim mas assim tanto?
- Tenho que aproveitar a deixa
- Parva – bateu-me no braço
- Também te gramo – levantei-me para colocar a louça na banca – sempre me ajudas a arrumar aqui a minha mansão?
- Já te disse que sim
- Gracias gracias – ela levantou-se e começamos por arrumar a cozinha
            Quando terminamos de arrumar o resto da casa,o que foi rápido, já que ela não é muito grande, a Magda foi tomar banho e eu fiquei a tratar do almoço para depois irmos para o estádio. Almoçamos, fui tomar banho enquanto ela lavava a louça. Fizemos uma malinha para levar pois vamos dormir novamente em casa do Osvaldo e quando terminamos tudo, peguei nos bilhetes e saímos de casa rumo ao Estádio da Luz.
            Pela primeira vez, íamos deixar o carro na zona vip, o que dava um nervoso miudinho. Será que os seguranças nos vão deixar passar sem qualquer problema? Será que as outras pessoas vão olhar para nós de lado? Ai que vergonha!!!! Tudo correu bem, o segurança reconheceu a Magda por ontem ter ido levar o Nico ao estádio. Lá dentro um segurança disse-nos onde o argentino costuma deixar o dele, e a minha amiga estacionou lá. O senhor também nos disse que se esperássemos cinco a dez minutos, os jogadores estavam para chegar e assim podíamos vê-los
- Esperamos? – perguntei
- Si, temos tempo – ficamos ali e passado pouco tempo os campeões chegaram
            Os jogadores e a equipa técnica foram saindo e como sempre as amélias foram das últimas. Primeiro passou o Salvio que sorriu e disse olá, depois vieram os outros dois
- Que fazem aqui? – perguntou o Lisandro
- Viemos ver o andor passar – respondi
- Sempre com resposta – deu-me um beijo na bochecha
- Já sabes que sim – cumprimentei o Nico – tenham juízo em campo
- É para ganhar – comentou o Gaitán
- Acho muito bem – disse a Magda – ide embora antes que levem raspanete – deu um beijinho no namorado, eles entraram e fomos embora dali
            Antes de entrarmos no estádio, demos uma volta pela megastore, ficamos a apreciar aquele ambiente maravilhoso dos adeptos e quando as portas abriram fomos para o nosso lugar habitual, atrás do banco de suplentes do Benfica. Entraram primeiro os guarda-redes para aquecimento e depois a restante equipa.
- Está ali o teu amigo – comentou a minha amiga
- Que amigo?
- O Afonso – apontou na direção dele
- Deixa-o estar descansado
- Já lhe respondeste?
- Não, no final do jogo mando mensagem a dizer que estou à espera dele para gozar com ele
- E se ele ganha?
- Não apareço lá, mas como ele não vai ganhar
- Muita confiança
- Sempre
            As equipas recolheram ao balneário, houve o habitual voo da águia Vitória que deixa qualquer um fascinado e as equipas entram em campo ao som do hino do glorioso. O onze do Benfica é: Júlio César, Maxi, Luisão, Lisandro, Eliseu, Samaris, Pizzi, Salvio, Gaitán, Jonas e Lima. O onze do Boavista é: Mika, Beckeles, Fábio Ervões, Carlos Santos, Cech, Afonso, Tengarrinha, Mandiang, Owusu, Zé Manuel e Uchebo. Aos sete minutos surgiu o Lima que depois de uma diagonal, o guarda-redes tirou a bola com os pés que ainda sobrou para o Gaitán. Este picou por cima e bateu na trave.
- Fogo Nico, isso não se desperdiça – comentei
- Foram os nervos, da próxima ele marca
- Espero bem que sim
            Pouco tempo depois outra excelente jogada com o Lima que isola o Salvio que também tenta o chapéu, mas o Mika conseguiu agarrar a bola. Está a ser um início de jogo muito forte do Benfica, assim dá gosto de ver. Muitas jogadas de ataque mas a finalização ainda não está afinada.
- Olha para os treinadores – disse a Magda, olhei e rimo-nos
- Ambos a gesticular bastante para dentro do campo, é assim mesmo
- GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO – gritou todo o estádio, inclusive nós as duas que saltamos da cadeira
            Maxi ganha a bola na zona central do meio campo, picou para Lima e este cabeceia por cima do guardião, não dando qualquer hipótese. Está feito o primeiro! Já rolava a bola quando o Samaris dá uma carga de ombro no Afonso que cai fora das quatro linhas, entretanto rebola para dentro do campo, foi mesmo à nossa frente
- Viste este palhaço? – perguntou a minha amiga e eu só conseguia rir – Levanta-te ó fiteiro
- Desculpa mas teve imensa piada – o árbitro interrompe a partida para assistirem o Afonso, o que gera grande assobiadela por parte dos benfiquistas
- Já não gosto dele! Vais-lhe dizer que em vez de aulas de dança tem que ter aulas de teatro que aquilo foi mal encenado – rimo-nos
            Pouco tempo depois na sequência de um canto, a bola sobra para os pés do uruguaio que remata sem qualquer hipótese de defesa
- GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO – gritaram novamente os adeptos
- El mono assiste e marca – comentou a Magda
- E a dedicar o golo ao bebé que vai nascer, tão querido
            O jogo foi para intervalo com a equipa da casa a dominar claramente. Algum tempo de descanso e as equipas regressam ao campo. Aos 54 minutos falta do Afonso dentro da grande área sobre o Samaris que conseguiu furar a defensiva axadrezada. Penalti para o Benfica que é convertido pelo Jonas
- GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO – mais uma vez, os benfiquistas têm a felicidade de saltar das cadeiras
            Passado dez minutos, uma espetacular jogada de Salvio, da direita para o meio, liberta a bola para Pizzi mas este tentou o cruzamento e foi para fora
- Estrábico de um raio, não sabe fazer um cruzamento de jeito - resmunguei
- Não sei para que insiste em fazê-lo, é isso e marcar cantos! Não acerta um
- A culpa é do treinador que diz que ele sabe marcar! – olhei para o mister – e para nossa tristeza vai entrar o Talisca, ninguém merece
- Desde que tire o Pizzi – o árbitro mostra a placa – o quê? Vai sair o Nico? Estás a gozar com a minha cara?
- Isto só pode ser uma brincadeira
- Já não quero ver mais este jogo, podemos ir embora?
- Não sejas assim, pelo menos o Osvaldo recebe uma ovação – todos os adeptos estavam de pé a gritar “Nico Nico Nico” e ela riu-se
- Coitado do meu polito, ele fica mesmo sem jeito com estas demonstrações dos adeptos.
            A dez minutos para o final da partida, finalmente o Boavista consegue criar algum perigo. Uma arrancada do Afonso pela esquerda consegue o cruzamento, porém o Zé Manuel não consegue finalizar por milímetros. Noutra boa jogada dos axadrezados, o meu amigo foge para o meio mas o Lisandro mais bruscamente tira a bola e o português fica no chão a pedir assistência.
- Lisandro Ezequiel, o que foste tu fazer?
- Tchiiii vai começar, mandem vir as pipocas
- Goza goza. O moço está mesmo mal
- Não tenho pena nehuma, aquilo é tudo fita, vais ver que de caminho está de pé
            Até o árbitro dar o apito final, o jogo foi calmo sem grandes lances. Assim que terminou os jogadores cumprimentaram-se. O Licha foi pedir desculpa ao Afonso, o que me deixou mais descansada, ainda deram um abracinho. Saíram todos para o balneário, nós pegamos nas nossas coisas e fomos embora. Saímos na nossa porta mas tivemos que ir até à porta ao lado, à zona vip, para podermos ir ter com os outros assim não tínhamos que passar pelos adeptos.
- Já mandaste mensagem ao fiteiro? – perguntou-me a Magda quando já estávamos sentadas na zona de espera
- Vou mandar agora
- Vou ter uma conversinha com ele
- Vais nada, não me envergonhes
- Ai vais ver então! Ele pensa que é quem para fazer aquilo? Parvalhão
- Ohhh – peguei no telemóvel

Carolina – estou à tua espera na zona de espera das famílias, descobre onde é ;)
Afonso – em vez de ser à procura do nemo, é à procura da Carol
- Carol? Mas andei contigo na escola?
- Carolina, peço perdão
- Despacha-te
- Sim, chefe

- O teu amigo disse que já vem
- Ele não é meu amigo – resmungou a Magda
- Tanto amor – nesse momento senti alguém a tocar-me no ombor, virei-me – que susto
- Já sei que sou feio – respondeu o Afonso
- Ainda bem – cumprimentei-o com dois beijinhos – esta é a Magda, Magda este é
- O fiteiro, eu sei – ele ia-lhe a dar dois beijinhos mas ela friamente esticou o braço para um aperto de mão
- Ah? Tenho um novo nome e não sei
- Explicas tu ou queres que explique eu?
- Eu explico, eu explico – disse imediatamente – sabes aquele lance que te arrastaste para dentro do campo? – ele acenou que sim – nós não gostamos nada, foi mesmo de mau
- Então estava ali cheio de dores e o árbitro não interrompia
- Mas podias muito bem esperar fora, não era preciso rebolar para dentro de campo – repostou a Magda
- Tens razão, peço desculpa
- Não é só a mim que tens que pedir desculpa, mas sim a toda uma nação benfiquista
- Ei que exagero
- Ela tem razão – disse – sabes que depois disso começaste a ser assobiado e se eu o soubesse fazer também me juntava a eles
- Também eu – respondeu logo a minha amiga
- Pronto pronto já percebi que estive mal, irei pedir desculpa nas minhas redes sociais
- Acho bem!
- Afonso, dentro de cinco minutos temos que ir embora – veio um senhor do Boavista informá-lo
- Ok, já vou então – tirou o telemóvel da mochila – vamos tirar a nossa foto? Não me esqueci
- Bolas – aproximei-me dele e tiramos umas quatro ou cinco fotos para ter a certeza que alguma ficaria minimamente bem – se partilhas isso em algum lado mato-te
- Está descansada – nesse momento, as duas amélias chegaram ao pé de nós. O Osvaldo deu um beijo na boca da sua namorada e o Lisandro deu-me um beijo no canto na boca, para minha surpresa. Vi logo na cara do boavisteiro que não estava à espera de ver aquilo – bem tenho que ir – cumprimentou os rapazes e saiu dali
- Hoje estava difícil saírem dos balneários – comentou a Magda
- Estávamos a apresentar as instalações aqui ao Lucas – respondeu o Nico
- Ao menos apresentavam o rapaz
- Lucas é a Magda e a Carolina – apresentou o Licha e cumprimentamo-nos
- Já podemos ir embora? – perguntei - Tenho fome
- Sim, também estou – respondeu a Magda
- Vens comigo? – perguntou-me o Lisandro quando íamos para o carro
- Sim, assim o casal vai à vontade
- Sabes que não incomodas – disse o Nicolas
- WOW que querido!!!! Merecem cinco minutos sozinhos, já me vão aturar a seguir – ri-me
- Gracias
            Entramos nos respetivos carros, liguei logo o rádio para ver que música o senhor Licha andava a ouvir. Chino&Nacho começou logo a tocar com a música Ninã Bonita e juntei-me a eles
- Lo que siento por ti es ternura y pasión tú me has hecho sentir que hay en mi corazón tanto amoooor tanto amoor
- Yo nací para ti y tú también para mí y ahora sé que morir es tratar de vivir sin tu amoor sin tu amoor  – cantarolou o Lisandro, olhamos um para o outro e rimo-nos.
O refrão cantamos os três

Mi niña bonita mi dulce princesa
Me siento en las nubes cuando tú me besas
Y siento que vuelo más alto que el cielo
Si tengo de cerca el olor de tú pelo

Mi niña bonita brillante lucero
Te queda pequeña la frase Te Quiero
Por eso mis labios te dicen te amo
Cuando estamos juntos más nos enamoramos

Aquí hay amoor
Aquí hay amoor
Aquí hay amoor amor
Aquí hay amoor amor
Aquí hay hay hay hay hay hay amor

            Passamos a habitual zona dos adeptos, onde o argentino parou para tirar fotos e dar alguns autógrafos.
- Ó Lisandro, quem é a namorada do Nico? – perguntou um adepto - Ela é bem gira – olhou para mim e rimo-nos
- Só ele te pode responder
- Mas é portuguesa?
- Não, é sueca – respondi
- Bem me parecia que não era portuguesa! Esta é a tua?
- Minha? – perguntou o Licha
- Tua namorada – voltou a olhar para mim
- Não, é a amiga
- Chama-lhe amiga, chama – desatei a rir – não chateio mais – foi-se embora e nós arrancamos dali
            Chegamos em quinze minutos a casa do Gaitán, estacionamos, pousamos as coisas e fomos jantar, estávamos todos com fome. Quando terminamos, levamos a louça toda para a cozinha, colocamos as coisas na máquina de lavar para a dona Rute não ter muito trabalho depois. Fomos para a sala, eu e a minha amiga estávamos num canto a conversar e os rapazes a jogar playstation.
- Não se cansam de jogar aquilo, é impressionante – comentou a minha amiga
- Já vais ver o que vou fazer – levantei-me, desliguei a televisão
- Nooo – gritaram em coro
- Chega!!! Vocês passam a vida nisto, todos os santos dias! Vieram de um jogo de futebol e o que fazem? Jogam futebol! Eu não vim para aqui para ficar olhar para as vossas excelências, vim para me divertir convosco – olho para o Lucas – e o Lucas não deve estar a perceber nada do que estou para aqui a dizer mas deve concordar comigo, pois não veio a Portugal para jogar play. Aposto que na Argentina também tem disso, não é? – voltei a olhar para ele que se ria – por isso pousem já esses comandos e vamos fazer algo mais interessante
- É isso mesmo – a minha amiga levantou-se, tirou o comando da mão do Nico e puxou-o do sofá, e eu fiz o mesmo ao Licha
- O que querem fazer? – perguntou o dono da casa
- Tens cartas? – perguntei
- Si
- Então vai buscar – tirei as decorações da mesa, fui buscar uma toalha, lá encontrei uma nas gavetas
- Está aqui, que vamos jogar?
- Todos sabem jogar poker, certo?
- Eu não – respondeu a Magda
- Eu explico-te já as regras. Como não temos fichas, vamos fazer o seguinte: quem perder tem que beber um shot de vodka
- Estou lixada! – rimo-nos – pode ser com sumo? Senão vou ficar logo bêbeda de tanto perder
- Que pessimista!!! – comentou o Lisandro
            Expliquei as regras do poker, ou melhor as sequências possíveis que podia fazer para ter jogo e possibilidades para ganhar. Como foi de esperar nas três primeiras jogadas ela perdeu mas depois foi o Lucas que começou a beber e como o moço já estava demasiado animado decidimos mudar de jogo. O segundo jogo era aquele de colar uma personagem na testa e a pessoa tinha que adivinhar quem era, senão acertava bebia um shot. Foi tão divertido, ver as figurinhas que cada um ia fazendo para descobrir, rimo-nos até a barriga doer. Quando me levantei para ir ao wc, reparei que o Lucas já estava a dormir.
- Nico, arranja-me uma caneta
- O que vais fazer? – perguntou o irmão do dorminhoco
- Vou riscar a cara
- Faz bonequinhos – sugeriu a Magda
- Escreve na testa Jaz e põe um coração, que depois tiro foto e mando à rapariga – pediu o Lisandro, o Nico deu-me a caneta
- Espero que não se mexa – comecei a riscar devagarinho para que ele não acordasse, passado algum tempo consegui terminar – está pronto
- Vou tirar foto – ele tirou e mandou pelo whatsapp à amiga. Enquanto isso eu e a minha amiga continuamos a fazer desenhos na cara do rapaz – já não chega?
- Agora deixa terminar este – eu e a Magda terminamos a nossa obra de arte e depois fomos com os outros dois para o jardim
            Aqui preferimos ficar mais por “casais” para também termos um tempinho a sós. Estava deitada agarrada ao Lisandro numa das espreguiçadeiras junto à piscina a conversar, e a minha amiga estava sentada no colo do argentino no sofá do alpendre.
- O que tanto falavas com o outro? – perguntou o Licha
- Qual outro?
- O tipo do Boavista
- Ahhhh esse cromo. É o Afonso. Estava-lhe a dizer que não gostei da atitude dele no jogo
- O que ele fez?
- Quando ele rebolou literalmente para dentro do campo para o árbitro o assistir e quando o jogo foi interrompido ele levantou-se logo. Detesto quando fazem isso
- O típico de quem joga em equipas pequenas
- Pois, mas também te vou dizer que não gostei nada daquela tua entrada nele, parecia que ias tirar as pernas ao rapaz
- Aquilo não foi nada, foi mais o impacto ao cair no chão
- Pois pois, eu bem vi o teu sorrisinho depois da falta
- Não viste nada, xiu! – deu-me um beijo na bochecha – mas vocês estavam todos  felizes e contentes quando eu e o Gaitán chegamos
- Ciúmes, Lisandro Ezequiel?!?
- Claro que não. Não tenho razões para tal
- Mentes tão mal
- Ai minto? – acenei que sim e começou a fazer-me cócegas que só terminou quando fomos parar à relva.
            Ele ficou por cima de mim, ficamos momentos em silêncio a olhar um para o outro até que fomos interrompidos
- Pombinhos, se querem fazer poucas vergonhas ide para um lugar privado – comentou a Magda
- Grande ideia – respondi, olhei para o Eze que se ria
- É só para avisar que nós vamos dormir – avisou o Nico
- Na tua terra chama-se dormir? Na minha tem outro nome – levantamo-nos
- Carolina! – resmungou a “sueca”
- Também te adoro – abracei-a
- Amigas assim quem precisa de inimigos
- Osvaldo, cuidado isto já é o sono a falar mais alto misturado com um bocadinho de álcool no sangue – desatamos a rir, fomos os quatro para dentro – este vai ficar aqui? – apontei para o Lucas
- Si, vou só buscar uma manta para ele não ter frio durante a noite – disse o dono da casa
- É melhor, senão fica doente – respondeu a Magda – ó Carol, podias tu dormir aqui e os manos dormiam no quarto – sugeriu a minha amiga
- Estás doida? Eu preciso que alguém me aqueça – olhei para o argentino, pisquei o olho e rimo-nos.

            O Nico foi buscar a manta, cobrimos o rapaz e fomos para os respetivos quartos.