quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

43º Capítulo - mais um domingo ...

(Carolina)

À entrada do “meu” quarto, puxei o braço do Osvaldo
- Daqui a cinco minutos vai à cozinha, preciso falar contigo
- Ok – respondeu num tom preocupado
            Entrei rápido para o Lisandro não se aperceber do que se passava, vesti o pijama, sentei-me na cama com o telemóvel a ver o que se passava nas redes socias, mas nada de novo. O argentino senta-se ao meu lado, agarra-se a mim e eu pouso logo o telefone na cama
- Vou à cozinha buscar água – levantei-me – já volto – ele ficou a olhar para mim com cara de tacho e antes que ele abrisse a boca saí dali
- Estava a ver que me ias deixar pendurado – resmungou o Gaitán quando entrei na cozinha
- Desculpa
- O que se passa para quereres falar comigo?
- Preciso da tua ajuda
- Uiiiii posso gravar isto? Momento raro
- Ó não comeces que vou já embora
- Estoy bromeando, dime – sentamo-nos
- Já sabes o que vais oferecer à Magda no aniversário dela?
- Por acaso ainda não tive nenhuma ideia
- Boa, assim podes ajudar-me
- Qual é a tua ideia?
- Pensei em irmos fazer desportos radicais, é algo que ela gosta. Podíamos ir no fim-de-semana, já que ela faz durante a semana
- Tens algum sítio em mente? Não conheço nada
- Era aí que eu precisava da tua ajuda, podias perguntar lá no Benfica se conhecem algum sítio ou assim. Eles conhecem tudo e mais alguma coisa
- Vou perguntar ao TJ
- Quando tivermos local é mais fácil organizarmos tudo
- Si, vou tentar saber alguns lugares fixes para isso
- Obrigada
- Obrigado eu por me ajudares
- Ohhh não custa nada – levantamo-nos – Nico… - olhei para ele com cara de envergonhada, isto nunca me tinha acontecido
- Si?
- Posso pedir-te um favor?
- Se puder ajudar
- Por acaso tens chocolate e morangos aqui em casa? – desviei logo o olhar
- Para que queres isso?
- Para uma coisa com…
- Ok não digas mais nada, não quero saber! – rimo-nos – chocolate tens aqui – abriu um armário e tirou uma barra de chocolate – os morangos estão aqui – tirou-os do frigorífico – depois limpem tudo – antes que ele fugisse dali, dei-lhe um abraço
- Obrigada Nico!!! – ele ao início ficou a olhar para mim com cara de parvo, mas depois retribuiu o abraço
- Não tens que agradecer! Divirtam-se e pouco barulho
- Sim chefe! – fiz sinal de continência, rimo-nos e ele virou costas
            Procurei pelos armários aquela coisa para fazer fondue de chocolate, lá consegui encontrar quando já ia desistir. Estes armários deviam estar etiquetados assim não me entendo. Cortei os morangos, peguei em dois copos, uns cubos de gelo e na garrafa de vodka que tinha sobrado, coloquei tudo num tabuleiro e levei para cima. Deixei-o à porta e entrei.
- Demorou essa busca ao copo de água – comentou o Lisandro que já estava deitado
- Um bocadinho – aproximei-me dele – estive a preparar uma cena para nós
- O quê? – sentou-se logo na cama
- És pior que os meus lobitos quando tenho algo para eles
- Diz lá o que preparaste
- Preciso que tapes os olhos, é surpresa – olhou para mim com ar de desconfiado
- É mesmo preciso? – acenei que sim – não sei se devia confiar mas ok. Vamos a isso
- Fixe – levantei-me, fui buscar algo para lhe tapar os olhos
- Escusas de apertar tanto, isto não é nenhuma construção lá dos escuteiros
- Perdón. Assim está bom? – soltei um bocadinho
- Si
- Ótimo, agora espera aqui um segundo e não vale tirar isso – dirigi-me à porta sem virar costas para ter a certeza que ele não espreitava – tá quieto – resmunguei quando vi que ele ia tirar a venda
- Despacha-te – peguei no tabuleiro, pousei-o em cima da cama…

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(Magda)

- O que é que a maluca queria? – perguntei quando ele entrou no quarto
- Queria ajuda
- Em quê? – deitou-se ao meu lado
- Para uma surpresa
- O que ela inventou desta vez?
- Morangos, chocolate…
- E tu tinhas isso?
- Si
- Que sorte a dela
- Porquê?
- Teres exatamente o que ela queria
- Também querias uma surpresa daquelas? – agarrou-me e puxou-me para ele
- Por acaso até comia agora uns morangos cortadinhos - sorri
- Então vou já tratar disso – ia-se levantar da cama, mas agarrei-o
- Estou a brincar, não é preciso. Vamos dormir – dei-lhe um beijo
            Trocamos uns quantos beijos, o ambiente começou a ficar caliente e o menino Nico começou a ficar mais atrevido
- Onde pensas que vais com essa mãozinha?
- Pensei que …
- Vamos dormir, é melhor – dei-lhe um beijo na testa, virei-me para o outro lado, ele colocou o braço a minha volta, deu-me um beijo na bochecha e dormimos

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(Carolina)

- Puta madre, que es eso? – gritou o Lisandro quando lhe coloquei um cubo de gelo no peito, soltei de imediato uma gargalhada – vais me torturar? – não conseguia parar de rir – Carol pára de te rir – ele ia tirar a venda mas dei-lhe um tabefe na mão
- Tá quieto e calado senão vem aí o dono da casa reclamar
- Mas isso está frio demais
- De caminho já aqueces – sentei-me por cima dele.
Peguei noutro cubo do gelo e andei a percorrer aqueles abdominais, cada movimento mexia-se todo e eu ria-me, até ele se começava a rir da brincadeira. Comecei a dar-lhe alguns kisses, sempre acompanhados de um belo cubo de gelo para resfriar o moço. Tirei-lhe a venda, ele agarrou-me pela cintura e não sei como sentou-se na cama e eu fiquei sentada frente-a-frente com ele. Antes que ele me fosse dar um beijo, peguei num morango, coloquei-o na boca dele, ficou super atrapalhado e soltei uma gargalhada
- Isso não se faz – disse depois trincar um pouco o morango, molhou a outra parte no chocolate – abre a boca!
- Isso agrada-me – sorri, abri a boca e o parvalhão para se vingar suja-me a cara com chocolate – ai que estúpido – dei-lhe um estalo no braço, ele com o braço que continuava a volta da minha cintura, puxou-me para ele e beijou-me.
            Um daqueles beijos de tirar o fôlego todo mas que não queres soltar porque está a ser gostoso de mais, estão a imaginar? Bem foi desses bem agradáveis, que beijo puxa beijo e entre eles aquelas mordidas de lábio só para o espicaçar mais, algumas carícias. Entre os intervalos para recuperar ar, aproveitávamos para comer aquela deliciosa fruta e beber um pouco mais de vodka. Chegou a um ponto que senti que o álcool estava a falar mais alto mas não quis saber, deixei-me levar pelo momento e foi até o cansaço nos vencer.
            Acordei com o sol a bater-me na cara, estava com a cabeça no lugar que devia ser os pés mesmo virada para a janela, o argentino exatamente como eu, mas de costas para a luz do dia! Ai meu deus que peso na cabeça, acho que nunca me senti assim antes! Levantei-me devagar para que o outro não acordasse, fechei a preciana, passei no wc e decidi ir até à cozinha, aproveitei e levei o tabuleiro que estava no chão do quarto.
- Bom dia – gritou a Magda quando entrei na cozinha
- Fala baixo – pousei o tabuleiro na banca
- Mas alguém berrou?
- Estás a falar muito alto para meu gosto – sentei-me
- O que se passa?
- Tenho a cabeça a mil à hora, nem imaginas
- Ficaste de ressaca? Já te vi a beber mais e a ficares normal
- O problema não foi o que bebi à tua frente, foi o depois
- Ah? Explain
- Quando vim ter com o teu man, vim buscar morangos, chocolates e o resto da vodka – apontei para o tabuleiro – e como vês não sobrou nada
- Ok definitivamente vocês são malucos – coloquei as mãos na cabeça
- Lembrar-me-ei disto da próxima que beber – rimo-nos – que horas são? Nem vi para tu veres o meu estado
- São dez menos dez
- Só? Eu devia estar a dormir
- Devias nada, vais-me ajudar a preparar o pequeno-almoço
- Eu? Rica ajuda que foste pedir. Faz masé aí um café bem forte para tomar já
- Que lata!!! A tua sorte é que já tinha ligado a máquina
- Que querida – levantei-me fui buscar uma chávena, açúcar e uma colher – diz ao teu homem para colocar etiquetas nos armários é que eu nunca encontro nada à primeira
            Tomamos um café, a minha amiga preparou panquecas para o Osvaldo e eu fiz torradas para os manos Lopez, não estava com paciência para mais. Colocamos tudo em tabuleiros
- Tive grande ideia! – exclamei
- O que vem desta vez?
- Vou deixar um tabuleiro com um prato vazio no Lucas e escrever “queres comer? Levanta-te e vai à cozinha” e quando ele chegar a comida está na mesa – a Magda soltou uma gargalhada
- Genial, muito bom – voltei a tirar as coisas do tabuleiro dele e deixei tudo em cima da mesa com um bilhete “não sou assim tão má pessoa :) kiss Carol”
            Fomos deixar o tabuleiro no moço e depois cada uma de nós foi deixar no quarto dos rapazes com o recado “se acordares e não estiver aqui é porque fui tratar do almoço :)”. Tomamos banho, vestimo-nos e fomos até ao centro comercial mais próximo. Quando regressamos a casa, os rapazes já estavam como novos, banho tomado e roupa lavada. Tinham já posto a mesa, assim foi só pousar as coisas e comer.
- Ligaram da loja de animais – comentou o Nico
- Já? E já têm novidades? – perguntou a Magda
- Dizem que receberam uns cãezinhos se quisermos ir lá ver
- Então vamos lá?
- Se quiseres podemos ir depois do almoçarmos
- Querem vir?
- Onde? – perguntei
- Ao RioSul – olhei para o Licha para ver o que ele dizia, já que hoje a minha tarde estava programada para ir passear com os manos
- Gracias pero vamos passear até Setúbal – respondeu o argentino
- Ok – continuamos a almoçar
            Terminado o almoço, arrumamos tudo (cozinha, quartos e sala) por mais que o dono da casa dissesse que não era preciso, nós não demos ouvidos. Só nos ficava bem como convidados deixarmos tudo limpinho. Pronto, admito o nosso lado de escuteiro, meu e da minha amiga, falou mais alto. “Deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos”. Fomos buscar as nossas coisas, despedimo-nos do casal maravilha e bazamos.

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(Magda)

            Saímos logo atrás dos outros três, na viagem até ao shopping lembrei-me de procurar na net aqueles testes para saber que raça de cão combina com a gente e decidi fazer ao Gaitán.
- Tens que responder com sinceridade – comentei
- Ok
- Primeira pergunta:
No trabalho, quando tens problemas com o chefe, tu:
a-  abre o jogo logo de cara, sem se intimidar. Gosta de deixar tudo bem claro
b – escreve um email. Se não resolver, pede para conversar em uma salinha reservada
c- começa a dar indiretas e espera que o chefe vá falar contigo
d- engole o sapo. Prefere evitar conflitos, mas acaba remoendo o que o incomodou
e- procura esfriar a cabeça antes de chamá-lo para conversar
- A ou E
- Só podes escolher uma
- E então
- Segunda pergunta:
Qual o melhor programa para um domingo?
a- ir a um churrasco com os amigos
b- fazer compras no shopping
c- caminhar no parque
d- passar o dia no sofá assistindo filmes
e- ir a um bom restaurante
- Fácil, A
- Pensava que era passar o dia na minha companhia - disse isto fazendo beicinho
- Si si si, pero tinha que escolher as opções que deste, não era??? - respondeu ele um pouco atrapalhado.
- Estou a gozar Osvaldo, tranquilo - dei-lhe um beijo na cara - Terceira pergunta: Qual o teu desporto favorito?
- Futebol, óbvio
- Quarta pergunta:
Na escola, onde te sentavas
a- no fundo, adorava fazer piadinhas no meio da aula
b- na primeira fila, era o primeiro
c- no centro, assim podia-me concentrar nas aulas que mais gostavas e nas outras falar
d- encostado à parede, era mais confortável para me apoiar
e- na janela, gostava de observar o exterior
- E
- Última pergunta:
Quais as qualidades que mais valorizas nos outros?
a- proatividade e alegria
b- determinação e independência
c- companheirismo e bom-humor
d- paciência e amorosidade
e- inteligência e espiritualidade
- C
- O cão que combina contigo é o Golden Retriever, também pode ser um Border Collie, não sei qual é, e o Pastor Alemão.
- Gosto mais do primeiro, é mais meigo
- Dos três também gosto mais desse, mas vamos ver o que há na loja
- Si, é melhor – percorremos o corredor do centro comercial até lá
            A senhora reconheceu-nos logo, veio ter connosco e levou-nos até aos cachorros. Os meus olhos apaixonaram-se imediatamente por um deles, desde o primeiro segundo que o vi que fui direta a ele. Se sempre disse que não acreditava em amor à primeira vista, esqueçam lá isso, mudei de ideia.
- Acho que alguém já escolheu – comentou a funcionária, olhei para o Nico
- É esse? – perguntou ele
- Si, é tão fofinho – virei o puppy para ele, ele aproximou-se para fazer uma festinha e o bicho deu-lhe uma lambidela
- Levamos este
- Boa escolha – afirmou a senhora, peguei no cão e fomos até à caixa
- Como fazemos agora com as vacinas e assim? Ele já pode sair a rua? – questionei
- Ele já tem a primeira vacina mas precisa das restantes, não convém ele sair antes de tomar as outras pois ainda está vulnerável
- Pode já levar as outras?
- Hoje não, como é domingo não temos ninguém da clínica cá. Podemos é agendar para amanhã
- Amanhã podes vir cá?
- Da parte da tarde sim, a seguir ao treino – respondeu o argentino
- Então marque para amanhã ao início da tarde – ela pegou na agenda e marcou lá
            Compramos uma caminha, o prato para a comida e para a água, a empregada ajudou-nos com a comida mais apropriada e compramos também um brinquedo. Estava tão feliz, sempre sonhei ter um cão, apesar de não ser meu e passar muito tempo longe dele, sinto que vai ser o meu cãozinho. Saímos da loja com o novo membro, fomos diretos para o carro e seguimos para casa dele.
- Temos que lhe arranjar um nome
- Guri? – sugeriu ele
- No me gusta
- Spike?
- No, o Salvio tem ou teve um com esse nome
- Esquisita, sugere tu
- E que tal Bell?
- Por mim pode ser, gosto
- Fixe – olhei para o cachorro e estava quietinho no meu colo – Bell? – olhou para mim – ohhhhh tão fofo, já reconhece o nome e tudo
- Bem-educado
- Vê se não o estragas na minha ausência
- Podes ficar descansada que comigo vai andar na linha
- Acho bem
            Quando chegamos a casa, larguei-o na sala para ver como ele reagia, aos poucos e poucos foi ganhando confiança e percorreu todos os cantinhos da sala. Fez o seu primeiro xixi junto à porta que vai dar ao jardim, o que deixou o dono da casa um pouco furioso e eu ri-me pois coitado do bicho, estava só a marcar território. Fiquei um pouco mais com eles, ainda tinha que ir a casa da Carolina para ir buscar as minhas coisas antes de voltar ao Porto. Na hora da despedida custa sempre e acho que hoje custou mais
- Não quero ir embora – desabafei enquanto dava um abraço ao meu polito junto do meu carro
- Podes ficar que eu deixo
- O problema é os meus pais, não posso faltar à faculdade
- Eu sei, estou a meter-me contigo. O dever chama-te
- Pois é, tenho que voltar cá e rápido para ver o Bell
- Só a ele?
- Si e a ti, claro – dei-lhe um beijinho
- Gosto mais
- Bem vou embora antes que comece a ficar de noite e não me agrada conduzir no escuro
- Já sabes quando chegares avisa-me
- Si – trocamos mais uns beijos e um abraço

            Entrei no carro, dei um salto na casa da minha amiga e rumei ao Porto. Quando lá cheguei postei a seguinte foto no instagram

“enamorada *.* #sharpei #Bell”

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

42º Capítulo - tardes difíceis...

(Carolina)

            Hoje foi um dia demasiado cansativo, nunca me senti assim, mas o que vale é que tenho a Magda comigo e poderá cozinhar para mim. Será que tenho alguma coisa para comer em casa? Ó tona, claro que tens ainda ontem foste às compras!
- Ias a algum lado sem mim? – dei um salto quando senti a tocarem-me no braço – não é preciso assustares, sou só eu – disse a Magda
- Ia distraída, aqui nos meus pensamentos
- Deu para perceber
- Então correu bem o passeio? – dirigimo-nos para a saída do Colombo
- Muito bem, finalmente percebi o que se passava com a Belém
- Atão?
- Era por causa da Rocio
- Ah? Queria que essa feiosa fosse namorada do Nico em vez de ti?
- Mais ou menos, pensou que se eu fosse namorada dele, ela não podia continuar amiga da outra
- Coitadinha, tão inocente
- Mas já ficou tudo esclarecido
- Ainda bem
- Agora temos nós que esclarecer certas coisas
- O quê?
- Achas bem aquele festival em casa do Osvaldo? Não achas que abusaram um bocadinho?
- Sim abusamos um bocado mas sou- te sincera nunca pensei que estivéssemos a fazer muito baralho, só quando vieste à varanda é que demos conta
- Pois e não sei qual dos dois o pior. É que o outro devia saber que tem que descansar para estar bem para jogar
- Acho que sou eu, fui eu que insisti com ele para irmos para a piscina mas já me arrependo! Prejudiquei toda a gente
- Também não exageremos, é só que fizeram muito barulho, ainda por cima numa casa que não é vossa
- Fizemos cagada, i know! O pequeno-almoço ao menos compensou?
- Siiiiiiii, eu gostei muito!
- Ainda bem, missão cumprida – ia virar à esquerda na porta do shopping como sempre faço quando vou a pé
- Vamos pelo outro lado, que tenho ali o carro
- Tens o carro? O outro como veio para o estádio?
- Viemos no meu carro, amanhã levo-o a casa
- Significa que estou sozinha?
- Nop, vamos ter festa em casa dele
- Ele deixa-me ir?
- Sim e disse que desta vez podes fazer barulho à vontade
- Vou levar isso à risca, vai ser party all night – rimo-nos
- És mesmo doida
- Amanhã então temos que ir às compras, certo?
- Nop, a dona Rute já tratou de tudo
- A dona Rute também não quer ir lá para casa? Mas tem que ser de borla
- Não me parece
- O que vou vestir? – entrámos no carro para uma curta viagem até casa e fomos a falar sobre o que vestir
            Quando chegamos a casa, fizemos o jantar, comemos, arrumamos tudo e fomos para o sofá ver televisão.
- Não te contei – peguei o no telemóvel – o Afonso deu sinais de vida
- A sério? Que disse?
- Pega, lê – dei-lhe o tele para a mão

Afonso – estou a ver que encontraste aí a felicidade (desculpa a demora)
Carolina – já achei mais que isso (as aulas de dança correram bem? Ahahahah)
- Então porque? (Ah? Aulas? Não entendi)
- Coisas da vida (esqueceeee)
- Queres falar?
- Não é nada de grave e quem sabe com o tempo descobrirás :)
- Parece-me bem
- Estás preparado para sábado perder?
- Ahahahahah isso é que é confiança
- Tens que admitir que o Benfica tem melhor equipa que o Boavista
- Isso não quer dizer nada, o Porto também tinha melhor equipa e não foi além de um empate em casa
- Tens razão mas eu confio no meu Benfica
- Confiança em excesso é mau
- Esta é moderada
- Veremos quem ganha! No final do jogo, podes vir ter comigo?
- Para que?
- Foto
- Poder posso falta saber se quero ahahahahah
- Ahhhh está bem
- Ó tono, senão quisesse não te respondia
- Tona
- Mas que? Isso é tudo saudades?
- Nop, só quero a nossa foto
- Tu e o raio da foto, já te disse que estamos horríveis
- Mais uma razão para remediar o problema
- Da minha parte é possível, já da tua não posso dizer o mesmo
- :(
- Brincadeirinha, relaxa
- Tarde de mais, magoaste os meus sentimentos
- Tens disso?
- Dizem que sim
- Olha que isso é perigoso
- Tu não tens?
- Só de vez enquando
- Raramente não?
- Vês como sabes ahahahahah Essa foto que postaste só mostra que não fazes nada

- Qual foto? – perguntou a minha amiga
- Esta – fui ao instagram dele e mostrei a foto

 
“Tardes difíceis...”

- Trabalha imenso – rimo-nos e ela continuou a ler

- O que tem? Cheguei a casa depois do treino e adormeci no sofá
- Os cães são os únicos que se safam nessa foto
- Já sei que sou feio, escusas estar sempre a bater no ceguinho
- Ups o menino ficou ofendido
- Já me começo a habituar a ser chamado de feio pela tua parte
- É só para esse ego não aumentar
- Achas-me convencido?
- A little bit
- Porque?
- Não sei explicar, tens ar disso
- És a primeira pessoa que me diz isso
- Se calhar sou a única com coragem para te dizer, já pensaste nisso? Ahahahah
- Porra, tu não dás hipótese
- O que tiver a dizer, digo, não mando recados
- Fazes muito bem, gosto de pessoas frontais
- Eu sei que me adoras ahahah
- Depois eu é que sou o convencido, está certo

- Coitado do moço, estás sempre a chamar-lhe feio – comentou a Magda
- É para ver se ele baixa a crista, já te disse que o acho um convencido de primeira
- Eu acho que vais é acabar com a auto-estima do rapaz – rimo-nos

- Quando vens para Lisboa?
- Sexta, devemos chegar ao final do dia
- Muy bien, muy bien
- También hablas español?
- Siiiii, me gusta mucho. Tu también? O sólo lo esencial?
- Esencial, me encanta más english
- No me gusta ahahahah
- Então falemos português xD
- É melhor é melhor
- Que música costumas ouvir?
(o resto da conversa foi a falar de músicas favoritas, cantores de eleição, bandas, também falamos de filmes que gostamos, séries que vimos, etc)
- Cheguei a Lisboa

- Ainda não lhe respondeste?
- Não sei o que dizer
- Desejas uma boa estadia ou coisa do género
- Ele que espere, amanhã no final do jogo respondo
- Ok tu é que sabes
- Vamos dormir? - bocejei
- Si, si – levantamo-nos do sofá e fomos para a cama
            Marcavam 10h37 no relógio do meu telemóvel quando abri os olhinhos e a minha amiga estava na cozinha a preparar o pequeno-almoço
- Podes ficar aqui durante um mês? – comentei
- Ah?
- Ficas aqui em casa para me preparar o pequeno-almoço todos os dias – sentei-me na cama – também podes servir na cama? – ri-me
- Não querias mais nada, não?
- Por acaso até queria
- Levanta masé o cu dessa cama e anda para a mesa comer estas torradas maravilhosas – levantei-me logo para me juntar a ela, o cheirinho deixava água na boca
- Confirma-se, quero-te aqui em casa para sempre
- Só me queres cá para ser tua empregada, não tens direito a nada
- Eiiiii sabes que não é só por isso
- Pois pois
- Mas tu preferes ir lá para o gelo da Suécia
- Para combinar comigo
- Ya já que és uma pessoa fria
- Si, a cultura deles é assim
- Podias vir fazer Erasmus para Lisboa e poupavas em estadia e viagens
- Acho que a isso não se chama Eramus
- Passa a chamar-se
- Ok ok, mas tu sabes que eu adoro conhecer sítios novos, novas cidades, novas culturas. E são só seis meses, aguentas bem sem mim
- Que remédio, vou ter que aguentar
- E se calhar ainda volto ao fim de um mês
- Fazes isso e ponho-te no primeiro avião de volta
- Eu sei que te queres ver livre de mim mas assim tanto?
- Tenho que aproveitar a deixa
- Parva – bateu-me no braço
- Também te gramo – levantei-me para colocar a louça na banca – sempre me ajudas a arrumar aqui a minha mansão?
- Já te disse que sim
- Gracias gracias – ela levantou-se e começamos por arrumar a cozinha
            Quando terminamos de arrumar o resto da casa,o que foi rápido, já que ela não é muito grande, a Magda foi tomar banho e eu fiquei a tratar do almoço para depois irmos para o estádio. Almoçamos, fui tomar banho enquanto ela lavava a louça. Fizemos uma malinha para levar pois vamos dormir novamente em casa do Osvaldo e quando terminamos tudo, peguei nos bilhetes e saímos de casa rumo ao Estádio da Luz.
            Pela primeira vez, íamos deixar o carro na zona vip, o que dava um nervoso miudinho. Será que os seguranças nos vão deixar passar sem qualquer problema? Será que as outras pessoas vão olhar para nós de lado? Ai que vergonha!!!! Tudo correu bem, o segurança reconheceu a Magda por ontem ter ido levar o Nico ao estádio. Lá dentro um segurança disse-nos onde o argentino costuma deixar o dele, e a minha amiga estacionou lá. O senhor também nos disse que se esperássemos cinco a dez minutos, os jogadores estavam para chegar e assim podíamos vê-los
- Esperamos? – perguntei
- Si, temos tempo – ficamos ali e passado pouco tempo os campeões chegaram
            Os jogadores e a equipa técnica foram saindo e como sempre as amélias foram das últimas. Primeiro passou o Salvio que sorriu e disse olá, depois vieram os outros dois
- Que fazem aqui? – perguntou o Lisandro
- Viemos ver o andor passar – respondi
- Sempre com resposta – deu-me um beijo na bochecha
- Já sabes que sim – cumprimentei o Nico – tenham juízo em campo
- É para ganhar – comentou o Gaitán
- Acho muito bem – disse a Magda – ide embora antes que levem raspanete – deu um beijinho no namorado, eles entraram e fomos embora dali
            Antes de entrarmos no estádio, demos uma volta pela megastore, ficamos a apreciar aquele ambiente maravilhoso dos adeptos e quando as portas abriram fomos para o nosso lugar habitual, atrás do banco de suplentes do Benfica. Entraram primeiro os guarda-redes para aquecimento e depois a restante equipa.
- Está ali o teu amigo – comentou a minha amiga
- Que amigo?
- O Afonso – apontou na direção dele
- Deixa-o estar descansado
- Já lhe respondeste?
- Não, no final do jogo mando mensagem a dizer que estou à espera dele para gozar com ele
- E se ele ganha?
- Não apareço lá, mas como ele não vai ganhar
- Muita confiança
- Sempre
            As equipas recolheram ao balneário, houve o habitual voo da águia Vitória que deixa qualquer um fascinado e as equipas entram em campo ao som do hino do glorioso. O onze do Benfica é: Júlio César, Maxi, Luisão, Lisandro, Eliseu, Samaris, Pizzi, Salvio, Gaitán, Jonas e Lima. O onze do Boavista é: Mika, Beckeles, Fábio Ervões, Carlos Santos, Cech, Afonso, Tengarrinha, Mandiang, Owusu, Zé Manuel e Uchebo. Aos sete minutos surgiu o Lima que depois de uma diagonal, o guarda-redes tirou a bola com os pés que ainda sobrou para o Gaitán. Este picou por cima e bateu na trave.
- Fogo Nico, isso não se desperdiça – comentei
- Foram os nervos, da próxima ele marca
- Espero bem que sim
            Pouco tempo depois outra excelente jogada com o Lima que isola o Salvio que também tenta o chapéu, mas o Mika conseguiu agarrar a bola. Está a ser um início de jogo muito forte do Benfica, assim dá gosto de ver. Muitas jogadas de ataque mas a finalização ainda não está afinada.
- Olha para os treinadores – disse a Magda, olhei e rimo-nos
- Ambos a gesticular bastante para dentro do campo, é assim mesmo
- GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO – gritou todo o estádio, inclusive nós as duas que saltamos da cadeira
            Maxi ganha a bola na zona central do meio campo, picou para Lima e este cabeceia por cima do guardião, não dando qualquer hipótese. Está feito o primeiro! Já rolava a bola quando o Samaris dá uma carga de ombro no Afonso que cai fora das quatro linhas, entretanto rebola para dentro do campo, foi mesmo à nossa frente
- Viste este palhaço? – perguntou a minha amiga e eu só conseguia rir – Levanta-te ó fiteiro
- Desculpa mas teve imensa piada – o árbitro interrompe a partida para assistirem o Afonso, o que gera grande assobiadela por parte dos benfiquistas
- Já não gosto dele! Vais-lhe dizer que em vez de aulas de dança tem que ter aulas de teatro que aquilo foi mal encenado – rimo-nos
            Pouco tempo depois na sequência de um canto, a bola sobra para os pés do uruguaio que remata sem qualquer hipótese de defesa
- GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO – gritaram novamente os adeptos
- El mono assiste e marca – comentou a Magda
- E a dedicar o golo ao bebé que vai nascer, tão querido
            O jogo foi para intervalo com a equipa da casa a dominar claramente. Algum tempo de descanso e as equipas regressam ao campo. Aos 54 minutos falta do Afonso dentro da grande área sobre o Samaris que conseguiu furar a defensiva axadrezada. Penalti para o Benfica que é convertido pelo Jonas
- GOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO – mais uma vez, os benfiquistas têm a felicidade de saltar das cadeiras
            Passado dez minutos, uma espetacular jogada de Salvio, da direita para o meio, liberta a bola para Pizzi mas este tentou o cruzamento e foi para fora
- Estrábico de um raio, não sabe fazer um cruzamento de jeito - resmunguei
- Não sei para que insiste em fazê-lo, é isso e marcar cantos! Não acerta um
- A culpa é do treinador que diz que ele sabe marcar! – olhei para o mister – e para nossa tristeza vai entrar o Talisca, ninguém merece
- Desde que tire o Pizzi – o árbitro mostra a placa – o quê? Vai sair o Nico? Estás a gozar com a minha cara?
- Isto só pode ser uma brincadeira
- Já não quero ver mais este jogo, podemos ir embora?
- Não sejas assim, pelo menos o Osvaldo recebe uma ovação – todos os adeptos estavam de pé a gritar “Nico Nico Nico” e ela riu-se
- Coitado do meu polito, ele fica mesmo sem jeito com estas demonstrações dos adeptos.
            A dez minutos para o final da partida, finalmente o Boavista consegue criar algum perigo. Uma arrancada do Afonso pela esquerda consegue o cruzamento, porém o Zé Manuel não consegue finalizar por milímetros. Noutra boa jogada dos axadrezados, o meu amigo foge para o meio mas o Lisandro mais bruscamente tira a bola e o português fica no chão a pedir assistência.
- Lisandro Ezequiel, o que foste tu fazer?
- Tchiiii vai começar, mandem vir as pipocas
- Goza goza. O moço está mesmo mal
- Não tenho pena nehuma, aquilo é tudo fita, vais ver que de caminho está de pé
            Até o árbitro dar o apito final, o jogo foi calmo sem grandes lances. Assim que terminou os jogadores cumprimentaram-se. O Licha foi pedir desculpa ao Afonso, o que me deixou mais descansada, ainda deram um abracinho. Saíram todos para o balneário, nós pegamos nas nossas coisas e fomos embora. Saímos na nossa porta mas tivemos que ir até à porta ao lado, à zona vip, para podermos ir ter com os outros assim não tínhamos que passar pelos adeptos.
- Já mandaste mensagem ao fiteiro? – perguntou-me a Magda quando já estávamos sentadas na zona de espera
- Vou mandar agora
- Vou ter uma conversinha com ele
- Vais nada, não me envergonhes
- Ai vais ver então! Ele pensa que é quem para fazer aquilo? Parvalhão
- Ohhh – peguei no telemóvel

Carolina – estou à tua espera na zona de espera das famílias, descobre onde é ;)
Afonso – em vez de ser à procura do nemo, é à procura da Carol
- Carol? Mas andei contigo na escola?
- Carolina, peço perdão
- Despacha-te
- Sim, chefe

- O teu amigo disse que já vem
- Ele não é meu amigo – resmungou a Magda
- Tanto amor – nesse momento senti alguém a tocar-me no ombor, virei-me – que susto
- Já sei que sou feio – respondeu o Afonso
- Ainda bem – cumprimentei-o com dois beijinhos – esta é a Magda, Magda este é
- O fiteiro, eu sei – ele ia-lhe a dar dois beijinhos mas ela friamente esticou o braço para um aperto de mão
- Ah? Tenho um novo nome e não sei
- Explicas tu ou queres que explique eu?
- Eu explico, eu explico – disse imediatamente – sabes aquele lance que te arrastaste para dentro do campo? – ele acenou que sim – nós não gostamos nada, foi mesmo de mau
- Então estava ali cheio de dores e o árbitro não interrompia
- Mas podias muito bem esperar fora, não era preciso rebolar para dentro de campo – repostou a Magda
- Tens razão, peço desculpa
- Não é só a mim que tens que pedir desculpa, mas sim a toda uma nação benfiquista
- Ei que exagero
- Ela tem razão – disse – sabes que depois disso começaste a ser assobiado e se eu o soubesse fazer também me juntava a eles
- Também eu – respondeu logo a minha amiga
- Pronto pronto já percebi que estive mal, irei pedir desculpa nas minhas redes sociais
- Acho bem!
- Afonso, dentro de cinco minutos temos que ir embora – veio um senhor do Boavista informá-lo
- Ok, já vou então – tirou o telemóvel da mochila – vamos tirar a nossa foto? Não me esqueci
- Bolas – aproximei-me dele e tiramos umas quatro ou cinco fotos para ter a certeza que alguma ficaria minimamente bem – se partilhas isso em algum lado mato-te
- Está descansada – nesse momento, as duas amélias chegaram ao pé de nós. O Osvaldo deu um beijo na boca da sua namorada e o Lisandro deu-me um beijo no canto na boca, para minha surpresa. Vi logo na cara do boavisteiro que não estava à espera de ver aquilo – bem tenho que ir – cumprimentou os rapazes e saiu dali
- Hoje estava difícil saírem dos balneários – comentou a Magda
- Estávamos a apresentar as instalações aqui ao Lucas – respondeu o Nico
- Ao menos apresentavam o rapaz
- Lucas é a Magda e a Carolina – apresentou o Licha e cumprimentamo-nos
- Já podemos ir embora? – perguntei - Tenho fome
- Sim, também estou – respondeu a Magda
- Vens comigo? – perguntou-me o Lisandro quando íamos para o carro
- Sim, assim o casal vai à vontade
- Sabes que não incomodas – disse o Nicolas
- WOW que querido!!!! Merecem cinco minutos sozinhos, já me vão aturar a seguir – ri-me
- Gracias
            Entramos nos respetivos carros, liguei logo o rádio para ver que música o senhor Licha andava a ouvir. Chino&Nacho começou logo a tocar com a música Ninã Bonita e juntei-me a eles
- Lo que siento por ti es ternura y pasión tú me has hecho sentir que hay en mi corazón tanto amoooor tanto amoor
- Yo nací para ti y tú también para mí y ahora sé que morir es tratar de vivir sin tu amoor sin tu amoor  – cantarolou o Lisandro, olhamos um para o outro e rimo-nos.
O refrão cantamos os três

Mi niña bonita mi dulce princesa
Me siento en las nubes cuando tú me besas
Y siento que vuelo más alto que el cielo
Si tengo de cerca el olor de tú pelo

Mi niña bonita brillante lucero
Te queda pequeña la frase Te Quiero
Por eso mis labios te dicen te amo
Cuando estamos juntos más nos enamoramos

Aquí hay amoor
Aquí hay amoor
Aquí hay amoor amor
Aquí hay amoor amor
Aquí hay hay hay hay hay hay amor

            Passamos a habitual zona dos adeptos, onde o argentino parou para tirar fotos e dar alguns autógrafos.
- Ó Lisandro, quem é a namorada do Nico? – perguntou um adepto - Ela é bem gira – olhou para mim e rimo-nos
- Só ele te pode responder
- Mas é portuguesa?
- Não, é sueca – respondi
- Bem me parecia que não era portuguesa! Esta é a tua?
- Minha? – perguntou o Licha
- Tua namorada – voltou a olhar para mim
- Não, é a amiga
- Chama-lhe amiga, chama – desatei a rir – não chateio mais – foi-se embora e nós arrancamos dali
            Chegamos em quinze minutos a casa do Gaitán, estacionamos, pousamos as coisas e fomos jantar, estávamos todos com fome. Quando terminamos, levamos a louça toda para a cozinha, colocamos as coisas na máquina de lavar para a dona Rute não ter muito trabalho depois. Fomos para a sala, eu e a minha amiga estávamos num canto a conversar e os rapazes a jogar playstation.
- Não se cansam de jogar aquilo, é impressionante – comentou a minha amiga
- Já vais ver o que vou fazer – levantei-me, desliguei a televisão
- Nooo – gritaram em coro
- Chega!!! Vocês passam a vida nisto, todos os santos dias! Vieram de um jogo de futebol e o que fazem? Jogam futebol! Eu não vim para aqui para ficar olhar para as vossas excelências, vim para me divertir convosco – olho para o Lucas – e o Lucas não deve estar a perceber nada do que estou para aqui a dizer mas deve concordar comigo, pois não veio a Portugal para jogar play. Aposto que na Argentina também tem disso, não é? – voltei a olhar para ele que se ria – por isso pousem já esses comandos e vamos fazer algo mais interessante
- É isso mesmo – a minha amiga levantou-se, tirou o comando da mão do Nico e puxou-o do sofá, e eu fiz o mesmo ao Licha
- O que querem fazer? – perguntou o dono da casa
- Tens cartas? – perguntei
- Si
- Então vai buscar – tirei as decorações da mesa, fui buscar uma toalha, lá encontrei uma nas gavetas
- Está aqui, que vamos jogar?
- Todos sabem jogar poker, certo?
- Eu não – respondeu a Magda
- Eu explico-te já as regras. Como não temos fichas, vamos fazer o seguinte: quem perder tem que beber um shot de vodka
- Estou lixada! – rimo-nos – pode ser com sumo? Senão vou ficar logo bêbeda de tanto perder
- Que pessimista!!! – comentou o Lisandro
            Expliquei as regras do poker, ou melhor as sequências possíveis que podia fazer para ter jogo e possibilidades para ganhar. Como foi de esperar nas três primeiras jogadas ela perdeu mas depois foi o Lucas que começou a beber e como o moço já estava demasiado animado decidimos mudar de jogo. O segundo jogo era aquele de colar uma personagem na testa e a pessoa tinha que adivinhar quem era, senão acertava bebia um shot. Foi tão divertido, ver as figurinhas que cada um ia fazendo para descobrir, rimo-nos até a barriga doer. Quando me levantei para ir ao wc, reparei que o Lucas já estava a dormir.
- Nico, arranja-me uma caneta
- O que vais fazer? – perguntou o irmão do dorminhoco
- Vou riscar a cara
- Faz bonequinhos – sugeriu a Magda
- Escreve na testa Jaz e põe um coração, que depois tiro foto e mando à rapariga – pediu o Lisandro, o Nico deu-me a caneta
- Espero que não se mexa – comecei a riscar devagarinho para que ele não acordasse, passado algum tempo consegui terminar – está pronto
- Vou tirar foto – ele tirou e mandou pelo whatsapp à amiga. Enquanto isso eu e a minha amiga continuamos a fazer desenhos na cara do rapaz – já não chega?
- Agora deixa terminar este – eu e a Magda terminamos a nossa obra de arte e depois fomos com os outros dois para o jardim
            Aqui preferimos ficar mais por “casais” para também termos um tempinho a sós. Estava deitada agarrada ao Lisandro numa das espreguiçadeiras junto à piscina a conversar, e a minha amiga estava sentada no colo do argentino no sofá do alpendre.
- O que tanto falavas com o outro? – perguntou o Licha
- Qual outro?
- O tipo do Boavista
- Ahhhh esse cromo. É o Afonso. Estava-lhe a dizer que não gostei da atitude dele no jogo
- O que ele fez?
- Quando ele rebolou literalmente para dentro do campo para o árbitro o assistir e quando o jogo foi interrompido ele levantou-se logo. Detesto quando fazem isso
- O típico de quem joga em equipas pequenas
- Pois, mas também te vou dizer que não gostei nada daquela tua entrada nele, parecia que ias tirar as pernas ao rapaz
- Aquilo não foi nada, foi mais o impacto ao cair no chão
- Pois pois, eu bem vi o teu sorrisinho depois da falta
- Não viste nada, xiu! – deu-me um beijo na bochecha – mas vocês estavam todos  felizes e contentes quando eu e o Gaitán chegamos
- Ciúmes, Lisandro Ezequiel?!?
- Claro que não. Não tenho razões para tal
- Mentes tão mal
- Ai minto? – acenei que sim e começou a fazer-me cócegas que só terminou quando fomos parar à relva.
            Ele ficou por cima de mim, ficamos momentos em silêncio a olhar um para o outro até que fomos interrompidos
- Pombinhos, se querem fazer poucas vergonhas ide para um lugar privado – comentou a Magda
- Grande ideia – respondi, olhei para o Eze que se ria
- É só para avisar que nós vamos dormir – avisou o Nico
- Na tua terra chama-se dormir? Na minha tem outro nome – levantamo-nos
- Carolina! – resmungou a “sueca”
- Também te adoro – abracei-a
- Amigas assim quem precisa de inimigos
- Osvaldo, cuidado isto já é o sono a falar mais alto misturado com um bocadinho de álcool no sangue – desatamos a rir, fomos os quatro para dentro – este vai ficar aqui? – apontei para o Lucas
- Si, vou só buscar uma manta para ele não ter frio durante a noite – disse o dono da casa
- É melhor, senão fica doente – respondeu a Magda – ó Carol, podias tu dormir aqui e os manos dormiam no quarto – sugeriu a minha amiga
- Estás doida? Eu preciso que alguém me aqueça – olhei para o argentino, pisquei o olho e rimo-nos.

            O Nico foi buscar a manta, cobrimos o rapaz e fomos para os respetivos quartos.