terça-feira, 27 de janeiro de 2015

12º Capítulo - ela...ela está em...

(Magda) 
            Só ouço os travões com grande esforço e o Pedro a tentar fugir parar não bater, mas foi tudo tão rápido que não conseguiu. Bateu primeiro nas rodas traseiras do camião que ia à nossa frente, levando o carro a dar uma volta, batemos com a frente no separador lateral e o carro que vinha atrás embateu-nos na lateral. 
            Quando isto tudo terminou, eu não conseguia ouvir nada, só via a grande agitação lá fora, mas mesmo assim não era muito nítido, pois era de noite. Olhei para a Carolina, ela não estava acordada e sangrava de um corte que tinha junto ao olho. Tirei o sinto para tentar perceber melhor o estado dela, mas mal me conseguia mexer com tantas dores pelo corpo todo. 
            Comecei, finalmente, a ouvir o borborim que vinha de lá de fora e um senhor veio à minha janela e disse: 
- Menina não se mexa o INEM já vem a caminho. 
- Eu estou bem, os meus amigos é que não. Pode ajudá-los? – respondi eu com as poucas forças que eu tinha 
- Não se mexa – repetiu o senhor. 
            Entretanto avisto as luzes das sirenes acompanhadas por aquele som horrível. Os bombeiros abrem-nos as portas, observam o estado para saber como nos irão tirar dali. A primeira a sair do carro fui eu e disse: 
- Não se preocupem comigo, que eu estou bem. Ali a minha amiga é que precisa de ajuda. 
- Menina, tenha calma. Acabou de passar por um grande choque e a sua amiga irá ficar bem – disse um paramédico enquanto me levava para a ambulância para ser observada. 
- Deixe-me ir ver como ela está – tentava eu empurrar o médico sem sucesso, ele lá me sentou na maca e começou a fazer perguntas: Qual o meu nome? Onde eu morava? Se me lembrava do que tinha acontecido? O que me doí-a. 
            Enquanto eu estava na ambulância reparei que o Pedro recuperava os sentidos e pedi que me levassem até ele, o médico não queria, contudo eu lá o convenci. Quando cheguei perto dele perguntei: 
- Como estás? 
- Estou ainda meio zonzo mas estou bem e tu?
- Umas dores no corpo nada demais. 
- Desculpa, eu tentei de tudo para não batermos, mas o camião decidiu mudar de faixa sem dar qualquer sinalização quando o íamos ultrapassar.
- Não tiveste culpa nenhuma, Pedro. Podia acontecer a qualquer um, infelizmente foi a nós. 
- Onde está a Carol? Como está ela?
- Temos que ir, o senhor precisa de ser operado a esse braço – disse o paramédico. Pegou na maca do lisboeta, colocou-a dentro da ambulância e arrancou. 
            Eu aproveitei a distração e tentei aproximar-me da Carolina mas sem sucesso. Ela continuava desmaiada. 
- Deixem-me, deixem-me! Eu quero ver a minha amiga, eu tenho esse direito. Ela precisa da minha ajuda – e dois paramédicos empurravam mas eu continuava – deixem-me! Deixem-me – senti uma picada no braço, o meu corpo em segundos começou a perder as forças e… 
            Acordei, estava eu deitada numa cama, com um tubo junto ao nariz e outro no braço. Comecei a sentir aquele cheiro nauseabundo e só vinha a confirmar, estava numa cama de hospital. Tentei levantar-me mas não conseguia com as dores que tinha pelo corpo todo, então decidi chamar pela enfermeira 
- Enfermeira 
- Já estás acordada? – disse uma voz que me era familiar, olhei e era o Pedro que tinha o braço ao peito. 
- O que te aconteceu? 
- Parti o braço e desloquei o ombro
- Mais era impossível! 
- Podia ter ficado sem braço – rimo-nos 
- Só tu para me fazeres rir numa altura destas. A Carol? Onde anda ela, porque não está aqui? 
- Ela está em observação.
- Mas o que se passa? 
- Ainda é complicado de dizer.
- Não me escondas nada 
- Sabes com tantas pancadas, ela… ela está em coma e ainda não sabem dizer mais nada – disse ele com a voz a tremelicar - Está com diagnóstico reservado. 
- O quê?!? Mas ela vai ficar bem? Ela vai acordar? Já avisaram a família dela? – ele interrompe-me. 
- Magda, calma! Os médicos já ligaram para a família dela, que por acaso já tiveram cá. E também avisaram a tua
- A minha? Mas como sabiam? 
- Eu dei o contacto da irmã da Carolina, eles ligaram para ela e pediram o contacto dos teus pais. Eles também vieram cá, mas estavas a dormir
- Estou a ver que se passou muita coisa enquanto dormia. Conta tudo direito. 
            Ele contou que estávamos no Hospital de Coimbra, que os meus pais vieram ver-me mas foram embora porque não iriam ficar cá a fazer nada. Eu e ele vamos ter alta na segunda, e a Carol independentemente do estado dela vai ser transferida para o Hospital São João, caso quadro clinico dela se altera entram em contacto. Ele disse-me que depois do médico vir ao quarto ver como estávamos nos permitia ver a nossa amiga. 
- Sabes onde estão as minhas coisas? Gostava de ligar aos meus pais 
- Estão na gaveta dessa mesa ao teu lado
- Obrigada - Peguei no telemóvel, reparei que tinha uma mensagem do Nico mas preferi ligar primeiro aos meus pais para dizer que estava bem. O meu pai disse-me que já tinha avisado o meu amigo André e a Olívia do que se tinha passado, que só faltava avisar o Tomás, desliguei a chamada e mandei logo uma mensagem ao Tomás a contar o sucedido, ele desejou as melhoras. Abri, finalmente a mensagem pendente. 
            De: Nico 
- Buenos dias ;) então como correu a viagem? ** 
            Para: Nico
- Boa tarde, a viagem não correu muito bem ;( tivemos um acidente… e estamos no hospital mas não é nada de grave. ** 
            Nem tinha passado um minuto e recebo uma chamada dele 
- Estou? 
- Estou?!? Tens um acidente e só mandas uma mensagem? Não sabes ligar??? – disse ele um pouco exaltado 
- Ei tem calma, eu é que estou aqui enfiada no hospital e tu é que estás irritado 
- Fiquei preocupado
- Desculpa, tens razão mas com esta situação não pensei direito 
- Desculpa eu, por me ter passado. Mas estás bem? O que se passou afinal? – contei os pormenores do acidente e do estado da Carolina. 
- Eu amanhã vou tentar passar ai antes de viajar para a Argentina, hoje não porque é dia de jogo. 
- Oh não precisas de vir. Apanha o avião e vai ter com a tua família para matar as saudades
- Vou sim, quero ver como estás e se precisas de alguma coisa. 
- Eu estou bem e não preciso de nada. Quer dizer, quero que vás ter com a tua família.
- És teimosa – o médico entra no quarto. 
- Muito. Olha vou ter que desligar que o médico chegou
- As melhoras para todos vós, espero que a tua amiga recupere rápido. Beijinhos. 
- Muito obrigada e boa sorte a toda a equipa para o jogo de logo. Beijo – desliguei a chamada. 
- Ainda agora acordou e já está ao telefone? – perguntou o médico 
- Tenho uma vida social muito ativa mas diga-me, estou a morrer?
- Ahahah… estou a ver que a menina está muito engraçadinha. Tirando alguns hematomas e as dores musculares, tem saúde para dar e vender 
- Ainda bem que não é nada grave. Já podemos ir ver a Carolina?
- Podem – mal o médico disse isto levantamo-nos e fomos ver como ela estava. Eu deixei o Pedro entrar primeiro, e enquanto esperava no corredor lembrei-me de uma coisa. Fui ao quarto num instante ver se o meu pai tinha posto na minha mochila uma coisa importante e, como sempre, ele não falha, peguei e voltei para junto do quarto da Carol. 
            O lisboeta saiu e eu entrei, sentei-me na cama junto aos braços dela e disse: 
- Hoje joga o teu grande amor – olhei para o cachecol do Benfica que tinha na mão –vou-te deixar isto aqui para te dar força e tu dares aquela força especial ao nosso clube. Para te lembrares da força do teu grande amor, sei que te vai dar sorte e vais acordar logo logo, eu sei disso! Vá lá amiga, acorda! O Pedro precisa de ti, o HappyMeal precisa da mãezinha dele, os lobitos precisam do Balú, a tua família, os teus amigos precisam de ti! – engoli a seco e limpei a lágrima que tinha no canto do olho – Eu preciso de ti, caramba! Conhecendo-te como te conheço, sei que te vais lembrar da força que o teu Toto teve para enfrentar aquela grave lesão, aquela garra que ele teve para todos os dias lutar e voltar a fazer o que mais gosta, aquela força e vontade que tu admiras nele, vai ser esse o teu alicerce para recuperares. Acorda vá lá! – olhei para ela e não reagiu, então levantei-me deixei o cachecol junto aos pés dela e quando cheguei à porta disse – acho que vais gostar de saber o Salvio e o Lisandro foram convocados para o jogo de hoje. Até amanhã. – naquele momento apetecia-me chorar por vê-la assim e eu sem poder fazer nada, mas respirei fundo saí do quarto. 
- Ei demoraste mais que eu – disse o Pedro 
- Vamos jantar e ver o Benfica? – ele acenou que sim e lá fomos. 
            O Benfica ganhou 4-1, o Licha e o Toto foram titulares. Este último marcou dois golos com assistência do Maxi e Jonas. No primeiro golo, ele dedicou como sempre à sua mulher e ao filho o segundo parece ter dedicado ao Lisandro, porque foi logo abraçá-lo, mas depois apontou para as câmaras, o que fiquei sem perceber. Eu e o Pedro estivemos a comentar o jogo até as chatas das enfermeiras nos virem mandar calar e dizer que estava na hora de dormir. Enquanto não adormecia pensava na vontade enorme que eu tinha de ir a correr contar à Carolina que o ídolo dela marcara dois golos e que finalmente o Lisandro tinha sido titular como ela tanto pedia, sei que ela iria ficar radiante com a notícia. Fiquei perdida a imaginar a reação dela e a lembrar-me dos melhores momentos que passamos juntas, até que acabei por adormecer.

Será que o Osvaldo irá fazer a visita?
Será que o golo era mesmo para o Lisandro?
A Carolina irá acordar?

2 comentários:

  1. Oh .... Espero que o Nico vá fazer a visita , a Carol tem de acordar e fizer boa :))

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  2. Ola : ) Começei a ler ontem e gostei muito!
    Espero que a Carol acorde e que o Nico faça uma visita!
    Aguardo o proximo ;)

    Beijinhos
    Ritááá xD

    P.S - Não sei se conheces as minhas duas fics, mas se quiseres dar uma vista de olhos aqui ficam os links:
    romanceinesperado.blogspot.com
    speedofloveslb.blogspot.com

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