sexta-feira, 19 de setembro de 2014

7º capitulo - te amo...

             7h30 e o despertador toca, acordar tão cedo a um sábado, ninguém merece! Hoje vou fazer uma surpresa ao Pedro. Combinei com a mãe dele que as 8h passaria por lá para o acordar e irmos sair, espero que não acorde rabugento.
            Quando cheguei lá, toquei à campainha e dona Margarida abriu-me logo a porta, ela e o marido já estavam de saída para o trabalho. Despediram-se de mim e saíram. Dirigi-me até ao quarto do Pedro, já conhecia a casa como a palma da minha mão de tantas vezes cá vir.
            Ele dormia como um anjinho até dava pena de o acordar, mas tinha que ser, ainda tínhamos que ir para Figueira de Cavaleiros, no Alentejo, o salto está marcado para as dez. Sentei-me junto à cabeceira da cama, comecei a encher a cara dele com beijinhos e disse-lhe ao ouvido:
- Mouro – ele virou-se para o outro lado – mouro acorda!
            Ele disse:
- Hoje não trabalho, deixem-me dormir.
- Já não reconheces a minha voz? Acorda masé mouro – puxei os lençóis para trás, abanei-o e lá ele abriu os olhos e disse:
- Tu aqui? Estou a ter um sonho?
- Não, não é nenhum sonho – ia-me levantar para abrir as precianas mas ele agarra-me, deita-me a beira dele e enche-me de beijinhos.
- Melhor maneira de acordar – disse ele.
- Não parece, nem reconheceste a minha voz nem os meus beijinhos.
- Desculpa princesa, mas estava dormir tão bem que pensei que a chata da minha mãe me estava acordar. Mas o que fazes aqui? E que horas são? – pegou no telemóvel viu que passavam das 8h – Oito e tal e tu aqui?? Estás bem?
Levantei-me da cama e disse:
- Levanta-te e arranja-te, enquanto preparo o pequeno-almoço, depois explico onde vamos
- Sim chefe – ele foi para a casa de banho e eu fui até a cozinha, mas a mãe dele já tinha deixado tudo pronto, até nos deixou uma saca com petiscos para o almoço, a senhora é mesmo uma querida. Então fui para a sala ver televisão enquanto esperava pelo Pedro.
            Passados uns quinze minutos saímos de casa, entrámos no carro e lá fomos nós.
- Carol, mas afinal onde vamos?
- Já vais ver-
- O que inventaste desta vez?
- No fim agradeces, como sempre.
- Convencida.
            Continuou a viagem toda a perguntar onde íamos, mas eu sempre sem lhe dizer. Quando estávamos a entrar no Skidiving Center ele diz:
- O que é isto? Onde me trazes? Isto é deserto…
- Deixa-me estacionar e já vais ver. Não suspeitas de nada?
- Tenho uma ideia, mas não tenho a certeza – saímos do carro.
- Qual é a tua ideia?
- Isto não é um aeródromo?
- Que inteligentes que estamos!
Aproximou-se um senhor até nós e perguntou:
- É a menina Carolina?
- Sim, sou – cumprimentou-nos
- Sejam bem-vindos, já temos tudo pronto para o salto.
            O Pedro olhou para mim com um ar de espanto e perguntou:
- Salto? Que salto? Tu não me digas que…
- Sim vamos saltar de paraquedas – olhei para ele e vi o ar de alegria dele, parecia um puto que recebeu o boneco que tanto desejava – queres?
- Claro que quero – agarrou-me pela cintura, encheu-me de beijinhos e só sabia dizer – obrigada, obrigada, obrigada. Só tu para me fazeres uma coisa destas.
- Olha aí, não me envergonhes à frente dos senhores afastei-o de mim, pedi desculpa aos senhores e fomos atrás deles para termos um mini curso para saber como aterrar e como abrir o paraquedas.
            Depois disso, fomos finalmente fazer o salto. Foi maravilhosa a sensação de saltar, ao início tinha receio que algo corresse mal, mas depois de saltar do avião e o paraquedas abrir não há mais medos, só aproveitar o momento e apreciar a paisagem. Despedimo-nos dos senhores e dirigimo-nos até ao carro, quando lá chegamos o Pedro pegou na minha mão, puxou-me para junto dele, eu sentia o seu coração a bater fortemente, colocou-me o cabelo atrás da orelha deixando a sua mão suave na minha cara e disse:
- Como não gostar de ti? Surpreendes-me todos os dias. Obrigada princesa – beijamo-nos até o ar faltar, foi um beijo intenso e cheio de amizade, de respeito, de alegria, de amor, de cumplicidade, muitos sentimentos à mistura.
Olhei-o nos olhos e vi a felicidade no seu olhar, ele estava contente, acho que era a primeira vez que o via assim e isso deixava-me completa, aquilo que mais queria aconteceu, fiz o meu melhor amigo, o meu companheiro, o meu mouro feliz. Não podia estar mais satisfeita.
- Meu mouro – ele agarrou ainda mais forte junto ao seu corpo.
- Princesa, queres namorar comigo? – Olhei-o nos olhos, sorri e beijei-o – isso é um sim?
- Sim – beijamo-nos novamente e sussurrei-lhe ao ouvido – te amo
- Amo-te princesa – demos um abraço bem forte e ficamos ali alguns minutos em silêncio aproveitando o momento. Depois entramos no carro, fomos até a Serra da Arrábida onde fizemos o picnic e namoramos durante a tarde.
            No final do dia, íamos a caminho de Lisboa e convidei-o para ficar a dormir em minha casa, ele aceitou. Quando lá chegamos preparou o jantar, vimos um filme e acabamos por adormecer, estávamos cansados. No dia seguinte, passamos o dia na sostrice, entre filmes e séries. Também liguei à Magda para saber como estavam as coisas nos escuteiros e se ela tinha respondido ao Osvaldo.
            A chamada foi rápida só teve tempo para dizer que os meus pirralhos estavam bons e que trocou umas mensagens com o Nico, mais tarde me reencaminharia a conversa. E assim foi.
De: Magda
- Aqui tens a conversa toda:
eu- Desculpa a demora, mas estou com muito trabalho na faculdade e também não te quero aborrecer. Por aqui está tudo bem e os teus treinos como têm corrido?
ele- Não tens que pedir desculpa, eu compreendo. Os treinos têm corrido bem, tirando que tive um pequeno susto, mas não passou disso. Próximo sábado vou para o Porto :)
eu- Susto? O que se passou? Estás bem? Eu sei, vens à cidade mais bonita de Portugal :)
ele- Estou bem, tive umas dores na coxa esquerda, mas já estou bem e já posso jogar à vontade. Eu não conheço a cidade, mas ouvi falar bem. Vou ter a honra de te ver?
eu-  Ainda bem que não foi nada de grave. O Benfica precisa da tua magia em campo :) Em princípio, vou ao hotel ver-vos chegar.
ele- obrigada pelas palavras :) Lá é um sítio complicado para falarmos, mas se te vir eu pisco-te o olho, combinado?
eu- Combinado. Até sábado **
ele- Até sábado **
Para: Magda
- Ai que fofinhos que nós estamos. “eu pisco-te o olho” ahahah. Sábado vai ser um grande dia :)
            A semana passou a correr, já era sexta, dia de regressar a casa e matar saudades. Nesse fim-de-semana, não tinha escuteiros e ia ter Porto-Benfica, era daqueles jogos que dava vontade de ir ver ao estádio, mas não arranjamos bilhetes.
            Sábado, eu, Magda e o seu primo Vasquinho fomos até ao hotel para receber os nossos campeões. A Magda ficava sempre nervosa com este tipo de coisas, mas neste dia ela estava nervosa a dobrar. Já a porta do hotel ela diz ao seu primo:
- Vasquinho, se tu o vires chama-o, por favor.
- Não te preocupes que eu chamo – respondeu ele.
            Estávamos nós à conversa até que avistamos a camioneta, o coração começou a bater cada vez mais depressa, até parecia a primeira vez que os ia ver ao vivo. Estava nervosa sem saber se o Salvio me ia reconhecer e se o Nico ia ver a minha amiga, acho que até estava mais ansiosa por causa dela.
            A camioneta estacionou bem ali a nossa frente, o autocarro mais lindo de sempre estava novamente ali bem próximo. A porta abriu-se e começou a sair a equipa técnica, seguido do mister Jorge Jesus, o capitão Luisão e os outros jogadores saíram um a um.

Será que o Nico vai ver a Magda?

Será que se irão falar?

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