segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

10º Capitulo - São só amigos?

             Hoje vai ser um dia especial, finalmente o Nico vem cá para lhe apresentar a minha bela cidade do Porto. Estou tão nervosa!!!
            Contei aos meus pais que ia sair com ele, disseram logo que não era uma boa ideia e que ia dar problemas porque os portistas ainda iriam arranjar confusão, eu disse que não ia acontecer nada e que eles nem eram assim tão más pessoas. O meu pai também disse que primeiro queria ter uma conversinha com o Gaitán para o avisar que comigo não se metia, eu disse logo que não ia fazer nem dizer nada e para ele ter masé juízo. Imaginem a vergonha que não iria passar!!!
            Hoje também é o último dia de aulas, espero que sejam interessantes para ver se o tempo passa a correr. Fui para as aulas e por ser as últimas do semestre foram mais práticas e o tempo passou a voar, felizmente. Olhei para o relógio e pensei “ei já é 12h tenho que me despachar ele já deve estar a minha espera”. Arrumei as minhas coisas, dirigi-me à porta e o meu telefone apita, recebi a seguinte mensagem:
            De: Nico 
- Hola Chica, estou aqui no carro à tua espera ;)
            Despedi-me dos meus colegas e fui. À medida que me aproximava da porta o meu coração batia mais depressa, parecia que estava pronto a sair disparado. As pernastremiam, por momentos achei que nem conseguiria sair do sítio, mas respirei fundo e pensei “vá Magda tu consegues”.
            Quando ele me viu aproximar esboçou aquele sorriso encantador que tem, o que me deixou ainda mais constrangida porque só estava habituada a ver nos jogos ou em fotos nunca ao vivo. Ele fez questão de sair do carro e disse:
- Hola – aproximou-se para me dar dois beijinhos e eu retribui
- Vamos? – disse eu. Ele acenou, cavalheiro que é, fez questão de me abrir a porta do carro e lá fomos nós - onde vamos almoçar? 
- Tu escolhes, tu é que és de cá
- Mas foste tu que ficaste de ver um restaurante para não irmos a um sítio muito movimentado – disse eu assustada porque não conheço assim muitos sítios para comer, normalmente quem trata disso é a Carolina
- Estou a brincar contigo – sorriu
- Por momentos assustaste-me
- Viu-se na tua cara – sem avisar parou o carro junto ao passeio com os quatro piscas – espera um pouco que já volto – saiu do carro, foi falar com um senhor que estava a porta de uma casa e voltou – pérdon, fui pedir para colocar o carro na garagem para depois irmos passear a pé como combinado 
- Estou a ver que trataste de tudo, muy bien.
            Estacionou o carro na garagem, entrámos na casa, que afinal era um restaurante. Sentámo-nos, escolhemos o que cada um queria e durante todo o almoço fomos conversando. Como tinha corrido a viagem dele até cá, como tinha corrido o meu último dia de aulas, como é que nós estávamos, sobre o Benfica, sobre futebol no geral, sobre os nossos gostos musicais, filmes, entre outras coisas. Foi um momento para o conhecer melhor e para ele me conhecer. No fim do almoço foi uma guerra porque ele não me deixou pagar o almoço, nem dividir a conta. Saímos do restaurante e ele disse:
- Agora é contigo, para onde vamos? – olhei a minha volta para me localizar, agarrei no braço dele e disse
- Vamos por aqui – começamos a descer a rua e estávamos na mítica Rua de Santa Catarina, expliquei-lhe que era uma das ruas mais movimentadas da cidade, que antigamente o comércio passava-se todo ali, mas que infelizmente hoje em dia são cada vez mais lojas a fechar. Seguimos em direcção à Batalha, onde fica um dos cinemas mais antigos da cidade.
            Fomos visitar a Sé, onde lhe mostrei a vista magnífica para o rio Douro, descemos pelas ruelas até a ribeira. Ele tirou umas fotos àquela vista maravilhosa, também tiramos uma selfie para registar o momento. Subimos até à Praça do Infante D.Henrique onde temos o Palácio da Bolsa, o Mercado Ferreira Borges e a Igreja de São Francisco, continuamos a subir pela Rua Mouzinho da Silveira até à Estação de São Bento. Depois seguimos até a Torre do Clérigos.
- Esta é a Torre Eiffel – disse eu 
- Torre Eiffel? – perguntou ele
- Enganei-me, desculpa, é a Torre dos Clérigos - ele sentou-se nas escadinhas em frente à torre, agarrou-me a mão, puxou-me para junto dele – estás bem? Dói-te o pé?
- No, está tudo bem
- Como te sentaste fiquei preocupada, não quero ser culpada por piorares
- Nada disso, só és culpada pela minha recuperação rápida - olhamo-nos olhos nos olhos, foi muito bom ouvir aquilo que nem tive coragem de dizer o quer que fosse aprenas sorri - Como te disse por mim já voltava a jogar, mas o médico acha melhor só voltar em Janeiro. 
- Faz ele muito bem, voltas a 100% - ele sorriu, levantou-se, deu-me a mão, corei imediatamente e ele disse
- Vamos continuar? – acenei que sim e seguimos caminho de mão dada.
            Fomos pelo meio do Jardim da Cordoaria até a Praça dos Leões, onde fica a Reitoria da Universidade do Porto e a famosa praça dos estudantes. Estávamos junto à fonte dos leões quando o meu amigo André passa, larguei de imediato a mão do Nico e disse:
- André? – ele olhou para mim - por aqui? 
- Sim – respondeu ele e ficou a olhar com cara de admirado – este não é o argentino?
- É, ele tem nome. É o Gaitán – olhei para ele e disse – Nico este é o meu amigo André, André este é.. bem não precisa de apresentações – riram-se e cumprimentaram-se
- O que faz ele aqui? – perguntou o André
- Veio conhecer a cidade e tu que fazes aqui?
- Vim tomar café com o pessoal, mas já vou embora.
- Não queres vir connosco à Sincelo? – olhei para o Osvaldo e pela cara dele acho que não gostou nada deste meu convite. 
- Não quero estragar nada
- Oh deixa-te de coisas, anda
- Está bem – fomos os três até a uma das melhores gelatarias do Porto situada na Rua de Ceuta.
            Desta vez, fiz questão de ser eu a pagar eescolher os sabores dos gelados. O Nico não achou piada, mas já não havia nada a fazer. Pedi um Magnólia, que é uma taça com 6 bolas de gelado (eu escolhi panacota, coco com chocolate, zambaglione, limão, café, amora), chantily, chocolate quente, nozes e cornflackes. Ficamos ainda um bom bocado a conversar, mas senti que o Gaitán estava mais calado desde que o André ficou connosco. 
- O que tens feito? – perguntou o André 
- Faculdade, escuteiros e ir ver o Benfica e tu?
- Já não sabes? Faculdade e sair com o pessoal
- Noutro dia fui acampar para Aveiro e sabes do que me lembrei?
- Ei não acredito…
- Quando tu perdeste o bilhete do barco na ria e depois o telemóvel
- E a Carolina que trouxe o prato para casa? – eu e o André rimo-nos imenso ao relembrar essa nossa aventura até Aveiro. Olhei para as horas e disse: 
- Não é melhor irmos embora? É que ainda temos que ir a minha casa buscar as malas – o Nico abanou a cabeça dizendo que sim 
- Vais de viagem? – perguntou o André
- Vou aproveitar a boleia dele para Lisboa. Vou ficar uns dias em casa da Carol e depois vimos juntas para cima antes do Natal
- Então depois temos que combinar um jantarzinho
- Claro que sim – levantamo-nos e fomos embora.
Descemos até aos Aliados, despedimo-nos do André que foi para o metro e fomos até ao carro que deixamos na garagem do restaurante. Quando já estávamos a caminho de minha casa, perguntei: 
- Nico, passa-se alguma coisa?
- Não, porque perguntas isso?
- Estás muito calado desde que convidei o meu amigo para nos fazer companhia
- Não tinha nada a dizer e preferi deixar-vos a falar à vontade
- Oh não era preciso, podias, perfeitamente, ter falado
- Posso fazer uma pergunta?
- Claro
- Tu e o André são só amigos?
- Sim. Porquê?
- Reparei que havia muita cumplicidade entre vocês
- Conheço-o desde os 15 anos e tornamo-nos bons amigos – fez-se silêncio durante uns momentos até eu interromper - Estaciona ali que vou lá em cima buscar as malas e seguimos viagem
- Não precisas de ajuda?
- Não – saí do carro, fui buscar as malas e fizemo-nos à estrada.
            Durante a viagem viemos a falar, mostrei-lhe algumas das minhas músicas preferidas e ele mostrou-me as suas favoritas. Como vínhamos entretidos o tempo passou a correr e já estávamos em Lisboa. Pedi-lhe para me deixar no Colombo,pois combinei com a Carolina encontrarmo-nos lá para depois seguirmos para casa dela. Ele ficou comigo à espera dela e nem demorou cinco minutos até ela chegar. Despedimo-nos dele e fomos para casa.
            Já eram quase onze da noite quando recebo a seguinte mensagem:
            De: Nico
- Muchas gracias pelo dia de hoje. Gostei muito da tua companhia :) Espero que também tenhas gostado. Buenas noches Chica ***
            Para: Nico
- Eu também gostei muito da companhia :) agora é a tua vez de me apresentares a tua cidade emprestada :b boa noite ***
  
Como correrá a estadia da Magda por Lisboa?
Será que ela estará mais uma vez com o Nico?

sábado, 29 de novembro de 2014

9º Capitulo - Que nervos!!!!

               Hoje já é terça-feira, voltei ao trabalho e Magda voltou às aulas. Tudo corria normal, quer dizer nem tudo. As notícias sobre a lesão do Nico teimavam em não sair, nem no site do Benfica, nem nas redes sociais. A Magda começava a ficar muito preocupada principalmente porque a comunicação social, como sempre, não ajudava nada. Hoje nas capas dos jornais saiu notícias como “Nico pode não jogar mais esta época”, “Será que teremos Gaitán de volta?”. Que nervos!!! Até comentei com o Pedro na hora de almoço “a Magda se leu estas coisas deve estar numa pilha de nervos”.
             Com esta história do Gaitán até me esqueci de contar ao Pedro os pormenores de sábado. Acho que quando lhe disser o que o Lisandro fez ele vai ter um ataque de ciúmes, nem quero pensar nisso. Eu logo ao jantar conto-lhe. Já estava na hora de sair do trabalho então fui buscar as minhas coisas, esperei pelo Pedro enquanto mandava a seguinte mensagem:
Para: Magda
- Então amiga, como estás? Mais calma? Já há novidades?
            Já estava eu em casa a preparar o jantar quando ela me respondeu:
            De: Magda
- Não, aquele parvalhão não me diz nada, não sai nada em lado nenhum! E depois aquela comunicação social não ajuda o meu estado de nervos! Vai masé ao Seixal saber o que se passa com ele!
Para: Magda
- Tem calma, vai sair alguma coisa não vão manter segredo a semana toda. Além do mais, sábado jogamos, por isso, a informação tem que sair. Quem me dera poder ir lá, mas não posso :(
            Eu e o Pedro jantámos, arrumámos a cozinha e sentamo-nos bem agarradinhos a ver tv e eu disse:
- Com isto tudo nem te contei todos os pormenores de sábado
- Mas não foi só o reencontro entre a Magda e o moço? – perguntou ele
- Não. O Lisandro também quis entrar.
- Ah? Explica-te – contei-lhe o que se tinha passado e à medida que a história se desenvolvia a sua expressão ia mudando, estava cada vez mais chateado.
- Ele bate mesmo mal – disse eu para desvalorizar o assunto
- Tu gostas dele assim não é?
- Agora quem não entende sou eu
- Nada nada
- Oh Pedro não vais começar pois não?
- Eu? Não. Mas depois não digas que são filmes da minha cabeça – olhou para o relógio levantou-se – já é tarde vou embora – deu-me um beijo na testa, pegou no casaco e dirigiu-se para a porta.
Corri até a porta antes que ele saísse e perguntei:
- Vais assim sem te despedires em condições?
- Não te dei um beijo na testa? Então pronto.
- Isso é em condições? E além do mais estás chateado por uma estupidez. Já te disse que não tens que ficar assim! Mas ok, tu é que sabes! Depois não digas que a culpa é minha. Xau – abri a porta, virei costas sem querer saber se ele saia ou não.
            Mal dei dois passos senti a porta bater e pensei que ele se tinha ido embora mas não. Segundos depois senti a mão dele na minha, puxou-me para junto dele e encheu-me de beijos. Para mostrar que não estava contente com a atitude dele não reagi e nem sorri, apesar de por dentro estar cheia de vontade de o abraçar, de lhe retribuir os beijinhos e os carinhos.
- Princesa, eu sei que sou um idiota e que não mereces que eu tenha estas atitudes infantis mas eu gosto muito de ti e não te quero perder - disse ele – sabes que sou ciumento, e não suporto ver os outros rapazes aproximarem-se
- Idiota…
- Não quero que fiques chateada comigo, princesa! Vá lá dá-me um beijinho!
- Não sei se mereces
- Oh… eu gosto muito muito de ti e cada vez gosto mais! – deu-me um beijo na bochecha – vá lá faz as pazes comigo!
- Não sei… – começou-me a encher de beijos até que cedi. Coloquei as minhas mãos à volta do pescoço dele e fui-lhe dando pequenos beijos até a cama, onde ele me deita com toda a delicadeza, tira o casaco e enche-me de beijos intensos, as mãos dele já percorriam o meu corpo, e a temperatura aumentava. Até que coloco o dedo sobre os lábios dele e disse – não vamos abusar da sorte menino Pedro – deu-me um beijo no pescoço e olha-me nos olhos.
- Amo-te – dei um sorriso bem rasgado de tanta felicidade que não consegui resistir, dei-lhe um beijo de cortar a respiração, depois outro e outro até que o telefone toca
- Deixa-me ir atender que pode ser importante – disse eu a tentar que ele me largasse
- Não vás, fica aqui! – abraçando-me com força
- Pode ser a Magda – ele lá me deixou ir atender o telemóvel e era mesmo ela - Estou sim
- Ele respondeu!!!!!! – disse ela – eu mandei-te sms mas não respondeste
- Não vi, desculpa! O que disse ele?
- Vou passar a citar “Buenas noches, mil desculpas por não ter respondido antes, mas tive a fazer imensos exames até ter a certeza do que realmente se passava. Fiz uma entorse num ligamento no tornozelo e vou ter que parar durante dois meses. Vou fazer de tudo para voltar mais cedo, mas a 100% só em Janeiro. Mais uma vez desculpa, não te queria preocupar. ***”
- Dois meses? Txiii coitado. Já lhe respondeste?
- Não, também vai ficar 48h sem resposta! Vingança!
- Não sejas assim.
- E digo o que? ”quase me matavas do coração sua besta”?
- Até que não era mau pensado – ri-me
- Não tem piada nenhuma!
- Diz assim “é verdade que me deixaste preocupada, mas o que interessa é que não é assim tão grave :) Espero que recuperes rápido para ajudares a equipa com a tua magia”
- Vou pensar no teu caso. Olha já contaste ao mouro aquilo do Licha?
- Sim
- E como reagiu?
- Mal
- Estou a ver que ele está aí para não prolongares muito o assunto
- Certíssima, depois falo contigo
- Ok vou deixar-vos a sós então. Xau
- Xau depois conta o que falaste com a lontrinha
- Deixa-o ser lontrinha, assim é mais fofo ao abraça-lo. Xau – e desligou a chamada
            Voltei para junto do Pedro e contei o que se passava com o Nico. Convidei-o para dormir cá em casa e ficou. Dormimos bem agarradinhos para não sentirmos o frio que fazia. No dia seguinte, a Magda mandou-me a conversa que teve com o Osvaldo.
De: Magda
- Mandei assim “Hola chico. É verdade que me deixaste preocupada, mas ainda bem que não é assim tão grave como imaginava. Espero que recuperes rápido porque a equipa precisa da tua magia :) Os jogos agora não vão ter tanta piada :b **”, ele respondeu “perdóname por favor. Eu vou trabalhar muito para voltar rápido. Agora que estou lesionado podemos combinar para me apresentares a cidade do Porto**”, eu disse “estás perdoado :) Agora só posso nas férias de natal por causa dos testes e trabalhos, mas faço questão de te apresentar toda a cidade :)”, ele “Então nas férias de natal eu vou um dia aí antes de voltar à Argentina **”, eu “Combinado, mas quando estiver mais próximo combinamos melhor pode ser?”, ele “Puede :) mas até lá podemos ir falando para saber como andas :)”, eu “Está bem. Vou dormir. Até amanhã e as melhoras rápidas **”, e ele “Muchas gracias y buen estudio :) Hasta mañana **” e terminou assim a conversa.
Para: Magda
- Oh que querido, ele quer saber como tu andas :b Além de marcares um dia com ele marca na agenda uns dias para vires cá para passearmos :b
            De: Magda
- Não gozes --‘ Vou falar com os meus pais para ver o que eles dizem ;)


Será que o Nico e a Magda vão continuar a falar?
Será que se vão encontrar?
Será que o Lisandro vai voltar a fazer das dele?

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

8º Capítulo - Tem calma ...

- Olha o Salvio – disse eu
- Prima, ele está ali – disse o Vasco
- Eu sei, achas que ele me vai ver? – Perguntou a Magda
- Claro que vai, vais ver – disse eu toda confiante e ela sempre com o seu pessimismo respondeu:
- Oh não vai nada. Vai pensar “oh são mais umas chatas aqui.”
- Não sejas assim, vais ver que eu tenho razão.
            Nico dirigiu-se à mala para ir buscar as suas coisas, quando ia na direcção da entrada do hotel estava a olhar para o chão, mesmo antes de chegar a porta o Vasquinho não aguentou então disse bem alto:
- Nicoooo. – ele olhou de imediato na direcção da voz, sorriu, disse “buenasnoches” e mesmo antes de entrar no hotel voltou a olhar e piscou o olho tal como combinado.
- Viste?? – perguntei eu imediatamente
- OMG!!! Eu não acredito! – disse a Magda em êxtase – será que foi mesmo porque me viu? Será?
- Claro que foi, prima, não está aqui mais nenhuma menina.
- Oh Vasco estás a querer insinuar alguma coisa? – perguntei eu imediatamente
- No meu lado esquerdo não está mais nenhuma menina, não entendes nada pah – eu e a Magda olhamos uma para a outra e rimos.
-Safaste-te de boa oh Vasco… Xiu vem ai o Salvio – vinha ele todo sorridente e disse:
- Hola, buenasnoches.
            Logo atrás dele veio o Lisandro que também nos cumprimentou e veio dar um autógrafo ao Vasco que pediu sem os seguranças darem por ela. Antes de entrar no hotel voltou atrás e veio na minha direcção e pergunta:
- Hola tu não és a rapariga que eu e o Toto encontramos noutro dia no supermercado?
- Sim sou – disse eu envergonhada – porque?
- Porque fiquei na dúvida, quer dizer uma cara bonita não se esquece facilmente – piscou o olho – gostei de ter ver por aqui – sorriu e entrou no hotel e eu continuava de boca aberta sem saber o que dizer, pensar, ou como reagir.
- Carol? – perguntou a Magda
- Belisca-me por favor! Mas que m***a foi esta? Ele quer me matar?
- Xiu não digas palavrões.
- Se o Pedro sabe disto tem outro ataque de ciúmes, ai o carago.
- Mantém a calma senão vai ficar tudo a olhar para nós
- Como se já não tivesse – diz o Vasquinho
Olhamos em volta e a meia dúzia de pessoas que lá se encontravam estavam a olhar para nós
- Uma coisa é certa, ele reconheceu-te isso é bom, não é? – perguntou a Magda enquanto íamos para o carro.
- Eu sei lá menina, eu já não sei nada. Manda masé uma mensagem ao outro a perguntar o que o Licha andou a fumar durante a viagem que ele não estava bem o Vasco e a Magda começaram-se a rir.
            Durante o curta viagem até casa, fomos a falar do que se tinha passado e algumas questões estavam no ar “Será que o Nico piscou o olho como combinado? Ou piscou por piscar?”, “Porque será que o Lisandro voltou para falar comigo?”. Como eu ia jantar a casa da Magda tínhamos mais tempo para falar do assunto e talvez arranjar resposta para algumas das questões. Enquanto jantávamos ela recebeu uma mensagem mas só leu no fim da refeição.
De: Nico
- Hola Chica, como estas? Fiquei muito feliz por te ver ;) Amanhã vais ver o jogo ao estádio? **
Para: Nico
- Olá, eu estou bem e tu? Também gostei de ter ver ;) Ao estádio não, não consegui bilhetes. **
De: Nico
- Eu também estou bem. E gostavas de ir?
Para: Nico
- Claro que sim, eu adoro ir ver os jogos ao estádio, é sempre muito emocionante. Mas porquê?
De: Nico
- Como deves saber, nós jogadores temos sempre direito a dois bilhetes e eu não tinha a quem dar e lembrei-me de ti ;) queres?
            A Magda não sabia o que responder então peguei no telemóvel e respondi
Para: Nico
- Eu ia gostar muito de te ver jogar ao vivo, ainda mais sendo tu a dares-me os bilhetes, teria um significado bem especial ;) muchas gracias por te acordarse de mí **
            Ele como estava a demorar a responder a Magda disse:
- Vês eu disse-te que não era uma boa ideia dizer aquilo, agora não fala mais comigo ;(
- Ele foi tratar dos bilhetes, confia em mim
- Será? – o telemóvel toca era uma mensagem dele
De: Nico
- Os bilhetes são teus ;) amanhã passa na recepção do hotel e diz que vens levantar o que o Nico Gaitan deixou, e se tiverem dúvidas que me chamem. Yo no te olvido ** (ps: Tú sabes hablar español?)
Para: Nico
-Muchas Gracias ;) Quando tiver os bilhetes aviso. Sei umas palabras :b (claro que sei, eu sou poliglota !!!!!)
De: Nico
-Combinado. Después te enseño. Buenas noches **
Para: Nico
-Buenas noches **
            Fiquei um pouco mais na casa da Magda para combinarmos o dia de amanhã. No regresso a casa liguei ao Pedro para matar um saudades e claro contar as novidades. Não lhe contei o que se passou com o Lisandro senão ainda tinha um ataque e vinha por ai a cima, prefiro contar na segunda quando estiver com ele.
            Na manhã seguinte fui buscar a minha amiga para irmos levantar os bilhetes como combinado. Fomos para minha casa almoçar, vimos um filme e depois fomos para o estádio.
O jogo não podia ter corrido melhor, o Benfica ganhou 2-1 golos do Salvio e Lima com duas assistências do Nico. Nem tudo foi perfeito, o Gaitan teve que ser substituído porque se lesionou, a Magda estava super preocupada com ele, nem ela nem ninguém queria que ele ficasse lesionado nesta altura do campeonato.
Ela estava mesmo nervosa e eu disse:
- Magda tem calma! Manda mensagem a perguntar o que se passa com ele, pode não responder agora, mas mais tarde responde.
-Tu viste como aquele palhaço entrou? E só levou amarelo, aquilo era expulsão.
- Foi a primeira falta do tipo, por isso, não levou vermelho
- Odeio aquele Alex Sandro!
- Manda mensagem, senão mando eu por ti – pegou no telemóvel e enviou mensagem
Para: Nico
-Olá! Como estás? A lesão é grave?

Será que a lesão foi grave? Será que não vai poder jogar durante muito tempo?
Como vai reagir o Pedro quando souber da história do Lisandro?

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

7º capitulo - te amo...

             7h30 e o despertador toca, acordar tão cedo a um sábado, ninguém merece! Hoje vou fazer uma surpresa ao Pedro. Combinei com a mãe dele que as 8h passaria por lá para o acordar e irmos sair, espero que não acorde rabugento.
            Quando cheguei lá, toquei à campainha e dona Margarida abriu-me logo a porta, ela e o marido já estavam de saída para o trabalho. Despediram-se de mim e saíram. Dirigi-me até ao quarto do Pedro, já conhecia a casa como a palma da minha mão de tantas vezes cá vir.
            Ele dormia como um anjinho até dava pena de o acordar, mas tinha que ser, ainda tínhamos que ir para Figueira de Cavaleiros, no Alentejo, o salto está marcado para as dez. Sentei-me junto à cabeceira da cama, comecei a encher a cara dele com beijinhos e disse-lhe ao ouvido:
- Mouro – ele virou-se para o outro lado – mouro acorda!
            Ele disse:
- Hoje não trabalho, deixem-me dormir.
- Já não reconheces a minha voz? Acorda masé mouro – puxei os lençóis para trás, abanei-o e lá ele abriu os olhos e disse:
- Tu aqui? Estou a ter um sonho?
- Não, não é nenhum sonho – ia-me levantar para abrir as precianas mas ele agarra-me, deita-me a beira dele e enche-me de beijinhos.
- Melhor maneira de acordar – disse ele.
- Não parece, nem reconheceste a minha voz nem os meus beijinhos.
- Desculpa princesa, mas estava dormir tão bem que pensei que a chata da minha mãe me estava acordar. Mas o que fazes aqui? E que horas são? – pegou no telemóvel viu que passavam das 8h – Oito e tal e tu aqui?? Estás bem?
Levantei-me da cama e disse:
- Levanta-te e arranja-te, enquanto preparo o pequeno-almoço, depois explico onde vamos
- Sim chefe – ele foi para a casa de banho e eu fui até a cozinha, mas a mãe dele já tinha deixado tudo pronto, até nos deixou uma saca com petiscos para o almoço, a senhora é mesmo uma querida. Então fui para a sala ver televisão enquanto esperava pelo Pedro.
            Passados uns quinze minutos saímos de casa, entrámos no carro e lá fomos nós.
- Carol, mas afinal onde vamos?
- Já vais ver-
- O que inventaste desta vez?
- No fim agradeces, como sempre.
- Convencida.
            Continuou a viagem toda a perguntar onde íamos, mas eu sempre sem lhe dizer. Quando estávamos a entrar no Skidiving Center ele diz:
- O que é isto? Onde me trazes? Isto é deserto…
- Deixa-me estacionar e já vais ver. Não suspeitas de nada?
- Tenho uma ideia, mas não tenho a certeza – saímos do carro.
- Qual é a tua ideia?
- Isto não é um aeródromo?
- Que inteligentes que estamos!
Aproximou-se um senhor até nós e perguntou:
- É a menina Carolina?
- Sim, sou – cumprimentou-nos
- Sejam bem-vindos, já temos tudo pronto para o salto.
            O Pedro olhou para mim com um ar de espanto e perguntou:
- Salto? Que salto? Tu não me digas que…
- Sim vamos saltar de paraquedas – olhei para ele e vi o ar de alegria dele, parecia um puto que recebeu o boneco que tanto desejava – queres?
- Claro que quero – agarrou-me pela cintura, encheu-me de beijinhos e só sabia dizer – obrigada, obrigada, obrigada. Só tu para me fazeres uma coisa destas.
- Olha aí, não me envergonhes à frente dos senhores afastei-o de mim, pedi desculpa aos senhores e fomos atrás deles para termos um mini curso para saber como aterrar e como abrir o paraquedas.
            Depois disso, fomos finalmente fazer o salto. Foi maravilhosa a sensação de saltar, ao início tinha receio que algo corresse mal, mas depois de saltar do avião e o paraquedas abrir não há mais medos, só aproveitar o momento e apreciar a paisagem. Despedimo-nos dos senhores e dirigimo-nos até ao carro, quando lá chegamos o Pedro pegou na minha mão, puxou-me para junto dele, eu sentia o seu coração a bater fortemente, colocou-me o cabelo atrás da orelha deixando a sua mão suave na minha cara e disse:
- Como não gostar de ti? Surpreendes-me todos os dias. Obrigada princesa – beijamo-nos até o ar faltar, foi um beijo intenso e cheio de amizade, de respeito, de alegria, de amor, de cumplicidade, muitos sentimentos à mistura.
Olhei-o nos olhos e vi a felicidade no seu olhar, ele estava contente, acho que era a primeira vez que o via assim e isso deixava-me completa, aquilo que mais queria aconteceu, fiz o meu melhor amigo, o meu companheiro, o meu mouro feliz. Não podia estar mais satisfeita.
- Meu mouro – ele agarrou ainda mais forte junto ao seu corpo.
- Princesa, queres namorar comigo? – Olhei-o nos olhos, sorri e beijei-o – isso é um sim?
- Sim – beijamo-nos novamente e sussurrei-lhe ao ouvido – te amo
- Amo-te princesa – demos um abraço bem forte e ficamos ali alguns minutos em silêncio aproveitando o momento. Depois entramos no carro, fomos até a Serra da Arrábida onde fizemos o picnic e namoramos durante a tarde.
            No final do dia, íamos a caminho de Lisboa e convidei-o para ficar a dormir em minha casa, ele aceitou. Quando lá chegamos preparou o jantar, vimos um filme e acabamos por adormecer, estávamos cansados. No dia seguinte, passamos o dia na sostrice, entre filmes e séries. Também liguei à Magda para saber como estavam as coisas nos escuteiros e se ela tinha respondido ao Osvaldo.
            A chamada foi rápida só teve tempo para dizer que os meus pirralhos estavam bons e que trocou umas mensagens com o Nico, mais tarde me reencaminharia a conversa. E assim foi.
De: Magda
- Aqui tens a conversa toda:
eu- Desculpa a demora, mas estou com muito trabalho na faculdade e também não te quero aborrecer. Por aqui está tudo bem e os teus treinos como têm corrido?
ele- Não tens que pedir desculpa, eu compreendo. Os treinos têm corrido bem, tirando que tive um pequeno susto, mas não passou disso. Próximo sábado vou para o Porto :)
eu- Susto? O que se passou? Estás bem? Eu sei, vens à cidade mais bonita de Portugal :)
ele- Estou bem, tive umas dores na coxa esquerda, mas já estou bem e já posso jogar à vontade. Eu não conheço a cidade, mas ouvi falar bem. Vou ter a honra de te ver?
eu-  Ainda bem que não foi nada de grave. O Benfica precisa da tua magia em campo :) Em princípio, vou ao hotel ver-vos chegar.
ele- obrigada pelas palavras :) Lá é um sítio complicado para falarmos, mas se te vir eu pisco-te o olho, combinado?
eu- Combinado. Até sábado **
ele- Até sábado **
Para: Magda
- Ai que fofinhos que nós estamos. “eu pisco-te o olho” ahahah. Sábado vai ser um grande dia :)
            A semana passou a correr, já era sexta, dia de regressar a casa e matar saudades. Nesse fim-de-semana, não tinha escuteiros e ia ter Porto-Benfica, era daqueles jogos que dava vontade de ir ver ao estádio, mas não arranjamos bilhetes.
            Sábado, eu, Magda e o seu primo Vasquinho fomos até ao hotel para receber os nossos campeões. A Magda ficava sempre nervosa com este tipo de coisas, mas neste dia ela estava nervosa a dobrar. Já a porta do hotel ela diz ao seu primo:
- Vasquinho, se tu o vires chama-o, por favor.
- Não te preocupes que eu chamo – respondeu ele.
            Estávamos nós à conversa até que avistamos a camioneta, o coração começou a bater cada vez mais depressa, até parecia a primeira vez que os ia ver ao vivo. Estava nervosa sem saber se o Salvio me ia reconhecer e se o Nico ia ver a minha amiga, acho que até estava mais ansiosa por causa dela.
            A camioneta estacionou bem ali a nossa frente, o autocarro mais lindo de sempre estava novamente ali bem próximo. A porta abriu-se e começou a sair a equipa técnica, seguido do mister Jorge Jesus, o capitão Luisão e os outros jogadores saíram um a um.

Será que o Nico vai ver a Magda?

Será que se irão falar?