quarta-feira, 3 de maio de 2017

45º Capitulo - o bicho do amor

(Lisandro)

            Acordei, arranjei-me e fui para o treino. Entrei no refeitório e já lá estavam alguns dos meus companheiros.
- Bom dia – disse bem alto o Eliseu mal me viu
- Buenos dias – pousei as minhas coisas onde ele estava sentado
- Então meu irmão, como vai? – perguntou o Ederson
- Com um pouco de sono, mas já passa com um belo café
- Tu não podes tomar café – comentou o Eli
- Porquê?
- Porque faz mal às crianças – desataram-se a rir e eu dei-lhe um cachaço
- A única criança aqui és tu, meu palhaço – entra o Nico a cantarolar
- Ai é o amor, ai ai é o amor – começa o palhaço do grupo a cantar, a gozar com o argentino
- Ah? – o Gaitán fica a olhar para nós que nos estávamos a rir
- O menino está todo contente porque hoje vai ver a sua dama?
- Não digas disparates – corou logo
- Essa carinha não engana ninguém – o tuga agarra-se ao Nico e começa a despenteá-lo
- O cabelo não, demorou imenso arranjá-lo – rimo-nos todos enquanto ele ajeitava o penteado
- A brincadeira está boa? – perguntou o TJ, acenamos que sim – mas está na hora de ir trabalhar, não acham?
- Tem mesmo que ser? Curtia ir ali para o jardim conversar um pouco – respondeu o Eliseu
- Só por isso hoje dás mais duas voltas ao campo – levou um safanão do TJ e começamos todos a rir
            O treino como sempre foi muito animado, serviu para definirmos bem o que amanhã faremos em campo. O mister passou-nos as ideias chave do que pretende de cada um de nós. Recolhemos todos ao balneário, o Gaitán escolheu uma cumbia para o pessoal ouvir enquanto tomávamos banho e nos arranjávamos, mas não estava a agradar ninguém. Tudo pediu uma kizomba e o Almeida foi mudar. Começou a tocar a música do “Calema – nossa vez” e comecei a cantarolar
- Eu quero estar
Mais próximo do teu olhar
E viajar nesse mundo que só nos teus olhos eu posso ver
Eu quero gritar
Ainda que me falte a voz
Ou te dizer bem baixinho no ouvido que agora é a nossa vez
Vou marcar no meu corpo a frase mais bela que existe de amor
E prometer nos meus beijos
Que só nos teus beijos
Eu quero viver
E quando acordares
eu quero lá estar
E vais perceber que o céu que tu procuras sempre foi teu
Eu quero estar ao teu lado pra sempre
Relaxa e deixa-me fazer-te sorrir
É ao teu lado que eu me sinto diferente
É ao teu só teu…

- Mas o bicho do amor pegou a todos neste balneário? – perguntou o Eliseu
- Quem é que está apaixonado mano? – questionou o Almeida
- O Nico com a sua dama do Porto e agora este aqui – apontando para mim
- Licha, quem é ela?
- Ela quem? – perguntei eu com cara de quem não estava a perceber
- Não te faças de desentendido, já percebemos todos que andas derretido – disse o Eli
- Eu não estou apaixonado por ninguém
- Essa cara de parvo não engana ninguém
- Mas não estou a enganar ninguém. Não gosto de ninguém, estou bem assim. Livre e solteiro
- Daqui a uns tempos falamos – deu-me um soco no braço e saiu do balneário
            Terminei de me arranjar, almocei com o Osvaldo ali no caixa e depois cada um foi para sua casa. Passei o resto da tarde a ver as minhas séries, arrumei a mala para levar para o jogo e às 16h30 fui para a concentração no estádio para rumarmos ao norte depois da conferência do mister.
- Sabes se elas vão ao hotel? – questionei ao Gaitán
- Não sei, a Magda não confirmou. A Carol não te disse nada?
- Vou mandar sms

Para: Carol
- Hola, vais ao hotel?

- Preferia que não fossem, não sei como reagir com a Mag
- Ages normalmente
- E quê? Dou-lhe um beijo à frente de toda a gente? Ela mata-me
- Mata nada, ela vai gostar do teu gesto carinhoso
- Não a conheces mesmo, ela não gosta de ser o centro das atenções. Ainda por cima com a BTV lá atrás de nós
- Estão bem um para o outro. Tu também não gostas de atenções, nem no estádio quando cantam pelo teu nome – rimo-nos
- Pois por isso não sei mesmo como reagir se a vejo
- Chegas a beira dela e dás um abraço – disse o Salvio por cima do nosso ombro, olhamos para ele – desculpem meter-me
- Toda a ajuda é bem-vinda – respondeu o Nico – achas mesmo que é o melhor a fazer?
 - Si, nos primeiros tempos de namoro com a Magali era assim que fazíamos.
- Então vou fazê-lo
- Já é a nossa vez de jogar? – perguntei ao Almeida
- Podes preparar que este já vai ser arrumado – respondeu o tuga apontando para o Samaris
- Deves-te achar – disse o grego dando um cachaço ao André e todos nos rimos

De: Carol
- alô narigudo, claro que vou. Não ia perder a oportunidade de ver o Salvio :)

Para: Carol
- Sempre a tratar-me tão bem :( ainda bem que vais ver o teu ídolo …

- se assim não fosse não era eu… não te preocupes que também vou ver o meu amigo
- quem?
- o Nicolas, óbvio. Somos bff’s
- …
- <3
- …
- diz ao motorista para acelerar esse bus que tenho fome
- não me interessa

- Licha, anda é a tua vez – gritou o Almeida, guardei o telemóvel e fui jogar
            Após três jogos fui arrumado e voltei a pegar no telemóvel

De: Carol
- </3
- palhaço
- otário
- odeio-te
- e agora não respondes?
- vou-te espancar quando te vir
- …

Para: Carol
- ó amiga, estava a jogar playstation não podia perder

- o jogo é mais importante que eu?
- o Nico não é mais importante que eu? Manda mensagem para ele…
- a minha amiga não deixa…
- temos pena então
- ciumento
- ciumenta…
- demoram muito?
- estamos a passar as portagens
- isso ainda é muito tempo
- conta até dez e já nos vês
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10… não vos estou a ver
- devagar
- até já *

            Começamos a ver imensos adeptos na rua e logo avistamos o hotel. Petardos foram lançados e os cânticos surgiram logo. O autocarro parou bem à porta, os meus companheiros começaram a sair e eu e o Nico fomos logo atrás. Depois de passar a porta da entrada, vimos logo aquelas duas. A Magda esboçou um sorriso de menina apaixonada, já a Carolina olhava para mim como quem me ia matar, mas a controlar-se para não rir
- olha para aquela tipa a fazer um esforço enorme para não se rir
- chegas lá e faz-lhe cócegas que desata a rir-se – rimo-nos
            Começamos a ser solicitados para fotos e autógrafos antes de chegar a quem nos realmente interessava. O Gaitán sempre era o mais solicitado, eu ainda passo meio despercebido, por isso escapei e fui ter com a portuguesa.
- Hola – dei-lhe um beijo na bochecha, virei a cara – olá Magda, tudo bem? – cumprimentei-a também
- Sim e contigo?
- Também está tudo bem.
- Tiras uma foto comigo? – perguntou a Carolina e deu-me o telemóvel para a mão
- Estás a falar a sério?
- Vim aqui para isso
- Ok mas tira tu por favor – devolvi-lhe o telefone, coloquei a minha mão a volta da cintura dela, olhou logo de lado para mim e esboçou um pequeno sorriso – está bom?
- Vamos tirar outra – aproveitei o momento, subi a mão um bocado, toquei-lhe na “zona” das cocegas e ela desatou a rir – ei isso não vale
- Eu não fiz nada
- Fui eu, queres ver?
- No lo sé diz-me tu
- Chama ali o Salvio
- Totoooo – ele olhou e fiz sinal para ele se aproximar
- Hola Carol – cumprimentaram-se
- Olá, estás bom? – perguntou ela – tiras? – dando-lhe o telemóvel para a mão, sorriram e tiraram foto - obrigada e boa sorte para amanhã. Aposto que vais marcar
- Gracias espero que si – sorriu e foi à vida dele
- O meu bff está a demorar muito a chegar aqui
- Deixa o Nico em paz – disse-lhe a Magda
- Bem vou embora – disse eu
- Não me deixes a fazer de vela por favor
- Ai agora já me queres? – puxou-me pela mão e deu-me um abraço
- Tu sabes que eu te adoro – murmurou ao meu ouvido
- Agora já sei e eu também te adoro – dei-lhe um beijo na testa
- Osvaldo, finalmente – ele abraçou de imediato a Magda – wowwwww que fofi

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(Nico)

            Consegui finalmente aproximar-me de quem eu mais queria, a minha chinita.
- Osvaldo, finalmente – exclamou a Carolina mas nem quis saber abracei logo a Magda
- Já tinha saudades – comentou ela ao meu ouvido
- Também morria de saudades. Apetecia-me dar-te um beijo agora mas sei que não te ias sentir bem com isso
- Este abraço significou mais – apertou com força, dei-lhe um beijo na bochecha
- Hola Carolina
- Amigo, subiste pontos na minha consideração – deu sinal para um “give me five” e eu dei
- Têm a certeza que amanhã não querem ir ao jogo?
- Querer querer queremos, mas não podemos – respondeu a chinita
- Oh que pena!
- Está na hora de irmos para cima – veio um da equipa técnica avisar
- Ok dois minutos – voltei abraçar a Magda, dei-lhe um beijo na testa – depois falamos
- Sim e boa sorte para amanhã. É para ganhar

            Despedimo-nos uns dos outros e eu e o Lisandro fomos embora.