quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

43º Capítulo - mais um domingo ...

(Carolina)

À entrada do “meu” quarto, puxei o braço do Osvaldo
- Daqui a cinco minutos vai à cozinha, preciso falar contigo
- Ok – respondeu num tom preocupado
            Entrei rápido para o Lisandro não se aperceber do que se passava, vesti o pijama, sentei-me na cama com o telemóvel a ver o que se passava nas redes socias, mas nada de novo. O argentino senta-se ao meu lado, agarra-se a mim e eu pouso logo o telefone na cama
- Vou à cozinha buscar água – levantei-me – já volto – ele ficou a olhar para mim com cara de tacho e antes que ele abrisse a boca saí dali
- Estava a ver que me ias deixar pendurado – resmungou o Gaitán quando entrei na cozinha
- Desculpa
- O que se passa para quereres falar comigo?
- Preciso da tua ajuda
- Uiiiii posso gravar isto? Momento raro
- Ó não comeces que vou já embora
- Estoy bromeando, dime – sentamo-nos
- Já sabes o que vais oferecer à Magda no aniversário dela?
- Por acaso ainda não tive nenhuma ideia
- Boa, assim podes ajudar-me
- Qual é a tua ideia?
- Pensei em irmos fazer desportos radicais, é algo que ela gosta. Podíamos ir no fim-de-semana, já que ela faz durante a semana
- Tens algum sítio em mente? Não conheço nada
- Era aí que eu precisava da tua ajuda, podias perguntar lá no Benfica se conhecem algum sítio ou assim. Eles conhecem tudo e mais alguma coisa
- Vou perguntar ao TJ
- Quando tivermos local é mais fácil organizarmos tudo
- Si, vou tentar saber alguns lugares fixes para isso
- Obrigada
- Obrigado eu por me ajudares
- Ohhh não custa nada – levantamo-nos – Nico… - olhei para ele com cara de envergonhada, isto nunca me tinha acontecido
- Si?
- Posso pedir-te um favor?
- Se puder ajudar
- Por acaso tens chocolate e morangos aqui em casa? – desviei logo o olhar
- Para que queres isso?
- Para uma coisa com…
- Ok não digas mais nada, não quero saber! – rimo-nos – chocolate tens aqui – abriu um armário e tirou uma barra de chocolate – os morangos estão aqui – tirou-os do frigorífico – depois limpem tudo – antes que ele fugisse dali, dei-lhe um abraço
- Obrigada Nico!!! – ele ao início ficou a olhar para mim com cara de parvo, mas depois retribuiu o abraço
- Não tens que agradecer! Divirtam-se e pouco barulho
- Sim chefe! – fiz sinal de continência, rimo-nos e ele virou costas
            Procurei pelos armários aquela coisa para fazer fondue de chocolate, lá consegui encontrar quando já ia desistir. Estes armários deviam estar etiquetados assim não me entendo. Cortei os morangos, peguei em dois copos, uns cubos de gelo e na garrafa de vodka que tinha sobrado, coloquei tudo num tabuleiro e levei para cima. Deixei-o à porta e entrei.
- Demorou essa busca ao copo de água – comentou o Lisandro que já estava deitado
- Um bocadinho – aproximei-me dele – estive a preparar uma cena para nós
- O quê? – sentou-se logo na cama
- És pior que os meus lobitos quando tenho algo para eles
- Diz lá o que preparaste
- Preciso que tapes os olhos, é surpresa – olhou para mim com ar de desconfiado
- É mesmo preciso? – acenei que sim – não sei se devia confiar mas ok. Vamos a isso
- Fixe – levantei-me, fui buscar algo para lhe tapar os olhos
- Escusas de apertar tanto, isto não é nenhuma construção lá dos escuteiros
- Perdón. Assim está bom? – soltei um bocadinho
- Si
- Ótimo, agora espera aqui um segundo e não vale tirar isso – dirigi-me à porta sem virar costas para ter a certeza que ele não espreitava – tá quieto – resmunguei quando vi que ele ia tirar a venda
- Despacha-te – peguei no tabuleiro, pousei-o em cima da cama…

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(Magda)

- O que é que a maluca queria? – perguntei quando ele entrou no quarto
- Queria ajuda
- Em quê? – deitou-se ao meu lado
- Para uma surpresa
- O que ela inventou desta vez?
- Morangos, chocolate…
- E tu tinhas isso?
- Si
- Que sorte a dela
- Porquê?
- Teres exatamente o que ela queria
- Também querias uma surpresa daquelas? – agarrou-me e puxou-me para ele
- Por acaso até comia agora uns morangos cortadinhos - sorri
- Então vou já tratar disso – ia-se levantar da cama, mas agarrei-o
- Estou a brincar, não é preciso. Vamos dormir – dei-lhe um beijo
            Trocamos uns quantos beijos, o ambiente começou a ficar caliente e o menino Nico começou a ficar mais atrevido
- Onde pensas que vais com essa mãozinha?
- Pensei que …
- Vamos dormir, é melhor – dei-lhe um beijo na testa, virei-me para o outro lado, ele colocou o braço a minha volta, deu-me um beijo na bochecha e dormimos

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(Carolina)

- Puta madre, que es eso? – gritou o Lisandro quando lhe coloquei um cubo de gelo no peito, soltei de imediato uma gargalhada – vais me torturar? – não conseguia parar de rir – Carol pára de te rir – ele ia tirar a venda mas dei-lhe um tabefe na mão
- Tá quieto e calado senão vem aí o dono da casa reclamar
- Mas isso está frio demais
- De caminho já aqueces – sentei-me por cima dele.
Peguei noutro cubo do gelo e andei a percorrer aqueles abdominais, cada movimento mexia-se todo e eu ria-me, até ele se começava a rir da brincadeira. Comecei a dar-lhe alguns kisses, sempre acompanhados de um belo cubo de gelo para resfriar o moço. Tirei-lhe a venda, ele agarrou-me pela cintura e não sei como sentou-se na cama e eu fiquei sentada frente-a-frente com ele. Antes que ele me fosse dar um beijo, peguei num morango, coloquei-o na boca dele, ficou super atrapalhado e soltei uma gargalhada
- Isso não se faz – disse depois trincar um pouco o morango, molhou a outra parte no chocolate – abre a boca!
- Isso agrada-me – sorri, abri a boca e o parvalhão para se vingar suja-me a cara com chocolate – ai que estúpido – dei-lhe um estalo no braço, ele com o braço que continuava a volta da minha cintura, puxou-me para ele e beijou-me.
            Um daqueles beijos de tirar o fôlego todo mas que não queres soltar porque está a ser gostoso de mais, estão a imaginar? Bem foi desses bem agradáveis, que beijo puxa beijo e entre eles aquelas mordidas de lábio só para o espicaçar mais, algumas carícias. Entre os intervalos para recuperar ar, aproveitávamos para comer aquela deliciosa fruta e beber um pouco mais de vodka. Chegou a um ponto que senti que o álcool estava a falar mais alto mas não quis saber, deixei-me levar pelo momento e foi até o cansaço nos vencer.
            Acordei com o sol a bater-me na cara, estava com a cabeça no lugar que devia ser os pés mesmo virada para a janela, o argentino exatamente como eu, mas de costas para a luz do dia! Ai meu deus que peso na cabeça, acho que nunca me senti assim antes! Levantei-me devagar para que o outro não acordasse, fechei a preciana, passei no wc e decidi ir até à cozinha, aproveitei e levei o tabuleiro que estava no chão do quarto.
- Bom dia – gritou a Magda quando entrei na cozinha
- Fala baixo – pousei o tabuleiro na banca
- Mas alguém berrou?
- Estás a falar muito alto para meu gosto – sentei-me
- O que se passa?
- Tenho a cabeça a mil à hora, nem imaginas
- Ficaste de ressaca? Já te vi a beber mais e a ficares normal
- O problema não foi o que bebi à tua frente, foi o depois
- Ah? Explain
- Quando vim ter com o teu man, vim buscar morangos, chocolates e o resto da vodka – apontei para o tabuleiro – e como vês não sobrou nada
- Ok definitivamente vocês são malucos – coloquei as mãos na cabeça
- Lembrar-me-ei disto da próxima que beber – rimo-nos – que horas são? Nem vi para tu veres o meu estado
- São dez menos dez
- Só? Eu devia estar a dormir
- Devias nada, vais-me ajudar a preparar o pequeno-almoço
- Eu? Rica ajuda que foste pedir. Faz masé aí um café bem forte para tomar já
- Que lata!!! A tua sorte é que já tinha ligado a máquina
- Que querida – levantei-me fui buscar uma chávena, açúcar e uma colher – diz ao teu homem para colocar etiquetas nos armários é que eu nunca encontro nada à primeira
            Tomamos um café, a minha amiga preparou panquecas para o Osvaldo e eu fiz torradas para os manos Lopez, não estava com paciência para mais. Colocamos tudo em tabuleiros
- Tive grande ideia! – exclamei
- O que vem desta vez?
- Vou deixar um tabuleiro com um prato vazio no Lucas e escrever “queres comer? Levanta-te e vai à cozinha” e quando ele chegar a comida está na mesa – a Magda soltou uma gargalhada
- Genial, muito bom – voltei a tirar as coisas do tabuleiro dele e deixei tudo em cima da mesa com um bilhete “não sou assim tão má pessoa :) kiss Carol”
            Fomos deixar o tabuleiro no moço e depois cada uma de nós foi deixar no quarto dos rapazes com o recado “se acordares e não estiver aqui é porque fui tratar do almoço :)”. Tomamos banho, vestimo-nos e fomos até ao centro comercial mais próximo. Quando regressamos a casa, os rapazes já estavam como novos, banho tomado e roupa lavada. Tinham já posto a mesa, assim foi só pousar as coisas e comer.
- Ligaram da loja de animais – comentou o Nico
- Já? E já têm novidades? – perguntou a Magda
- Dizem que receberam uns cãezinhos se quisermos ir lá ver
- Então vamos lá?
- Se quiseres podemos ir depois do almoçarmos
- Querem vir?
- Onde? – perguntei
- Ao RioSul – olhei para o Licha para ver o que ele dizia, já que hoje a minha tarde estava programada para ir passear com os manos
- Gracias pero vamos passear até Setúbal – respondeu o argentino
- Ok – continuamos a almoçar
            Terminado o almoço, arrumamos tudo (cozinha, quartos e sala) por mais que o dono da casa dissesse que não era preciso, nós não demos ouvidos. Só nos ficava bem como convidados deixarmos tudo limpinho. Pronto, admito o nosso lado de escuteiro, meu e da minha amiga, falou mais alto. “Deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos”. Fomos buscar as nossas coisas, despedimo-nos do casal maravilha e bazamos.

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(Magda)

            Saímos logo atrás dos outros três, na viagem até ao shopping lembrei-me de procurar na net aqueles testes para saber que raça de cão combina com a gente e decidi fazer ao Gaitán.
- Tens que responder com sinceridade – comentei
- Ok
- Primeira pergunta:
No trabalho, quando tens problemas com o chefe, tu:
a-  abre o jogo logo de cara, sem se intimidar. Gosta de deixar tudo bem claro
b – escreve um email. Se não resolver, pede para conversar em uma salinha reservada
c- começa a dar indiretas e espera que o chefe vá falar contigo
d- engole o sapo. Prefere evitar conflitos, mas acaba remoendo o que o incomodou
e- procura esfriar a cabeça antes de chamá-lo para conversar
- A ou E
- Só podes escolher uma
- E então
- Segunda pergunta:
Qual o melhor programa para um domingo?
a- ir a um churrasco com os amigos
b- fazer compras no shopping
c- caminhar no parque
d- passar o dia no sofá assistindo filmes
e- ir a um bom restaurante
- Fácil, A
- Pensava que era passar o dia na minha companhia - disse isto fazendo beicinho
- Si si si, pero tinha que escolher as opções que deste, não era??? - respondeu ele um pouco atrapalhado.
- Estou a gozar Osvaldo, tranquilo - dei-lhe um beijo na cara - Terceira pergunta: Qual o teu desporto favorito?
- Futebol, óbvio
- Quarta pergunta:
Na escola, onde te sentavas
a- no fundo, adorava fazer piadinhas no meio da aula
b- na primeira fila, era o primeiro
c- no centro, assim podia-me concentrar nas aulas que mais gostavas e nas outras falar
d- encostado à parede, era mais confortável para me apoiar
e- na janela, gostava de observar o exterior
- E
- Última pergunta:
Quais as qualidades que mais valorizas nos outros?
a- proatividade e alegria
b- determinação e independência
c- companheirismo e bom-humor
d- paciência e amorosidade
e- inteligência e espiritualidade
- C
- O cão que combina contigo é o Golden Retriever, também pode ser um Border Collie, não sei qual é, e o Pastor Alemão.
- Gosto mais do primeiro, é mais meigo
- Dos três também gosto mais desse, mas vamos ver o que há na loja
- Si, é melhor – percorremos o corredor do centro comercial até lá
            A senhora reconheceu-nos logo, veio ter connosco e levou-nos até aos cachorros. Os meus olhos apaixonaram-se imediatamente por um deles, desde o primeiro segundo que o vi que fui direta a ele. Se sempre disse que não acreditava em amor à primeira vista, esqueçam lá isso, mudei de ideia.
- Acho que alguém já escolheu – comentou a funcionária, olhei para o Nico
- É esse? – perguntou ele
- Si, é tão fofinho – virei o puppy para ele, ele aproximou-se para fazer uma festinha e o bicho deu-lhe uma lambidela
- Levamos este
- Boa escolha – afirmou a senhora, peguei no cão e fomos até à caixa
- Como fazemos agora com as vacinas e assim? Ele já pode sair a rua? – questionei
- Ele já tem a primeira vacina mas precisa das restantes, não convém ele sair antes de tomar as outras pois ainda está vulnerável
- Pode já levar as outras?
- Hoje não, como é domingo não temos ninguém da clínica cá. Podemos é agendar para amanhã
- Amanhã podes vir cá?
- Da parte da tarde sim, a seguir ao treino – respondeu o argentino
- Então marque para amanhã ao início da tarde – ela pegou na agenda e marcou lá
            Compramos uma caminha, o prato para a comida e para a água, a empregada ajudou-nos com a comida mais apropriada e compramos também um brinquedo. Estava tão feliz, sempre sonhei ter um cão, apesar de não ser meu e passar muito tempo longe dele, sinto que vai ser o meu cãozinho. Saímos da loja com o novo membro, fomos diretos para o carro e seguimos para casa dele.
- Temos que lhe arranjar um nome
- Guri? – sugeriu ele
- No me gusta
- Spike?
- No, o Salvio tem ou teve um com esse nome
- Esquisita, sugere tu
- E que tal Bell?
- Por mim pode ser, gosto
- Fixe – olhei para o cachorro e estava quietinho no meu colo – Bell? – olhou para mim – ohhhhh tão fofo, já reconhece o nome e tudo
- Bem-educado
- Vê se não o estragas na minha ausência
- Podes ficar descansada que comigo vai andar na linha
- Acho bem
            Quando chegamos a casa, larguei-o na sala para ver como ele reagia, aos poucos e poucos foi ganhando confiança e percorreu todos os cantinhos da sala. Fez o seu primeiro xixi junto à porta que vai dar ao jardim, o que deixou o dono da casa um pouco furioso e eu ri-me pois coitado do bicho, estava só a marcar território. Fiquei um pouco mais com eles, ainda tinha que ir a casa da Carolina para ir buscar as minhas coisas antes de voltar ao Porto. Na hora da despedida custa sempre e acho que hoje custou mais
- Não quero ir embora – desabafei enquanto dava um abraço ao meu polito junto do meu carro
- Podes ficar que eu deixo
- O problema é os meus pais, não posso faltar à faculdade
- Eu sei, estou a meter-me contigo. O dever chama-te
- Pois é, tenho que voltar cá e rápido para ver o Bell
- Só a ele?
- Si e a ti, claro – dei-lhe um beijinho
- Gosto mais
- Bem vou embora antes que comece a ficar de noite e não me agrada conduzir no escuro
- Já sabes quando chegares avisa-me
- Si – trocamos mais uns beijos e um abraço

            Entrei no carro, dei um salto na casa da minha amiga e rumei ao Porto. Quando lá cheguei postei a seguinte foto no instagram

“enamorada *.* #sharpei #Bell”