terça-feira, 9 de agosto de 2016

41º Capitulo - bom dia

(Magda)

            Acordei com o calor dos lábios do Osvaldo na minha bochecha, depois disto como não acordar bem-disposta?
- Bom dia chinita – disse ele ainda eu abria os olhos
- Bom dia pollito – dei-lhe um beijinho
- Dormiste bem?
- Dentro dos possíveis e tu? – lembrei-me logo da bagunceira dos outros dois
- Até que dormi muito bem e em boa companhia
- Ainda bem – a minha barriga roncou – ups
- Isso é tudo fome?
- Pelos vistos – rimo-nos
- Então vamos lá comer – levantamo-nos e fomos até à cozinha
            Quando lá chegamos tínhamos o pequeno-almoço preparado. Torradas, fruta (maçã, morangos, uvas) cortada, sumo de laranja, leite, cereais, quase um pequeno-almoço de hotel.
- WOW preparaste isto tudo?
- No, não fui eu
- Não? Então? – sentei-me e tinha um bilhete

“para compensar o mau comportamento <3”

- Os outros dois já foram embora – disse eu
- Foram? Nem dei conta
- Ao menos desta vez respeitaram o silêncio
- Pois nisso tens razão, depois vou falar com o Licha
- Eu vou falar com a outra menina, que abusou!
- Eu bem digo que ela é maluca e ontem comprovou-se – rimo-nos
- Não tenho amigos normais!
- Eiiii eu sou normal
- Hmmm não sei não
- É bom saber que achas isso – sentou-se - Afinal quem preparou isto?
- A maluca da Carolina
- Que simpática, depois tenho que lhe agradecer apesar de não poder comer quase nada
- Porquê?
- Pequeno-almoço no caixa
- Ahh já me esquecia disso mas não te preocupes que eu como – riu-se, continuamos a conversar enquanto comia
            Ele foi tomar um duche enquanto arrumava a cozinha e depois fui eu tomar banho. Saímos de casa em direção ao centro de treinos, durante a viagem perguntei umas dez vezes se podia mesmo ir com ele e o Gaitán respondia sempre que sim, para estar descansada. Não podia era assistir ao treino deles, por isso, ou esperava lá na sala ou ia dar um passeio pelo Caixa e ver os treinos das outras equipas. Esta última opção agradava-me mais porque assim não ficava duas horas ou mais sentada numa cadeira. Quando chegamos ao Seixal, aquilo estava super calmo até parecia estranho não ver lá os fãs. Ele estacionou o carro, dirigimo-nos para o refeitório onde já estavam alguns dos jogadores e isso já me estava a deixar nervosa. Por mais que já me esteja a habituar a isto, fico sempre com aquele friozinho na barriga porque na verdade são os jogadores do meu querido Benfica, que sempre os vi na televisão.
- Hoje trazes companhia? – perguntou o Júlio
- Parece que sim – o Nico cumprimentou-o – Júlio é a Magda, Magda é o Júlio – cumprimentamo-nos
- Entonces te encanta Portugal?
- Sou portuguesa – olhei para o Gaitán e desatamos a rir
- Ups, desculpa pelo meu erro
- Não tem mal, até que foi engraçado – o Fejsa aproximou-se
- Hoje temos visitas e o moço não avisa ninguém – cumprimentou-nos
- Mas é preciso avisar? – perguntou o Nico
- Claro, para a gente se comportar decentemente
- Por mim estão à vontade – comentei
- Depois lá se ia a nossa boa imagem
- Até parece que somos bichos-do-mato – disse o Nico
- Estou a brincar! Vens comer?
- Si, si – fomos atrás dele
            À medida que o tempo ia passando, os outros jogadores foram chegando, foram cumprimentando-se e o Osvaldo fazia o favor de mos apresentar, como se eu não os conhecesse. Dos últimos a chegar foi o Lisandro
- Tu por aqui? – perguntou-me
- Vim ter uma conversinha contigo, já que fugiste de manhã
- O que é que eu fiz?
- Tu sabes bem o que fizeste
- Ei já fizeste m***a – comentou o Fejsa que estava na mesma mesa e o Licha deu-lhe um cachaço - AU
- Como é que nós chegamos primeiro que tu? – perguntou o Nico
- Porque atravessar a ponte 25 de Abril não é fácil
- Estava muito trânsito?
- Para cá sim, e como ainda fui a casa buscar as coisas mais tempo demorei
- Nabo, tinhas deixado tudo no carro
- Esqueci-me
- Vamos treinar? – perguntou o Sr. Firmino
- Vamos – responderam em coro, levantaram-se e eu fiz o mesmo
- Onde é que eu posso ficar? Ou andar? – perguntei
- Vão indo para o balneário que eu vou já lá ter – avisou o Nico os colegas
- Até já – despediram-se
- Bom treino – disse eu
- Obrigado – responderam
- Anda comigo – disse o argentino, demos as mãos e fomos até a recepção – ficas aqui por trinta minutinhos, para termos todos tempo de nos vestir e sair para o campo e já podes andar à vontade
- Certeza? Senão fico aqui sentada a ver cenas no telemóvel
- Si, certeza! – deu-me um beijo na testa – confia em mim
- Ok bom treino – demos um beijo, ele foi embora e eu sentei-me no sofá que tinha ali

            Aproveitei aquele tempo para tirar uma foto e postar no instagram

“melhor maneira de começar o dia :D #benfica”

            Depois de algum tempo de espera, que até passou a correr, levantei-me e fui perguntar à menina da recepção o melhor caminho para ir ver os campos. Ela explicou-me e lá fui eu explorar o caixa. Estava tão encantada com o pouco que já tinha visto e entretida a registar tudo com fotos que fui contra um rapaz que estava ali a passar
- Desculpa
- No faz malo – respondeu ele com um sotaque muito estranho
- Também estás aqui a passear?
- In english, please?
- Sorry, are you visiting Caixa?
- No, I’m going to training – foi nesse momento que reparei na roupa que ele tinha, o equipamento que estou habituada a ver nas fotos
- Ah sorry, I hadn’t noticed, but aren’t you late?
- Yes, a little bit. Do you want to come and see our training session?
- May I?
- Of course.
- Ok, so I’ll go with you – segui caminho com ele – you play for the B team, right?
- Yes, do you watch the games?
- No
- You should, our team is very talented
- I believe, but I am used to see the principal team so...– voltei a olhar para ele – wait, aren’t you the guy that, in the last season, was sent off in the begining of the match Porto-Benfica? – ele soltou uma gargalhada
- Nice way to remember me – rimo-nos
- Sorry, but it was the only game of the B team that I went to see
- That’s ok, I didn’t think right when I made that move
- It’s good for you to realize what you did wrong that way you improve your football
- Thanks – paramos junto a um dos campos onde a equipa dele já treinava – Now I have to go to the practice and you can seat over there
- Ok, have a nice practice. By the way, I’m Magda
- Thank you. I’m Victor, it was nice to talk with you
- With you too. – e correu para dentro de campo enquanto eu me fui sentar para ver um pouco do que eles valiam.
            Comecei a observar os jogadores, o Sancidino foi o primeiro que identifiquei, impossível não reconhecer, pois a página “um azar do Kralj” está sempre a gozar com as fotos dele. O Rebocho, a minha amiga está sempre a falar nele; o Pawel, o Vitor Andrade, o Elbio, o Lystsov e o João Carvalho foram alguns que consegui reconhecer. Fiquei um pouco mais a ver o treino e depois continuei a minha aventura. Sem conhecer nada passei pelo campo 360º, pelos ginásios, salas de tratamentos e pelos balneários. Não entrei em nada com medo de ouvir alguma repreenda e consequentemente o Nico arranjar problemas por minha culpa. Voltei para o meu lugar inicial, junta à rececionista.
            Os jogadores começaram a sair, alguns da equipa principal depois outros da equipa B. O Lisandro ia a passar a correr e chamei-o
- Onde vais com tanta pressa?
- Desculpa, tenho que ir ao aeroporto buscar o meu irmão – respondeu ele
- Pensei que andavas a fugir do raspanete – ele riu-se
- No, no – olhou para as horas – desculpa mas tenho mesmo que ir embora – deu-me dois beijinhos e foi embora
            Continuavam a sair os outros jogadores e senhor Osvaldo não havia forma de aparecer. – Salvio, sabes do Nico? – perguntei quando ele ia a passar
- Pediram para ele ir ao gabinete do presidente, pensei que já tinha saído
- Do presidente? Mas passa-se alguma coisa?
- No lo sé
- Ok obrigada, eu continuo à espera – cumprimentei-o e ele seguiu caminho
            Porque raio o presidente quer falar com ele? O que é que ele andou a fazer? Será que foi por me ter trazido? Ou será que…não, não pode!!! Comecei a stressar, a pensar em mil coisas e o raio do rapaz não aparecia. Peguei no telemóvel para me distrair um pouco
- Magda?
- Sim – levantei logo a cabeça, era o Eliseu
- O Gaitán pediu para te vir buscar que ele vai ter connosco ao refeitório
- Estava a ver que se tinha esquecido de mim – levantei-me, peguei na carteira e fui atrás dele
- Ele esquecer-se de ti? – soltou uma gargalhada – Não descansou enquanto eu não lhe garantisse que te vinha buscar – corei – não precisas de ficar envergonhada
- Como não? Obriga os colegas a vir-me buscar, podia ter esperado ali mais um pouco
- Não fazia sentido nenhum, estás à vontade connosco – entramos no refeitório e o Nico já estava junto à mesa a conversar com o Jonas – estás entregue
- Obrigada – o Eliseu foi-se sentar com o Jonas e eu fiquei ali com o argentino – o que é que o presidente queria falar contigo?
- Eliseu, linguarudo!
- Não foi ele, foi o Salvio
- Pronto, Salvio linguarudo
- Não era para eu saber?
- Claro que é mas queria ser eu a dizer
- Mas o que é que ele queria?
- Como sabes a época está acabar e começa a sondagem dos clubes
- Não me vais dizer que vais para outro clube, pois não?
- Para já não
- Para já não?? Como assim?
- Eu gostava de jogar noutra liga e ele só me veio falar de uma proposta que há em cima da mesa
- E tu vais aceitar?
- No lo sé, ainda não li a proposta e tenho que falar com o meu empresário
- Ok – o meu coração estava a mil só de pensar na possibilidade de ele ir para outro país
- Ainda não está nada decidido, chinita. Quando tomar uma decisão serás a primeira a saber, como é óbvio
- Eu sei que não vais cá ficar eternamente, não queria era que fosses embora agora mas pronto depois falamos melhor sobre isto que aqui não é o melhor local. Vamos masé almoçar que os teus colegas estão à espera – dei-lhe um beijo na bochecha e empurrei-o
            Fomos ter com o Jonas, Eliseu, Fejsa e Júlio César que estavam na mesa à nossa espera para irmos almoçar. O argentino explicou-me como aquilo na cantina funcionava e foi na frente com os colegas para eu ver. Depois de eles terminarem de pegar tudo iam para a mesa, eu estava a temperar a salada quando senti alguém a tocar-me nas costas e virei-me imediatamente
- Hello – disse o Lindelof
- You again?
- Apparently – rimo-nos
- You are swedish, right?
- Yes, why?
- Because I applied for Erasmus in Sweden
- Really?! But for Stockholm?
- No, Umeå
- This is very north
- According to the map, yes – soltei uma gargalhada
- You will love Sweden, it’s absolutely beautiful
- When I arrive, I’ll tell you
- Deal. I didn’t have the chance to ask you, but what do you do here? Do you work here?

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(Nico)

            Como a Magda estava a demorar muito a chegar à mesa, olhei e vi que estava a falar com um jogador da equipa B. Fiquei a olhar
- Amigo, escusas de estar com ciúmes do IceMan – comentou o Fejsa
- Ah?
- Disfarças mal. Está descansado, eles não estão a falar nada de especial
- Não é nada disso
- A tua cara não engana 

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- No, I’m with him – apontei para o Nico que já estava na mesa
- Oh, you are his friend?
- Girl.
- What?
- I’m his girlfriend.
- I didn’t know that he had a girlfriend
- It’s a recent relationship and since you play for the B team, maybe you don´t have much contact with him
- Yes, that’s true. I know my team mates much better
- Look, I have to go before the food cool. It was nice to talk with you again
- I have to go eat too. See you next time – peguei no tabuleiro e fui para a mesa
- Desculpem a demora – ainda não tinham começado a comer – não era preciso esperar por mim podiam ter começado
- Eu não te disse que não havia problema, Gaitán? – resmungou o Eliseu
- Não foi por cinco minutos que morreste – respondeu-lhe o Nico
- Ó Eliseu nem com visitas tu te controlas? – perguntou o Jonas e os outros desataram a rir
- Sou assim com toda a gente, mudar para quê? Não é verdade? – perguntou-me
- Por mim estás à vontade, faz como se estivesses em casa
- Obrigado, alguém que me compreenda
- Coitadinho, que ele é um incompreendido – gozou o Fejsa passando a mão na cabeça dele e todos nós nos rimos, incluindo o Eliseu
- Já sabes se foste convocado para o jogo de amanhã?
- Si, fomos todos convocados
- Não esperava outra coisa de ti – pisquei-lhe o olho mas a vontade era mesmo abraçá-lo
            Continuamos a comer e a conversar, ri-me bastante com algumas coisas que iam falando, principalmente com o Fejsa e Jonas. Passado algum tempo de termos terminado de almoçar fomos para o carro, na saída estava pouca gente o que tornou as coisas mais rápidas. Fomos a casa dele trocar para o meu carro, combinamos que mais tarde deixo-o no estádio e amanhã depois do jogo levo-o a casa e assim escusamos de andar com os dois carros. Quando chegamos ao colégio para ir buscar os filhos do Maxi, tivemos que esperar um pouco.
- Depois vais levá-los a casa? – perguntou-me o Nico
- Não, a Anna vai levar o Maxi ao estádio e assim leva os miúdos para casa, como nós não temos cadeirinhas, não há necessidade de correr riscos
- Sempre a pensar em tudo – agarrou-me pela cintura e deu-me um ligeiro beijo nos lábios
- Já sabes que sim – fiz uma careta
- Tiooooo – gritaram os gémeos mal viram o Gaitán e correram para o abraçar
            A Belém vinha com um sorriso na cara mas mal me viu mudou a expressão, só me deixou mais preocupada
- E a tia não tem direito a abraços e beijinhos? – perguntou-lhes o argentino
- Claro que si – respondeu o Tomás e abraçaram-me fortemente enquanto a menina cumprimentava o Nico - A mama não disse que eram vocês a buscar
- Foi para ser surpresa – comentei
- Yeeeee – gritaram os gémeos
- Vamos embora? – acenaram que sim, deram me a mão, enquanto que a Belém vinha a falar com o Nico mais atrás
- Onde vamos, tia? – perguntou o Tiago
- Comer um gelado, gostam?
- A mama deixa? – soltei uma gargalhada
- Senão deixasse não íamos comer
- Fixe, eu gosto muito de gelados
- Eu também, tia – disse o Tomás
            Entramos no carro, coloquei os cintos nos meninos enquanto o Osvaldo colocou na menina. Fomos até Belém para as crianças poderem brincar no parque e no jardim que lá tem, e assim também aproveitava para falar com miúda, principal objetivo desta saída. Cada um escolheu o gelado que quis, sentamo-nos no jardim e quando terminaram dei sinal ao Nico para ir para o parque brincar com os gémeos para eu falar à vontade com a Belém.
- Achas que agora podemos falar? – perguntei-lhe
- Sim
- Estás chateada comigo?
- Si – desviou o olhar
- Então porquê?
- Porque voltaste para o tio
- Tu não queres que estejamos juntos?
- Não porque assim não posso estar com a tia Roccio – agora entendi a razão de este amuo
- Sabes que podes continuar a estar com ela, certo? – olhou para mim
- Posso? Mas tu e o tio estão juntos
- Isso não quer dizer que tu e ela não possam falar ou estar juntas. Se são amigas só têm que continuar a falar e a dar-se bem, apesar de ela e o Nico estarem separados.
- Pensei que já não podia ser amiga dela – rodou para ficar sentada de frente para mim
- Mas podes continuar amiga dela
- Tu não ficas triste comigo?
- Claro que não Belém, se tu gostas dela e ela é tua amiga, só tenho que apoiar a vossa amizade
- Fixe
- Isto quer dizer que já não estás chateada comigo?
- Si - sorriu
- Assim gosto mais
- Gosto de ti, Magda – abraçou-me
- E eu de ti, princesa – dei-lhe um beijo na nuca
- Tia e mana, venham à fonte. O tio deixou – veio o Tomás a correr chamar
- Onde? – perguntei
- Aquela fonte ali – apontou a Belém – ele adora aquilo, sempre que vimos cá temos que lá ir
            Ele deu-me a mão, fomos ter com o Nico e Tiago e seguimos os cinco até à fonte em frente ao Mosteiro dos Jerónimos. Estivemos um pouquinho por lá, ainda deu tempo para umas fotos e partilhei uma no instagram.

“estes miúdos têm tanta energia como o esguicho de água :p #putosadoráveis”

Voltamos para o carro, para ir levar o Gaitán ao treino e deixar os miúdos com a mãe. Quando chegamos ao estádio, a Anna já estava lá à nossa espera, perguntou se tudo tinha corrido bem e se já estava tudo resolvido, eu respondi-lhe que sim e ela ficou mais descansada. Despedi-me do Nico, saí dali e fui ter com a Carolina ao Colombo.