sábado, 12 de março de 2016

37º Capitulo - O amor não vale a pena?

(Magda)

            Este fim-de-semana viemos acampar para Drave, uma aldeia desabitada entre umas serras do concelho de Arouca. Esta terra está à responsabilidade do CNE, os caminheiros aos poucos estão a reconstruir as casas e todos os espaços envolventes. Drave é conhecida coma a Aldeia Mágica - bolas!!!! – pois é tudo calmo, nenhum movimento, não passam carros, aldeia totalmente isolada do mundo. Aqui não há qualquer tipo de rede, és só tu e a Natureza, não há possibilidade de usar as telecomunicações. Mas acreditem isto é lindo, acho que iam adorar conhecer!
            Neste momento, estamos a subir o monte para chegar ao carro, visto que ele não pode ir até lá em baixo. A mochila está tão pesada que já me dói as costas, e ainda para piorar a situação tenho que levar uma caixa nas mãos que não é nada levezinha. Vida de escuteiro é difícil! À medida que vou subindo a rede começa a surgir e as mensagens vão entrando no telemóvel. Grande parte delas são da Carol e como são muitas para responder vou-lhe ligar.
- Estou? – atendeu ela
- Olá
- Olá desaparecida
- Já sabes que aqui é assim
- I know, como correu?
- Bem, isto é lindíssimo!
- I told you!
- E à noite mais bonito é
- Tudo estrelado não é?
- Nem me fales nisso…
- Porquê?
- Porque o Vasco decidiu fazer uma reflexão olhando para as estrelas
- E que mal tem isso?
- Só me fez lembrar do outro cromo
- Why?
- Porque uma vez lhe disse que um dia o levava a acampar para ele ver o céu estrelado e apreciar a Natureza…
- Txiii pontaria do chefe
- Resmunguei logo
- Estou a imaginar a tua cara
- Mas pronto foi só esse percalço. Como correu o jogo? Já vi que ganhamos
- Correu bem, a Pipa gostou imenso e acho que se divertiu
- Ainda bem, então o outro jogou mal?
- Mal? Mal é favor! Tudo o que tinha para fazer mal ele fez, sabes os cruzamentos?
- Si
- Piores que os do Eliseu
- Isso é possível?
- Pelos vistos foi possível vindo do cromo
- Coitado, se calhar anda com problemas familiares
- Coitado? É pago para jogar bem, se está com problemas que os resolva fora do campo
- Nisso tens razão mas pronto já passou. Mais novidades?
- As brazucas mal me viram fizeram grande festa e perguntaram por ti
- Por mim? O que disseste?
- Disse que estavas com muito trabalho na faculdade por isso não tens vindo cá
- Boa
- Elas querem combinar um serão de culinária como falamos da outra vez
- Vais tu que eu não vou
- Não sejas assim, não vais privar de fazer coisas que gostas por causa do outro mocotó
- Sabes que elas vão encher de perguntas e eu não quero
- Dizes: “terminamos e a história acaba aqui!”
- Como se fosse assim tão fácil
- Sabes que daqui a nada todas vão ficar a saber e se calhar é melhor saberem pela tua boca do que andarem a inventar histórias
- Eu sei mas depois logo se vê – fizemos uma pausa – olha vi a foto que me enviaste
- Do mal-humorado?
- Si e ele ainda estava com a pulseira
- Deve achar que lhe fica bem
- Ohhh senão fosse importante tirava não?
- No sé sabes que ele… – e a chamada foi a baixo, voltei a ficar sem rede, mas minutos depois voltou. Recebi mais uma mensagem e desta vez era do Nico

De: Nico
- Hola Magda! Como estás?

            Fiquei a olhar para isto a pensar se respondia, se ignorava, se respondesse o que dizia. Não estava nada à espera de receber isto. Vou masé ligar à Carol para continuar a conversa
- Então?
- Desculpa fiquei sem rede
- Não tem mal, estava a dizer que já devias saber que ele não bate bem da cabeça
- Pára de implicar com ele
- Já sabes que vai levar comigo até ao fim
- Até tenho pena dele – rimo-nos – por falar nele, neste tempo que fiquei sem rede recebi uma mensagem dele
- O que é que ele quer?
- “Olá Magda, como estás?” foi o que ele mandou
- WOW o outro tinha razão
- Ah? Quem?
- Nada nada
- Explica-te
- Vais-lhe responder?
- Não sei, o que achas melhor?
- Não respondas
- Porquê?
- Porque ele não merece que lhe dês trela
- Mas eu não quero ser como ele, antes de isto começar eramos amigos e eu quero manter isso
- Então manda-lhe a perguntar porque raio jogou tão mal no sábado
- Boa ideia
- Depois quero saber de tudo
- Sim amanhã ligo-te
- Fico à espera
- Combinado. Olha agora vou desligar porque vou entrar no carro
- Hasta
- Até logo – desliguei, colocamos as mochilas na mala do carro, entramos e seguimos para o Porto.
            Durante a viagem decidi responder ao Osvaldo, ele respondeu rápido e passamos um bocado a conversar

Para: Nico
- Olá, vai indo e tu como estás? O que se passou no sábado para jogares tão mal?

De: Nico
- Já tive dias melhores… coisas na cabeça a mexer comigo e não me consegui concentrar, desculpa L

- Mas passa-se algo com a tua família para estares assim? … Não tens que pedir desculpa a mim mas sim aos teus companheiros.

- No, graças a Deus. É mesmo comigo, vários pensamentos e muitas coisas por resolver… Claro que tenho que te pedir desculpa, tu sempre me apoiaste e mereces que eu dê o meu máximo. Ahhh e já lhes pedi desculpa por não ter conseguido ajudar da melhor maneira, apesar da vitória.

- Ainda bem, pensei que fosse algo grave J … já sabes estarei aqui para te apoiar, nas coisas boas e más! Até para te chamar à atenção quando achar que estás errado, é isto o trabalho de uma fã
- No … muchas gracias Magda J
- Nico, uma pergunta: porque decidiste mandar mensagem agora?

Como tínhamos acabado de chegar a sede, guardei o telemóvel para ajudar a arrumar as coisas para depois ir para casa descansar. Quando cheguei a casa, pousei a mochila na cozinha, fui tomar banho, comi alguma coisa, arrumei as tralhas e sentei-me no sofá. Voltei a pegar no telemóvel e já tinha resposta dele.

De: Nico
- Porque tinha saudades tuas…

            Esta mensagem foi como um soco valente no estômago ou como a Carolina costuma dizer “facada direta no pâncreas”! Ele tocou na ferida, eu também tenho saudades dele, de falar com ele, de estar com ele, de ver aquele sorriso parvo mas que deixa qualquer uma derretida. Mas ele é que escolheu que as coisas fossem assim, por isso, não entendo porque vem com esta conversa? Será que a outra lhe voltou a dar com os pés e virou-se para mim? Aiiii se é isto não vai ter sorte comigo!!!!

Para: Nico
- Não sei o que te dizer…também tenho saudades de estar contigo, mas foste tu que assim quiseste. Tu é que tinhas dúvidas se ainda gostavas da Rocio…

- Yo sé…fiz a maior asneira da minha vida

- Desculpa mas tenho que te perguntar isto: o que te fez mandar mensagem? Foi ela que já não te liga nenhuma?
- No, pelo contrário ela não pára de mandar mensagem, mas as mensagens dela não mexem comigo, não me fazem sentir aquele friozinho na barriga, não me fazem sorrir e contigo isso acontecia (está acontecer neste momento para ser sincero). E foi uma das grandes razões para te mandar mensagem, não paro de pensar em ti, nos nossos momentos, como gosto de ti… Sábado, em campo, o meu pensamento estava focado só nisso, o que posso fazer para voltarmos a estar bem e juntos, o que posso fazer para remediar esta situação. Por isso, achei por bem começar a falar contigo…
- Bem… se já não sabia o que dizer, agora a tarefa ficou mais difícil jajajaja neste momento, o melhor que podemos fazer é ir falando, manter contacto :)
- Sim, acho o mesmo
- É melhor que nada jajajaja olha vou dormir que estou cansada. Boa noite.
- Buenas noches *

            O cansaço já se estava a poderar de então decidi ir dormir pois amanhã é dia de aulas e tenho que acordar cedo.
            Hoje já é quarta-feira, como a semana está a passar a correr, por um lado é bom pois vem ai a semana da queima sinónimo de não ter aulas e poder divertir-me com os meus amigos. Mas por outro significa que os exames e frequências estão-se aproximar e eu não gosto muito disso. O meu dia passou entre aulas teóricas e práticas, desde as 8h30 até as 18h30, como odeio as quartas! Vou aproveitar o caminho até casa para ligar à minha amiga.
- Alô
- Oi, tudo fixe?
- Sim e contigo? As aulinhas correram bem?
- Correu mas estou cansada
- Chegas a casa e descansas
- É o que vou fazer! Olha este fim-de-semana vens cá?
- Vou sim, porquê?
- Porque um amigo do meu pai arranjou-me bilhetes para o jogo do Boavista e ia perguntar se queres ir comigo?
- Quando é e contra quem é?
- Domingo pelas 16h e contra o Nacional
- O teu amigo Sequeira vem cá?
- Não me fales dessa besta – ela riu-se
- Tão giro pegar contigo mas vá podes contar comigo
- Fixe
- Olha a Pipa fez hoje o teste de paternidade~?
- A sério? Correu bem?
Sim, ela estava um pouco nervosa mas correu tudo bem
- Ela foi sozinha com eles?
- Não, a mãe foi com ela. Eu ainda lhe perguntei se queria que fosse com ela mas disse que não valia a pena
- E agora quanto tempo tem que esperar pelos resultados?
- Ela falou em 15 dias mas pode demorar um pouco mais
- Ahh e tu de quem achas que é o pai?
- Eu? Para te ser sincera acho que é o Pedro
- O outro não tem hipóteses?
- Tem probabilidade de ser o outro mas o meu sexto sentido diz que é o lisboeta
- Vamos ter que esperar para ver se estás certa ou não
- Exato! E tu tens falado com o outro cromo?
- Sim, coisas banais basicamente
- Muy bien – conversamos mais um pouco
- Olha agora que estou no bus vou ouvir um bocadinho de música, está bem?
- Si
- Até logo
- Hasta – desligamos e coloquei os fones.
            Depois de jantar sentei-me no sofá a procurar novas músicas e encontrei uma que gostei bastante. Chama-se “Picky” do Joey Montana, é mesmo divertida e viciante, fez-me lembrar o pé de chumbo do Nico e decidi mandar-lhe mensagem.


Para: Nico
- Eiiii, não sei se já conheces mas acabei de ouvir a música Picky do Joey Montana e fez-me lembrar como tinha que ser sempre eu a convidar-te a dançar e muitas vezes não querias jajajajaja

De: Nico
- Está na minha playlist
J dançar não é o meu forte jajajaja

- Pois não, dedica-te mesmo só ao futebol :p
- É melhor é melhor jajajaja e tu tens-te dedicado à playstation?
- Nem por isso, mas noutro dia na casa de um colega meu estivemos a jogar e eu ganhei 3-1 com dois golos do Herrera ;)
- Estás a ficar uma craque, qualquer dia temos que combinar para jogar :)
- Um dia talvez…
- Antes disso acontecer temos que marcar um almoço os quatro
- Não sei se vais querer levar com o humor da Carol..
- Eu posso com ela!!
- Ok, será algo a pensar,vou dormir. Boa noite Nico.
- Buenas noches *


               O resto da semana passou a voar, sábado fui para os escuteiros como habitual mas vim embora mais cedo pois o Benfica jogava às 18h com o Belenenses e eu queria ver já que na semana passada não pude ver. No domingo como combinado com a Carol fomos ver o jogo do Boavista. Ficamos atrás do banco de suplentes da equipa da casa, nenhuma de nós conhecia a equipa por isso só íamos mesmo para ver futebol. A equipa entrou em campo para o aquecimento e os adeptos levantaram-se para aplaudir e nós fizemos o mesmo mas algo se passou com a minha amiga, porque ela ficou parva a olhar para o campo de boca aberta
- O que se passa?
- OMD
- O que foi? Estás a deixar-me preocupada
- Olha para aquele tipo –
apontou para um do Boavista
- O que tem?
- Não reconheces?
- Não, quem é?
- É o tipo que encontrei da outra vez
- Quem? Aquele que dançaste no bar?
- Esse mesmo
- Ele é jogador de futebol?
- Pelos vistos sim
- Que pontaria a tua
- Eu não fazia a mínima ideia, nunca o tinha visto mais gordo
- Eu sei, agora já podes descobrir o nome dele
- Qual o número dele? Vou já ver à net
- É o 25 –
ela foi ao telemóvel procurar e descobriu que ele se chama Afonso
- No final do jogo vou chamá-lo e ver qual a reação
- Tu és doida
- Já sabes que sim –
rimo-nos, eles regressaram ao balneário e na hora prevista entraram em campo e o jogo começou.
               O Boavista viu-se à rasca para marcar, mas aos 70 minutos conseguiu finalmente acertar com a baliza pelos pés do Renato Santos. O resultado final foi 1-0, os jogadores cumprimentaram-se como habitual, depois agradeceram aos adeptos o apoio e começaram a sair. Quando o número 25 ia a passar a Carolina grita por ele
- Afonso – ele olhou, ficou parvo a olhar para ela mas segundos depois sorriu e aproximou-se dela
- Não sabia que eras adepta de futebol
- Também não sabia que eras jogador de futebol
- Se soubesses não dançavas comigo?
- Se calhar não, quem sabe
- Mas tu és boavisteira?
- Não, vim ver o jogo e por coincidência ou não encontro-te aqui
- É o destino
- Não acredito nisso
- Afonso, temos que ir para dentro –
disse um senhor
- Já vou, já vou. Dê-me um minuto – respondeu-lhe o rapaz
- Antes de ires podemos tirar uma foto? – perguntou a Carol
- Sim, claro – ela deu-lhe o telemóvel para a mão e tiraram uma selfie – depois envia-me isso
- Como vou enviar?
- Tu descobres –
piscou-lhe o olho e saiu
- Eu descubro? Mas o gajo está a gozar comigo? – desatei a rir – não te rias
- Desculpa, mas teve muito piada!
- Ai que raiva que os jogadores me metem!!!! –
saímos do estádio
- Estou a ver que este é pior que tu
- Bem que vai esperar sentado pela foto
- Vê se ele tem insta, segues e esperas que ele te diga alguma coisa
- Durante a viagem até Lisboa eu vejo isso –
continuamos a conversar. Levei-a à estação de camionetas, voltei para casa, comi qualquer coisa, sentei-me no sofá a ver televisão e quando chegou a minha hora fui para a cama.
               Acordei cedo pois tinha consulta com a médica de família na parte da manhã. Fui a pé até ao centro de saúde e quando estava a passar no Jardim de Arca D’água ouvi alguém a chamar por mim. Olhei e não queria acreditar no que estava a ver
- Não pode ser possível, tu não podes estar aqui
- Posso sim –
beliscou-me e eu dei um grito
- Isso doeu
- É para tu veres como sou real –
respondeu o André
- O que fazes aqui?
- Vim ao teu encontro porque preciso de te mostrar algo
- O quê? Como é possível tu estares aqui?
- Não interessa isso agora, vamos é fazer a nossa viagem
- Mas….-
não me deixou terminar, agarrou na minha mão e em segundos estávamos em frente à Torre dos Clérigos e algo estranho aconteceu
- Mas como é que? – apontei para as escadas
- O quê?
- Eu estar aqui contigo e ao mesmo tempo estar ali
- Estás bem acompanhada em ambos os sítios. Aqui comigo e ali com o argentino
- Eii, ele tem nome!
- A nossa viagem vai ser pelo passado, ou melhor dizendo por momentos entre ti e o outro
- Ok, mas isso é um pouco crazy...
- Não sei se te lembras deste momento, mas foi quando ele veio ter contigo ao Porto e vocês andaram a passear e até me encontraram
- Sim, eu lembro-me mas porquê este momento?
- Para tu veres como gostavam um do outro mesmo antes de o assumirem. Olha para a maneira dele a olhar para ti –
olhei e ele estava com aquele sorriso fofo – agora olha para ti toda preocupada com ele
- Ok acho que já percebi onde querias chegar mas podemos voltar à realidade?
- Naaaaa, isto ainda agora começou –
olhei para ele com cara de poucos amigos e quando olho em redor, já estávamos no corredor de um hospital
- Onde estamos agora?
- Já te vais lembrar
- Olha é o Nico, espera… isto foi no dia que ele me foi visitar?
- Sim, ouve bem a conversa dele com o Lisandro –
aproximamo-nos
- Ainda não me disseste como conseguiste adiar o voo? – perguntou o Licha
- Bastou dizer quem era à companhia, eles fizeram questão de ajudar e arranjar um voo mais tarde para Madrid – respondeu o Osvaldo
- Fizeste tudo isto para puderes estar com ela?
- Si, fiquei preocupado com ela e não ia descansado para a Argentina sabendo que ela estava mal
- Ai que ele é tão querido –
esfregou-lhe a mão na cabeça e riram-se – quando lhe dizes que gostas dela?
- Ainda é cedo para isso –
olhei para o André de boca aberta e a pensar “ele mudou o voo só para me ver?”
- Podemos passar ao próximo?
- And… -
ele mais uma vez não me deixou terminar a frase e já estávamos junto a minha casa.
Ele estava encostado ao carro e eu aproximava-me, passado algum tempo de estarmos a conversar ele começou a fazer-me cócegas
- Isto foi no dia… - olhei para o meu amigo – no dia do teu funeral
- Exatamente, olha para o que vai acontecer a seguir –
apareceu um carro e o Nico só teve tempo de me puxar pela cintura e ficamos colados um ao outro – vês aqui o instinto protetor dele? – acenei que sim – ele tentou proteger-te, senão sentisse nada por ti não reagia tão depressa
- Ó ele teve sorte
- O orgulho fala mais alto, não é? –
piscou-me o olho e eu dei-lhe um soco no braço – vamos à próxima cena
- Espera!!!! –
puxei pelo braço – já percebi que me queres mostrar que ele gosta de mim e que eu gosto dele mas isso nunca esteve em causa, sempre tive a certeza dos meus sentimentos! A dúvida está se vale a pena dar oportunidade a esta relação com todas as diferenças entre nós, toda esta história da Rocio, não sei mesmo se vale a pena.
- O amor não vale a pena?
- Vale mas…
- Vamos ver o estado dele na tua ausência –
em segundos estávamos em casa do Gaitán. Ele estava sentado no sofá com a camisola que lhe tinha oferecido no Natal e os calções do Benfica. Depois, enquanto bebia mate e comia bizcochuelo, ele assistia ao filme “Mamã” ao mesmo tempo que ouvia cumbia. Para culminar, ele chorava como um bebé.
- Ó André estás a gozar comigo!!! Achas que acredito que ele está neste estado??
- Pronto, eu admito que algumas coisas estão exageradas. Isto era só para para perceberes o estado de espírito dele durante o tempo que estão longe um do outro
- Estás-me a tentar dizer que ele passava os dias em casa fechado e a chorar?
- Todos os dias não, mas andava sempre desanimado. Se ele já parece que anda sempre chateado, então se os visses nestes últimos dias
- Mas foi ele que assim quis
- Tu não ajudaste, se bem te lembras –
olhou para mim – “se calhar até é melhor assim vou de Erasmus”
- Ok agora estás a fazer-me sentir culpada, era esse o objetivo?
- Nop
- Então? Explica-te
- O objetivo é que tires as tuas próprias conclusões e tomes uma decisão –
nesse momento aparecemos à porta de minha casa
- Agora vais-me levar ao futuro?
- Ó Ferreira isso seria dar-te a papinha toda
- Belo amigo que me saíste
- O futuro és tu que o vais traçar, eu apenas oriento –
piscou-me o olho e desapareceu
- Andréeeee – gritei eu
                  Acordei com a respiração ofegante, peguei no telemóvel para ver as horas e já eram 10h10 da manhã de segunda. Só pensava no sonho que tinha acabado de ter, o que hei-de fazer? Que futuro vou traçar?