terça-feira, 27 de janeiro de 2015

12º Capítulo - ela...ela está em...

(Magda) 
            Só ouço os travões com grande esforço e o Pedro a tentar fugir parar não bater, mas foi tudo tão rápido que não conseguiu. Bateu primeiro nas rodas traseiras do camião que ia à nossa frente, levando o carro a dar uma volta, batemos com a frente no separador lateral e o carro que vinha atrás embateu-nos na lateral. 
            Quando isto tudo terminou, eu não conseguia ouvir nada, só via a grande agitação lá fora, mas mesmo assim não era muito nítido, pois era de noite. Olhei para a Carolina, ela não estava acordada e sangrava de um corte que tinha junto ao olho. Tirei o sinto para tentar perceber melhor o estado dela, mas mal me conseguia mexer com tantas dores pelo corpo todo. 
            Comecei, finalmente, a ouvir o borborim que vinha de lá de fora e um senhor veio à minha janela e disse: 
- Menina não se mexa o INEM já vem a caminho. 
- Eu estou bem, os meus amigos é que não. Pode ajudá-los? – respondi eu com as poucas forças que eu tinha 
- Não se mexa – repetiu o senhor. 
            Entretanto avisto as luzes das sirenes acompanhadas por aquele som horrível. Os bombeiros abrem-nos as portas, observam o estado para saber como nos irão tirar dali. A primeira a sair do carro fui eu e disse: 
- Não se preocupem comigo, que eu estou bem. Ali a minha amiga é que precisa de ajuda. 
- Menina, tenha calma. Acabou de passar por um grande choque e a sua amiga irá ficar bem – disse um paramédico enquanto me levava para a ambulância para ser observada. 
- Deixe-me ir ver como ela está – tentava eu empurrar o médico sem sucesso, ele lá me sentou na maca e começou a fazer perguntas: Qual o meu nome? Onde eu morava? Se me lembrava do que tinha acontecido? O que me doí-a. 
            Enquanto eu estava na ambulância reparei que o Pedro recuperava os sentidos e pedi que me levassem até ele, o médico não queria, contudo eu lá o convenci. Quando cheguei perto dele perguntei: 
- Como estás? 
- Estou ainda meio zonzo mas estou bem e tu?
- Umas dores no corpo nada demais. 
- Desculpa, eu tentei de tudo para não batermos, mas o camião decidiu mudar de faixa sem dar qualquer sinalização quando o íamos ultrapassar.
- Não tiveste culpa nenhuma, Pedro. Podia acontecer a qualquer um, infelizmente foi a nós. 
- Onde está a Carol? Como está ela?
- Temos que ir, o senhor precisa de ser operado a esse braço – disse o paramédico. Pegou na maca do lisboeta, colocou-a dentro da ambulância e arrancou. 
            Eu aproveitei a distração e tentei aproximar-me da Carolina mas sem sucesso. Ela continuava desmaiada. 
- Deixem-me, deixem-me! Eu quero ver a minha amiga, eu tenho esse direito. Ela precisa da minha ajuda – e dois paramédicos empurravam mas eu continuava – deixem-me! Deixem-me – senti uma picada no braço, o meu corpo em segundos começou a perder as forças e… 
            Acordei, estava eu deitada numa cama, com um tubo junto ao nariz e outro no braço. Comecei a sentir aquele cheiro nauseabundo e só vinha a confirmar, estava numa cama de hospital. Tentei levantar-me mas não conseguia com as dores que tinha pelo corpo todo, então decidi chamar pela enfermeira 
- Enfermeira 
- Já estás acordada? – disse uma voz que me era familiar, olhei e era o Pedro que tinha o braço ao peito. 
- O que te aconteceu? 
- Parti o braço e desloquei o ombro
- Mais era impossível! 
- Podia ter ficado sem braço – rimo-nos 
- Só tu para me fazeres rir numa altura destas. A Carol? Onde anda ela, porque não está aqui? 
- Ela está em observação.
- Mas o que se passa? 
- Ainda é complicado de dizer.
- Não me escondas nada 
- Sabes com tantas pancadas, ela… ela está em coma e ainda não sabem dizer mais nada – disse ele com a voz a tremelicar - Está com diagnóstico reservado. 
- O quê?!? Mas ela vai ficar bem? Ela vai acordar? Já avisaram a família dela? – ele interrompe-me. 
- Magda, calma! Os médicos já ligaram para a família dela, que por acaso já tiveram cá. E também avisaram a tua
- A minha? Mas como sabiam? 
- Eu dei o contacto da irmã da Carolina, eles ligaram para ela e pediram o contacto dos teus pais. Eles também vieram cá, mas estavas a dormir
- Estou a ver que se passou muita coisa enquanto dormia. Conta tudo direito. 
            Ele contou que estávamos no Hospital de Coimbra, que os meus pais vieram ver-me mas foram embora porque não iriam ficar cá a fazer nada. Eu e ele vamos ter alta na segunda, e a Carol independentemente do estado dela vai ser transferida para o Hospital São João, caso quadro clinico dela se altera entram em contacto. Ele disse-me que depois do médico vir ao quarto ver como estávamos nos permitia ver a nossa amiga. 
- Sabes onde estão as minhas coisas? Gostava de ligar aos meus pais 
- Estão na gaveta dessa mesa ao teu lado
- Obrigada - Peguei no telemóvel, reparei que tinha uma mensagem do Nico mas preferi ligar primeiro aos meus pais para dizer que estava bem. O meu pai disse-me que já tinha avisado o meu amigo André e a Olívia do que se tinha passado, que só faltava avisar o Tomás, desliguei a chamada e mandei logo uma mensagem ao Tomás a contar o sucedido, ele desejou as melhoras. Abri, finalmente a mensagem pendente. 
            De: Nico 
- Buenos dias ;) então como correu a viagem? ** 
            Para: Nico
- Boa tarde, a viagem não correu muito bem ;( tivemos um acidente… e estamos no hospital mas não é nada de grave. ** 
            Nem tinha passado um minuto e recebo uma chamada dele 
- Estou? 
- Estou?!? Tens um acidente e só mandas uma mensagem? Não sabes ligar??? – disse ele um pouco exaltado 
- Ei tem calma, eu é que estou aqui enfiada no hospital e tu é que estás irritado 
- Fiquei preocupado
- Desculpa, tens razão mas com esta situação não pensei direito 
- Desculpa eu, por me ter passado. Mas estás bem? O que se passou afinal? – contei os pormenores do acidente e do estado da Carolina. 
- Eu amanhã vou tentar passar ai antes de viajar para a Argentina, hoje não porque é dia de jogo. 
- Oh não precisas de vir. Apanha o avião e vai ter com a tua família para matar as saudades
- Vou sim, quero ver como estás e se precisas de alguma coisa. 
- Eu estou bem e não preciso de nada. Quer dizer, quero que vás ter com a tua família.
- És teimosa – o médico entra no quarto. 
- Muito. Olha vou ter que desligar que o médico chegou
- As melhoras para todos vós, espero que a tua amiga recupere rápido. Beijinhos. 
- Muito obrigada e boa sorte a toda a equipa para o jogo de logo. Beijo – desliguei a chamada. 
- Ainda agora acordou e já está ao telefone? – perguntou o médico 
- Tenho uma vida social muito ativa mas diga-me, estou a morrer?
- Ahahah… estou a ver que a menina está muito engraçadinha. Tirando alguns hematomas e as dores musculares, tem saúde para dar e vender 
- Ainda bem que não é nada grave. Já podemos ir ver a Carolina?
- Podem – mal o médico disse isto levantamo-nos e fomos ver como ela estava. Eu deixei o Pedro entrar primeiro, e enquanto esperava no corredor lembrei-me de uma coisa. Fui ao quarto num instante ver se o meu pai tinha posto na minha mochila uma coisa importante e, como sempre, ele não falha, peguei e voltei para junto do quarto da Carol. 
            O lisboeta saiu e eu entrei, sentei-me na cama junto aos braços dela e disse: 
- Hoje joga o teu grande amor – olhei para o cachecol do Benfica que tinha na mão –vou-te deixar isto aqui para te dar força e tu dares aquela força especial ao nosso clube. Para te lembrares da força do teu grande amor, sei que te vai dar sorte e vais acordar logo logo, eu sei disso! Vá lá amiga, acorda! O Pedro precisa de ti, o HappyMeal precisa da mãezinha dele, os lobitos precisam do Balú, a tua família, os teus amigos precisam de ti! – engoli a seco e limpei a lágrima que tinha no canto do olho – Eu preciso de ti, caramba! Conhecendo-te como te conheço, sei que te vais lembrar da força que o teu Toto teve para enfrentar aquela grave lesão, aquela garra que ele teve para todos os dias lutar e voltar a fazer o que mais gosta, aquela força e vontade que tu admiras nele, vai ser esse o teu alicerce para recuperares. Acorda vá lá! – olhei para ela e não reagiu, então levantei-me deixei o cachecol junto aos pés dela e quando cheguei à porta disse – acho que vais gostar de saber o Salvio e o Lisandro foram convocados para o jogo de hoje. Até amanhã. – naquele momento apetecia-me chorar por vê-la assim e eu sem poder fazer nada, mas respirei fundo saí do quarto. 
- Ei demoraste mais que eu – disse o Pedro 
- Vamos jantar e ver o Benfica? – ele acenou que sim e lá fomos. 
            O Benfica ganhou 4-1, o Licha e o Toto foram titulares. Este último marcou dois golos com assistência do Maxi e Jonas. No primeiro golo, ele dedicou como sempre à sua mulher e ao filho o segundo parece ter dedicado ao Lisandro, porque foi logo abraçá-lo, mas depois apontou para as câmaras, o que fiquei sem perceber. Eu e o Pedro estivemos a comentar o jogo até as chatas das enfermeiras nos virem mandar calar e dizer que estava na hora de dormir. Enquanto não adormecia pensava na vontade enorme que eu tinha de ir a correr contar à Carolina que o ídolo dela marcara dois golos e que finalmente o Lisandro tinha sido titular como ela tanto pedia, sei que ela iria ficar radiante com a notícia. Fiquei perdida a imaginar a reação dela e a lembrar-me dos melhores momentos que passamos juntas, até que acabei por adormecer.

Será que o Osvaldo irá fazer a visita?
Será que o golo era mesmo para o Lisandro?
A Carolina irá acordar?

sábado, 17 de janeiro de 2015

11º Capitulo - Estás Feliz?

             A Magda veio passar uns dias comigo antes do Natal, vamos aproveita-los da melhor maneira para passear e conhecer o que me falta de Lisboa. Hoje vamos ao Oceanário. Acordamos cedo, e eram 8h30 quando saímos de casa. Apanhamos o metro na estação Colégio Militar e quando saímos em S.Sebastião para trocar de linha a Magda diz:
- Fogo como te entendes neste metro? É tão confuso!
- No início achava isso, mas agora já me habituei.
- Eu gosto do sistema deles, só passas se tiveres mesmo o cartão carregado, mas o facto de andarem ao contrário, faz-me muita confusão
- Ao fim de dois, três dias habituaste.
- Não sei. Sempre vamos ao café que falaste? É que tenho fome.
- Sim, como chegamos lá cedo temos tempo de ir comer a nossa torradinha e a meia de leite
- Acho bem.
            Saímos no Oriente e fomos ao café fazer horas, já que o Oceanário só abria às 10h. Aproveitei o tempo para lhe perguntar como tinha corrido afinal o dia de ontem
- Então, como correu ontem? Quero mais pormenores
- Correu bem – respondeu ela mas ele ficou estranho quando convidei o André para ir à Sincelo connosco
- Ficou com ciúmes, o André foi-lhe roubar a atenção toda
- Oh não ficou nada, não tem razões para isso somos só duas pessoas que nos estamos a conhecer e além disso não tenho nada com o André nem nunca tive
- Eu sei disso, mas ele não e tens que admitir que tu e o André sempre foram muito cúmplices, todos os nossos amigos achavam que vocês namoravam
- As pessoas só fazem filmes.
- Mas sem ser isso, divertiram-se? Ele é tão antipático como dá a entender?
- Nada disso, ele é super simpático e super divertido. Acho que ele usa antipatia como defesa pessoal. Eu já lhe disse para parar de ser assim e mostrar como realmente é.
- E combinaram algum encontro enquanto estás cá?
- Sim.
- Quando?
- Hoje ao almoço.
- O quê? Vais me abandonar?
- Claro que não, vais almoçar connosco como é óbvio.
- Não quero fazer de vela.
- Não sejas parva – disse a Magda com cara de poucos amigos ele disse que nos ia mostrar Lisboa aos olhos dele.
- Isso era para vocês fazerem sozinhos.
- Era nada, ficas connosco e acabou.
- A menos ele que traga o paizinho Maxi assim eu vou falando com ele e vocês ficam à vontade
- Acho que o Maxi não podia, ia ter a festinha dos filhos lá na escolinha – olhou para o relógio – é melhor irmos comprar os bilhetes quero ver tudo com calma.
            Levantamo-nos, pagamos e fomos fazer a nossa visita. Quando lá chegamos perguntaram-nos se precisávamos de uma guia, dissemos que não, porque a Magda entende do assunto, os panfletos e placas ajudam. Na zona dos répteis ela diz:
- Olha aquele é o axalote, o seu habitat é a cidade do México e é uma espécie em vias de extinção.
- Aquilo é um réptil?! Parece um peixe.
-Por acaso até lhe chamam o peixe de quatro patas, pois passa toda a sua vida na água. Tem uma coisa interessante, na época do acasalamento o macho coloca o esperma num pequeno saco que depois é recolhido no fundo do lago.
               Continuamos a visita e na zona do Atlântico-Norte e a Magda diz:
- Olha é um  pata-roxa!!!
- Um quê? 
- Um tubarão que só se alimenta durante a noite. Exteriormente os machos distinguem-se das fêmeas por terem um pterigopódio (é como duas saliências na parte posterior do animal). Já dissequei um nas aulas.
- Coitado do bicho nas tuas mãos.
- Ei até parece – um pouco mais a frente – olha aquele ali é o peixe lanterna, imediatamente debaixo do olho o peixe tem um órgão composto por bactérias simbióticas, que produzem luz.
- Eu acho que no final do curso devias trabalhar aqui, tens muito jeito
- Sabes que eu prefiro estudar o ser humano.
Estávamos no final da visita, o telemóvel da Magda toca e quando pega nele repara nas horas e diz:
- Fogo, já são 12h35
- Já?!? Nem dei pelo tempo passar.
- Nem tu nem eu – ela abriu a mensagem que dizia
            De: Nico
- Hola, já estão prontas? Eu já vou sair daqui do Seixal, por isso, por volta das 13h/13h15 estou ai ;) quando chegar ligo***
            Para: Nico
- Bom dia, estamos quase :b ok depois avisa ** Ps: sê simpático para os fãs ;)
            Pelo sorriso na cara dela deduzi que fosse uma mensagem do Osvaldo e confirmava-se. Acabamos de ver o que faltava e saímos do Oceanário. Enquanto esperávamos por ele aproveitamos para tirar umas fotos. Marcava no relógio 13h04 quando ela recebeu a chamada dele e combinaram irmos ter a porta do Vasco da Gama para depois irmos almoçar.
            Quando o avistamos ele estava de calças de ganga e sweatshirt da adidas, como habitualmente e com um rapaz alto, moreno, calças pretas e camisa ao xadrez azuis.
- Não sabia que ele ia trazer companhia – disse a Magda admirada.
- Não será um fã?
- Se calhar…
- Mas aquele estilo faz-me lembrar alguém – no momento que eu digo isto o rapaz vira-se e eu olho para a Magda surpreendidíssima – o que é que este cromo faz aqui?
- Não sei, mas eu não fazia a mínima que ele vinha.
- OMD, posso dar uma desculpa e ir embora? Eu não vou conseguir falar com ele.
- Está calada, vais almoçar connosco e vais ver que vai ser divertido!
            A Magda cumprimentou o Gaitàn com dois beijinhos enquanto eu evitava manter contacto visual com o outro rapaz e ela disse:
- Nico, esta é a Carolina como já deves saber – cumprimentei-o
- Licha, esta é a Magda e a sua amiga Carolina – neste preciso momento cruzei olhar com o Lisandro e senti as minha bochechas arder, devo estar super corada, nunca senti tanta vergonha.
- Onde vamos almoçar? – perguntou a Magda
- Ao sítio do costume – disse o Licha
- Então indiquem o caminho que nós não conhecemos
            Dirigíamo-nos até ao restaurante até que o Lisandro chega a minha beira e pergunta.
- Tu és a rapariga que eu reencontrei no Porto, não és?
- Sim sou.
- Eu reparei que não ficaste muito à vontade com a minha presença se quiseres eu invento uma desculpa e vou embora.
- Não diga disparates – respirei fundo e olhei-o nos olhos - é verdade que eu me senti um pouco envergonhada porque me lembrei do que me disse no outro dia, mas não quero que vá embora. Peço desculpa por o fazer sentir mal.
- Primeiro trata-me por tu já que vamos passar o almoço a conversar e segundo não tens que pedir desculpa. Se aqui alguém tem que o fazer, essa pessoa sou eu. Mas eu só disse a verdade, tu és muito gira.
- Então vamos começar de novo, como se nunca nos tivéssemos visto antes ok? – ele acenou que sim e estiquei a mão para lhe dar um aperto de mão e disse – Olá eu sou a Carolina
            Ele deu uma gargalhada estendeu a mão dele, agarrando a minha mão e disse:
- Hola, yo soy Lisandro Lopez, como estás chica? – começamos os dois a rir até que o Nico e a Magda olham para nós
- O que é que nós perdemos? – pergunta ela.
- Nada, nada – respondi eu ainda meia a rir.
            Entramos no restaurante, os empregados já conheciam muito bem o Gaitán e o Licha e levaram-nos logo para uma mesa junto à janela com vista para o rio. Sentamo-nos, eu fiquei ao lado da Magda que na sua frente tinha o Nico e eu fiquei de frente ao Lisandro. Pedimos e enquanto esperamos fomos conversando.
- Então hoje não tinham muitos fãs a porta do Seixal? – perguntei eu
- Estavam 6 ou 7 pessoas nada mais. Nem todos os dias aquilo está cheio, para nosso bem – respondeu o Lisandro
- Torna-se muito chato dar autógrafos e tirar fotos todos os dias ou quase todos os dias?
- Não, mas é cansativo para nós sorrir para mil e uma câmaras.
- Porque é que vocês não pedem aos vossos patrocinadores para fazer um cartão A5 com uma foto vossa e com o vosso autógrafo? Assim era só distribuir – sugeriu a Magda
- Não era mau pensado mas não é a mesma coisa para eles – respondeu o Nico
- Sim, isso é verdade. É muito melhor uma foto nossa com o jogador e tirada pela nossa câmara do que um simples postal para isso tirávamos uma foto vossa da net – disse eu
- Têm alguma situação caricata com algum fã? – perguntou a Magda
- Que eu me lembre não – disse o Nico
- Eu também não me lembro de nada – respondeu de seguida o Lisandro
            Finalmente veio o almoço, já estávamos os quatro a dizer que tínhamos fome. Comemos, fomos conversando e no fim fui a única que não quis café. Íamos para sair e o Lisandro diz:
- Não vamos embora sem antes tirar uma foto
- Tu e as fotos – disse o Osvaldo
- Sr. António pode-nos tirar uma foto aos quatro por favor? – deu o seu iphone para a mão do empregado. Este ia a tirar a foto e eu disse
- Espere um bocadinho, meninos é para sorrir em condições ouviu Sr. Nicolas? – eles riram-se e lá o empregado tirou a foto, ficamos todos a sorrir. Agradecemos ao senhor e no momento de pagar foi a guerra. Eu e a Magda éramos a favor de dividirmos a conta pelos quatro, o Nico e o Lisandro queriam ser eles a pagar tudo. No fim, o Licha é que ganhou.
Fomos passear pelo Parque das Nações, pelos jardins que aqui há, eu e a Magda desconhecíamos por completo isto. Aproveitamos para tirar muitas fotos. (fica aqui uma delas)
            Durante o passeio, vinha sempre pessoas pedir foto e autógrafos com as duas vedetas, eu e a minha amiga ficávamos a olhar e apreciar.
- São estas as figuras que nós fazemos? – perguntou ela
- Parece que sim – rimo-nos - começo a ter pena deles, não podem andar na rua descansados que vem pelo menos um pedir foto ou autógrafo.
- Pois, mas faz parte do trabalho deles
- Olha o Nico a sorrir em condições, deve ser milagre!
- Oh para de embirrar com ele por causa disso, ele não pode andar sempre feliz e contente
- Tens que lhe perguntar se ele hoje está feliz e contente
- Não vou perguntar nada.
- Não vais perguntar o quê? – interrompeu o Osvaldo
- Nada, nada. É aqui a Carol que está a dizer disparates. Podemos continuar o passeio?
- Sim, mas vou vos levar a outro sítio
- Onde? – perguntei eu e Magda em simultâneo , olhamos uma para a outra e rimo-nos
- Ei lá foi combinado? – perguntou o Lisandro
- Não – disse eu
- Vamos até Belém comer uns pastéis – respondeu o Nico.
            Fomos no carro do Osvaldo, primeiro que arranjássemos lugar para estacionar foi um verdadeiro filme até que nos cansamos de procurar e deixamos o carro no parque de estacionamento. Dirigimo-nos à loja para comprar os pastéis e decidimos que nos íamos sentar junto à Torre de Belém para os comer. No caminho, ia a Magda e Gaitán na frente e eu e Licha atrás a conversar, até que se ouve o Nico:
- Magda, o que é que a Carolina estava te a dizer para perguntares?
- Quando?
- Quando ainda estávamos no Parque das Nações
- Ainda te lembras disso? Já me esquecia…
- Sim lembro.
- Eu e ela estávamos a comentar que tu nas fotos com os fãs estavas mais sorridente que o normal e ela disse para eu te perguntar se… - fez uma pausa – se estás feliz e contente?
- Era isso? – ela acenou que sim – pensei que fosse algum mais grave. E sim estou contente, como não estar se estou em boa companhia?
- Oh querido, é bom saber que somos boa companhia
- Já percebi que o jogador favorito da tua amiga é o Nico e o teu? – pergunta-me o Lisandro
- O jogador que mais admiro, que mais me orgulho chama-se Eduardo António Salvio, conheces?
- Claro que conheço, é um grande amigo, que me apoiou desde que cheguei ao Benfica, uma excelente pessoa.
- Nunca tive dúvidas disso, ele deve ser cinco estrelas e um excelente amigo. O meu orgulho por ele cresce a cada dia que passa.
- Vou-lhe dizer o que me acabaste de contar, aposto que ele vai adorar saber.
- Obrigada. Olha e porque é que o mister não te dá a oportunidade de mostrares o que vales? És um excelente central, mas se ele não te puser a jogar não poderás mostrar isso.
- Muchas gracias pelas palavras, mas é o mister que decide.
- Ele decide mal, vou ter que o chatear para te pôr a jogar – o Lisandro riu-se – tas te a rir? Eu aqui a defender-te e tu riste-te? Mau!
- Achei graça a dizeres que o vais chatear, mas agradeço muito o teu apoio.
- Não tens de quê, só espero que ele te dê a oportunidade – sorrimos um para o outro, e o meu telemóvel toca, era uma mensagem do Pedro
              De: Lisboeta
- Boa tarde princesa, como está a correr o vosso passeio? Estás aproveitar bem o tempo com a tua amiga? Um beijinho bem grande Ps: já morro de saudades tuas :
              Para: Lisboeta
- Boas mi lisboeta, o passeio está a correr muito bem :D milhões de beijos Ps: i miss you
              Depois de ler e responder guardei o telemóvel e o Lisandro perguntou
- Era o teu namorado?
- Como sabes disso? – disse eu admirada.
- Viu-se no teu olhar e no sorriso que deste para o telemóvel.
- Sim era o Pedro.
- Ele também é lá do Porto?
- Não, ele é daqui de Lisboa, conheci-o no meu trabalho quando vim para cá.
- Ahhh está bem.
              Sentamo-nos os quatro num dos bancos de pedra junto à Torre de Belém a comer aqueles maravilhosos pastéis, enquanto apreciávamos o pôr-do-sol e conversávamos. Já estava na hora de irmos embora, estávamos todos cansados. Eu e a Magda insistimos que íamos de transportes públicos para eles não perderem tempo e irem para casa descansar, mas eles são teimosos e fizeram questão de nos deixar no Colombo. Quando lá chegamos íamo-nos a despedir e o Nico pergunta:
- Sábado, vão ver o jogo ao estádio?
- Não, amanhã a noite vamos para o Porto, temos a festa de natal dos escuteiros no sábado e temos que ir – respondi eu.
- Oh agora que vos ia convidar para verem o jogo connosco, quer dizer pelo menos comigo aqui o Lisandro ainda pode ser convocado.
- Fica para uma próxima – disse a Magda meia tristonha porque se soubesse deste convite não tínha confirmado que ía aos escuteiros.
- Boa viagem, meninas – desejaram-nos os dois, nós agradecemos e foram embora.
              Antes de irmos para casa passamos no Continente para comprar algo para o jantar, assim aproveitei para dar um beijinho ao Pedro que hoje ia ficar até ao fecho da loja. Quando chegamos a casa, enquanto a minha amiga foi tomar banho eu fiz o jantar, e enquanto ela arrumava a cozinha eu fui tomar banho. Vimos um pouco de televisão e adormecemos.
              Na sexta de manhã, eu e ela arrumamos as coisas que tínhamos que levar para o Porto. Era mais roupa para a mãe lavar, porque o meu coelho Happy Meal ia ficar, no domingo o Pedro vem para baixo passar o natal com a família e toma conta dele até eu chegar. Na parte da tarde, decidimos ir até ao Colombo fazer umas últimas compras de natal.

              Eram 20h quando o Pedro chegou a minha casa, estávamos prontos para arrancar viagem. Durante a viagem contamos ao lisboeta como tinha sido o nosso passeio no dia anterior, que tínhamos almoçado com o Nico e Lisandro e incrivelmente ele não fez nenhuma cena de ciúmes. Já tínhamos passado Coimbra, quando eu estava a falar com Magda e de repente ouço o Pedro a travar a fundo e…