segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

10º Capitulo - São só amigos?

             Hoje vai ser um dia especial, finalmente o Nico vem cá para lhe apresentar a minha bela cidade do Porto. Estou tão nervosa!!!
            Contei aos meus pais que ia sair com ele, disseram logo que não era uma boa ideia e que ia dar problemas porque os portistas ainda iriam arranjar confusão, eu disse que não ia acontecer nada e que eles nem eram assim tão más pessoas. O meu pai também disse que primeiro queria ter uma conversinha com o Gaitán para o avisar que comigo não se metia, eu disse logo que não ia fazer nem dizer nada e para ele ter masé juízo. Imaginem a vergonha que não iria passar!!!
            Hoje também é o último dia de aulas, espero que sejam interessantes para ver se o tempo passa a correr. Fui para as aulas e por ser as últimas do semestre foram mais práticas e o tempo passou a voar, felizmente. Olhei para o relógio e pensei “ei já é 12h tenho que me despachar ele já deve estar a minha espera”. Arrumei as minhas coisas, dirigi-me à porta e o meu telefone apita, recebi a seguinte mensagem:
            De: Nico 
- Hola Chica, estou aqui no carro à tua espera ;)
            Despedi-me dos meus colegas e fui. À medida que me aproximava da porta o meu coração batia mais depressa, parecia que estava pronto a sair disparado. As pernastremiam, por momentos achei que nem conseguiria sair do sítio, mas respirei fundo e pensei “vá Magda tu consegues”.
            Quando ele me viu aproximar esboçou aquele sorriso encantador que tem, o que me deixou ainda mais constrangida porque só estava habituada a ver nos jogos ou em fotos nunca ao vivo. Ele fez questão de sair do carro e disse:
- Hola – aproximou-se para me dar dois beijinhos e eu retribui
- Vamos? – disse eu. Ele acenou, cavalheiro que é, fez questão de me abrir a porta do carro e lá fomos nós - onde vamos almoçar? 
- Tu escolhes, tu é que és de cá
- Mas foste tu que ficaste de ver um restaurante para não irmos a um sítio muito movimentado – disse eu assustada porque não conheço assim muitos sítios para comer, normalmente quem trata disso é a Carolina
- Estou a brincar contigo – sorriu
- Por momentos assustaste-me
- Viu-se na tua cara – sem avisar parou o carro junto ao passeio com os quatro piscas – espera um pouco que já volto – saiu do carro, foi falar com um senhor que estava a porta de uma casa e voltou – pérdon, fui pedir para colocar o carro na garagem para depois irmos passear a pé como combinado 
- Estou a ver que trataste de tudo, muy bien.
            Estacionou o carro na garagem, entrámos na casa, que afinal era um restaurante. Sentámo-nos, escolhemos o que cada um queria e durante todo o almoço fomos conversando. Como tinha corrido a viagem dele até cá, como tinha corrido o meu último dia de aulas, como é que nós estávamos, sobre o Benfica, sobre futebol no geral, sobre os nossos gostos musicais, filmes, entre outras coisas. Foi um momento para o conhecer melhor e para ele me conhecer. No fim do almoço foi uma guerra porque ele não me deixou pagar o almoço, nem dividir a conta. Saímos do restaurante e ele disse:
- Agora é contigo, para onde vamos? – olhei a minha volta para me localizar, agarrei no braço dele e disse
- Vamos por aqui – começamos a descer a rua e estávamos na mítica Rua de Santa Catarina, expliquei-lhe que era uma das ruas mais movimentadas da cidade, que antigamente o comércio passava-se todo ali, mas que infelizmente hoje em dia são cada vez mais lojas a fechar. Seguimos em direcção à Batalha, onde fica um dos cinemas mais antigos da cidade.
            Fomos visitar a Sé, onde lhe mostrei a vista magnífica para o rio Douro, descemos pelas ruelas até a ribeira. Ele tirou umas fotos àquela vista maravilhosa, também tiramos uma selfie para registar o momento. Subimos até à Praça do Infante D.Henrique onde temos o Palácio da Bolsa, o Mercado Ferreira Borges e a Igreja de São Francisco, continuamos a subir pela Rua Mouzinho da Silveira até à Estação de São Bento. Depois seguimos até a Torre do Clérigos.
- Esta é a Torre Eiffel – disse eu 
- Torre Eiffel? – perguntou ele
- Enganei-me, desculpa, é a Torre dos Clérigos - ele sentou-se nas escadinhas em frente à torre, agarrou-me a mão, puxou-me para junto dele – estás bem? Dói-te o pé?
- No, está tudo bem
- Como te sentaste fiquei preocupada, não quero ser culpada por piorares
- Nada disso, só és culpada pela minha recuperação rápida - olhamo-nos olhos nos olhos, foi muito bom ouvir aquilo que nem tive coragem de dizer o quer que fosse aprenas sorri - Como te disse por mim já voltava a jogar, mas o médico acha melhor só voltar em Janeiro. 
- Faz ele muito bem, voltas a 100% - ele sorriu, levantou-se, deu-me a mão, corei imediatamente e ele disse
- Vamos continuar? – acenei que sim e seguimos caminho de mão dada.
            Fomos pelo meio do Jardim da Cordoaria até a Praça dos Leões, onde fica a Reitoria da Universidade do Porto e a famosa praça dos estudantes. Estávamos junto à fonte dos leões quando o meu amigo André passa, larguei de imediato a mão do Nico e disse:
- André? – ele olhou para mim - por aqui? 
- Sim – respondeu ele e ficou a olhar com cara de admirado – este não é o argentino?
- É, ele tem nome. É o Gaitán – olhei para ele e disse – Nico este é o meu amigo André, André este é.. bem não precisa de apresentações – riram-se e cumprimentaram-se
- O que faz ele aqui? – perguntou o André
- Veio conhecer a cidade e tu que fazes aqui?
- Vim tomar café com o pessoal, mas já vou embora.
- Não queres vir connosco à Sincelo? – olhei para o Osvaldo e pela cara dele acho que não gostou nada deste meu convite. 
- Não quero estragar nada
- Oh deixa-te de coisas, anda
- Está bem – fomos os três até a uma das melhores gelatarias do Porto situada na Rua de Ceuta.
            Desta vez, fiz questão de ser eu a pagar eescolher os sabores dos gelados. O Nico não achou piada, mas já não havia nada a fazer. Pedi um Magnólia, que é uma taça com 6 bolas de gelado (eu escolhi panacota, coco com chocolate, zambaglione, limão, café, amora), chantily, chocolate quente, nozes e cornflackes. Ficamos ainda um bom bocado a conversar, mas senti que o Gaitán estava mais calado desde que o André ficou connosco. 
- O que tens feito? – perguntou o André 
- Faculdade, escuteiros e ir ver o Benfica e tu?
- Já não sabes? Faculdade e sair com o pessoal
- Noutro dia fui acampar para Aveiro e sabes do que me lembrei?
- Ei não acredito…
- Quando tu perdeste o bilhete do barco na ria e depois o telemóvel
- E a Carolina que trouxe o prato para casa? – eu e o André rimo-nos imenso ao relembrar essa nossa aventura até Aveiro. Olhei para as horas e disse: 
- Não é melhor irmos embora? É que ainda temos que ir a minha casa buscar as malas – o Nico abanou a cabeça dizendo que sim 
- Vais de viagem? – perguntou o André
- Vou aproveitar a boleia dele para Lisboa. Vou ficar uns dias em casa da Carol e depois vimos juntas para cima antes do Natal
- Então depois temos que combinar um jantarzinho
- Claro que sim – levantamo-nos e fomos embora.
Descemos até aos Aliados, despedimo-nos do André que foi para o metro e fomos até ao carro que deixamos na garagem do restaurante. Quando já estávamos a caminho de minha casa, perguntei: 
- Nico, passa-se alguma coisa?
- Não, porque perguntas isso?
- Estás muito calado desde que convidei o meu amigo para nos fazer companhia
- Não tinha nada a dizer e preferi deixar-vos a falar à vontade
- Oh não era preciso, podias, perfeitamente, ter falado
- Posso fazer uma pergunta?
- Claro
- Tu e o André são só amigos?
- Sim. Porquê?
- Reparei que havia muita cumplicidade entre vocês
- Conheço-o desde os 15 anos e tornamo-nos bons amigos – fez-se silêncio durante uns momentos até eu interromper - Estaciona ali que vou lá em cima buscar as malas e seguimos viagem
- Não precisas de ajuda?
- Não – saí do carro, fui buscar as malas e fizemo-nos à estrada.
            Durante a viagem viemos a falar, mostrei-lhe algumas das minhas músicas preferidas e ele mostrou-me as suas favoritas. Como vínhamos entretidos o tempo passou a correr e já estávamos em Lisboa. Pedi-lhe para me deixar no Colombo,pois combinei com a Carolina encontrarmo-nos lá para depois seguirmos para casa dela. Ele ficou comigo à espera dela e nem demorou cinco minutos até ela chegar. Despedimo-nos dele e fomos para casa.
            Já eram quase onze da noite quando recebo a seguinte mensagem:
            De: Nico
- Muchas gracias pelo dia de hoje. Gostei muito da tua companhia :) Espero que também tenhas gostado. Buenas noches Chica ***
            Para: Nico
- Eu também gostei muito da companhia :) agora é a tua vez de me apresentares a tua cidade emprestada :b boa noite ***
  
Como correrá a estadia da Magda por Lisboa?
Será que ela estará mais uma vez com o Nico?